domingo, 9 de julho de 2017

CIDADANIA DESPERTATIVA 4

CIDADANIA
DESPERTATIVA – 4
09/07/2017
Ontem terminei “Cidadania Despertativa 3, a fazer referência ao “Tropical Futebol Clube”
Um clube do Café Tropical, da rua Nova de Teibas, e não aquele que nasceu dos jovens de uma Residencial chamada de Jardim Tropical do outro lado do Atlântico. Esse joga na 3ª Divisão Paulista de Society, que também usa como lema: “Educai as crianças e não será preciso punir os homens”.
Mas voltando ao Lugar de Teibas, este clube de café, por altura da nossa entrevista em 1986, para o “Caderno Especial” dedicado à criação da freguesia de Pedrouços, com a Direção presidida por Adelino Costa Fernandes, já ocupava de forma social, cultural e desportiva, muitos jovens e adultos moradores desse lugar, que, como referi, lugar de muitas carências socioculturais, e algumas muito importantes, ainda não foram colmatadas. E uma delas e que mais se faz sentir, é a dificuldade de mobilização da população, sobretudo por falta de um novo arruamento que ligue o lugar à rua das Cavadas, atravessando o ribeiro que passa junto ao Parque dos Amores, onde se situa o supermercado Mini Preço, a farmácia Vales e o acesso mais rápido ao Hospital de São João pela rua da Arroteia.








Este Clube da terra nascido em tempos difíceis, foi posteriormente esmorecendo com o aparecimento de um outro, a Associação Desportiva e Cultural de Teibas, cuja Direção chefiada por Paulo Silva, foi crescendo e ganhando maior abrangência, dinamismo e atraindo a si as camadas jovens para a prática do Futsal. Mas também os adultos, no futebol amador, na pesca desportiva e no cicloturismo.

Estas atividades desportivas muito ativas, eram sistematicamente abrilhantadas com eventos de convívios festivos e bailes populares que animavam sócios, amigos e população residente, atingindo o seu auge com a Semana Cultural do Teibas nos jardins da Casa do Alto.


Por lá passei e dentro do possível foi contribuindo na literacia e na arte, nomeadamente na exposição das minhas esculturas em madeira de quando tinha oficina na “casinha” (quase abandonada) da Casa do Alto, por altura dos Fins-de-semana Culturais que aí se realizavam.
Na literacia, era a divulgação das suas atividades na imprensa local, tendo mesmo contemplado o “Teibas” com uma poesia apelativa à prática socialmente salutar do associativismo, servindo-me de cada uma das letras do nome do Clube, para dar início a cada verso:

ASSOCIAÇÃO DESPORTIVA E CULTURAL DE TEIBAS

Amigo e sócio clubista,
Se seu empenho é colaborar;
Saiba ser no clube desportista,
Ouça a voz do seu espírito em se dar,
Colabore com o Teibas, não desista,
Invista nesta força de educar.
Amizade e convívio tão bairrista,
Com desporto e cultura salutar.
A grandeza desta casa progressista,
Ontem e hoje continua a se afirmar.

Dedicada ao desporto juvenil,
E ao convívio de amizade promover;
Se empenha no sucesso, no porvir,
Pois assim vive o Teibas a crescer.
Ocupe aqui também o seu lazer,
Renove a força de associar,
Terá no Teibas alegria e mais prazer,
Ideal p’rá saúde e bem-estar.
Venha daí como sócio se inscrever,
Aqui há amigos que o estão a esperar.

E Cultural de Teibas se formou!

Continua a ser esta Associação,
Única mais jovem da freguesia,
Liderada com carinho e devoção.
Trabalho infantil e juvenil de alegria,
Unta a sua forma de crescer,
Reforça a sua força de viver,
Almejando ter ainda mais para dar:
Laboriosa Associação a prosperar.

De Teibas irá falar a história,
Enquanto o Clube não perder memória.

Trepou à força do pulso popular,
Emprestando aos jovens mais valor,
Investiu nas crianças mais labor,
Baseado no desporto a praticar:
Ainda hoje às crianças dedicado,
Só o Teibas é Clube mais honrado.
José Faria

Claro que a divulgação local e publicação desta mensagem poética no meu primeiro livro de Contos e Versos do Meu Caminho, não mereceu aquele reconhecimento de aplausos como merecem os golos, as fintas do futebol. E isso justifica-se num meio culturalmente carente onde a literacia e a poesia, pouco diz.
Mas essa é também a indiferença de grandes defensores, e teoricamente apoiantes da literacia, que se dizem promotores da cultura e que até incluem essa vertente nos seus programas de campanha para as autárquicas. Pois os detentores do poder, subestimam sistematicamente o poder do saber, da escrita, da poesia, da cultura, para não se enfraquecer e o seu poder prevalecer.
- Foi apenas um aparte interessante e complementar desta Cidadania Despertativa, mais debruçada no ano de 1986, tendo por mote o Caderno Especial sobre o nascimento de Pedrouços.
Por isso voltarei lá já na próxima mensagem (5), com pormenores da entrevista ao Pedrouços Atlético Clube, de quando era o Clube de Futebol amador mais representativo de toda a Maia.
Deixo-vos uma foto só para aguçar a curiosidade.
Até.

José Faria

Sem comentários:

Enviar um comentário