EM SÃO MIGUEL O ANJO

terça-feira, 8 de setembro de 2020

FESTAS PARAM 62 ANOS DEPOIS

 FESTAS DE PEDROUÇOS – MAIA
PARAM 92 ANOS DEPOIS

Desde Setembro de 1928, início da freguesia eclesiástica e do orago de Pedrouços, que se realizam anualmente as festas em honra de Nossa Senhora da Natividade, que este ano de 2020 “descansam” devido à pandemia.

Sirva esta pausa forçada para reflexão sobre esta terra, sobre a sua história, a sua gente e sobre o seu passado, até onde é possível chegar com provas de espaço físico, porque, para além do que nos conta a história regional e universal nos livros, há vestígios físicos constatar e questionar e avaliar. Se assim procederem, verão que por mais que tentem recuar na história de Pedrouços, só conseguirão encontrar no seu monte pedrozos ou Pedroucos, a ermida a São Pedro, (último vestígio desse planalto) num tempo em que esta terra era fortemente de agricultura e de uma população muito ativa e trabalhadora que detinha 19 casais, que davam trabalho e sustento a todo o lugar. Com mais casais do que Petrauzos, só o lugar de Ardegães, da Vila de Águas Santas, que apresentava 21 casais e detinha em toda a Maia, o maior número de moleiros nas margens do rio Leça, para onde os agricultores e população da Maia e das terras vizinhas se deslocavam para moer o milho e para adquirir a farinha por dinheiro ou troca com outros produtos.

Ora, trezentos e tal anos depois da construção daquela capelinha privada na encosta do monte (rua António Feliciano de Castilho), que se verificou por volta de 1440, (de onde partia a Via Sacra até ao Calvário), é que surgiu por volta de 1763 uma outra, precisamente no espaço da ermida a São Pedro, no planalto do monte de Petrauzos.

Restaurada e acrescida em 1926, apronta-se para igreja paroquial (mais ou menos como ainda é hoje) a qual passou a paróquia da nova freguesia eclesiástica a 8 de setembro de 1928, tendo sido adotado como orago Nossa Senhora da Natividade, pelo primeiro ciclo da diocese do Porto.

Regressando ao presente, perfaz neste dia 8 do mês de Setembro de 2020, 92 anos desde que anualmente se realizam as festas religiosas e profanas do povo de Pedrouços devotos da sua padroeira, que este ano, devido a pandemia se fica por várias e cautelosas realizações religiosas, com significativo, abrangente e luminoso destaque, a iluminação do santuário.

A passagem a freguesia civil só se verificou 57 anos depois da passagem a eclesiástica, em Julho de 1985.



ROMARIA DE PEDROUÇOS


Estoura no céu o fogo da alegria,

Um novo despertar da tradição,

É mais um convite para a romaria,

A todas as almas da população.

 

São os morteiros da alvorada,

O despertador da freguesia;

E entrega-se o povo à caminhada,

Até à igreja para a homilia.

 

Já toda a gente se vai juntando,

Na sua paróquia em comunhão;

Por paz e saúde vão apelando,

Nas suas preces de religião.

 

Ouvem-se as Missas na ampliação,

São rezas no ar da freguesia;

Nas cerimónias em comunhão,

Há confessos, recados na homilia.

 

E lá vem a música da Banda a tocar,

Pelas ruas da terra, semeiam alegria.

De passo acertado, vem a marchar.

Animam a festa com primazia.

 

E há mais foguetes a estourar,

Por tradição, hábito e moda.

A festa e a guerra fazem lembrar,

Agradam a uns, a outros incomoda.

 

Pedem perdão os pecadores,

Que voltarão de novo a pecar;

Rezam os pobres com ricos senhores,

De mãos erguidas frente ao altar.

 

Entre os fiéis anda o peditório,                                     

A todos apelam contribuição;

Telinta na cesta o ofertório,

Por entre rezas de oração.

 

E chega o repasto, a reunião,

Com as famílias a festejar;

Já se preparam para a Procissão,

Onde os cristãos vão participar.

 

Tantos andores, tão bem enfeitados,

Aguardam os ombros que os levarão,

Ao povo das ruas, são aguardados:

Por curiosidade e devoção.

 

Por entre enfeites de decoração,

De comes e bebes da festividade;

Misturam-se os sons da diversão,

Com os da Missa da Natividade.

 

É a fé e o profano em comunhão,

Por apelo do sino tão badalado;

Ribombam os bombos em digressão,

E as Bandas de música tocam no adro.

 

Lá vem a Fanfarra alegre, fogosa,

Seguem-na estandartes oscilando;

Manifestação tão religiosa,

Aos olhos do povo se vai mostrando.


 

Momento de fé da população,

De todos os pobres e ricos senhores;

A majestosa, grande procissão;

É gosto de ateus e de pecadores.

 

Junto ao quartel já está parado,

O São Joaquim da corporação;

Pelos bombeiros é venerado,

Que o levam a ombros na procissão

 

Retoma-se a marcha, e logo se detém,

Toda esta entrega da comunidade;

E já no quartel entra também,

A Padroeira Natividade.

 

Choram sirenes num silvo gritante,

Com emoção tão derradeira;

E o ar estremece arrepiante,

De apelo à Senhora Mãe Padroeira.

 

Lá segue adiante a devoção,

Suor nos rostos, dor na caminhada;

Parece sem fim a manifestação,

De tantos andores de tão devotada.

 

Vem a Padroeira, nossa Senhora,

Seguida do Pálio e ostentação;

À sua passagem o povo que ora,

Vai-se curvando em veneração.

 

Há gente descalça, mais povo a seguir,

Crianças ao colo e velas na mão;

Muitas promessas estão a cumprir,

Por fé à Senhora, por devoção.

 

Continuam foguetes a rebentar,

Bem lá no alto largando fumaça;

Lá vai a Banda sempre a tocar,

Com a Majestosa cheia de graça.


 

Volta-se o porco lá no churrasco,

Servido em sandes com vinho e cerveja,

Já se vê o osso, está a ficar no casco,

Termina o sermão dado na igreja.

 

E os dois conjuntos de animação,              

Juntam o povo no pé de dança;

Anda a folia e a diversão,

Com o povo festivo que não se cansa.

 

Chega o folclore, os ranchos da história,

Com danças alegres, trabalho cantado;

Festa que ao povo desperta a memória,

Como foi a vida, o nosso passado.

 

Ao chegar a noite tão divertida,

Estalam no céu os clarões,

O povo dança na grande avenida,

Dançam romeiros e foliões.

 

Só à meia-noite sossega o chão,

De tanto pisado por toda a gente;

Há milhares de olhos na iluminação,

Na chuva de luz incandescente.

 

E o fogo no fim, estrondosamente,

Termina com bombas no teto do povo;

Espetáculo medonho no peito da gente,

Retoma-se o baile e folia de novo.

 

A festa vai longa, é já madrugada,

Com sono a alegria esmoreceu,

E a romaria tão derreada;

Abandona a noite, adormeceu.

José Faria


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