terça-feira, 3 de janeiro de 2012

ROMARIAS DE PORTUGAL


 
Estoura no céu fogo de alegria,
Um novo despertar da tradição;
É mais um convite p´rá romaria,
A todas as almas da população.

Ouvem-se Missas na ampliação,
São rezas no ar da freguesia.
Nas cerimónias em comunhão,
Há confessos, recados com homilia.

E lá vem a música da banda a tocar,
Pelas ruas centrais dando alegria;
De passo acertado vem a marchar,
Animam a festa com primazia.

E há mais foguetes a estourar,
Por tradição, hábito e moda;
A festa e a guerra fazem lembrar,
Agradam a uns, outros incomoda.

Pedem perdão os pecadores,
Que voltarão de novo a pecar;
Rezam os pobres com ricos senhores,
Esquecem a fome e o esbanjar.

Entre fiéis anda o peditório.
A todos apelam contribuição;
Terlinta na cesta o ofertório,
Por entre a reza e a oração.

E chega o repasto, a reunião
Com as famílias a festejar;
Já se preparam para a procissão,
Onde tantos cristãos vão participar.

Tantos andores tão bem enfeitados,
Aguardam os ombros que os levarão
Ao povo nas ruas. São aguardados
Por curiosidade e devoção.

Por entre enfeites de decoração,
De comes e bebes da festividade;
Misturam-se os sons da diversão,
Com os da Missa da Natividade.

É a fé e o profano em comunhão,
Por apelo do sino tão badalado;
Ribombam os bombos em digressão,
E as bandas de música tocam no adro.

Lá vem a fanfarra alegre, fogosa,
Seguem-na estandartes no ar oscilando;
Manifestação tão religiosa,
Aos olhos do povo se vai mostrando.

Momento de fé da população,
De todos os pobres e ricos senhores;
A majestosa, e grande procissão,
É gosto de ateus, crentes, pecadores.

Junto ao quartel já está parado,
S. Joaquim da Corporação;
Pelos Bombeiros é venerado,
Que o levam a ombros na procissão.

Retoma-se a marcha, logo se detém,
Toda esta entrega da comunidade;
E já no quartel entra também,
A Padroeira Natividade.

Choram sirenes num silvo gritante,
Com emoção tão derradeira;
E o ar estremece arrepiante,
De apelo à Senhora Mãe Padroeira.

E segue adiante a devoção,
Suor nos rostos, dor na caminhada;
Parece sem fim a manifestação,
De tantos andores e tão devotada.

Vem a Padroeira, nossa Senhora,
Seguida do Palio e ostentação;
À sua passagem o povo que ora,
Vai se curvando de veneração.

Continuam foguetes a rebentar,
Bem lá no alto largando fumaça;
Termina com bandas sempre a tocar,
A majestosa cheia de graça.

Há gente descalça, mais povo a seguir,
Crianças ao colo e velas na mão;
Muitas promessas estarão a cumprir,
Por fé à Senhora e devoção.

Volta-se o porco ainda no churrasco,
Servido em sandes com vinho e cerveja;
Já se vê o osso ao chegar ao casco.
Termina o sermão dado na igreja.

E os dois conjuntos de animação,
Juntam o povo no pé de dança;
Os “Iniciadores” e o “Diapasão”,
Activam o baile e a confiança.

Ao chegar a noite tão divertida,
Estalam no céu os clarões;
E o povo dança na grande avenida,
Dançam romeiros e foliões.

Só à meia-noite sossega o chão,
De tanto pisado por toda a gente;
Com olhos no céu na iluminação,
Vê chuva de luz incandescente.

O fogo no fim estrondosamente,
Termina com bombas no teto do povo;
Espectáculo medonho no peito da gente,
Retoma-se o baile e folia de novo.

A festa vai longa é já madrugada,
Com sono a alegria já esmoreceu;
E a romaria tão derreada,
Abandona a noite que adormeceu.

José Faria

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