quarta-feira, 11 de julho de 2018

MIÚDOS DA RUA

RECORDAÇÕES

(Miúdos da rua)

Era puto como tantos,
Na rua soltos à toa,
Sem que a fome visse a broa,
Perdidos nos seus encantos.
Conhecer todos os campos,
De fruta verde mas boa:
E se o grito e o alerta soa,
Correm todos como bandos.
Tudo era devorado,
Fruta, cebolas, cenouras
E o grépio do caminho.
Quase sempre escorraçado,
Todo o filho de mãe moura,
Que não era rapazinho.
---------------------------


Colégio, ama, infantário,
Eram coisa para meninos:
Putos da rua sozinhos,
Cresciam noutro fadário.
De quantos grupos fiz parte
Nessa infância ignorada.
Por nunca ser ajudada,
Sobreviver era uma arte.
Inventavam-se guerreiros,
E outra tanta fantasia:
Cowboys, índios, valentia!
Cavalos e cavaleiros,
E o jogo da casquinha,
Com mão certa e pontaria.
-------------------------------


Já no jogo à sameirinha,
Com os putos num magote;
Havia sempre um pixote
Que fazia batoteira.
Era o jogo do peão,
Do crivo e da pedrinha
Andar de arco, à caçadinha,
Bate fica e ao ladrão.
E a volta a Portugal,
Com laranjinhas e bugalhos,
Com pontes, túneis e atalhos.
E outras tantas diversões,
Inventavam putos bons,
Vida feita de frangalhos.

Sem comentários:

Enviar um comentário