sábado, 8 de julho de 2017

CIDADANIA DESPERTATIVA 3

CIDADANIA
DESPERTATIVA – 3
08/07/2017

Praça de Touros de Pedrouços
Ardeu em 6 de Setembro de 1926


Porque hoje é sábado, dia de descanso, e porque foi também num dia de descanso, mas num domingo, que escrevo e divulgo mais esta “Cidadania Despertativa”, com esta notícia que saiu num artigo de opinião de Ercílio de Azevedo no Jornal “O Comércio do Porto, de 7 de Agosto de 1926.
E foi graças ao pedroucense e meu amigo Daniel Santos, que tive conhecimento dela e a divulguei. Estava em 1986, precisamente às voltas com a realização do Caderno Especial do Jornal da Maia, dedicado à nova freguesia de Pedrouços.
Presentemente há um novo despertar cultural do pensamento coletivo e, por conseguinte, uma melhoria da cidadania despertativa dos cidadãos para com esta barbárie de diversão, à custa do sofrimento, tortura e morte dos animais.
Mas nesse tempo a estupidez era mais relevante e abrangente, pelo que até esta localidade pobre, muito pobre em 1926, tinha um campo de tourada. A população vivia fundamentalmente da agricultura e de alguma indústria de transformação, mas tinha um campo de tourada para se divertir, todo em madeira, nos terrenos frente ao mercado e feira do gado de Pedrouços. (Feira do gado muito importante que existia nessa altura, onde hoje são os depósitos da água)
Situa-se esse terreno nas traseiras do Supermercado Continente, no início da rua António Feliciano de Castilho, outrora ladeada de campos de cultivo e, por essa razão, a entrada para o campo da tourada, era feita pela rua Dão Afonso Henriques, precisamente frente à farmácia da Oliveiras, cuja passagem era conhecida como Ilha da Tourada.


Ora, mal o Daniel Santos me informou desse artigo, desloquei-me à Redação do Comércio do Porto e solicitei para consultar no arquivo, o jornal de Agosto de 1926.  
Recebido com simpatia coadjuvante, aí constatei e copiei o artigo da notícia do incêndio.
Por curiosidade e esperando encontrar notícias de tourada antes do incêndio, recuei vários dias de notícias e lá encontrei a “Grande Corrida de João Branco Núncio”.
Tudo isto “descarreguei” no Caderno Especial do Jornal da Maia dedicado à nova Freguesia de Pedrouços, por achar interessante e motivo de curiosidade.
Mais tarde, ao publicar o meu primeiro livro “Contos e Versos do Meu Caminho” em Junho de 2006, acrescento-lhe nas págs. 117 e 118, esta notícia acompanhada por um soneto sobre a questão:










FIM DA TOURADA
Já não há tauromaquia,
Nem corridas a valer;
Nem diversão, valentia,
Nem os touros a sofrer.

Mais que a chama da bravura,
Da arte de tourear;
O incêndio, a desventura,
Fez-se ao campo p'ra abrasar


O fogo tudo arrasou,
Fim do campo da Areosa,
De Pedrouços e Gondomar.

A tourada aqui findou,
E a arte gloriosa,
Aqui perdeu o lugar.

Das coletividades contactadas e entrevistadas para o “jornaleco” comemorativo do nascimento da 17ª freguesia da Maia, a página seguinte foi dada ao “Tropical Futebol Clube”, que funcionava no café com o mesmo nome no lugar de Teibas, localidade na altura muito carente de infraestruturas sociais, onde, tal como em muitos sítios da freguesia, as ilhas “ apodrecem e morrem de pé”.
Assuntos a tratar no CIDADANIA DESPERTATIVA – 4.

José Faria

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