EM SÃO MIGUEL O ANJO

sexta-feira, 20 de maio de 2022

GOTA DE ÁGUA DO PEREGRINO

Quantas peregrinas e peregrinos, na planície ou no monte,
Anseiam uma gota de água doada por uma fonte!?


Por isso o soneto de Florbela Espanca “Árvores do Alentejo”, se enquadra com precisão e com muita emoção, nas peregrinações a Santiago de Compostela, porque tantas vezes falta a gota de água, na boca dos peregrinos.


quarta-feira, 18 de maio de 2022

AS PEDRINHAS DO PEREGRINO


Quanta alegria, quanto sofrimento,
Qual o desejo em cada pedrinha;
O que nos deixou o pensamento,
Do peregrino que aqui caminha.
José Faria


PONTE DE LIMA E OS LAVRADORES

PONTE DE LIMA
“O município de Ponte de Lima é limitado a norte pelo município de Paredes de Coura, a leste por Arcos de Valdevez e Ponte da Barca, a sueste por Vila Verde, a sul por Barcelos, a oeste por Viana do Castelo e Caminha e a noroeste por Vila Nova de Cerveira.
O ponto mais elevado do município encontra-se na serra do Corno do Bico, no alto do Gavião, a 843 metros de altitude.
Localidade muito importante desde a era Romana, possuiu um Palácio da Corte do Reino de Leão, documentado por achados arqueológicos e outros documentos escritos.”
 
Entrei em Ponte de Lima e dentro da sua história, dentro da lenda e do descanso no albergue.
Mais uma lenda, esta anda banhada há séculos nas águas frescas do rio Lima:- Por isso... " Reza a lenda que na véspera de algumas solenidades, desciam de noite numerosos anjos do céu, festejando e cantando em honra de Deus, de Jesus e da Virgem Rainha Maria.
Ora, …
Descendo de noite os anjos do céu,
Ou passando de dia os peregrinos;
A ficção e a realidade a vida nos deu,
E por tudo isso "rezam" os sinos.
O Peregrino - José Faria


quarta-feira, 4 de maio de 2022

CAMINHO A PARTIR DO PORTO

 


Os primeiros passos dados ao caminho,

Pelo peregrino que saia da Sé;
Seguem pelo beco tão estreitinho,
Admira o passado, pé ante pé,
Do casario já tão velhinho,
Que o alimenta na sua fé.








José Faria

 

 

 

domingo, 1 de maio de 2022

CHEGOU O MÊS DE MAIO

 

MAIO SORRIDENTE


O maio já chegou tão sorridente, 
Traz a alma aberta, um novo tempo, 
A giesta em flor e dada à gente; 
E as searas são beijadas pelo vento.
 
Levei o meu olhar no seu encalço, 
Que o abraçou de contentamento; 
À lembrança veio o pé descalço, 
A minha meninice de outro tempo.
 
Brincadeiras infantis de tal pureza, 
E de aventuras a roçar a mocidade, 
Lá longe onde em miúdo fui catraio.
 
Este maio de história e de grandeza,
Da inocência da giesta sem maldade;
Nele vivo e só perecendo dele saio.
 
 
 
Bom dia Maio florido,
Tira-nos esta ansiedade;
Ajuda-nos, não sejas tímido
Livra-nos da calamidade.
 
Este tempo anda ferido,
Com o vírus da maldade;
Que tanto tem destruído,

A vida da humanidade.
 
Que nos tragas na esperança,
Mais progresso e alegria,
Na vida, a normalidade;
 
Dá-nos essa segurança,
Todo o mundo em ti confia,
Traz-nos a felicidade;
 José Faria

 

sexta-feira, 29 de abril de 2022

DESPERTAR DA GIESTA

Aquela giesta no cimo do monte,
Sozinha em descanso na penedia;
Por entre fendas tem a sua fonte,
Em todo o tempo e na estação fria.
 
Virada a Sul ao seu horizonte,
Aguarda em silêncio de noite e de dia;
Tem na distância, mesmo de fronte,
O mar imenso de força bravia.
 
De amarelo vai estar vestida,
É a natureza de onde provém,
Aguardou o tempo para florir;
 
No cimo do monte parecia esquecida,
Ganhou folhagem e flores também,
Com a primavera voltou a sorrir.

José Faria


quarta-feira, 27 de abril de 2022

PAUSA NO BO CAMIÑO

 


UMA PAUSA IMPORTANTE NO CAMINHO

Depois de muitos quilómetros percorridos, por estradões, carreiros pedregosos, caminhos e vielas, por entre montes e vales, envolvidos na paz do caminho no ceio verde da mãe natureza, a pausa é imprescindível para descarregar pressões, físicas e emocionais, e para recarregar energias, alento e entusiasmo para seguir caminho.
E, o que constatei nos meus quatro caminhos, três a pedalar e um a “calcantes”, e para além de outras pausas menos concorridas e participadas, foi que, já em Espanha, na região de Pontevedra, uma loja de artigos identificativos, de decoração e de recordação do caminho de Santiago, é sempre o local de PAUSA, relaxe e ponto de encontro de peregrinos caminheiros. Independentemente deste ponto de encontro e de pausa do caminho se situar junto a essa loja de artigos do peregrino “BO CAMIÑO”, a verdade é que os peregrinos necessitam mesmo dessa pausa e de respirar fundo, pois a partir daí, tem pela frente uma grande subida.  O “Camiño da Rua” é de elevada inclinação, (Já foi de terra batida, de paralelo e agora alcatroada), obrigando o despertar da respiração ofegante, mostrando cansaço do corpo físico, quando os peregrinos ainda vão a meio da subida.

Se necessário, pare a meio da subida, relaxe, respire fundo e continue feliz, sorridente dando graças pelo caminho. Porque o caminho começa quando nascemos e só termina quando perecemos. Bom caminho.

Estou!? Está! Está tudo bem!
Já estou à porto do “Bo Camiño”!
Há uma longa subida mais além,
Tenho que estar forte e fino.

José Faria

 

sexta-feira, 15 de abril de 2022

O MENINO JESUS POR FERNANDO PESSOA

 

O MENINO JESUS POR FERNANDO PESSOA

 

Num meio-dia de fim de primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.
Tinha fugido do céu.

Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu era tudo falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque não era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.

Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!

Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o sol
E desceu pelo primeiro raio que apanhou.

Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas pelas estradas
Que vão em ranchos pela estradas
com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.

A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as cousas.
Aponta-me todas as cousas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.

Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar no chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou —
"Se é que ele as criou, do que duvido" —
"Ele diz, por exemplo, que os seres cantam a sua glória,
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres."
E depois, cansados de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
e eu levo-o ao colo para casa.
.............................................................................
Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural,
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.
Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?


Alberto Caeiro. In O Guardador de Rebanhos
VIII - Num Meio-Dia de Fim de Primavera

terça-feira, 12 de abril de 2022

SANTA É A VIDA E A EXISTÊNCIA


RENOVAÇÃO

Todos os dias são santos,
Todas as noites também;
Na vida não deixes prantos,
Nem na morte de ninguém.
🌷
No caminho há verdes mantos,
De onde a vida provém;
De séculos passaram tantos,
De idade que a terra tem.
🌸
Cada mundo, cada ser,
Cada espécie concebida,
É obra da natureza;

🌹

Nasce, vive e irá perecer,
E no seu lugar de partida,
Outro ocupante irá nascer.
E ainda bem que há a paz na terra,
Com fiéis, crentes e com ateus;
E a destruição que ela encerra,
É dos criados à imagem de deus.🤔😢😡
🤲🙌🤝