sábado, 25 de fevereiro de 2012

AS FANFARRAS DOS BOMBEIROS


Fanfarra de Pedrouços - Maia
 
Ruidosos bombos avançam a compasso,
A toque de caixa e marcha acertada.
Ofereçam aos bombeiros o vosso abraço,
Nossa segurança sempre vigiada.

É a fanfarra alegria e festa,
Das romarias da população:
E a tantos jovens ocupação presta,
Em conhecimento e formação.

Música festiva e divulgação,
Do seu quartel e paz de bombeiros;
Na dianteira da procissão,
Em todas as terras são os primeiros.


Apoiam a igreja e a tradição,
Acodem ao sinistro, nobres obreiros:
Arriscam a vida de coração,
Deem um abraço aos vossos bombeiros.


José Faria

sábado, 4 de fevereiro de 2012

NOVA CONVENÇÃO LINGUÍSTICA


 
“Dececionados” não fiquem,
A língua não perde “ação”!
Com a nova alteração,
Da letra muda abdiquem.

Se escreverem decepção,
Deixem de fora o “P”,
De o escrever não há razão,
É letra que não se lê.

Cá está, outra, “atualizar”,
Perdeu a “C” letra muda.
Pois nela não deve estar,
Não dá à palavra ajuda (?).

“Elétrica” outra corrente,
Ficou sem a consoante,
Por ser muda não é gente,
Nem a lê o bom falante.

“Respetivamente” vão,
Aparecer muitas erradas,
Ou por falta de atenção,
Ou por não bem estudadas.

Mas mais algo aconteceu,
Nesta nova convenção:
A língua escrita sofreu,
Também na acentuação!

Ainda é cedo p’ra assentar,
Nesta nova convenção.
Deixei-nos primeiro educar,
Pôr em ordem a educação.
 José Faria

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A FOME

 
 
À fome,
Quando ela te for apresentada,
Vais-lhe dizer o teu nome;
Muito prazer,
Não deseja tomar nada!?

Mas não virá de repente,
A descarnada,
Vai comer-te lentamente
Passo a passo,
Subindo cada degrau
Até ao cimo da escada.

São 5 euros nas batatas,
Mais cinco no detergente,
Mais trinta no bacalhau
Até ficares sem mais nada.

Quando fores apresentado à fome,
Vai-te doer a barriga
E dar-te volta à cabeça,
E vais estar pronto a roer
Qualquer coisa que apareça.

Vão subir-te ratos pequenos
Por dentro das tuas veias,
Fica-te a garganta seca
Só habitada por teias.

Fica-te a boca calada,
E quando quiseres falar.
Levas por cima porrada,
Que és pago para trabalhar
E nunca para ter ideias.

À fome
Quando ela te for apresentada,
Vais-lhe dizer o teu nome.
Muito prazer,
Não deseja tomar nada!?

Ou talvez não seja assim,
Talvez seja ao contrário;
Talvez não estejas disposto
A pagar à tua conta
Os juros ao usurário.

Quando fores apresentado à fome
Olha-a de frente e pergunta:

Quem é que me prende a mão?
Quem é que me corta o passo?
Quem é que me bebe o sangue,
Pela garrafa que faço?
Quem é que me come esta fome
Que me tortura, que eu passo?

E não esperes pela resposta,
Constrói tu os teus caminhos
E faz dessa fome. Força,
E faz dessa força, gente,
E à fome faz-lhe frente,
Agarra-a pelos colarinhos,
Enfia-a pela boca abaixo
De quem fabricou a fome
Dos que raparam o taxo!

Do autor que muito admiro: José Fanha