quarta-feira, 22 de março de 2017

GRANIZO NA PRIMAVERA



Quando do tempo menos se espera,
Ele muda de rosto e perde o sorriso;
E o sol alegre de Primavera,
Dá lugar a chuva, frio e granizo.

E o novo fruto que da terra aparecera,
Pelas mãos do suor, o pão que é preciso;
É o bem da lavoura que se perdera,
Deixa de novo todo o espaço liso.

Perdem-se culturas que a neve queimou,
Diz-se do arejo que semeia dor,
Repentina descida da temperatura;

O chão removido por quem labutou,
Chora o seu trabalho que esteve em flor;
E a perda de toda a sua cultura.


José Faria 22/03/2017

quarta-feira, 15 de março de 2017

GRITO


Grito como o vento, 
Tantas vezes, 
Em silêncio.
Grito em mim,
Só para mim 
Só por dentro.

Grito revoltado, 
De cuidado, calado
E manso;
Grito escusado;
Que nasceu do mal-falado,
Mal dito e mal pensado;
E nesse gritar me canso.

É grito que em qualquer ser,

Não deveria acontecer;
Nem fazer ninguém ferido.

Oh vento de ignorância,
Que só fala por falar,
A soprar sem importância,
Fruto de seu mal-estar.

Vento de estupidez,
Calado, mudo, aflito,
Teima de quando em vês,
Quando, mal humorado;
Despertar de novo o grito,
De silêncio incomodado.

Grita em mim tudo por dentro,
Esse grito tão calado,
Tem andar esfarrapado,
Como um embrulho de vento;
Caminha num passo lento,
Deixa um rasto magoado.

Nunca o grito em ti pense,
Foge dessa tempestade;
Da ignorante maldade,
Que a vida a ti pertence,
Só o saber te favorece,
O de paz e de felicidade.


José Faria – 26/02/2017


Na véspera de todos as flores,
Que é domingo de ramos;
Há letras de todas as cores,
Em molhos que fraseamos.

Seguem em corredores,
As letras que ordenamos;
E os versos ganham valores,
Como lemos e falamos.

É a Primavera de amores,
Da Páscoa que celebramos,
Da existência renovada;

Á vida damos louvores,
Nos versos que então rimamos
Em Atalhos versejada.

José Faria

POESIA ABSTRACTA


Fogem mais da poesia, do que fogem de ouvir o fado;
Que nasce da literacia, e é poema cantado.
Porque o fado que é falado, que requer mais atenção,
Também perde esse cuidado, precisa de compreensão.

E se a poesia é moderna, abstracta, de invenção,
Que nasce sem aula aberta; fica na mesma razão;
Pois se não é transparente, objectiva a poesia,
E se a mensagem em imagens, é tudo de alegoria.

Evaporam-se os valores em excesso de ironia;
Quando a desgraça se agarra ao ditador sentimento,
Até se perde a atenção, no vómito do oratório,

E a tertúlia cultural que é convívio de alegria,
De promoção social, e do saber mais crescimento,
Ficou só a ouvir desgraças, parece mais um velório.
José Faria - 11/03/2017


CHEIA DO LEÇA


Quando o temporal chegou,
Nem a chuva ouvi cantar;
E quando o Leça transbordou;
Ainda estava a me lavar.
Só quando senti oscilar,
Onde eu estava mergulhado,
Com a banheira a andar;
A deslocar-se para lado.
Aí levantei a cabeça,
Ainda meio ensaboada;
É que vi a andar com pressa,
A banheira na enxurrada.
Como um barco ou jangada,
Parecia não parar mais;
Como se fosse preparada,
Para os rápidos mais radicais;
E ao verem-me os populares,
Na margem do rio aflitos;
Só me conseguem salvar,
Depois da banheira atracar,
Entre arbustos e detritos.

José Faria – 09/03/2017

COMENTÁRIO ANALFABETO














COMENTÁRIO ANALFABETO

Quando ao "face" escrever,
Boa noite ou bom dia,
É porque gosto de o fazer,
E sinto nisso alegria.

E quem quer corresponder,
A essa minha educação;
Só precisa escrever,
As palavras em questão.

E se não saber escrever,
Não precisa se exceder,
Um “Sticker e nada mais;

Clic em gosto se quiser,
Ou fique só a ver e ler,
Mas não me cole postais.

José Faria