EM SÃO MIGUEL O ANJO

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Menina dos olhos triste a ver surfar

MENINA DOS OLHOS TRISTES

Menina dos olhos tristes
O que tanto a faz chorar
O soldadinho não volta
Do outro lado do mar

Vamos senhor pensativo
Olhe o cachimbo a apagar
O soldadinho não volta
Do outro lado do mar

Senhora de olhos cansados
Porque a fatiga o tear
O soldadinho não volta
Do outro lado do mar

Anda bem triste um amigo
Uma carta o fez chorar
O soldadinho não volta
Do outro lado do mar

A lua que é viajante
É que nos pode informar
O soldadinho já volta
Está mesmo quase a chegar

Vem numa caixa de pinho
Do outro lado do mar
Desta vez o soldadinho
Nunca mais se faz ao mar
Compositores: Reinaldo Ferreira / José Afonso
(José Faria)

domingo, 27 de setembro de 2020

PEDALADAS PELO CASTRO DE SÃO PAIO

 


DAS PEDALADAS POR ESSES MUNDO

Mais um passeio cicloturístico a Vila do Conde pela estrada de alcatrão e regresso sempre com o mar pela mão.

Passado a Labruge, freguesia que foi vigararia do concelho da Maia, passou a reitoria. Pertenceu ao concelho de Vila do Conde, mas foi depois anexado ao concelho de Bouças (atualmente Matosinhos) regressando novamente ao concelho de Vila do Conde, pelo decreto de 18 de Outubro de 1871.

Desci e passei o castro de São Paio, a S. Paio, contemplando a Capela com o mesmo nome do Castro, de 1885.

“O Castro de S. Paio, único povoado marítimo Proto-histórico conhecido no território português, foi descoberto nos anos 50 do século XX por Fernando Lanhas e D. Domingos de Pinho Brandão.

Nos anos que se seguiram assistiu-se a sua progressiva destruição, mercê da falta de uma metodologia arqueológica adaptada e da exploração inadequada do local, que só viria a ser estancada nos anos noventa com a realização de escavações arqueológicas e a proibição do acesso automóvel à parte superior do povoado.

Esta estratégia permitiu salvar o Castro da destruição e sensibilizar a população local para a importância do sítio.

Posteriormente, foi objeto de um projeto de valorização, de que resultou a inauguração do Centro de Interpretação do Castro de S. Paio."
Depois da contemplação e das fotos e filmes feitos, bicicleta às costas subi até junto do marco geodésico abraçando todo o mar com meu olhar. Mais umas fotos e segui em direção a Lavra, contemplando antes de lá chegar o rio Onda (https://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Onda) embocado na sua foz, de algas que o mar lhe lança. Um dia tenho que pedalar até à sua nascente, no Poço do Inferno, em Guilhabreu, pois aqui a sua foz, entre Labruge e Angeiras, já eu visito e contemplo há muito tempo.

Muito mais teria a descrever, mas julgo mais interessante e correto, que visitem a fonte origem destas revelações, clicando no Link:

http://www.visitviladoconde.pt/pages/825?geo_article_id=2556&page_nearby_list=2&page_opinion=1&page_related=1&page_suggestions=1

Façam como disse António Nobre: - “FARTO DE DORES COM QUE O MATAVAM, FOI EM VIAGENS POR ESSE MUNDO”. (E nunca mais teve dores nem queixas, só contemplação e gratidão)

José Faria

terça-feira, 15 de setembro de 2020

VETERANO

VETERANO

Seis décadas passaram, após seis anos,

Pelos caminhos então percorridos;

De alegrias, verdades e enganos,

De onde nasceram valores mais queridos.

 

Que fortalecem os pilares humanos,

De conhecimentos mais preenchidos;

Na distância do tempo os veteranos,

São frutos da vida amadurecidos.

 

E o pôr-do-sol é jamais pensado,

Como o outono é mais referido,

Viva-se o caminho com obediência;

 

Com mais cautela e mais cuidado,

Lembrando memória, o tempo oferecido,

Com a gratidão dessa existência.

José Faria

POETAS VIRGENS

POÉTAS VIRGENS

De 15 de Setembro 1765 / 1954


Poeta ousado foi também o cidadão,
A quem me ligo com certa diferença,
Pelo humor revolucionário e devoção,
Entre o Bocage e eu ainda há parecença.

 

Só a influência do tempo e o chavão,
De uma outra era e de outra crença;
Nos separa do modelo, da intuição,
E da cultura literária sem ofensa.

 

Há duzentos e cinquenta e cinco anos,
Entrava neste mundo esse poeta;
(15/09/1765)
Cento e quarenta e nove anos depois entrava eu.


(depois da morte de Bocage – 1805 - 1954)

 

Pelo quinze de Setembro somos manos,
De igual literacia e igual treta,
E do registo poético meu e seu.

José Faria

terça-feira, 8 de setembro de 2020

FESTAS PARAM 62 ANOS DEPOIS

 FESTAS DE PEDROUÇOS – MAIA
PARAM 92 ANOS DEPOIS

Desde Setembro de 1928, início da freguesia eclesiástica e do orago de Pedrouços, que se realizam anualmente as festas em honra de Nossa Senhora da Natividade, que este ano de 2020 “descansam” devido à pandemia.

Sirva esta pausa forçada para reflexão sobre esta terra, sobre a sua história, a sua gente e sobre o seu passado, até onde é possível chegar com provas de espaço físico, porque, para além do que nos conta a história regional e universal nos livros, há vestígios físicos constatar e questionar e avaliar. Se assim procederem, verão que por mais que tentem recuar na história de Pedrouços, só conseguirão encontrar no seu monte pedrozos ou Pedroucos, a ermida a São Pedro, (último vestígio desse planalto) num tempo em que esta terra era fortemente de agricultura e de uma população muito ativa e trabalhadora que detinha 19 casais, que davam trabalho e sustento a todo o lugar. Com mais casais do que Petrauzos, só o lugar de Ardegães, da Vila de Águas Santas, que apresentava 21 casais e detinha em toda a Maia, o maior número de moleiros nas margens do rio Leça, para onde os agricultores e população da Maia e das terras vizinhas se deslocavam para moer o milho e para adquirir a farinha por dinheiro ou troca com outros produtos.

Ora, trezentos e tal anos depois da construção daquela capelinha privada na encosta do monte (rua António Feliciano de Castilho), que se verificou por volta de 1440, (de onde partia a Via Sacra até ao Calvário), é que surgiu por volta de 1763 uma outra, precisamente no espaço da ermida a São Pedro, no planalto do monte de Petrauzos.

Restaurada e acrescida em 1926, apronta-se para igreja paroquial (mais ou menos como ainda é hoje) a qual passou a paróquia da nova freguesia eclesiástica a 8 de setembro de 1928, tendo sido adotado como orago Nossa Senhora da Natividade, pelo primeiro ciclo da diocese do Porto.

Regressando ao presente, perfaz neste dia 8 do mês de Setembro de 2020, 92 anos desde que anualmente se realizam as festas religiosas e profanas do povo de Pedrouços devotos da sua padroeira, que este ano, devido a pandemia se fica por várias e cautelosas realizações religiosas, com significativo, abrangente e luminoso destaque, a iluminação do santuário.

A passagem a freguesia civil só se verificou 57 anos depois da passagem a eclesiástica, em Julho de 1985.



ROMARIA DE PEDROUÇOS


Estoura no céu o fogo da alegria,

Um novo despertar da tradição,

É mais um convite para a romaria,

A todas as almas da população.

 

São os morteiros da alvorada,

O despertador da freguesia;

E entrega-se o povo à caminhada,

Até à igreja para a homilia.

 

Já toda a gente se vai juntando,

Na sua paróquia em comunhão;

Por paz e saúde vão apelando,

Nas suas preces de religião.

 

Ouvem-se as Missas na ampliação,

São rezas no ar da freguesia;

Nas cerimónias em comunhão,

Há confessos, recados na homilia.

 

E lá vem a música da Banda a tocar,

Pelas ruas da terra, semeiam alegria.

De passo acertado, vem a marchar.

Animam a festa com primazia.

 

E há mais foguetes a estourar,

Por tradição, hábito e moda.

A festa e a guerra fazem lembrar,

Agradam a uns, a outros incomoda.

 

Pedem perdão os pecadores,

Que voltarão de novo a pecar;

Rezam os pobres com ricos senhores,

De mãos erguidas frente ao altar.

 

Entre os fiéis anda o peditório,                                     

A todos apelam contribuição;

Telinta na cesta o ofertório,

Por entre rezas de oração.

 

E chega o repasto, a reunião,

Com as famílias a festejar;

Já se preparam para a Procissão,

Onde os cristãos vão participar.

 

Tantos andores, tão bem enfeitados,

Aguardam os ombros que os levarão,

Ao povo das ruas, são aguardados:

Por curiosidade e devoção.

 

Por entre enfeites de decoração,

De comes e bebes da festividade;

Misturam-se os sons da diversão,

Com os da Missa da Natividade.

 

É a fé e o profano em comunhão,

Por apelo do sino tão badalado;

Ribombam os bombos em digressão,

E as Bandas de música tocam no adro.

 

Lá vem a Fanfarra alegre, fogosa,

Seguem-na estandartes oscilando;

Manifestação tão religiosa,

Aos olhos do povo se vai mostrando.


 

Momento de fé da população,

De todos os pobres e ricos senhores;

A majestosa, grande procissão;

É gosto de ateus e de pecadores.

 

Junto ao quartel já está parado,

O São Joaquim da corporação;

Pelos bombeiros é venerado,

Que o levam a ombros na procissão

 

Retoma-se a marcha, e logo se detém,

Toda esta entrega da comunidade;

E já no quartel entra também,

A Padroeira Natividade.

 

Choram sirenes num silvo gritante,

Com emoção tão derradeira;

E o ar estremece arrepiante,

De apelo à Senhora Mãe Padroeira.

 

Lá segue adiante a devoção,

Suor nos rostos, dor na caminhada;

Parece sem fim a manifestação,

De tantos andores de tão devotada.

 

Vem a Padroeira, nossa Senhora,

Seguida do Pálio e ostentação;

À sua passagem o povo que ora,

Vai-se curvando em veneração.

 

Há gente descalça, mais povo a seguir,

Crianças ao colo e velas na mão;

Muitas promessas estão a cumprir,

Por fé à Senhora, por devoção.

 

Continuam foguetes a rebentar,

Bem lá no alto largando fumaça;

Lá vai a Banda sempre a tocar,

Com a Majestosa cheia de graça.


 

Volta-se o porco lá no churrasco,

Servido em sandes com vinho e cerveja,

Já se vê o osso, está a ficar no casco,

Termina o sermão dado na igreja.

 

E os dois conjuntos de animação,              

Juntam o povo no pé de dança;

Anda a folia e a diversão,

Com o povo festivo que não se cansa.

 

Chega o folclore, os ranchos da história,

Com danças alegres, trabalho cantado;

Festa que ao povo desperta a memória,

Como foi a vida, o nosso passado.

 

Ao chegar a noite tão divertida,

Estalam no céu os clarões,

O povo dança na grande avenida,

Dançam romeiros e foliões.

 

Só à meia-noite sossega o chão,

De tanto pisado por toda a gente;

Há milhares de olhos na iluminação,

Na chuva de luz incandescente.

 

E o fogo no fim, estrondosamente,

Termina com bombas no teto do povo;

Espetáculo medonho no peito da gente,

Retoma-se o baile e folia de novo.

 

A festa vai longa, é já madrugada,

Com sono a alegria esmoreceu,

E a romaria tão derreada;

Abandona a noite, adormeceu.

José Faria