EM SÃO MIGUEL O ANJO

quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

CHEGOU DEZEMBRO!

 

O AGRICULTOR É QUE SABE ONDE ESTÁ O SEU DEUS… NA TERRA
 
Como escreveu José Fanha:
Ó lavrador!...
Não me dês os bons dias,
Nem tires o chapéu à morte dos dias!...
Berra!
Não queiras o céu,
antes a terra!
 
Porque o agricultor sabe pelas estações, pelas luas e pelo tempo, a melhor altura para com a santa terra, produzirem os melhores e necessários alimentos à sobrevivência.
Por isso, quando chega o mês de dezembro, sabe que precisa limpar as árvores de fruto para que melhor produzam. Que é a altura de estrumar as terras e, o bom e consciente lavrador, evita sempre adubos industriais, herbicidas, me pesticidas, pois sabe que a sua utilização é uma ofensa à vida e à própria terra.


Mete-se a fazer os valados nas vinhas para as proteger de doenças e desabafar os pés das cepas. Dedica-se em dezembro a semear nas camas ou alfobres quentes, as cenouras e rabanetes.
Nos jardins, dedica-se a plantar jasmineiros, alfazema, alecrim e baunilha, com o cuidado de abrigar as plantas dos frios e geadas.
Por isso, a eles, … a todos que se dão ao trabalho da terra para dela extraírem o nosso alimento, dedico-lhes este meu poema:
 

AOS LAVRADORES
 
Ainda o dia não nasceu, já eu no campo,
Nesta terra que eu removo com a enxada,
Bebo da água do rio e o seu canto,
Do avesso viro a terra já cansada.
 
Faço a terra brotar vida e alimento,
Rego-a com suor, dor e sofrimento!
Como a seara a crescer, dançando ao vento,
Darei à terra meu corpo ao fim do tempo.
 
O trator já me tira algum trabalho,
Não me tira o dia inteiro sem horário!
Sou da terra e a terra é vossa, quanto valho?
Valho o vosso alimento e o meu fadário,                                                                                    
                                                          
Tenho o rouxinol aqui o dia inteiro,
Meu amigo que me alegra o pensamento!
É nas horas amargas meu companheiro,
Com seu canto, meu cansaço vai no vento.
 
Faço a terra brotar vida e alimento,
Rego-a com suor, dor e sofrimento!
Como a seara a crescer, dançando ao vento.
Darei à terra o meu corpo ao fim do tempo.
 
VIVA DEZEMBRO E QUE SE QUE FAÇA JUS
AOS SEUS PROVÉRBIOS:
 
- Dezembro frio, calor no estio.
- Dezembro nebuloso traz janeiro chuvoso.
- Ande o frio por onde andar, no Natal cá vem parar.
- Pelo Natal, se houver luar senta-te ao lar; se houver escuro, semeia outeiro e tudo.
- Se queres um bom alhal, planta-o no mês de Natal.
- Depois que o menino nasceu, tudo cresceu.
José Faria
 
 

terça-feira, 15 de novembro de 2022

NUDEZ D`ÁRVORES


NUDEZ D´ÁRVORES

 

Toda a noite andou o vento,
Num zumbir de meter medo,
Com a chuva e com relento,
Parecia em divertimento,
A despir o arvoredo.
 
Nos braços da ventania,
Bátegas com tanta folhagem;
Tudo a noite encobria,
Sombreando a ousadia,
Neste arrancar de roupagem.
 
Quando as árvores já despidas,
Iram todas descansar;
Hibernado adormecidas,
Voltarão a ser vestidas,
Quando a primavera chegar.

José Faria

quinta-feira, 10 de novembro de 2022

DEUS E A NATUREZA

 

SE DEUS É A PRÓPRIA NATUREZA
POR QUE O HOMEM A DESTRÓI!?
LEITURA DE REFLEXÃO
 
Nos tempos passados, antes de os homens inventarem os seus “Deuses”, a vida humana sentia-se desprotegido face às forças que se manifestam na natureza, hoje julga dominá-las; no fundo. No fundo, o home dizendo respeitar Deus, destrói-o diariamente: Assumiu para si próprio o papel reservado a Deus: a ciência manipula a vida, cria espécies novas, cura ou inflige doenças como se fosse o próprio Deus.
-“O termo "Deus" deriva do indo-europeu Diêus e significava "brilhar" ou "dia". Diêus era o Deus superior dos povos indo-europeus, encontrando-se entre os indianos o Dyaus, o deus do Céu.
Na conceção tradicional e religiosa, Deus é aquele que organizou o mundo e que o sustém. Pelo pensamento, ou por algo análogo ao que no homem é pensamento, Deus trouxe o cosmos à existência. A inteligência que por toda a criação se observa e a beleza patente na natureza são reflexos, são "pegadas" - na linguagem de 
Na conceção tradicional e religiosa, Deus é aquele que organizou o mundo e que o sustém. Pelo pensamento, ou por algo análogo ao que no homem é pensamento, Deus trouxe o cosmos à existência. A inteligência que por toda a criação se observa e a beleza patente na natureza são reflexos, são "pegadas" - na linguagem de São Boaventura (franciscano italiano do século XIII) - de Deus. Para o homem antigo era fácil ter uma conceção deste tipo porque a natureza ainda era sinal de pureza. O homem moderno já dificilmente pode imaginar o que era esta conceção, pois a natureza tornou-se sinal de produção, não é vista como algo de divino, é apenas uma matéria, um recurso disponível para dela usufruir. Por outro lado, o homem criou o mundo da ciência e da técnica que lhe dá a confiança suficiente em si próprio para poder afirmar a "morte de deus" (Nietzsche).
Antes ele sentia-se desprotegido face às forças que se manifestam na natureza, hoje julga dominá-las; no fundo, assumiu para si próprio o papel reservado a Deus: a ciência manipula a vida, cria espécies novas, cura ou inflige doenças como se fosse o próprio Deus.
O homem antigo era espontaneamente religioso, era um homo religiosus. Para ele a natureza era vivida como sagrada, como uma teofania. Por intermédio dela ele podia desvendar os atributos de Deus. O homem primordial via no céu a manifestação da transcendência, do eterno, do masculino, o pai de onde vem a chuva fecundadora ou o bélico trovão; do mesmo modo via na terra a imanência, o tempo cíclico, o feminino, a mãe que alimenta os seus filhos, os homens.
Este tipo de homem não vivia num politeísmo radical, com efeito aceitava simultaneamente a presença de muitos deuses, sendo, todavia, um só de entre eles o "pai dos deuses", o Deus supremo. É este facto que permite reconhecer a unidade que subjaz à pluralidade dos deuses. Tratava-se, portanto, de um monoteísmo politeísta. Entre os Maori o Deus supremo é 
Este tipo de homem não vivia num politeísmo radical, com efeito aceitava simultaneamente a presença de muitos deuses, sendo, todavia, um só de entre eles o "pai dos deuses", o Deus supremo. É este facto que permite reconhecer a unidade que subjaz à pluralidade dos deuses. Tratava-se, portanto, de um monoteísmo politeísta. Entre os Maori o Deus supremo é Iho, entre os Koyaks é o "Senhor do Alto", para os Ainous é o "Criador divino dos mundos".
Todas as religiões que têm como fundamento Deus, acentuam, cada uma à sua maneira, um ponto particular da conceção que fazem da divindade.
O Judaísmo traz uma novidade relativamente à conceção de Deus, é talvez a primeira religião a acentuar de modo tão radical o monoteísmo, depois seguido pelo 
Todas as religiões que têm como fundamento Deus, acentuam, cada uma à sua maneira, um ponto particular da conceção que fazem da divindade.
O Judaísmo traz uma novidade relativamente à conceção de Deus, é talvez a primeira religião a acentuar de modo tão radical o monoteísmo, depois seguido pelo Cristianismo e pelo Islamismo.
Todas as divindades são rejeitadas, o único Deus é Jeová. A história do Antigo Testamento é, no fundo, de algum modo a história da vitória de Jeová sobre os outros deuses, tendo escolhido como seu paladino o povo hebreu.
No Deuteronómio diz-se por exemplo que "Não há nada além d'Ele"; no Êxodo afirma-se: "Não terás outros deuses diante de Mim". A mesma radicalidade aparece no Islamismo: "Não há outra divindade senão Deus e Maomé é o seu Profeta".
O Taoísmo define Deus na sua transcendência e na sua imanência, é o que chamam, respetivamente, 
O Taoísmo define Deus na sua transcendência e na sua imanência, é o que chamam, respetivamente, tao e , o princípio e a sua ação; o livro base do taoísmo chama-se precisamente Tao-Tê Ching, quer dizer, o Livro (Ching) do Princípio (Tao) e da sua Ação (Tê).
A transcendência do princípio divino é logo afirmada no primeiro capítulo deste livro:
 "O Tao a que se pode atribuir um nome/não é o Tao eterno/O nome que se pode pronunciar/não é o nome eterno". O Tao é mistério, é insondável, está acima do mal e do bem, do belo e do feio. Neste ponto difere das conceções religiosas do Cristianismo ou do Islamismo por exemplo, para quem Deus é bondade e beleza.
As religiões ocidentais, na sequência das religiões cósmicas dos homens primordiais, olham para o mundo como uma criação de Deus. A beleza e a bondade de Deus, que se manifestam na natureza, são sobretudo acentuadas pelo 
As religiões ocidentais, na sequência das religiões cósmicas dos homens primordiais, olham para o mundo como uma criação de Deus. A beleza e a bondade de Deus, que se manifestam na natureza, são sobretudo acentuadas pelo Cristianismo e pelo Islamismo.
No Cristianismo isso é patente de forma nítida no movimento franciscano e no Cântico do Irmão Sol ou Cântico das Criaturas de São Francisco à "irmã" criação, louvando o Sol, a Lua e as estrelas, o vento, a água, o fogo, a mãe terra e até a "irmã morte".
No Islamismo evidencia-se a mesma atitude em frases corânicas como: "Para onde quer que te voltes, aí está a Face de Deus" (Surata da Vaca). A introdução do Corão, a Surata de Abertura, é bem esclarecedora quanto aos atributos da divindade: "Em nome de Deus, Clemente e Misericordioso!/Louvado seja Deus, Senhor dos Mundos,/Clemente e Misericordioso,/Senhor do Dia do Julgamento!/A Ti, somente, adoramos; de Ti, somente, esperamos proteção!"
Na Surata do Fumo diz-se ainda: "Não foi por acaso que Nós criámos os céus, a Terra e o que está entre eles./Criámo-los com verdade, mas a maioria dos homens não o sabe."
Ou na Surata dos Ventos Dispersantes: "Há sobre a Terra e em vós sinais para aqueles que creem firmemente." Na Surata dos Filhos de Israel diz-se que "Os sete céus, a Terra e tudo o que neles se encontra celebra os Seus feitos; não há nada que não celebre os Seus feitos". A criação é, portanto, um ato de louvor contínuo das criaturas ao Criador.
O Cristianismo acentua a bondade de Deus que dá o seu próprio filho, que se dá a si próprio para redimir a humanidade; não podia haver gesto mais bondoso e misericordioso do que o de se dar a si próprio pelos homens.
Deus é o conceito supremo de quase todas as religiões (o 
O Cristianismo acentua a bondade de Deus que dá o seu próprio filho, que se dá a si próprio para redimir a humanidade; não podia haver gesto mais bondoso e misericordioso do que o de se dar a si próprio pelos homens.
Deus é o conceito supremo de quase todas as religiões (o Budismo, por exemplo, não segue o mesmo preceito religioso), é o seu ponto de partida e de chegada, ainda que cada uma acentue uma qualidade ou atributo particulares.
O misticismo afirma a possibilidade de conhecer Deus diretamente; o místico anseia por tal. A história do misticismo, de ocidente a oriente, abunda de relatos desse tipo.”
O misticismo afirma a possibilidade de conhecer Deus diretamente; o místico anseia por tal. A história do misticismo, de ocidente a oriente, abunda de relatos desse tipo.”

Fonte: - https://www.infopedia.pt/apoio/artigos/$deus

terça-feira, 8 de novembro de 2022

CAMINHEMOS SERENOS

 
DESPERTAR PEDROUÇOS SOBRE
DEMOCRACIA, ARTE E CULTURA


Há 104 anos nascia Papiniano Carlos.

Um poeta escritor, democrata, que escolheu o lugar de Pedrouços, da Maia, para viver e findar.

Foi residente na habitação do gaveto da rua António Feliciano de Castilho, com a rua General Humberto Delgado, durante cerca de quatro décadas.

Como escritor, poeta e democrata de esquerda, acompanhou por dentro, a criação da freguesia de Pedrouços, ao lado de Francisco Araújo Dantas, o primeiro presidente desta nova autarquia da Maia, antes e depois da sua desanexação da freguesia de Águas Santas.

Participou em muitos eventos socioculturais e políticos, num tempo mais limpo e puro, que refrescaram a criação da nova freguesia de Pedrouços, às portas da cidade do Porto.

Entre muitas obras que escreveu, destaca-se “A Menina Gotinha de Água”. 

Papiniano Manuel Carlos de Vasconcelos Rodrigues, nasceu em Lourenço Marques (atualmente Maputo), capital de Moçambique, a 9 de novembro de 1918.

Foi um incansável promotor e divulgador da poesia africana de expressão portuguesa, tendo colaborado com muitas publicações literárias de relevante importância, como a Seara Nova, a Vértice, a Bandarra e as Notícias do Bloqueio, que eventualmente dirigiu.

Em 1942 publicou o seu primeiro livro, uma coletânea de poemas intitulada Esboço que, com os volumes que seguiram, como …

Ó Lutador (1944), Poema da Fraternidade (1945), e Estrada Nova (1946). Assim se foi destacando entre os poetas neorrealistas portuenses.

 

Estreou-se como contista em 1946, ao publicar Terra com Sede, prosseguindo as suas contribuições para o género com o híbrido As Florestas e os Ventos (1952).

Com uma obra poética bastante dispersa, caracterizada pela riqueza anafórica e pela redundância simbólica, compilou ainda alguns volumes de sucesso, como Caminhemos Serenos (1957), Uma Estrela Viaja na Cidade (1958) e o célebre A Menina Gotinha de Água (1962), vocacionado para o público infantil, pelo qual Papiniano Carlos nutria grande estima. Também para crianças compôs Luisinho e as Andorinhas (1977), O Cavalo das Sete Cores e o Navio (1980), O Grande Lagarto da Pedra Azul (1986) e A Viagem de Alexandra (1989). De referir também o seu único romance, O Rio na Treva (1975), e uma crónica, A Rosa Noturna (1961). 


Aos dez anos veio viver com a mãe para o Porto e depois integrou-se na nossa comunidade de Pedrouços, onde faleceu a 05/12/2012.

De entre os eventos políticos, sociais e culturais com maior visibilidade na nossa comunidade, estão as comemorações de abril, algumas realizadas na Associação “Leais e Videirinhos de Pedrouços”, num tempo onde ainda não havia sede de junta nem auditório para eventos socioculturais e comemorativos.

Pois que, se um dia se vier a construir um Centro Cultural em Pedrouços, que lhe seja dado o nome de CENTRO CULTURAL PAPINIANO CARLOS.

 

CAMINHEMOS SERENOS

Sob as estrelas, sob as bombas,
sob os turvos ódios e injustiças,
no frio corredor de lâminas eriçadas,
no meio do sangue, das lágrimas
caminhemos serenos.

De mãos dadas,
através da última das ignomínias,
sob o negro mar da iniquidade
caminhemos serenos.

Sob a fúria dos ventos desumanos,
sob a treva e os furacões de fogo
aos que nem com a morte podem vencer-nos

 

caminhemos serenos.

O que nos leva é indestrutível,
a luz que nos guia connosco vai.
E já que o cárcere é pequeno
para o sonho prisioneiro,

já que o cárcere não basta
para a ave inviolável,
que temer, ó minha querida?:
caminhemos serenos.

No pavor da floresta gelada,
através das torturas, através da morte,
em busca do país da aurora,
de mãos dadas, querida, de mãos dadas
caminhemos serenos.

Papiniano Carlos

 

Nas palavras de Helena Pato, Papiniano Carlos é “Um nome gravado a ouro na luta pela Liberdade. Fez parte do grupo dos poetas neorrealistas portuenses que ficaram conhecidos como a Geração de 50. “A menina gotinha de água” é a sua obra mais célebre. Publicada em 1962, seria sucessivamente reeditada, com um amplo acolhimento junto do público infantil. Publicou com abundância nos anos 50 e 60, período em que escreveu títulos marcantes como “Poema da fraternidade”, “Estrada nova” ou “As florestas e os ventos”.

Fervoroso combatente antifascista, foi preso três vezes pela PIDE, colaborou nas revistas “Seara Nova” e “Vértice” e integrou os corpos dirigentes do Círculo de Cultura Teatral do Teatro Experimental do Porto. Participou em várias reuniões do Conselho Português para a Paz e Cooperação, deslocando-se clandestinamente ao estrangeiro.”

Que a democracia o reconheça e Pedrouços não o esqueça.
 
Pois….
Enquanto nos entretermos,
Com tretas enganadoras;
Na vida pouco seremos,
Entregues sempre estaremos,
Às forças dominadoras.

José Faria

quarta-feira, 19 de outubro de 2022

O LIDADOR MORREU

MORTE DO LIDADOR

Chegaria aos cem anos o timoneiro,
Se não se desse à luta, a batalhar;
Onde com noventa anos foi primeiro,
A tirar a vida a Almoleimar.
 
Continuando mesmo ferido de morte,
Gonçalo Mendes da Maia prosseguiu;
Para mudar aos mouros a sua sorte,
Até que muito fraco morto caiu.
 
Tendo em conta a sua força e coragem,
E a idade na sua última batalha;
O Lidador é razão de homenagem;
Nos maiatos simboliza a linhagem,
De bom povo que luta e que trabalha,
Ainda a Maia lhe presta vassalagem.
 José Faria

sexta-feira, 30 de setembro de 2022

AUGUSTO SIMÕES - ANIVERSÁRIO

- Fragmentos da história de Pedrouços – Maia

A história escreve-se com feitos nobres,
Unindo valores que a humanidade,
Gere o progresso em seu favor;
Usemos também a mesma faculdade.
Se Augusto Simões, na sua integridade,
Tudo fez pela Maia e pelo seu povo.
Olhemos o exemplo do grande senhor.

 

Augusto Simão Ferreira da Silva morreu há 74 anos.

 

Foi um importante lavrador maiato com o título de comendador.
Nasceu a 6/4/1881, batizado a 21 de abril. Morreu na sua casa no lugar de Pedrouços da freguesia de Águas Santas do concelho da Maia, contava na altura, 67 anos.
Um revolucionador da agricultura maiata, obreiro de exposições sobre a agricultura no Palácio de Cristal, no Porto, Augusto da família dos Simões, que foi também presidente da Câmara Municipal da Maia, era filho de António Simão Ferreira da Silva e de Rosa da Silva Neves. Casou com Rita Florinda de Barros.
Doou as suas terras e a própria habitação, à comunidade da Maia.
Onde nasceu, viveu e morreu, é hoje a sede da junta de freguesia de Pedrouços.

 

OBRIGADO BENEMÉRITO
LAVRADOR

 

Quis a sua casa oferecer,
O seu lar de lavrador;
Grande exemplo o seu viver,
Da Maia grande senhor.
 
Soube a terra promover,
Com trabalho e com amor;
Por isso veio a merecer,
Título de comendador.
 
Deu ao povo o que era seu,
Terrenos e habitações,
À Maia, por serventia;

Onde nasceu e morreu,
A casa de Augusto Simões
É a junta de freguesia.

José Faria

SETEMBRO/OUTUBRO/OUTONO

 

OUTONO                       

 

Oh!
Este Outono!...
Repleto de histórias,
Este Outono
Inundado de saberes
E de memórias;
Diz-me Outono,
 Continuas a ser dono
De experiências e glórias?
Vã!
Desabrocha tua graça,
Ao novo tempo que passa.
 
Como foram as Primaveras
Que vivestes e percorreste?
Este Outono não esqueceu
Esse tempo que foi teu.
 
Conta-nos Outono,
Como outrora se viveu:
Quando eras Primavera
E o Verão era só teu;
Não deixes ver-se perder,
O que só tu tens para oferecer.
 
Dá testemunho à tua gente!
Ainda a luz terás que ser,
Da Primavera presente.

 

 

PAZ DE OUTONO


Já se cheira o outono no olhar
E no sentir do fresco se acentuando;
Vão encurtecendo os dias devagar,
E as noites mais cedo vão chegando.
 
A folhagem vai caindo para criar,
Tapetes no caminho, amaciando;
E o tempo da vida a caminhar
Para o inverno já o aguardando.
 
É tempo da semente humedecer,
No seio da terra criadora,
Que nos trará o fruto no porvir,
 
Riqueza da mãe terra geradora,
Que mais vida nos tem a oferecer,
Quando a primavera nos sorrir.
 
 
Setembro eu te agradeço,
O que me quiseste dar;
E a outubro também peço,
E dentro do que eu mereço,
Também o vou respeitar.
José Faria

Para quem gosta e precisa de revolver a terra e dela extrair as riquezas e vidas da mãe natureza, que se lembrem que é agora, que “em outubro pega tudo”.
Por isso, toca a semear linhos, trigos, cevadas e centeios. 
Continuar com as vindimas.
Cobrir os troncos das laranjeiras e limoeiros, para que o frio não ofenda as raízes.
Fazer as covas para dispor as árvores, dias antes de as plantar.
Plantar macieiras, cerejeiras e ginjeiras.
Também, e porque em “outubro pega tudo”, é agora a altura de se renovarem os jardins e as culturas de plantas bolbosas, como; Rainúncios, tulipas, jacintos, narcisos e dálias.
E, já agora, atentem nos provérbios de outubro;
- Em outubro o lume já é amigo,
- Outubro suão, negaças de verão,
- Quem planta no outono, leva um ano de abono,
- Em outubro seca tudo,
- Tonel sujo ou mal lavado, põe logo o vinho estragado,
- Outubro sisudo, recolhe tudo,
 

 

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

O EU PROFESSOR

 

O MEU PROFESSOR                        

 

O meu professor é o tempo,

No tempo em que me tem;

Dono do meu pensamento,

Meu saber dele provém.

 

Nele encontro e ganho alento,

Como na vida convém;

Todo ele é ensinamento,

Com saber, como ninguém.

 

Só quem dá tempo ao tempo,

Mais perto está da verdade,

E dos valores da existência.

 

Nele encontra crescimento,

Caminho de liberdade,

E a paz da consciência.