quarta-feira, 23 de março de 2016

LEIS OU TRADIÇÕES !?


LEI OU TRADIÇÃO
 
Ando nos braços do tempo,
Dos hábitos,
Mofo da história;
E este caminhar tão lento,
Cega o olhar da memória.
Não vejo chegado o momento,
Da liberdade em glória;
Parto sem conhecimento,
De ver a paz em vitória.
És tu também tradição,
Que me impede de voar;
Condicionas a razão
Do homem ser, ou nação,
Que o progresso quer tomar.
Porque tens que ser traição,
De quem quer continuar?
Seres sempre repetição,
Não te deixas libertar.
Quão difícil é a emancipação,
Contigo a perpetuar;
És filha da religião,
Que controla o meu voar.
Por ser pecado ou traição,
Para quem tem que respeitar,
Esquecer-te dá prisão,
E só porque o coração,
Quer ser livre, quer voar.
José Faria

LÁ VEM O COMPASSO

 
O COMPASSO
 
Anda a sineta tão persistente,
Na freguesia sempre a tocar;
Soa aos ouvidos de toda a gente,
De todas as ruas, de qualquer lugar.
Vem o compasso, é festa, é alegria;
Traz água benta, o incenso e a cruz;
E ouvem-se vozes: Aleluia!
E já todos beijam os pés a Jesus.
Entram em casas, casebres, vivendas,
Em todos os lares, de rico ou pobreta;
Em cada visita recebem oferendas,
Persistente na rua toca a sineta.
“Tenha esta casa e quem nela mora,
Viver fraterno, saúde e amor!”,
E logo o compasso não se demora,
E lá vai de novo com a cruz do Senhor.
Estão a soleiras atapetadas,
Há verdes, flores e rosas no chão;
E não para o sineiro as badaladas,
É festa e alegria do povo cristão.
Jesus ressuscitou, Aleluia!
Salta água benta do alecrim;
Anda o compasso numa euforia,
E canta a sineta tlim, tlim,
Tlim, tlim. Tlim,tlim.
José Faria.
 

terça-feira, 15 de março de 2016

FESTAS DA NATIVIDADE

AS FESTAS DE PEDROUÇOS SÃO EM SETEMBRO.

Romaria em honra de Nossa Senhora da Natividade, cuja terra passou a freguesia Eclesiástica a 8 de Setembro de 1928, alt
ura em que as festas religiosas e profanas tiveram início; e a freguesia civil em 1985, por desanexação da freguesia de Águas Santas.
Desde então, 1928, a romaria à divindade dos bons partos e bons nascimentos, e com mais empenho nos últimos anos, as festividades assumiram grande crescimento e relevância religiosa e profana, de oração, devoção e diversão. É isso e muito mais que aqui explico declamando.


ROMARIA DE PEDROUÇOS


Estoura no céu o fogo da alegria,
Um novo despertar da tradição,
É mais um convite para a romaria,
A todas as almas da população.

São os morteiros da alvorada,
O despertador da freguesia;
E entrega-se o povo à caminhada,
Até à igreja para a homilia.

Já toda a gente se vai juntando,
Na sua Paróquia em comunhão;
Onde sua vida se vai rezando,

Por conformismo da religião.

Ouvem-se as Missas na ampliação,
São rezas no ar da freguesia;
Nas cerimónias em comunhão,
Há confessos, recados na homilia.

E lá vem a música da Banda a tocar,
Pelas ruas da terra, semeiam alegria.
De passo acertado, vem a marchar.
Animam a festa com primazia.

E há mais foguetes a estourar,
Por tradição, hábito e moda.
A festa e a guerra fazem lembrar,
Agradam a uns, a outros incomoda.

Pedem perdão os pecadores,
Que voltarão de novo a pecar;
Rezam os pobres com ricos senhores,
Que esquecem a fome no seu esbanjar.

Entre os fiéis anda o peditório,
A todos apelam contribuição;
Terlinta na cesta o ofertório,
Por entre rezas de oração.

E chega o repasto, a reunião,
Com as famílias a festejar;
Já se preparam para a Procissão,
Onde os cristãos vão participar.

Tantos andores, tão bem enfeitados,
Aguardam os ombros que os levarão,
Ao povo das ruas. São aguardados:
Por curiosidade e devoção.

Por entre enfeites de decoração,
De comes e bebes da festividade;
Misturam-se os sons da diversão,
Com os da Missa da Natividade.

É a fé e o profano em comunhão,
Por apelo do sino tão badalado;
Ribombam os bombos em digressão,
E as Bandas de música tocam no adro.

Lá vem a Fanfarra alegre, fogosa,
Seguem-na estandartes oscilando;
Manifestação tão religiosa,
Aos olhos do povo se vai mostrando.

Momento de fé da população,
De todos os pobres e ricos senhores;
A majestosa, grande Procissão;
É gosto de ateus e de pecadores.

Junto ao quartel já está parado,
O São Joaquim da corporação;
Pelos bombeiros é venerado,
Que o levam a ombros na procissão.

Retoma-se a marcha, e logo se detém,
Toda esta entrega da comunidade;
E já no quartel entra também,
A Padroeira Natividade.

Choram sirenes num silvo gritante,
Com emoção tão derradeira;
E o ar estremece arrepiante,
De apelo à Senhora Mãe Padroeira.

E lá segue adiante a devoção,
Suor nos rostos, dor na caminhada;
Parece sem fim a manifestação,
De tantos andores de tão devotada.

Vem a Padroeira, nossa Senhora,
Seguida do Pálio e ostentação;
À sua passagem o povo que ora,
Vai-se curvando em veneração.

Há gente descalça, mais povo a seguir,
Crianças ao colo e velas na mão;
Muitas promessas estão a cumprir,
Por fé à Senhora, por devoção.

Continuam foguetes a rebentar,
Bem lá no alto largando fumaça;
Lá vai a Banda sempre a tocar,
Com a Majestosa cheia de graça.

Volta-se o porco lá no churrasco,
Servido em sandes com vinho e cerveja,
Já se vê o osso, está a ficar no casco,
Termina o sermão dado na igreja.

E os dois conjuntos de animação,
Juntam o povo no pé de dança;
Os Iniciadores e o Diapasão,
Activam o baile e a confiança.

Chega o folclore, os ranchos da história,
Com danças alegres, trabalho cantado;
Festa que ao povo desperta a memória,
Como foi a vida, o nosso passado.

Ao chegar a noite tão divertida,
Estalam no céu os clarões,
O povo dança na grande avenida,
Dançam romeiros e foliões.

Só à meia-noite sossega o chão,
De tanto pisado por toda a gente;
Há milhares de olhos na iluminação,
Na chuva de luz incandescente.

E o fogo no fim, estrondosamente,
Termina com bombas no teto do povo;
Espetáculo medonho no peito da gente,
Retoma-se o baile e folia de novo.

A festa vai longa, é já madrugada,
Com sono a alegria esmoreceu,
E a romaria tão derreada;
Abandona a noite, adormeceu.

José Faria