domingo, 17 de setembro de 2017

O SARRABISCO DO BOM PATIFE


O mundo está cheio de bons patifes.
E não é preciso sair deste jardim á beira-mar plantado que se chama Portugal, para os encontrar. Vêmo-los todos os dias até como génios comunicadores.

É que o bom patife ou mau patife, que para além de ser  um modo de dizer, também é um modo de se ser e de se estar na vida, na pele de qualquer bom patife.
Eles estão por todo o lado. E é nos sítios cerimoniais, de pompa e circunstância, que mais facilmente são vistos e vistosos de colarinho branco ou de outra cor, mas todos bem engomados.
Presentemente, alguns já se disfarçam e se apresentam mais desportivamente e até de mangas arregaçadas (como quem anda a trabalhar) de telemóvel sempre encostado à orelha, mesmo desligado.(!?)

E agora é que é!

É vê-los de todas as cores, pelas ruas, mercados e romarias, distribuindo propaganda. A cabeça, ou cabeças de lista, esses nunca o largam nem o desencostam da orelha. Por vezes trocam de orelha mas o telemóvel é o mesmo, enquanto vão falando com o telemóvel desligado.

Fazem do povo parvinho!

É um faz de conta que estão sempre em comunicação.
Até ao dia um de Outubro e mais uns pozinhos à frente, não perca a oportunidade de se rir e se divertir desses que o querem enganar.
Não deixe de estar atento e de observar esses faz de conta, de telemóvel desligado sempre colado à orelha dos candidatos e recandidatos e dos seus seguidores auxiliares.
É por aí, nessas digressões de campanha, que se encontram muitos bons e maus patifes que surgem de quatro em quatro anos, a cumprimentar, a abraçar e a beijar só para a fotografia; os mais pobres, os mais carentes e os mais necessitados, como se fossem candidatos de “Calcutá”.

Muitos, detendo poderes de intervenção e de decisão, junto da população que os pariu por eleições anteriores, tornaram-se bons patifes profissionais, recandidatos aos mesmos patamares ou superiores, onde se agarram com unhas e dentes, até que a morte nos livres deles.
Bem aposentados e melhor remunerados, os bons patifes ou maus patifes, que também são democratas, somam à pensão, outros vencimentos, mordomias e outras negociatas bem rentáveis, graças à sua posição nos tais patamares superiores. (Se assim não fosse, não haveria corrupção!)
E tudo isso em troca da sua assinatura a que dão o nome de rubrica, mas que não deixa de ser um sarrabisco que nem eles entendem.

Contos de José Faria

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