quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

ANIVERSÁRIO DA MORTE DE FLORBELA











08/12/2017 – 87 Anos depois


FLORBELA ESPANCA

Foi neste dia o seu nascimento,
Em que partiu e nos deixou a Florbela,
E foi seu dia também de casamento,
Como foi o de partida e do fim dela,

Do muito que legou seu pensamento,
Encheu de letra viva toda a tela;
Pela arte de escrever e entendimento,
Desde a poesia triste à mais bela.

Desde então oitenta e sete anos decorreram,
Desde de sua partida e sua ausência,
E ainda hoje semeia poesia;

À sua sombra e carinho já nasceram,
Tanto poeta por sua influência,
Que é riqueza da literacia.


José Faria

domingo, 12 de novembro de 2017

O LACAIO


Já quase esqueceu a gente,
Dos males que não tem cura,
Como os de  antigamente,
Do tempo da ditadura.

Que teve sempre presente,
A avareza e a usura.
Essa espécie tão doente
Que corrói a estrutura

E ainda tem continuidade,
Por poder e por dinheiro
Destruindo-nos o caminho;

Pode até ser companheiro,
Ser uma falsa amizade,
Ou até o tal vizinho.
José Faria


sexta-feira, 3 de novembro de 2017

DOURO DO FADO E DA POESIA




O Douro vem a chorar,
Junto à Arrábida, por temer;
O seu fim que está a chegar,
Quando no mar se envolver.

Depois de tanto lutar,
Passo a passo e a correr;
Ainda sorri a abraçar,
Porto e Gaia, e agradecer,

A recepção sem igual,
Das cidades de alegria,
Em pontes e ligações.

Neste país de Camões,
Do fado e da poesia,
Que se chama Portugal.

José Faria


O DOURO DOS POETAS




Encontrei o Douro a dormitar,
Envolto em nevoeiro ressonando;
Temendo a sua luta com o mar,
Na sua foz onde o vi chegando.

Tranquilo, no cais velho, a pescar,
Onde suas águas se abanando;
Se ergueram na coragem de enfrentar,
O mar que o foi abocanhando.

Rio de paz e bravura dado à gente,
Que montanhas rasgou até à foz,
Levando a água à vida, à natureza.

Continuará correndo entre nós,
Por gerações e gerações será grandeza.
E trará mais poesia na corrente.

31/10/217 – José Faria


A CHUVA CHEGOU





Ai que boa, tão sagrada;
A chuva sempre voltou,
Há tanto tempo esperada,
Que tanto desesperou.

À terra seca e queimada,
Graças a Deus que chegou,
Esta água abençoada,
Que o povo tanto esperou.

No Outono tudo pega,
Voltará tudo a nascer,
Por entre as cinzas do monte,

No porvir irá crescer
Por muitos caminhos de rega
Porque toda a vida é fonte.
José Faria


segunda-feira, 23 de outubro de 2017

PASSEIO À MINI FLORESTA


Passeio à "mini Floresta" ou fracção que a tal se assemelha, pelos velhos e centenários carvalhos e sobreiros aí existentes, em terras húmidas carregadas de folhagens e fungos.
Fui à procura do despertar da Primavera no coração do Outono.
Debrucei-me sobre as primeiras e delicadas flores "Colchicum Autumnale - Colchicum multiflorum, de Outono atemporal.
Pois já sorridentes, desabrocham na encosta da mansão da colina, designada de Casa do Alto, na freguesia de Pedrouços, no concelho da Maia.
Flor de floresta, originária da Ásia Ocidental e do Mediterrâneo, muito dada à companhia de outras plantas e fungos, cogumelos, ... que se desenvolvem e vivem em chão húmidos.

sábado, 21 de outubro de 2017

FOLHAS SOLTAS


Parque de lazer e merendas - Casa do Alto - Pedrouços - Maia


Soltam-se as folhas, vão no vento,
Amarelecidas e cansadas;
É o fim de vida em voo lento,
Na festa de Outono em desfolhadas.
 
Formam tapetes em chão barrento,
Nos campos, jardins, lagos, estradas;
E ganha a nudez, encantamento,
Nas árvores ao leu tão desnudadas.
 
Até fim de inverno em hibernação,
Em sono, silêncio e descanso parado
Na terra molhada, fresca e quimera,
 
Que anseia o porvir da criação,
E o fruto da vida mais renovado,
Num novo sorrir de Primavera.

José Faria



sexta-feira, 22 de setembro de 2017

O JOSÉ ADORMECEU NO MONTE



Hoje o salto é emigrar.

Tempos houve muito lá atrás da revolução de Abril de 1974, em que era muito difícil aos portugueses emigrarem, sem passaporte e sem razões que o estado o justificasse.

Assim, no tempo do regime político de ditadura fascista, para fugirem à fome, ao desemprego e ao cumprimento obrigatório do serviço militar com guerra no ultramar, muitos jovens emigravam, a salto. Muitos eram presos e considerados refractáriosNalguns casos ainda ajustavam contas com a Polícia de Intervenção em Defesa do Estado /DGS, e saiam bem magoados e marcados, quando saiam. (!?)

Davam o salto para Espanha e daí para França, Canadá, Alemanha, Brasil e outros países.
Haviam portugueses que se dedicavam a “passadores”, do género dos que hoje fazem com os refugiados abandonados à sua sorte em embarcações.
Muitos foram os grupos, que a troco de uma determinada quantia de pagamento aos “passadores”, atravessaram montes e vales até Valença, onde, atentos e a coberto da noite, esperavam o render da guarda da fronteira, para darem o salto para o outro lado de Espanha.
Normalmente aguentavam horas encurralados no monte e a coberto da noite, a aguardar o momento mais preciso, de distracção da guarda, para avançarem sem serem vistos. Por vezes atravessando o rio Minho nos sítios de menor profundidade.
Por lá andou também o Manel “pisco” na construção civil em terras de França, que viria a adoecer gravemente e que, sem meios, ainda conseguiu dar o “salto” de regresso, para vir morrer a casa.

Menos sorte teve o Zé “greta”, que no barraco da obra em construção, adormeceu uma noite para nunca mais acordar, devido ao fogareiro que lhe aquecia a noite fria e lhe roubou a vida. Por lá ficou.

Numa dessas passagens a “salto”, o passador Luís levou mais um grupo, entre eles o seu irmão e o sobrinho. Já passavam das quatro da madrugada quando chegaram ao ponto de vigia para controlar a movimentação na fronteira. 

O luar estava claro, obrigando o grupo cansado e com sono, a ficar quase duas horas agachado no monte entre arbustos, de olhos postos no movimento dos carabineiros na fronteira e ponte sobre o rio Minho.

Por volta das seis da manhã, no render da guarda o Luís, diz ao grupo para avançar e o seguir, sem barulho.
Como coelhos temerosos, evitando a luz da lua, lá foram sorrateiros e conseguiram chegar ao lado de lá.  

“ Pronto, estamos em Espanha! Estão todos!? – e deitou os olhos ao grupo.
- O meu sobrinho, o José!?
Todos se entre-olharam. Ninguém se apercebera se ele os tinha acompanhado ou não.
- Não me digas que ele adormeceu no monte!? – Exclamou o Luís.
Não podemos fazer nada, não podemos ir para trás, é muito arriscado.
Ainda esperaram algum tempo a ver se ele aparecia, mas tiveram que seguir caminho.
Na verdade, o José, moço dos seus 20 anos, cansado e ensonado adormeceu e ficou só no monte.
Só dois dias depois, quando o seu tio regressou a casa a Santo Tirso, se encontrou com o José, que lhe confirmou que tinha adormecido e que acordara só a meio da manhã.

Valeu-lhe a sorte de descendo à estrada, conseguir uma boleia de um camionista que o deixou a poucos quilómetros de casa.
Contos de José Faria



quarta-feira, 20 de setembro de 2017

ACORDA AMIGO


Meu companheiro e amigo
De mente manipulada,
Nunca me zango contigo,
Mas teu caminho não sigo,
Tua voz por outros fala.

Dão-te veneno a beber,
E tu fazes-lhes a vontade;
Esqueces que o saber,
A razão tem que exercer,
Para construir a verdade.

Dão-te festas e alegria,
Uns copos e mais sangria,
Pé de dança e diversão;

Engana-te a fantasia,
Vestida de hipocrisia,
Senhora da exploração.
José Faria

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

SERÁ PRESIDENTE AUGUSTO SIMÕES

SERÁ PRESIDENTE DA CÂMARA DA MAIA
Augusto Simões Ferreira da Silva

De Pedrouços.
Ontem como hoje, as intrigas e manobras que se desenvolvem e se criam entre os candidatos no decorrer d as eleições, não perdem as características engenhosas de candidaturas fantasmas ou reais, prontas para serem eleitas ou para desistirem em favor dos que pareciam adversários.
Mas será seguramente Augusto Simões, comendador e lavrador de Pedrouços o futuro presidente da Câmara Municipal da Maia.
Os tempos de grande intervenção política e social, anunciavam grandes mudanças que poderiam eclodir a qualquer momento. Nessa correria ao poder da Câmara Municipal envolvia-se freneticamente Sá e Melo, chefe henriquista da Maia, que não se deixava levar facilmente e possuía aquela costela de político vertical. Por isso tomou a peito evitar o acordo que lhe ia desarranjar para sempre a igrejinha camarária da Maia e anular por completo a sua influência politica no concelho.
E tão bem mexeu os pauzinhos que, dias depois, no salão do Governo Civil, onde ia assinar-se o acordo progressista – franquista – regenerador, a tempestade desabou com fragor tão intenso que o Sr. José Arroio, seguindo o conselho do irmão, baralhou, … e tornou a dar.
Ficaram parceiros henriquistas e teixeiristas, contra franquistas e progressistas.
Quer dizer, a vitória pertencerá aos primeiros, dado que os outros vão à urna, o que não cremos. Será presidente da Câmara Municipal, ao que nos dizem, Augusto Simões, de Pedrouços, que milita no Partido Regenerador.
A Câmara da Maia ficará, portanto, constituída por henriquistas e regeneradores.
A verdade é que Augusto Simões e os aliados de última hora, só não ganharam as eleições locais porque, entretanto, registara-se a revolução do 5 de Outubro, que faria passar por alguns dissabores e umas tantas injustiças o pequeno-grande Sá e Melo.
(in Almanaque da Maia – 1983 - de Álvaro Aurélio do Céu Oliveira)
Cento e sete anos depois, a história repete-se, também às portas de Outubro mas sem revolução republicana que impeça o programa de bastidores.

domingo, 17 de setembro de 2017

ÀS PORTAS DA CIDADE





Do outro lado vê-se a cidade.
Sente-se o cheiro do reboliço e da agitação,
Da movimentação urbana,
Naquele frenesim de vai e vem.
A cidade não dorme, não descansa.
De noite e de dia sempre cheia de gente,
Em movimento constante, continuamente.
São como formigas num vai e vem
Apressado e urgente, desnorteado.
Enchem as grandes superfícies comerciais,
Como térmitas no interior dos seus enormes castelos,
Repletos de grutas e outros compartimentos interligados.
Na aldeia do Faria sente-se uma paz cúmplice e doentia;
Um silêncio embrulhado em marasmo…
E o ar da arte de comunicar, vaporiza-se!
Dorme o crescer, progredir, desenvolver…
E, antes que o sol se deite
Sobre o manto do Atlântico,
Já as ruas estão desertas, frias, desumanizadas.
Um frio calado e abafado, mesmo no verão,
Gela o silêncio ao tombar do dia…
E a recordação desperta em melancolia.
A lembrança de outros tempos que ficaram para trás.
Ainda se ouvem os cuidados chamamentos
Dos progenitores no cair da noite.
- Adriano, Zé, Mingos, Nanda,
Vinde para dentro que já são horas”.
Passado uns minutos o Luís,
Ainda a meia-noite vinha lá longe…
Ouvia-se à porta o ar zangado:
“A vossa mãe não vos chamou!?”
Mais rua acima, outro chamamento,
O último, talvez: - “Não te volto a chamar!”
Tudo ou quase tudo mudou.
Perdeu-se a noção do tempo da rua,
E do tempo da casa; e o da família,
Do tempo da diversão, e da responsável alegria,
Do tempo do progresso em união.
Do lado de cá da cidade,
As ruas perderam actividade,
São de passagem e não de convívio,
Ou diversão entre a vizinhança.
Só por altura dos santos populares
Algumas ruas, largos e pracetas,
Em determinados lugares,
Se enchem de convívio e diversão,
E até festa e alegria, na aldeia do Faria.
Do lado de cá da cidade do Porto,
Só os prédios continuam a crescer,
Com a mesma qualidade e altura,
E arquitectura, como os do lado de lá.
E lá de cima, dos mais altos,
Veem-se as casas velhas e abarracadas,
As ilhas, que vão apodrecendo abandonadas,
Recordando a miséria que por lá vegetou.
Algumas dessas velhas e antigas habitações,
Rasteiras e apodrecidas, ainda albergam almas,
Paradas no tempo e no seu espaço,
Sem jeito nem proveito à espera do seu fim.
A aldeia do Faria continua a mesma
Mas não é a mesma coisa!
Hoje o silêncio magoa, ninguém sabe nada.
O dinheiro manda mais do que a palavra,
E a aldeia já não é dos aldeões;
Está nas mãos de uns tantos silenciosos,
Autores do tempo calado e do frio social cortante,
Que abafa a cultura e o conhecimento.
Aos pés das grandes e altas construções,
Iguais às da cidade do outro lado da Circunvalação,
As ilhas e casas abarracadas gritam de podre e bolor,
Aos olhos do novo tempo calado que passa.
Uma vista degradante, disfarçada e camuflada
Pintada de outras tintas e outras cores,
Enganado o testemunho de um tempo social;
De um outro tempo do povo e da gente
Divertido, pobre e crente.
Hoje andam as ruas caladas.
Foge o povo para a cidade,
Apodrecem abandonadas,
As ilhas da Natividade
José Faria



O SARRABISCO DO BOM PATIFE


O mundo está cheio de bons patifes.
E não é preciso sair deste jardim á beira-mar plantado que se chama Portugal, para os encontrar. Vêmo-los todos os dias até como génios comunicadores.

É que o bom patife ou mau patife, que para além de ser  um modo de dizer, também é um modo de se ser e de se estar na vida, na pele de qualquer bom patife.
Eles estão por todo o lado. E é nos sítios cerimoniais, de pompa e circunstância, que mais facilmente são vistos e vistosos de colarinho branco ou de outra cor, mas todos bem engomados.
Presentemente, alguns já se disfarçam e se apresentam mais desportivamente e até de mangas arregaçadas (como quem anda a trabalhar) de telemóvel sempre encostado à orelha, mesmo desligado.(!?)

E agora é que é!

É vê-los de todas as cores, pelas ruas, mercados e romarias, distribuindo propaganda. A cabeça, ou cabeças de lista, esses nunca o largam nem o desencostam da orelha. Por vezes trocam de orelha mas o telemóvel é o mesmo, enquanto vão falando com o telemóvel desligado.

Fazem do povo parvinho!

É um faz de conta que estão sempre em comunicação.
Até ao dia um de Outubro e mais uns pozinhos à frente, não perca a oportunidade de se rir e se divertir desses que o querem enganar.
Não deixe de estar atento e de observar esses faz de conta, de telemóvel desligado sempre colado à orelha dos candidatos e recandidatos e dos seus seguidores auxiliares.
É por aí, nessas digressões de campanha, que se encontram muitos bons e maus patifes que surgem de quatro em quatro anos, a cumprimentar, a abraçar e a beijar só para a fotografia; os mais pobres, os mais carentes e os mais necessitados, como se fossem candidatos de “Calcutá”.

Muitos, detendo poderes de intervenção e de decisão, junto da população que os pariu por eleições anteriores, tornaram-se bons patifes profissionais, recandidatos aos mesmos patamares ou superiores, onde se agarram com unhas e dentes, até que a morte nos livres deles.
Bem aposentados e melhor remunerados, os bons patifes ou maus patifes, que também são democratas, somam à pensão, outros vencimentos, mordomias e outras negociatas bem rentáveis, graças à sua posição nos tais patamares superiores. (Se assim não fosse, não haveria corrupção!)
E tudo isso em troca da sua assinatura a que dão o nome de rubrica, mas que não deixa de ser um sarrabisco que nem eles entendem.

Contos de José Faria

FOGO DA DESGRAÇA E DA ALEGRIA



O incêndio de grandes proporções continua devastador a lavrar toda a serrania, As labaredas, numa correria louca, seguem serra acima imparáveis nos braços de um vento assustador, e o negro e fumegante da terra queimada vai aumentando à sua passagem.
Alimentando-se da vegetação rasteira, as labaredas trepam às copas de eucaliptos transformando-os em archotes gigantes.
A poucos quilómetros deste inferno, a aldeia está em festa religiosa e profana em honra da santinha padroeira da terra e da gente.
Duas bandas de música continuam a tocar e a percorrer festivamente as principais ruas da aldeia.
O incêndio de grandes proporções continuava imparável a alimentar-se da serra enquanto no céu da população, um outro fogo, festivo, de 21 morteiros, estremece com as casas dos aldeões. Seguiram-se as badaladas do sino a chamar o povo para a Eucaristia.
Os bombeiros, exaustos, continuavam na serra a combater um fogo enorme que não lhes dá tréguas. À cautela, muitos populares tentam impedir o avanço de chamas mais pequenas próximo das suas habitações. Outros, com mangueiras e baldes continuam a molhar as suas casas de cima a baixo, impedindo que as faúlhas voadoras e incandescentes lhes pegue fogo.
Ouvem-se as sirenes dos carros dos bombeiros de um lado para o outro, aflitas. Vão e vem do monte em chamas. Mais água, mais uma dúzia de homens da paz em correria…
Mais uma dúzia de foguetes rebenta no céu a lembrar a romaria à Senhora Santinha Padroeira.
À noite, vai haver fogo-de-artifício… se o incêndio não chegar primeiro.

José Faria

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

CANDIDATURAS FANTASMA


Andam na rua candidaturas fantasma,
Gastam ao povo tanto dinheiro,
Para manterem os mesmos na cama,
Dos tais da terra sempre em primeiro.

E o novo começo é só ficção,
Espalham-se fitas para desviar;
E canalizar a votação,
Para no povo nada mudar.

Dizem-se e fazem-se uns disparates,
Toda a mentira também é assim;
Querem levar a gentinha a pensar:
- P’ra ficar pior já basta assim.
José Faria