EM SÃO MIGUEL O ANJO

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

À CONVERSA COM A ROLA


À CONVERSA COM A ROLA




A rola minha vizinha
Que mora no meu jardim;
Sempre ao fim da tardinha,
Vem se despedir de mim.

Desejar-me noite de paz,
Antes de eu me deitar;
E dizer-me que é capaz,
De manhã me visitar.

Escolhe sempre o lampião,
Adiante de meu quarto,
Para mais perto me ver,

Sobre essa lua ou balão,
De a ouvir não me farto,
É doce o seu arrulhar.

José Faria


sexta-feira, 23 de agosto de 2019

O PLANETA ESTÁ DOENTE


A NOSSA TERRA ESTÁ DOENTE
A nossa terra está doente,
Anda ferida de morte;
Cuidar dela é tão urgente,
Está deixada à sua sorte.

Com secura na garganta,
E nos rios, suas veias;
Que para o mar de água tanta,
Já levaram muitas cheias.

O corpo negro, queimado,
Mas quem socorro lhe presta?
Está a perder o penteado,
Do verde da floresta.

Tão doente e maltratada,
Pode não recuperar;
Sempre mais desidratada,
A ganância a vai matar.

A Terra está sufocando,
E fazem-na mais sofrer;
Tão doente e piorando,
O planeta está a morrer.
José Faria

O GANSO DE MARECOS

O GANSO DE MARECOS

O gando veio até mim,
Como o faz diariamente;
Pois ele sempre foi assim,
Vai junto de toda a gente.

Até nas toalhas, enfim,
Gosta de estar presente;
Mas sempre com o mesmo fim,
De bocados que o alimente.

É assim na paz do rio,
Desse Douro deslumbrante,
Que nos devolve à natureza,

Só o lazer morno do estio,
Forma a corrente abundante,
De vida em sua grandeza.

 José Faria

PELA MINHA MÃE TERRA


EU MORO NO PLANETA TERRA


O meu planeta é a mãe terra,
Que está sempre a adoecer;
Com esse cancro da guerra,
Muito de si está a morrer.

Tanta agressão só a emperra,
De se curar e restabelecer;
Tão alto sua dor berra,
Mas continua a perecer.

Vai levar consigo a vida,
E toda a diversidade,
Que criou continuamente;

É tão grande a dor que sente,
Que é obra da humanidade,
Que se julga inteligente.

José Faria

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

SÃO BARTOLOMEU DA FOZ DO DOURO


“O mártir esfolado é o que mais tem sido representado por pintores e escultores. Por isso, São Bartolomeu é frequentemente apresentando com uma faca na mão e segurando a sua própria pele – tal como acontece, por exemplo, no “Juízo Final”, pintado por Miguel Ângelo no teto da Capela Sistina, no século XVI. Curiosamente, São Bartolomeu é o padroeiro dos curtidores, sapateiros, luveiros, encadernadores, talhantes e estucadores.

TRAZ O MEU AMOR DE VOLTA

São Bartolomeu da Foz,
Ó santo do pescador;
Na pesca vê-la por nós
Trás de volta o meu amor
 
Que anda na faina por nós,
E já tarda o seu regresso;
São bartolomeu da foz,
É só isso que te peço.

Nas palmeiras junto ao rio,
Onde ao mar aí se entrega,
Anda meu olhar à solta;

Esta vida é um desafio,
Não tem paz, nunca sossega,
Trás o meu amor de volta.

José Faria



quarta-feira, 7 de agosto de 2019

CORAÇÃO ENTRE PALAVRAS



CORAÇÃO ENTRE PALAVRAS             

Coração entre palavras,
Palavras de paz, de amor,
De compreensão!...

De respeito, de amizade,
Convívio e felicidade
E de humanização!
Palavras mudas e sonoras,
Falantes, sussurrantes;
Em todas as boas horas.
Palavras calmas, ditas,
Lidas e declamadas,
Por vezes são perturbadas.

Como amigas de formação,
Da frase e compreensão,
Tantas vezes magoadas;
E só porque a emoção,
Sem rédeas nem contenção,
As deixas de mãos atadas.

E as palavras… caladas,
Mais nobres de instrução,
Sentem-se deslocadas,
Nos ventos de agitação.
E vão procurar a razão,
Refúgio na retidão,
Da sua ortografia.

Pela sua elevada função,
Até por educação,
Que é a sua mais-valia.
Palavras que o vento leva,
Pela sua salvação;
Por ordem do coração.
Coração entre palavras,
Não lhes dês muita atenção.
   José Faria

DESABAFO


DESABAFO

Nunca o medo em mim morou,
Nem o credo em mim suou,
Nem ideia manipulou,
Não de outro, de mim sou!
Não sirvo ideia que ventou,
Minha mente não furou.
Fique quem de min falou,
Que para si nunca olhou;
Nem tão pouco se julgou:
Se o vazio lhe ficou,
E em nada participou,
Sem lágrimas, como chorou?
Se com álcool soluçou,
A razão não encontrou,
E muito mais se chateou,
Não foi ele que falou!
Pois se a mente se esforçou,
E a razão não encontrou,
Muito mais se afundou.
E o juízo se afogou,
No líquido que encontrou
E nele se encharcou:
Destruição que lhe custou
O salário que ganhou.
E teso, teso ficou!
Em algo nunca acertou
Porque o vício não largou,
Seu caminho sempre errou!
Porque quis, pois se julgou,
Perto daquilo que sou,
E se por nada se empolou,
Má ideia o baralhou:
Jamais correto pensou.
Lutar o vício? – Não estou!
Cansado a força parou!
Não veem quanto me dou?
Se a mentira abalroou,
A razão que me dotou,
Jamais por aqui estou.
Jamais comigo alguém falou!
Adeus! – Eu me vou.


José Faria

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

A Paz de Marecos

Louvor - Vim para o monte




LOUVOR À NATUREZA                

Vim para o monte,
Porque é no monte
Que sei quem sou.

É no monte à tardinha;
Que encontro a alma do Mundo...
E a minha.

E aqui no monte,
No silêncio do meu olhar,
Deixo o pensamento caminhar.
Sem machucar as flores do monte,
Nem conspurcar as águas da fonte.

E aquí, no monte,
Deixo-me vaguear no silêncio,
Até às portas da verdade
E da alegria,
Rodeado de vida Envolta em pureza.

E antes de voltar à fantasia,
Abraço a terra,
Toda a sua grandeza!

E beijo o monte,
Num louvor à natureza.
                                               José Faria


Até à Eternidade





ESVOAÇAM PENAS                         

Esvoaçam novas penas, vão no vento,
Imposto por donos de tempestades;
E sejam elas grandes ou pequenas,
Enfrentam ambas adversidades.

Teve a vida social já outras cenas,
De alegria e mais contentamento;
É constante a evolução, as novidades,
De verdades claras e morenas.

A vida segue nas mãos da natureza,
Com avanços e recuos da humanidade;
Que nem sempre vê essa grandeza,
Cuja existência pouco a persuade.

É dádiva a vida sobre a mesa,
Da terra, da fertilidade;
Que dela nasce e nela é presa,
Até partir para a eternidade.

José Faria