domingo, 17 de setembro de 2017

FOGO DA DESGRAÇA E DA ALEGRIA



O incêndio de grandes proporções continua devastador a lavrar toda a serrania, As labaredas, numa correria louca, seguem serra acima imparáveis nos braços de um vento assustador, e o negro e fumegante da terra queimada vai aumentando à sua passagem.
Alimentando-se da vegetação rasteira, as labaredas trepam às copas de eucaliptos transformando-os em archotes gigantes.
A poucos quilómetros deste inferno, a aldeia está em festa religiosa e profana em honra da santinha padroeira da terra e da gente.
Duas bandas de música continuam a tocar e a percorrer festivamente as principais ruas da aldeia.
O incêndio de grandes proporções continuava imparável a alimentar-se da serra enquanto no céu da população, um outro fogo, festivo, de 21 morteiros, estremece com as casas dos aldeões. Seguiram-se as badaladas do sino a chamar o povo para a Eucaristia.
Os bombeiros, exaustos, continuavam na serra a combater um fogo enorme que não lhes dá tréguas. À cautela, muitos populares tentam impedir o avanço de chamas mais pequenas próximo das suas habitações. Outros, com mangueiras e baldes continuam a molhar as suas casas de cima a baixo, impedindo que as faúlhas voadoras e incandescentes lhes pegue fogo.
Ouvem-se as sirenes dos carros dos bombeiros de um lado para o outro, aflitas. Vão e vem do monte em chamas. Mais água, mais uma dúzia de homens da paz em correria…
Mais uma dúzia de foguetes rebenta no céu a lembrar a romaria à Senhora Santinha Padroeira.
À noite, vai haver fogo-de-artifício… se o incêndio não chegar primeiro.

José Faria

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