EM SÃO MIGUEL O ANJO

sábado, 29 de fevereiro de 2020

O FANTASMA DO CLUBE

Há muito que se olhava para o clube como quem olha para uma colmeia de abelhas vermelhas. Era um clube forte em união de amigos, sempre leais aos mesmos princípios ideológicos, antagónicos aos que se praticam no poder local.
"Senhores do saber, da verdade e da razão". “Conhecedores” do caminho do progresso social e cultural da terra, do país e do mundo; movimentavam-se nas evidentes carências educativas, culturais e sociais da terra e da gente. Essa postura associativista e clubista revolucionária, incomodava o poder local sobre orientação burguesa, que procurava uma alternativa capaz de “amaciar” essa força política clubista.
O clube com sede social numa casa antiga, de paredes revestidas a saibro que incorporaram as divisões de secretaria, BAR, balneários, salão de festas e um pequeno palco, precisava de uma reforma profunda de reparação e correção estrutural.
Só um estratagema bem pensado e executado poderia pôr cobro à contestação avermelhada, capaz de desmantelar a colmeia, de forma a aproximar o pensamento diretivo e associativo, clubista, do poder executivo local e de orientação social cultural burguesa, da política regional.
Não se podia perder mais tempo porque o povo ia ser chamado às urnas novamente. Faltavam poucos meses, menos de um ano.
No aniversário do clube, o chefe municipal foi de novo convidado para a cerimónia de içar das bandeiras, sessão solene e porto de honra.
Era o momento de avançar com um estratagema, e já se aprontava quem daria o primeiro passo: aquele elemento de direção, muito falante, vaidoso e muito servil, tipo lacaio que não largava o gabinete do centro da região e de decisão do poder local, onde se desfazia de vénias e de pedidos de subsídio para o clube.
Chegou o dia de aniversário, e, como sempre, foi ele de novo o cicerone a fazer as honras da casa, apresentar e a elogiar as entidades presentes; a lembrar-lhes das necessidades do clube, apelando ao bom senso e colaboração para coadjuvar no arranjo e restauro da sede social. Muitos presentes a verem e a ouvirem, sócios e amigos...povo!
Das intervenções, a mais importante fez-lhe o convite para estar lá no gabinete, para ver o que se pode fazer pelas obras na sede do clube.
Ostentando uma importante alegria, o orador apresentador da sessão, desfez-se em agradecimentos e elogios, referindo por várias vezes o nome do presidente e demais entidades. E, olhando-os de olhos reluzentes e acenando com a cabeça, referiu com as suas servis pegajosas palavras: Sim senhor, sim senhor, sim senhor presidente, lá estarei com muito gosto. Será um prazer. Muito obrigado.
Uma semana depois, pela calada da madrugada, um vulto deslocou-se no interior escuro do clube. Era um fantasma.
Acendeu um isqueiro e passou a sua chama por vários sítios inflamáveis. Passados alguns minutos deixou-o cair. Queimou os dedos.
Voltou a pegá-lo e deslocou-se, às apalpadelas, com ele apagado, para a zona de bar e secretaria. Conhecia muito bem de olhos fechados os cantos à casa.
A luz voltou. Uma pequena chama, a do isqueiro na mão do fantasma.
O vulto, deslocou-se agora mais rapidamente e fugiu para a rua a cobro da escuridão da madrugada.
A chama, misteriosa, ficou para trás e foi crescendo, crescendo, crescendo.
Perto das cinco horas são vistas labaredas, aflitas, tentando fugir por entre as telhas.
  • Acudam, chamem os bombeiros. O clube está a arder.
Gritou uma senhora de idade à janela duma ilha do outro lado da rua.
O fantasma apareceu a correr, em pijama. - (Deu a impressão que estava por perto) Meu Deus, chamem os bombeiros. - Gritou.
E foi ele mesmo quem imediatamente pegou no telemóvel e ligou à corporação mais próxima.
Dez minutos depois chegavam os bombeiros que depressa calaram as chamas e eliminaram o incêndio no clube.
O que ardeu mais a água das agulhetas, deixaram a sede meia destruída. Muito danificada, com a secretaria e o bar completamente destruídos.
O tempo que se seguiu foi de reuniões e mais reuniões, durante meses, sempre com o fantasma como figura principal, a comandar os temas e a procura de soluções, que culminaram na eleição de uma comissão administrativa até se conseguir uma nova direção.
O fogo destruíra toda a documentação, de história, finanças, correspondência. As reuniões com a municipalidade repetiram-se até que a decisão esperada, sobretudo pelo fantasma, chegou para agrado de todos os diretores e massa associativa.
O poder local aprovou em reunião a reestruturação e ampliação de todo o edifício da sede social do clube, muito degradado e destruído pelo incêndio.
As obras avançam a bom ritmo e foram concluídas já muito próximo da chamada do povo às urnas para as eleições autárquicas.
Sob proposta do fantasma, o salão de festas passou a ser auditório com o nome do presidente da região administrativa.
Chegou a inauguração da nova sede, totalmente remodelada, com uma cerimónia que incluiu a bênção pelo padre da paróquia local, e o içar das bandeiras abrilhantado ao toque da fanfarra dos bombeiros locais.
O fantasma apresentou-se de fato e gravata a rigor. Foi o senhor mais solicitado e sorridente no seio da comitiva. Voltou a ser o mestre de cerimônia onde, com pompa e circunstância, foi chamando diretores do clube, para procederem à entrega pessoalizada de prendas e lembranças às entidades convidadas e presentes.
Os anos que se seguiram trouxeram um maior equilíbrio e sintonia, entre a política social e cultural do clube, com a do poder local que se vivia naquela terra.
Com a preciosa e conivente intervenção do fantasma, a chama milagrosa do incêndio daquela madrugada, reproduziu reconhecimentos e elogios no clube e no lugar, onde antes só gritavam as reprovações e contestações à política e gestão administrativa. Passaram a estar sempre presentes as gratidões, a simpatia e a sintonia, entre todos quantos são a “família” do clube e a “família” administrativa municipal.
Desconhecido, o fantasma, continua por aí a cantar o fado.
Contos de José Faria

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

Passeio no Parque Casa do Alto






PASSEIO NO PARQUE DE LAZER E MERENDAS,
DA CASA DO ALTO .
Com mensagem poética.
ESPAÇO DE LAZER
Trouxe meu olhar de novo
E a objetiva também,
A ver o que é do povo,
Que não se dá a ninguém.
Belo espaço de lazer,
Tanta grandeza e tamanho,
Que não dão a conhecer,
Só para não terem trabalho.
Não há onde se beber,
E nem tem casas de banho;
Quem quiser pode ir fazer,
Atrás da casa a apodrecer,
Ou encostado a um carvalho.
E o gestor veio ver,
E mais uma vez perguntar,
O que eu andava a fazer,
Ali a fotografar!?
Em vez de me agradecer,
De o património divulgar;
Só me lembrou a dizer,
Isto não pode filmar!
E eu que me estava a passar,
Soube a palavra conter;
E só lhe disse p'ró calar,
Que sempre aqui foi meu viver.
Não me venha chatear,
E não me levante a voz;
Que esta terra é do povo
E o povo somos nós.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2020

MAIA E MATOSINHOS DE COSTAS VOLTADAS


LIGAÇÃO VIÁRIA MEDIEVAL
ENTRE MAIA E MATOSINHOS

O que escrevi há 22 anos no então Jornal da Maia, em Agosto de 1998, tinha por destacado título “LIMITES DA MAIA E MATOSINHOS COM DIFERENÇAS ACENTUADAS”.

Era verdade e ainda é!
Tinha esta notícia e informação a intenção de despertar o interesse e a intervenção de ambos os municípios, no sentido de se entender e de encontrar em acordos e parcerias, de forma a responderem aos anseios e necessidades viárias para ambas as populações, da Maia e de Matosinhos, entre Pedrouços, Maia e São Mamede Infesta, Matosinhos.
Já lá vão vinte e dois anos, sim, 22 anos desde essa notícia.
Nessa altura, a única coisa que foi feita, foi um pequeno pontão sobre o ribeiro que limita as referidas freguesias, e por conseguinte, os dois concelhos. Construído na altura pelo primeiro executivo da Junta de Freguesia de Pedrouços, (acabada de ser criada) passou a ser possível passar o trator ou carro, mas só um de cada vez sem se poderem cruzar.
Esse pontão foi recuperado, reconstruído recentemente, por ter ruido, mas mantém as mesmas medidas de largura, à volta de 3 metros.
Do lado de São Mamede infesta, o caminho então medieval, de piso térreo e pequenos perpianhos, muito incerto, que é a rua das Covas, foi calcetado do lado de São Mamede Infesta até ao pontão de travessia do ribeiro, que divide os concelhos, mas manteve a mesma largura.

Quem por ali corta caminho de carro, tem que estar muito atento, para não entrar no caminho calcetado, se outra viatura já tiver entrado primeiro no outro extremo da ruínha. Só passa um de cada vez e se na altura for alguém a pé, tem que parar e se desviar para a viatura passar. Se houver necessidade de um deles ter que recuar, é bastante complicado, pois o caminho é ladeado por pedregulhos de divisão de terreno, meio escondidos entre erva daninha e arbustos, onde facilmente batem quando tem que recuar.
Recentemente, por altura da inauguração do equipamento de manutenção física no parque dos Amores, ali perto, por onde se faz também a travessia a pé do lugar de Teibas, Pedrouços, para o lado de São Mamede, como se estava em vésperas de eleições autárquicas, a comitiva da inauguração foi abordada pelos moradores de Teibas, que solicitaram aos recandidatos à Câmara e à Junta, para que providenciassem na criação de uma passagem digna de ligação entre as duas freguesias, entre os dois concelhos, pois muitos dos moradores por aí passam diariamente para se deslocarem para o trabalho para os lados de Matosinhos e Porto, para chegarem à estrada Exterior da Circunvalação, Hospital de São João… e mesmo nas idas ao supermercado do outro lado do ribeiro, na rua Padre Costa, de São Mamede.

Como a inauguração e a cerimónia num momento propício ao encaminhamento da política local determinado nas urnas, foi respondido aos moradores que sim, com certeza, que iam resolver o problema e criar uma passagem, para os residentes não terem que subir e descer escadas.
Passados dias, logo uma máquina surgiu a derrubar e a estender um morro junto ao ribeiro e a criar um “escorrega” de alcatrão, com barões de madeira (tipo estaca de árvores) que passou a servir de caminho aos moradores pedroucenses de Teibas, Pedrouços que se desloquem para São Mamede, ou que de lá venham para Pedrouços por Teibas.

Na verdade, aquando da abertura ou alargamento da rua das Cavadas, uma parte dessa rua ficou logo direcionada para Pedrouços, e até lhe deram logo nome: RUA DE CUTAMAS (tem para aí uns 20 metros até ao parque!?) para que posteriormente (não se sabe quando) se faça a ligação correta e devida com pedrouços, Maia.

Para isso seria preciso que houvesse melhor boa-fé por parte de ambos os municípios em servir as suas populações e menos os seus interesses políticos e partidários.
Entretanto o “escorrega” de alcatrão que serve de caminho, (construído por altura das eleições) continua a servir os maiatos do lugar de Teibas, que também podem optar pela escadaria do parque. Ou utilizando o caminho calcetado entre campos, a rua das Covas, do lado de São Mamede que liga à rua 25 de Abril, de Teibas, Pedrouços.

Outra situação não menos desagradável e que se agrava de dia para dia, por falta de interesse e de intervenção das entidades municipais de ambos os concelhos, é o que se passa nas imediações do ISCAPE – Instituto Superior de Contabilidade, cujos utentes invadem diariamente todas as ruas das suas imediações, criando muitas dificuldades aos moradores dessas ruas onde São Mamede Infesta termina na rua das Cavadas junto ao Parque dos Amores.
Na rua de Moalde, até há bem pouco tempo pacata e sossegada, fica diariamente superlotada de viaturas estacionadas até às traseiras da escola, junto aos campos de cultivo.

No início da rua das Cavadas, por onde saem todas estas viaturas, única saída, (para além da estreita viela calcetada que tem nome de Rua das Covas, houve há tempos uma derrocada, abatendo-se meia rua sobre o desnível acentuado do terreno lateral (onde estão as grades). Presentemente a ameaça de nova derrocada está eminente, e ao contrário de se atual com urgência, colocaram-se umas grades de aviso.
A verdade é que se o aluimento se verificar e que impossibilite a passagem de carros, por onde vão sair todas as viaturas que por ali estacionam diariamente?

Seria fundamental e imperioso que as intervenções de ambos os municípios, da Maia e de Matosinhos, se entendessem, cooperassem e servissem as suas populações dos limites dos concelhos, como tão bem servem as populações do centro do mesmo território administrativo. Que saibam administrar o “seu” território, a mobilidade e o bem-estar das populações, vivam elas no centro ou na periferia.

Apesar de por aqui andarem entendidos na matéria, reunidos à volta de um plano diretor de ordenamento do território, (ou a fazer de conta) nunca por estas bandas houve vestígios de aplicação de qualquer plano ou ordenamento. Para além da criação do parque de lazer, em termos de vias de comunicação, tudo contínua medieval.

Valeu a pena, no entanto, esta minha entrega na divulgação. Pois para além do reparo ou constatação da realidade, fica essa mesma realidade muito mais do conhecimento público, que de outra forma, até pelas imagens, nem lhe passaria pela cabeça a existência destas situações.
PORQUE DESPERTAR E LEVANTAR É PRECISO…
José Faria


domingo, 16 de fevereiro de 2020

A MAIA É A MACEIRA DA EIRA

A Maia do presente, é uma pequena maceira
No centro de uma grande eira, da Maia do passado.
Penso ser de todo o interesse rebuscar de novo no passado, pedaços muito animadores das nossas origens pedroucenses e maiatas.
Não vou de novo referir-me aos povos brácaros ou castrejos, aos romanos, suevos, visigodos ou árabes, nem sequer aos Mendes da Maia, ao Gonçalo, ao Soeiro ou ao Paio, seria demasiado longo e cansativo.
Mais interessante, e espero não me alongar muito, pese embora que isso possa motivar ao gosto e hábito da leitura, comecemos pela nossa terra de Pedrouços.

Foi um lugar da freguesia de Águas Santas antes da sua independência administrativa, e nessa condição de lugar, muito lá atrás na história, foi um dos lugares mais importante de toda a Maia. É por isso que terá sido designado de “cidade” de Petrauzos ou Pedrouzos, face à sua importância na economia de então, assente fundamentalmente na agricultura.
Só para realçar e confirmar essa importância, regista a história que Pedrouços detinha na sua comunidade local, dezanove casais e que só o lugar de Ardegães é que possuía mais do que Pedrouços, 21 casais. Demais, mais nenhum lugar da Maia, possuía mais casais do que Ardegães e Pedrouços.
É verdade! Sei que uma boa parte dos elementos deste Grupo e dos nossos conterrâneos, certamente desconhecem que no início do século XI, ainda antes da fundação da nossa nacionalidade, (andaríamos ainda lá pelo Portucale) as terras da Maia eram limitadas a Norte pelo rio Ave. que já foi a Maia, desde Santo Tirso até à sua foz em Vila do Conde (província da Tarraconense); de Matosinhos até Massarelos, cortando por Cedofeita e Paranhos, a nascente seguia essa limitação das terras da Maia, por Campanhã, Rio Tinto, Valongo, Ermesinde, Alfena, Bougado (São Martinho e São Tiago) e a poente a limitação das terras da Maia, era o Atlântico que delimitava, desde a Foz do Douro até Vila do Conde.
Ao longo da história, a luta, ambição… a cobiça pelas terras da Maia, foi uma constante de lutas renhidas. Primeiro oferecidas pelos monarcas e depois nas lutas políticas, iniciando-se por volta do ano de 1300. Já a 15 de Novembro de 1369, D. Fernando, para que a cidade do Porto ficasse mais honrada, deu-lhe o julgado de Melres. A 12 de Abril de 1384, D. João I, para patentear a “boa e leal cidade do Porto”, presenteou-a com os julgados da Maia, Bouças e Gaia. O saque às terras da Maia nunca mais parou até que, já mais longe
Na verdade, de onde tiro essas informações, “Temas Maiatos – Desmembramento do concelho – tema 9 de Álvaro Aurélio do Céu Oliveira, escritor, jornalista do Jornal da Maia e historiador, que recebeu das mãos de Vieira de Carvalho a medalha de ouro da cidade pelos serviços culturais e literários prestados à Maia, muito teria aqui para despertar as nossas origens, desde muito antes e durante a “Cidade de Petrauzos”, até à sua chegada a FREGUESIA ECLESIÁSTICA que se verificou em setembro de 1928, depois das obras de restauro iniciadas em 1926, para ampliação do templo (paróquia de Pedrouços) que foi construída no espaço da ERMIDA A SÃO PEDRO.
Uma população muito ativa e trabalhadora, que detinha 19 casais (propriedades rústicas), que davam trabalho e sustento a todo o lugar de Pedrouços, só ficava atrás do lugar de Ardegães, da Vila de Águas Santas que apresentava 21 casais e detinha em toda a Maia o maior número de moleiros nas margens do rio Leça, para onde os agricultores e população da Maia e das terras vizinhas se deslocavam para moer o milho e para adquirir farinha.
Mas mais do que vos cansar com as minhas “escritas”, pretende mais esta narrativa, sobre as nossas origens, motivar à leitura, animar e despertar o

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2020

MARCOS DE DELIMITAÇÃO


 OS MARCOS DE DELIMITAÇÃO 
DE REGIÕES

 Vamos lá recordar um pormenor que ainda hoje se apresenta em muitos locais e que apesar da sua grande importância, passa muitas vezes despercebidos, (e desrespeito) até pelas entidades que têm a obrigação de os preservar.
São os marcos em pedra que definem a limitação das regiões, nomeadamente dos concelhos, dos municípios.
Nos primórdios da história, durante a romanização, como aconteceu nas terras da Maia, os marcos com as inscrições diversas, com datas, distancia, localidades e nomes de imperadores, foram marcando vastas áreas territoriais. Sobre esse assunto, referencio alguns pormenores aqui numa outra postagem.
Mas é só sobre marcos de limite de territórios, de municípios, que quero deixar informação e lembrança. É mais um despertar para mais algo que nos passa ao lado.
Pois desde ainda criança que neles reparava, e dizia para os meus companheiros: “Estás a ver, Gondomar é para a direita, a Maia para a esquerda e o Porto para a frente. E brincava com isso dizendo-lhes: se deres mais um passo à frente, já estás na Maia, se deres para trás, ficas em Gondomar.
Isso acontecia não só junto do marco da Areosa, ao lado da entrada da rua do Vilela, encostado ao muro onde é o lar de Terceira Idade da Areosa, que em terreno, é quase todo de Gondomar; mas também em muitos outros sítios onde esses marcos se encontravam.

A linha de divisão da Maia com Gondomar, segue em linha reta esse meco para Norte, linha que se encontrava com outro, já desaparecido, no terrenos frente ao Restaurante Samuel, edifício que praticamente é “cortado a meio” por essa divisão. (Metade Maia, metade Gondomar).
 Sempre em linha reta, na orientação desses mecos, que não são miliários como os dos romanos, mas que se distribuíam também numa distância entre si, de aproximadamente um quilómetro (mil metros).
Aquando da criação em 1985, da nossa região administrativa, a 17ª freguesia da Maia, a maior área dessa limitação, entre os concelhos laterais, Gondomar e Matosinhos, não foram alteradas.
Assim, o marco da Areosa, (na foto, quase tapado diariamente com lixo) olhado de frente como mostra a foto, tem à direita o concelho de Gondomar e à esquerda o da Maia.
Nas costas de quem o olha, inicia-se o concelho do Porto. Em linha reta e depois de passar o Restaurante Samuel, passando à “tangente” frente às bombas de gasolina, segue pela rua D. Afonso Henriques, até às traseiras da Instituição “O Amanhã da Criança.
Aí termina, frente à linha férrea, com Águas Santas da Maia, à esquerda e Rio Tinto de Gondomar, à direita.

À esquerda do marco na Areosa, a Maia só termina onde acaba a rua Gonçalo Mendes da Maia e começa a rua Padre Costa de São Mamede Infesta, Matosinhos. Para aí chegar, outro marco desaparecido na estrada Exterior da Circunvalação, indicava em linha reta a divisão com Matosinhos, vindo apanhar a rua da Arroteia já quase a meio.
Daí, pelo meio da rua da Arroteia que é dos dois concelhos, Maia e Matosinhos, chega-se, no fim dessa rua, ao sítio de outro marco que também desapareceu, (quando fizeram o muro que suporta os sobreiros, na foto) que dava seguimento (e ainda dá) à divisão, até apanhar o ribeiro do Parque dos Amores e, a partir daí, quem faz a limitação da freguesia e da Maia com Matosinhos, é a água a correr, até antes de terminar a rua D. António de Castro Meireles, frente à rua do Paço, por onde a divisão segue; até que, depois da secção dos Bombeiros de Moreira, que é de Águas Santas e em frente Pedrouços, na curva, vira à direita para o monte, e vai a direito até chegar ao término da rua de Macau, limitando-se, junto ao Largo de Santa Isabel, em Sangemil, da freguesia de Águas Santas. depois de atravessar as autoestradas.
Daí, retrocedendo ao início da rua de Macau, entrando na rua Augusto Simões, segue em direcção a Sangemil, antes virando à direita até encontrar a linha do comboio. A partir daí é a linha que marca a divisão com Águas Santas, até encontrar Rio Tinto, atravessando a rua D. Afonso Henrique, tomando conta do Amanhã da Criança, com Rio Tinto à porta.
É natural que possa aqui ter cometido algum descuido ou erro de desconhecimento, mas para isso é que somos Grupo, para que qualquer dos elementos possa corrigir sempre que achar oportuno, os lapsos e desconhecimentos que encontre, para bem de maior e melhor conhecimento da verdade e para bem de todos e da comunidade.
Na verdade nem precisaria me alongar tanto, já que o propósito desta publicação, para além de motivar o gosto pela escrita e pela leitura sobre a nosso história local,  é também o de colaborar na informação sobre este tema, e o de lembrar que deveria haver muito mais respeito por estes marcos de delimitação de regiões, mantendo-os limpos e de letras visíveis. Na verdade há autarquias que se tem preocupado em os recuperar, tal como os marcos de estrada. Nós por cá, pior que os ignorar, fazemo-los desaparecer.
E a forma como tem sido desprezados, (e desaparecidos) mostra bem os valores de respeito pela cultura e pela história, nomeadamente a nossa história pedroucense e maiata.
José Faria

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

LEMBRANÇAS DO PASSADO

O PASSADO E O PRESENTE

O NASCIMENTO DA AVENIDA
Numa viagem ao passado, trouxe de lá recordações e imagens de alguns espaços que sofreram transformações e melhorias na freguesia de Pedrouços. Pois é entre o passado e o presente que encontramos, muitas vezes, ensinamentos para se prosseguir no processo de procura de um novo caminho. Não uma segunda viagem, como a de Vasco da Gama, que há 518 anos fez a segunda viagem à India (10/02/1502), mas um novo caminho pelo qual Pedrouços muito almeja e necessita.

Um novo caminho onde a CULTURA seja a pedra desse caminho; pois não há desenvolvimento social, sem desenvolvimento cultural, e se faltar cultura até naqueles que têm o mandatário dever de a promover, o caminho novo não chega e o velho continua a degradar-se.
Há uns anos lá atrás, ainda Pedrouços ansiava por ser uma região administrativa independente, pela separação da freguesia de Águas Santas, já uma nova e central via de comunicação se aprontava no lugar de
Pedrouços.
Por isso vos trago hoje algumas fotos dessa transformação da rua António Simões, que tem início na rua de Gonçalo Mendes da Maia e terminava junto da rua de Augusto Simões. Disse junto porque terminava e termina na linha férrea que se lhe atravessa à frente junto do apeadeiro do Cutamas.
Só que com essa transformação, doou parte de si à nova via central de Pedrouços – Av. Nossa Senhora da Natividade - e a rua António Simões passou a ser só a partir da sede da Junta de Freguesia até à linha do comboio.
Também encontrei por aqui algo do passado da Rua General Humberto Delgado, vista da Rua 9 d Abril. Aquela rua onde durante cem anos labutou a FONCAR, empresa têxtil importantíssima para a nossa
comunidade, e que deu lugar ao empreendimento habitacional, mesmo em frente ao terreno destinado a uma nova igreja, para a qual se anda a pedir há mais de vinte anos, sem que um "paralelo" marque o início do lançamento da primeira pedra.
Também pouco importa e para o desenvolvimento desta terra, é de outra pedra que se precisa para um novo caminho, mais cultural do que religioso, já que a religião, seja ela qual for, é sempre um apêndice da cultura, do desenvolvimento social e cultural da humanidade, embora se esforcem para nos fazer entender o contrário.
José Faria

G.DANTAS OU F. DANTAS

G. DANTAS OU F. DANTAS
EIS A QUESTÃO…

E esta é uma questão pertinente, que por COINCIDÊNCIA ou CONVENIÊNCIA, continua a manter-se ousadamente viva, perpetuando-se em novas consciências erradamente.
Afinal quem foi o poeta autor dos poemas que se encontram, de ambos os lados, à saída do portão principal do cemitério de Pedrouços?
E todos, ou quase todos, para não dizer a população, que são do senhor Dantas. E se lhes perguntarem, - e quem foi esse Dantas. Responderão: foi o primeiro presidente da Junta.
Na verdade, o F. Dantas foi o primeiro presidente da Junta de Pedrouços, mas nunca se chamou G. Dantas. O seu nome é Francisco de Araújo Dantas, já o nome do poeta autor desses poemas “HAMLÉTICA” e “O ENIGMA”,  o tal G. Dantas, é  Guilherme Augusto da Cunha Dantas, que não tem nada a ver com F. Dantas.
G. Dantas, o poeta Guilherme Dantas, nasceu há 181 anos, a 25 de junho de 1849, na localidade de Pé da Rocha, na ilha Brava, arquipélago de Cabo Verde, e veio a falecer no dia 24 de março de 1888, com apenas 39 anos.
Era filho de Isabel Maria da Conceição e de paternidade não definida, como informa o seu registo de matrícula na Escola Real de Mafra, em que o nome paterno ficou omisso, tal como era hábito fazer-se naquela época.
Guilherme tinha apenas dois anos de idade, quando teve início o governo de António Maria de Fontes Pereira de Melo (1819 – 1887), o mais longo governo da história.
Guilherme Dantas, estudou na Escola Real de Mafra, onde, em consequência de um banho frio em pleno inverno, ficou surdo.  Funcionário público, bibliotecário da primeira Biblioteca Pública de Cabo Verde e, a partir de Outubro de 1877, amanuense da contadoria da junta da Fazenda Pública. Era parente do escritor português Júlio Dantas.
O primeiro presidente da Junta de Freguesia de Pedrouços, um cidadão exemplar, farmacêutico e sempre pronto a ajudar os mais carenciados, sou escolher estas tão sentidas e tão profundas mensagens poéticas de Guilherme Dantas. Poderia ter escolhido outros poemas de outros autores, adequados ao local calado, de paz e de respeito, mas optou por estes.

Só que, por coincidência ou conveniência, escolheu o “Enigma” e o “Hamlética” do poeta Guilherme Dantas, o tal G. Dantas, situando-os como (R.P.)
(RP é a sigla/abreviação de relações públicas. A ideia de relações públicas faz referência às ações destinadas à gestão da comunicação entre uma organização e uma comunidade. A finalidade das RP é a construção e a preservação de uma imagem positiva da entidade em questão entre os membros da comunidade.)
Por essa razão, a confusão permanece e vai continuar. E, quem entra e sai do cemitério de Pedrouços, vê e lê estes poemas, não pensa duas vezes. – “Isto foi o Sr. Dantas que escreveu”, o que foi presidente da Junta.”
Quando se fala na ausência de eventos, serviços e de valores culturais, sobre a vida e a história de qualquer comunidade humana, por muito pequena que seja a região administrativa, estas confusões, falhas ou aberrações multiplicam-se.
Fica pelo menos para os elementos deste Grupo, a reposição da verdade.
G. Dantas, não é a mesma coisa que F. Dantas.
Tal como dizem que Jesus disse: A Deus o que é de Deus, e a César o que é de César… ou como diz o povo e muito bem: “O SEU A SEU DONO”.
Abraço pedroucense e maiato.
José Faria