sexta-feira, 16 de junho de 2017

O MANJERICO É QUE SABE



O manjerico tão querido,
Foi eleito para se ver;
Por um povo distraído,
Impedido de crescer.

Não é tido nem ouvido,
E tudo está por fazer;
Mas o manjerico sabido,
Nada tem a oferecer.

Serve-se da humildade
E até da religião,
Para o seu vaso encher;

Sem qualquer utilidade,
Agarra-se à tradição,
Para o São João o ver.

José Faria

segunda-feira, 29 de maio de 2017

POESIA SEM ROSTO


FUTILIDADES POÉTICAS

Melhor fosse a perífrase utilizada,
Para dar à poesia mais aragem;
Porque há muita que ao ser declamada,
De metáforas está tão carregada,
Que nem se chega a perceber qual a mensagem.

E basta uma palavra desajustada,
Para inverter a ideia ou imagem,
E o sentido da frase versada.
Porque a vaidosa palavra realçada,
Tirou ao poema toda a coragem.

Depois vem a poesia do lamento,
Da tristeza, da dor e da saudade;
Tal como o fado choradinho;

Para o progresso é perda de tempo,
Não se constrói com isso felicidade,
Nem a sociedade quer esse caminho.

José Faria


VALOR DA ARTE



Há olhos pequenos em pequeno pensamento,
Tão pobre na leitura da arte e do autor,
Pela forma de ser, e fraco entendimento,
Valoriza o tamanho e nunca o seu valor.

Seja escultura, livro ou monumento,
Só a vê se com esplendor,
Pois no tamanho, para ele, está o talento;
Mas a arte requer olhos de condor.

Está nas mais pequenas dimensões,
E no grão da semente a vida grata,
A medição da arte e seu louvor;

Vale mais um grão de ouro ou de prata,
Do que tantas inúteis construções;

Ou que grandes livros só de capa.
José Faria

A MANOBRA


Eles dão a volta à lei das autarquias,
Sobre o tempo de mandato, nós sabemos;
Trocam de cadeira p´ra manter as regalias,

Continuando o poder na mão dos mesmos.

FALSOS CANDIDATOS


O fabrico de candidatos,
Anda apressado de novo;
Tantos querem bons mandatos,
Viverem à custa do povo.
José Faria

PAU MANDADO E ARMADO



Chamem às tropas militares,
Aviadores ou marinheiros
Comandos ou fuzileiros...
São somente homens armados.

Sejam de terra ou de mar,
São filhos do povo roubados
Obedientes, comandados;
Instruídos para matar.
José Faria

MATANÇA NO SILVADO




Morreram as formigas e as aranhas,
Caiu uma chuva tóxica de queimar;
Até as lagartixas tão estranhas,
Foram para o fundo se abrigar.

Regou de insecticida o animal,
Isento de sensibilidade;
Que ao matar silvado e matagal,
Mata a biodiversidade.

De caminhar lento e demorado,
As lesmas e caracóis escurecendo;
Contorcendo-se no muro e no silvado,
Às centenas por ali foram morrendo.

Voaram as abelhas e fugiram,
Mas muitas ficaram e sofreram;
Borrifadas já não conseguiram,
Com a flor da amora lá morreram.

Já não se vê como outrora outras lidas,
No trato de arbustos, erva e mato;
Em minutos destroem tantas vidas,
Porque é simples e fica mais barato.
José Faria

quarta-feira, 3 de maio de 2017

MADRUGADA DE ABRIL


Poesia emparelhada a uma palavra de Orestes Vladimiro 
declamada por José Faria. Auditório rústico e original a céu aberto da Casa do Alto em Pedrouços - Maia.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

ABRIL ANTIGO

ABRIL ANTIGO

Que recitar ou declamar,
Sobre Abril, sobre a história?
Que tenho eu para vos contar,
Se Abril foi de glória.

Já tudo foi dito e escrito,
Do país é já memória.
Já tudo foi dito e escrito,
Tudo foi declamado;

Do que foi Abril o grito,
Da arma G3 com cravo.
Faz parte da nossa história,
E na escola é ensinado,

Da revolução pela liberdade,
Que novo mundo nos foi dado.
Que tenho eu para vos contar,
Se tudo já foi contado!
Falar dos militares de Abril,
Neste país tão mudado?

Falar dos nossos Partidos,
Que o tem ignorado?
Não!
Porque Abril são as nossas mãos,
Se dadas e se unidas.
É a amizade entre irmãos,
São as lutas conseguidas.

Abril é a nossa vontade,
É juventude, é mocidade.
Abril é servir a terra,
Que Abril aos filhos lega.

É de todos quantos dão,
Amor e fraternidade;
No lugar, terra, nação,
Ensinando a liberdade.
José Faria

domingo, 23 de abril de 2017

DEMOCRATA POR UM DIA

O DEMOCRATA SAUDOSISTA















Baseando-me nas citações despertativas do poeta José Fanha,
vou procurar compilar 3 das suas pequeninas citações, com dois personagens
num estilo Sketch de revista:

Porque há sempre alguém que consegue fazer-se passar por democrata num dia, continuando a ser o que é nos outros 364 dias do ano.
E o fingidor, envolvido na festa das comemorações do 25 de Abril,
Sobe ao palco disfarçando entusiasmo e procura declamar um poema:

“””- Porque hoje é democracia, a festa dos cravos… até já voa no céu
Liberdade é uma avezinha…

Aproxima-se um sem-abrigo que o interrompe:
- Ó sôtor, dê um eurinho pa uma sopinha!

Embaraçado, o democrata por um dia, já não sabe que dizer e retira-se, sem antes, com o punho fechado no ar, lhe dar um sermão:

- Eu também sou democrata, está a perceber sua besta!?

O sem-abrigo, cambaleando, apoiando-se num vara-pau, ergue os olhos ao céu, e procura, magoado, mas habituado a este desprezo diário, dar seguimento ao poema iniciado:

- Já voa, no alto azul do céu, águias, burgueses, patrões… e abutres a voar,

E batendo com o cajado no chão, desabafa:

- Deixa-os pousar, deixa-os pousar.

José Faria


sexta-feira, 14 de abril de 2017

LANÇAMENTO DO LIVRO DE POESIA "ATALHOS"

Aos oito dias do mês de Abril, teve lugar no Auditório da Junta de Freguesia de Pedrouços, o lançamento do meu segundo livro de poesia "Atalhos". Livro de edição do autor.

O soneto abaixo, explicando o significado e as razões do título do livro, só foi criado após a publicação, tendo sido declamado na sessão.
Já "Zémaiato", também soneto, foi nome de um meu blog e actualmente é do email. Também este título foi esclarecido no evento e esta poesia consta do livro "Atalhos".

 Juntamente com a apresentação dos livros editados, esteve presente um poema onde cada verso seguiu a primeira letra do nome "Freguesia de Pedrouços", referindo-se à história desta terra de minha naturalidade e residência, o qual consta do meu primeiro livro "Contos e Versos do Meu Caminho", publicado em 2006.


A apresentação do autor e da obra literária, esteve a cargo do meu amigo Prof. Dr. José Maia Marques, do Forum da Maia, que, tal como já o fizera na apresentação do meu primeiro livro, me deu a honra de apresentar "Atalhos", a quem estarei sempre muito grato.

As honras da casa, Junta de Freguesia de Pedrouços, estiveram ao cuidado do seu presidente, Joaquim Araújo, que como sempre ,muito interessado e prestável, providenciou na criação de todas as condições à boa realização de apresentação da obra poética. 

Da parte da Câmara Municipal da Maia e em representação do seu Presidente Eng. Bragança Fernandes, a senhora Dra. Marta Peneda, mostrou-se muito agradada com esta iniciativa, reforçando votos de muitas mais iniciativas culturais e literárias, para as quais a Câmara Municipal sempre se predispõe a apoiar.


Entre-calando a explanação sobre a publicação deste livro e declamação de alguns poemas, foram projectados alguns filmes do autor a declamar, filmes que habitualmente vai criando, sempre sozinho e em diversos locais, inclusive no decorrer dos seus exercícios de cicloturista.

 Seguiu-se o registo de autobiografia nos livros adquiridos pelos presentes.




quarta-feira, 22 de março de 2017

GRANIZO NA PRIMAVERA



Quando do tempo menos se espera,
Ele muda de rosto e perde o sorriso;
E o sol alegre de Primavera,
Dá lugar a chuva, frio e granizo.

E o novo fruto que da terra aparecera,
Pelas mãos do suor, o pão que é preciso;
É o bem da lavoura que se perdera,
Deixa de novo todo o espaço liso.

Perdem-se culturas que a neve queimou,
Diz-se do arejo que semeia dor,
Repentina descida da temperatura;

O chão removido por quem labutou,
Chora o seu trabalho que esteve em flor;
E a perda de toda a sua cultura.


José Faria 22/03/2017

quarta-feira, 15 de março de 2017

GRITO


Grito como o vento, 
Tantas vezes, 
Em silêncio.
Grito em mim,
Só para mim 
Só por dentro.

Grito revoltado, 
De cuidado, calado
E manso;
Grito escusado;
Que nasceu do mal-falado,
Mal dito e mal pensado;
E nesse gritar me canso.

É grito que em qualquer ser,

Não deveria acontecer;
Nem fazer ninguém ferido.

Oh vento de ignorância,
Que só fala por falar,
A soprar sem importância,
Fruto de seu mal-estar.

Vento de estupidez,
Calado, mudo, aflito,
Teima de quando em vês,
Quando, mal humorado;
Despertar de novo o grito,
De silêncio incomodado.

Grita em mim tudo por dentro,
Esse grito tão calado,
Tem andar esfarrapado,
Como um embrulho de vento;
Caminha num passo lento,
Deixa um rasto magoado.

Nunca o grito em ti pense,
Foge dessa tempestade;
Da ignorante maldade,
Que a vida a ti pertence,
Só o saber te favorece,
O de paz e de felicidade.


José Faria – 26/02/2017


Na véspera de todos as flores,
Que é domingo de ramos;
Há letras de todas as cores,
Em molhos que fraseamos.

Seguem em corredores,
As letras que ordenamos;
E os versos ganham valores,
Como lemos e falamos.

É a Primavera de amores,
Da Páscoa que celebramos,
Da existência renovada;

Á vida damos louvores,
Nos versos que então rimamos
Em Atalhos versejada.

José Faria

POESIA ABSTRACTA


Fogem mais da poesia, do que fogem de ouvir o fado;
Que nasce da literacia, e é poema cantado.
Porque o fado que é falado, que requer mais atenção,
Também perde esse cuidado, precisa de compreensão.

E se a poesia é moderna, abstracta, de invenção,
Que nasce sem aula aberta; fica na mesma razão;
Pois se não é transparente, objectiva a poesia,
E se a mensagem em imagens, é tudo de alegoria.

Evaporam-se os valores em excesso de ironia;
Quando a desgraça se agarra ao ditador sentimento,
Até se perde a atenção, no vómito do oratório,

E a tertúlia cultural que é convívio de alegria,
De promoção social, e do saber mais crescimento,
Ficou só a ouvir desgraças, parece mais um velório.
José Faria - 11/03/2017


CHEIA DO LEÇA


Quando o temporal chegou,
Nem a chuva ouvi cantar;
E quando o Leça transbordou;
Ainda estava a me lavar.
Só quando senti oscilar,
Onde eu estava mergulhado,
Com a banheira a andar;
A deslocar-se para lado.
Aí levantei a cabeça,
Ainda meio ensaboada;
É que vi a andar com pressa,
A banheira na enxurrada.
Como um barco ou jangada,
Parecia não parar mais;
Como se fosse preparada,
Para os rápidos mais radicais;
E ao verem-me os populares,
Na margem do rio aflitos;
Só me conseguem salvar,
Depois da banheira atracar,
Entre arbustos e detritos.

José Faria – 09/03/2017

COMENTÁRIO ANALFABETO














COMENTÁRIO ANALFABETO

Quando ao "face" escrever,
Boa noite ou bom dia,
É porque gosto de o fazer,
E sinto nisso alegria.

E quem quer corresponder,
A essa minha educação;
Só precisa escrever,
As palavras em questão.

E se não saber escrever,
Não precisa se exceder,
Um “Sticker e nada mais;

Clic em gosto se quiser,
Ou fique só a ver e ler,
Mas não me cole postais.

José Faria