EM SÃO MIGUEL O ANJO

domingo, 30 de agosto de 2020

POESIA COM SÃO MIGUEL O ANJO


SOL DA ALMA DO MUNDO

Arranquem as lágrimas da alma e do coração,
Agitem o sentimento mais delicado;
Que flua a força pura da razão,
E que a verdade assuma o mais sagrado.

Deixem o sol doar a sua oração,
Que o seu calor pelo vivente seja amado;
De toda a existência dele é bênção,
Até pelos bichos do monte é venerado.

É Deus da fonte da vida, é claridade,
É luz do mundo que o olhar alcança,
É calor da vida da humanidade.

De tudo que nasce, cresce e é mocidade,
Ou seiva, flor, fruto e esperança.
Dilata em vida em continuidade.
José Faria

PADRE MICAEL EM SÃO ROMÃO

 


Receção do Padre Micael a São Romão do Coronado

Talvez a chegada do Padre Rui Alves à paróquia da Natividade de Pedrouços, traga destas sementes, tão belas, puras e dedicadas de um povo que sabe estar, amar, convergir, respeitar, aprender e orar.

Pode ser que a terra de Pedrouços às portas da cidade do Porto, se renove com gente nova de corpo e sobretudo de ideias, valores e de respeito pelo que é religiosamente da vida, de Deus e da comunidade humana.

Padre Micael chega a São Romão

Guiado pelo clero e mão de Deus,

Para servir toda a população

Com o mesmo amor a crentes e ateus.

Que o padre Rui Alves que de lá vem,

Semeie esta riqueza de amor e unidade;

Que limpe o mal que Pedrouços tem,

Para que respire a Natividade

José Faria

terça-feira, 25 de agosto de 2020

LEVANTA-TE PEDROUÇOS

 

LEVANTA-TE PEDROUÇOS
 
Pedrouços está dormente, ainda deitado,
Só em Setembro desperta religioso;
E vai na procissão mas mais ensonado,
Depois volta a adormecer muito deleitoso.
 
Fica para todo o ano medicado,
Com a alegria de festa e algum gozo;
Nas missas e rezas já mais educado,
Aguenta mais um ano, mesmo penoso.
 
E volta-se à rotina na freguesia,
Nesta terra às portas do progresso,
Gerida por um pensar tão indiferente,
 
Outros valores pedem mais-valia,
Tão pessoal está o progresso,
E mantêm-se serena a minha gente.
José Faria

 

BEM VINDO À MAIA


O MAIENSE

 

É a Maia a terra da amizade,

De convívio social a todo o tempo;

Onde o passado e futuro é mocidade,

E o presente de contentamento.

 

 

É onde vive a história e a saudade,

Do maiato e seu temperamento;

Que no caminho construiu a felicidade

De horizontes sempre em crescimento.

 

Guardião da terra e do seu povo;

O Lidador no centro da cidade,

Representa lutas sem igual.

 

Presente a Maia em tudo que é novo

Por progresso e fraternidade,

É semente também de Portugal.

 José Faria

 

segunda-feira, 24 de agosto de 2020

RECORDEMOS PAPINIANO CARLOS

Papiniano Manuel Carlos de Vasconcelos Rodrigues, foi um escritor português nascido em Moçambique, a 09/11/1918. Aos dez anos veio viver com a mãe para o Porto e depois integrou-se na comunidade de Pedrouços, na Maia, com residência no gaveto das ruas, António Feliciano de Castilho e General Humberto Delgado, onde faleceu a 05/12/2012.

A cultura tem andado sempre arredada de Pedrouços e ainda mais nos últimos anos.

E, se um dia, Pedrouços tiver a sorte de eleger alguém que lhe construa um Centro Cultural, pois que lhe deem o seu nome: CENTRO CULTURAL PAPINIANO CARLOS, porque até hoje Pedrouços ainda não conheceu outro escritor e literário residente e interveniente como ele foi.

Pois toda e qualquer comunidade humana, região administrativa… uma aldeia, concelho ou freguesia, tem todo o interesse (ou deveria ter) em divulgar e mesmo enaltecer, os feitos exemplares, sociais, humanistas, de solidariedade, artísticos dos seus concidadãos, presentes ou ausentes.

E Pedrouços tem muitas figuras para divulgar, mas que ignora ou silencia, às quais a comunidade, por várias razões e feitos, lhes deve prestar homenagem, ou, no mínimo, recordá-los de vez em quando para que a memória coletiva os tenha sempre presentes.

Não vou aqui enumerar todos esses bons cidadãos de que me lembro e reconheço, pois isso deveria ser serviço de um pelouro cultural local que não existe, mas trazer aqui, sempre que me desperte para tal, um ou outro cidadão, presente ou ausente, que mereça o respeito e a atenção da nossa comunidade.

Desta vez, trago-vos Papiniano Carlos, e a recordação das suas obras literárias mais relevantes e que devem continuar do gosto dos leitores, tais como “Esboço: poemas - Estrada nova : caderno de poemas - Terra com sede - Mãe terra - As florestas e os ventos - Caminhemos serenos - A rosa nocturna - Menina gotinha de água - Terra com sede - O cavalo das sete cores. - o navio Luisinho e as andorinhas - O grande lagarto da pedra azul -  A viagem de Alexandra Abel Salazar - A memória com passaporte… entre outros.

Estes valores e outros na área do saber e do comunicar, criar e aprender, só podem e devem ser tratados, divulgados e recordados, caso haja na nossa região administrativa, pessoas e serviços culturais com essa capacidade e prestabilidade ao serviço da terra e da sua gente.

José Faria

quarta-feira, 19 de agosto de 2020

ÀS PORTAS DA CIDADE


Do outro lado vê-se a cidade.

Sente-se o cheiro do reboliço e da agitação,

Da movimentação urbana, desembaraçada…

Naquele frenesim lesto e de correrias.

A cidade não dorme, não descansa;

De noite e de dia sempre cheia de gente,

Em movimento constante, continuamente.

São como formigas num vai e vem

Apressado e urgente, desnorteado.

Enchem as grandes superfícies comerciais,

Como térmitas no interior dos seus enormes castelos,

Repletos de grutas e outros compartimentos interligados.

 

Na freguesia do Faria sente-se uma paz cúmplice e doentia…

Um silêncio embrulhado em marasmo…

E o ar da arte de comunicar, húmido e bolorento, vaporiza-se!

Dorme o crescer, progredir, desenvolver…

E antes que o sol se deite sobre o manto do Atlântico,

Já as ruas estão desertas, frias, desumanizadas.

Um frio calado e abafado, mesmo no verão,

Gela o silêncio ao tombar do dia…

E a recordação desperta em melancolia.

 

E chegam à lembrança de outros tempos,

Outras vivências que ficaram para trás.

Ainda se ouvem os cuidados chamamentos

Dos progenitores no cair da noite.

- Adriano, Zé, Mingos, Nanda,

Vinde para dentro que já são horas”.

Passado uns minutos, do Luís,

Ainda a meia-noite vinha lá longe…

Ouvia-se à porta o seu ar zangado:

“A vossa mãe não vos chamou!?”

Mais rua acima, outro chamamento,

O último, talvez: …

- “Não te volto a chamar!”

Tudo ou quase tudo mudou.

Perdeu-se a noção do tempo da rua,

E do tempo da casa; e o da família,

Do tempo da diversão, e da responsável alegria,

Do tempo do progresso em união.

 

Do lado de cá da cidade,

As ruas perderam atividade;

São só de passagem e não de convívio,

Ou diversão entre a vizinhança.

Só no dia da padroeira e da romaria,

O povo se reencontra em festa e alegria,

Porque há festa na freguesia do Faria.

Do lado de cá da cidade do Porto,

Só os prédios continuam a crescer,

Com a mesma qualidade e altura,

E arquitetura, como os do lado de lá.

E lá de cima, dos mais altos,

Veem-se as casas velhas e abarracadas,

As ilhas, que vão apodrecendo abandonadas,

Recordando a miséria que por lá vegetou.

Algumas dessas velhas e antigas habitações,

Rasteiras e apodrecidas, ainda albergam almas,

Paradas no tempo e no seu espaço,

Sem jeito nem proveito à espera do seu fim.

A freguesia do Faria é assim…

Continua a mesma, mas não é a mesma coisa!

Hoje, o silêncio magoa, ninguém sabe nada.

O dinheiro manda mais do que a palavra,

A freguesia já não é dos fregueses;

Está nas mãos de uns tantos silenciosos,

Autores do tempo calado e do frio social cortante

Que abafa a cultura e o conhecimento.

Aos pés das grandes e altas construções,

Iguais às da cidade do outro lado da Circunvalação.

 

As ilhas e casas abarracadas gritam de podre e bolor,

Aos olhos do novo tempo calado que passa.

Uma vista degradante, disfarçada e camuflada,

Pintada de outras tintas e outras cores,

Enganando o testemunho de um tempo social;

De um outro tempo do povo e da gente

Divertido, pobre e crente.

 

Hoje andam as ruas caladas.

Foge o povo para a cidade,

Parecem abandonadas,

Mudas, moribundas e frias,

Perderam vida e alegria,

Na freguesia do Faria.

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

CASTRO DE ALVARELHOS


CASTRO DE ALVARELHOS
O castro de Alvarelhos é Monumento Nacional desde 1910.
Situa-se na rua Sobre Sá, aqui na freguesia de Alvarelhos, na
serra de Santa Eufémia, no concelho da Trofa.
As suas caraterísticas, vestígios e os achados, revelam as
formas de vida e de organização social, dos povos que aqui viveram em finais da
idade do Bronze. Dos achados aqui encontrados, contam-se um marco miliário proveniente da Quinta do Paiço,
Um tesouro monetário com cerca de cinco mil denários,
Nove ponderais em prata;
Um conjunto de materiais em bronze dos quais se destacam,
Um umbo de escudo
Elementos pertencentes a uma sítula,
Uma pequena estatueta que representa uma nereida
E três monumentos epigráficos.

Esta povoação tão romanizada, porque precisamente no caminho
da romanização que atravessa as terras da Maia, encontra-se, por isso, estrategicamente situada sobre o vale da ribeira da Aldeia, por onde passava o Itinerário Romano XVI entre Braga e Lisboa e no cruzamento de outras vias secundárias.

SOBRE RUÍNAS
Vim de novo pedalar,
Por montes, vales e quelhos;
Desta vez vim visitar,
O castro de Alvarelhos.

Para de perto apreciar,
Vestígios já muito velhos;
De quem aqui soube criar,
Os primeiros aparelhos.

Ferramentas e utilidades,
De ferro, bronze e até cobre;
Num grande passo evolutivo.

Progresso das sociedades,
De avanço forte e nobre,
De um trabalho imperativo.

José Faria

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

O BRASÃO DA QUINTA DE PAREDES

A VELHA QUINTA DE PAREDES E O SEU BRASÃO

Sempre me fascinam as grandes quintas acasteladas e brasonadas que encontro nas minhas pedaladas.

Grande parte deste património histórico foi entregue ao decorrer do tempo sem ninguém, o que me desperta ainda mais a imaginação sobre as vidas ali vividas, a história de famílias monárquicas, esclavagistas ou feudais poderosas e senhoriais das terras trabalhadas, suadas e sangradas, pela plebe.
De entre as várias fazendas deste tipo acastelado e brasonado, porta de entrada de grandes terrenos de cultivo e pastagem, que vi no caminho entre a Maia e Vila do Conde, despertou-me o brasão da entrada da Quinta de Paredes, na rua do Património, em São Pedro de Avioso, em direção a Guilhabreu, com uma capela e cruzeiro defronte, do outro lado da rua.
Com datas de 1616 e 1736, de características “acasteladas”, sobressai sobre a entrada principal o brasão em granito que se encontra amparado por duas robustas volutas que rematam, em altura, aquela 
entrada.
O escudo redondo, de bico insinuado e de bordo superior em arco de cinco estrelas de cinco raios.
Sem entrar em pormenores sobre o que há de registo escrito na história desta e de outras quintas, apraz-me descobrir, conhecer, fotografar e divulgar este património histórico que me leva a recuar no tempo e a imaginar estórias da história e das vidas ali vividas.
José Faria✍️📖🤔🧙‍♂️
Fonte: - https://www.cm-maia.pt/cmmaia/uploads/document/file/1717/REVISTA_MAIA_2_-2__ISSN_2183-8437.pdf