sexta-feira, 5 de junho de 2026

VERDE LEÇA CHEGA A ARDEGÃES

 MOINHOS DE ARDEGÃES
ESTÃO A DESAPARECER.

- Renovação dos caminhos nas margens do rio Leça.

Os moinhos das margens do rio Leça, que há muitos anos se calaram, foram-se transformando em ruinas.
Os tempos são outros, longe vão os trabalhos e canseiras parecidos com os de escravatura.

Por ali andou muito cansada a necessidade de se transportar em carros de bois, carroças e burritos, e até às costas, os sacos de cereais, milho e centeio, aos moinhos de Ardegães, aos de Milheirós, e a todos onde os moleiros mantinham os rodízios em constante movimento, pela força motriz da correnteza das águas do rio.

Era aí que os grãos eram triturados e transformados em farinha, entre as pedras circulares, do pé e da mó, sempre em movimento.
No lugar de Ardegães, na Maia, alguns desses moinhos já foram recuperados e transformados em aprazível espaço vivencial. Outra parte, está presentemente a ser demolida, para desaparecimento de ruinas de moinhos e casebres de habitação nas margens, para dar ligar à ciclovia do Verde Leça..

Recorde-se historicamente, que esse conjunto de edificações em granito, umas sendo mesmo moinhos e outras de habitações dos moleiros, com caraterísticas medievais, se estendem à esquerda e à direita ao longo das margens do rio Leça, desde a sua nascente em Santo Tirso, (monte Córdova), ate à sua foz em Matosinhos, (Porto de Leixões), depois de passar por Valongo, pela Maia e Santa Cruz do Bispo, sendo que a grande maioria dos quais se encontra em ruínas.

A partir do século XVIII, o aparecimento de outras artes e engenhos em novas e modernas formas de moagem, estes moinho foram-se calando a pouco e pouco, até serem abandonados.

Aqui em Ardegães, onde detinha a maior concentração de moinhos, mereceu inclusive, a construção de uma capela que se incluía na elevada atividade e vida dos moleiros, precisamente do outro lado do rio, frente à capela do Senhor dos Aflitos de Ardegães, cuja romaria religiosa anual se realiza em finais de julho.

José Faria

domingo, 24 de maio de 2026

FESTA ANIVERSARIANTE DO XXV CAPÍTULO DA CGM . MATOSINHOS

VIGÉSSIMO MAGISTRAL CAPÍTULO DA CONFRARIA
GASTRONÓMICA DO MAR – MATOSINHOS

Para uma confraria dedicada na divulgação da gastronomia dos produtos alimentícios do mar, de Matosinhos, vinte cinco anos, é um quarto de século de entrega e dedicação ao bem-estar da economia de aquém e de além-mar, pela alimentação saudável deste concelho maravilhoso banhado a norte pelo atlântico, que contempla graciosamente a degustação da riqueza de todos os frutos do mar de Matosinhos, de todos os seres vivos complementares da humanidade.


Toda essa riqueza que a Confraria Gastronómica do Mar anda há 25 anos a divulgar, respeitar, preservar e promover, inclui toda a espécie de pescado saudável, de peixes e de mariscos de muitas espécies, desde moluscos, como bivalves, ameijoas, ostras, mexilhões… assim como cefalópodes; polvos, lulas, crustáceos; lagostins, camarões, caranguejos, lagostas, ouriços-do-mar…

Também as plantas marinhas, como as microalgas ou algas comestíveis, consumidas em todo o mundo, não fogem à grande variedade divulgada e promovida por esta confraria, amante do mar de Matosinhos e de toda a vida que o mar contém e produz.

 

O seu Magistral Capítulo de 25 anos, integrado no programa das festas do Bom Jesus de Matosinhos, reuniu em franco convívio muitas confrarias amigas e solidárias entregues a propósitos de gastronomia histórica e tradicional, do passado e do presente, sempre se inovando, de acordo com as sua localização regional de aquém e de além-fronteiras.

O evento confrádico do XXV Magistral Capítulo da Confraria Gastronómica do Mar, teve o seu início na cerimónia religiosa na Igreja Matriz do Bom Jesus de Matosinhos.

Terminada a cerimónia religiosa e após foto coletiva de todas as confrarias amigas presentes na frontaria da Igreja, deu-se início ao desfile até à Câmara Municipal de Matosinhos, onde todos foram recebidos, com Porto de Honra, no seu excelente salão nobre Municipal.


Foi o momento alto e mais solene do XXV Capítulo da Confraria do Mar, coordenado e orientado pelo “mestre” destas cerimónias, confrade Eng. Fernando M. Silva, seguido do Mestre Timoneiro José Manuel Ramos de Carvalho e demais elementos da Confraria.

Esta cerimónia e evento de importante valor social, cultural e gastronómico, debruçada sobre a vida e respeito pelo mar de Matosinhos, teve a presença da Sra. Presidente da Câmara Municipal, Dra. Luiza Salgueiro e da Sra. Vereadora Marta Fontes, que na sua intervenção enalteceu a dedicação e trabalho sociocultural e gastronómico desta Confraria do Mar.


Explanou na sua intervenção toda a riqueza do seu concelho e do seu povo matosinhense, realçando as lutas diárias dos seus pescadores, peixeiras, e de todo o comércio, indústria e restauração, na captura, recolha, transporte e consumo gastronómico, realçando toda esta entrega, dedicação comercial e industrial, como o seu grande marco de maior riqueza do concelho de Matosinhos.

O evento festivo e aniversariante do XXV Magistral Capítulo da Confraria Gastronómica do Mar, foi ricamente abrilhantado com um grande almoço realizado na CASA DE SAN-THIAGO, em Custóias.

Um belo espaço rural, verdejante e oxigenado, onde as entradas de receção a todas as confrarias e amizades participantes, confraternizaram, superou as espectativas, antes de se dar início ao grande convívio à mesa confrádica.

Seguidamente, depois dos parabéns ao XXV Capítulo da Confraria, e degustação do grande bolo de aniversário regado com fresco e especial champanhe, veio a tradicional troca deslembranças entre as confrarias e convidados de honra, sociais, culturais e artísticos, como sempre é da praxe das confrarias amigas e solidárias no mesmo diapasão gastronómico, no decorrer dos seus festivos capítulos.

O evento teve a abrilhantar no decorrer do grande almoço deste Capítulo,

a animação cultural pelo Grupo Gospel – Canto em Harmonios Gospel Choir, a que se seguiu o cafezinho, o “drink” ou “chiribirí”,  e cumprimentos confrádicos de “até ao próximo capítulo, social, cultural, gastronómico e de amizade.


- Nota do autor: A recolha de imagens, apesar de estar ao cuidado e à vontade de cada participante, deveria ter em todos estes eventos, um só voluntário captador de imagem por confraria, de forma a eliminar a exploração fotográfica comercial, que sempre se infiltra nestas cerimónias, e quase impedem a captação de imagens por parte dos presentes, colocando-se o fotógrafo do “negócio” sempre à frente, para impedir que outros fotografem momentos importantes, para depois venderem as fotos a 5. Cada. Uma exploração que continua “irresponsavelmente” a ser permitida por quase todas as confrarias, sem qualquer necessidade, já que qualquer amigo/a confrádico/a podem, voluntariamente registar estes momentos e publicar estas imagens nas redes sociais, onde todos podem as ir “sacar” (guardar imagem como), ou solicitar o seu envio, ao contrário de alimentar oportunismos e exploração sem sentido. Pois destes comerciais fotógrafos, por muito que seja fotografado, ou compra a foto a cinco euros cada uma, em suporte de papel, ou nunca mais a verá, pois eles não as publicam!

José Faria - 23/05/2026

quinta-feira, 21 de maio de 2026

XXV MAGISTRAL CAPÍTULO DA CONFRARIA GASTRONÓMICA DO MAR

XXV MAGISTRAL CAPÍTULO DA CONFRARIA GASTRONÓMICA DO MAR

MATOSINHOS

A Confraria Gastronómica do Mar. Fundada em 1999, é uma Associação dedicada à preservação, valorização e divulgação da piscicultura e da gastronomia baseada em peixes e mariscos frescos, promovendo a marca “World’s Best Fish”.

Filiada à Federação Nacional das Associações Portuguesas de Gastronomia, tem a sua sede social no edifício da Antiga Câmara Municipal de Matosinhos, na Rua de Brito Capelo.

O seu objetivo principal está na promoção de uma alimentação saudável e equilibrada à base de frutos do mar, com destaque para as boas práticas culinárias tradicionais.

O seu logotipo é composto por um tridente e um peixe. Os irmãos, confreiras e confrades, usam uma capa verde amarratada à perna com um capuz e uma estola em forma de rede de pesca.

Entre as diversas atividades socioculturais à mesa, tem o seu evento mais significativo com a realização anual de Capítulos, por altura das festas do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, que em maio de 2026 corresponde ao XXV Capítulo desta Confraria.

Adotou como seu hino esta letra, ajustada à música da canção muito popular ao Senhor de Matosinhos.


O seu XXV Magistral Capítulo, é já no dia 23 de maio de 2026.

Esta Nobre Confraria Gastronómica do Mar, juntamente com as confrarias convidadas, reúne-se pelas 8,45 h no adro da Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus de Matosinhos, para assistirem à Cerimónia Religiosa de Missa Celestial. Terminada a cerimónia religiosa, reúnem-se todas as confrarias presentes, confrades, confreiras e acompanhantes, na frontaria da Igreja, junto à porta principal para a foto coletiva.


O desfile de todas as confrarias tem início às 10,30 h, para às 10,45 h serem recebidas na Câmara Municipal de Matosinhos.

Pelas 11, h, decorrerá a Cerimónia Institucional deste XXV Capítulo, com a devida pompa e circunstância, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Matosinhos, com representantes da autarquia.

Seguidamente, todas as confrarias seguirão para o Restaurante “CASA DE SAM-THIAGO, situado no lugar do Souto, em Custóias, onde a confraternização animada irá abrilhantar todos os presente.


A complementar o evento gastronómico, o Grupo Gospel de Custóias, em Harmonia Gospel Choir, prendará todos os presentes, confrarias, confreiras, confrades e acompanhantes.

A terminar, a troca de lembranças fechará com chave de outro, este XXV Magistral Capítulo da Confraria Gastronómica do Mar, de Matosinhos.

José Faria

domingo, 10 de maio de 2026

POLITIQUICES DA MAIA DO PASSADO

 FIGURAS DA MAIA DO PASSADO

SOBRE SÁ E MELO,
(De Álvaro Aurélio do Céu Oliveira
Almanaque da Maia – 1983)
- “Sá e Melo” o regedor maiato “Melinho”, foi indiscutivelmente uma figura de extraordinária projeção política no concelho da Maia.
Sem necessidade de relembrar a sua ação decisiva na mudança da sede do concelho, ele, com tenacidade e força de ânimo, sagacidade e penetrante espírito de observação, conseguiu sempre dominar os adversários e levar a nau para o porto que mais lhe convinha.
De altura menos que meã. Sá e Melo desnorteava qualquer um com impulsos imprevisíveis do seu temperamento, pela firmeza do seu caráter e pelo seu aspeto de homem sério.
Político de raiz dos cabelos até aos pés, o antigo Administrador do concelho da Maia, foi objeto de várias gazetilhas nos comentários das redondezas do Porto, o que só provaram a sua popularidade e valor em período em que não havia falta de “chefes” nem de gestores municipais.
Numa dessas composições, assinada por ALMO, “O Lidador”, órgão do Partido Progressista dos concelhos da Maia e de Matosinhos, deu-se conta de um “golpe” de Sá e Melo que deixou o adversário desarmado.
Dizia pois a gazetilha o seguinte:


Afinal o Sá e Melo
Apesar de não ser gordo
Co’a colher da intrigazinha
Comeu as papas na pinha
Dos influentes do acordo.
Sousa Dias, Farinhote
E Luís de Magalhães.
Pegou neles com tal feito
Que os passou todos ao estreito,
Como quem come dois pães.
- Só ficou irto e direito,
O Albino Guimarães.
O Sá e Melo andou murcho,
Com ar de quem concordoa.
Mas agora – que prazer!-
Faz lembrar o Chantecler
Fazendo a corte à faiscoa!
E tudo ´r: Meu Albininho!
Filho do meu coração!
És os meus novos amores
Como prova de afeição!”
E ao longe, nas Costa Nova,
Soa a voz do conselheiro:
“Nada fiz co’a minha treta!
Tenho mais jeito p’ra poeta
Que p’ra ser politiqueiro.
(…/…)
Neste tempo, de mil e novecentos e troca o passo, -“Na Maia foi mais movimentada a intriga para as eleições camarárias. Com Sousa Dias, e Padre Farinhote, progressistas juntamente com o Dr. Arnaldo Barbosa Soares, franquista, entenderam-se com o conselheiro Luís de Magalhães para tentarem um acordo com o governo.”
Todo esse desenvolvimento politico pelo poder municipal, entre Henriquistas e Texeiristas, contra franquistas e progressistas. Desse jogo político, a onda de apoio recaiu sobre o grande lavrador do lugar de Pedrouços.
Dizia-se então a alta voz, - “Será presidente da futura Câmara Municipal da Maia, Augusto Simões Ferreira da Silva, que milita no Partido Regenerador, levando a um resultado em que a Câmara Municipal ficaria constituída por Henriquistas e Regeneradores.
A verdade é que Augusto Simões só não foi eleito nessa altura, porque entretanto se deu o 5 de outubro, situação e transformação da política nacional, que fez Sá e Melo passar por alguns dissabores.
- Histórias de Álvaro do Céu Oliveira revistas e divulgadas por José Faria maiato natural da terra de Augusto Simões.

O CAMINHO É VIVÊNCIA E NÃO DESEJO!

O CAMINHO É VIVÊNCIA E NÃO DESEJO!

Se o caminho não for duro, de sacrifício,
Para aos valores da vida servir de esteio;
Não é mais do que desporto e exercício,
De vaidades e de religioso comício,
Por alcatrão, somente grande passeio.





OS CABOS DE ORDEM DA MAIA

 ATÉ OS CABOS DE ORDEM ENFIARAM O BARRETE!

Já se passaram mais de cento
e vinte anos, desde que o Administrador do Concelho da Maia, António Cecioso de Moreira de Sá e Melo, conhecido popularmente por “Melinho”, se deu ao cuidado de proceder a uma restruturação no município.
Nesse seu tempo em que o policiamento rural era feito pelos regedores de freguesia e pelos cabos de ordem, nesses tempos em que o respeito e a disciplina cívica era valorizada, os serviços dos Cabos de Ordem cumpriam e faziam cumprir a ordem e a disciplina social das populações.
No entanto, esta polícia municipal era muitas vezes desrespeitada, porque se apresentavam à civil e nem sempre eram reconhecidos como autoridade da nossa Maia desses tempos de há mais de cem anos.
Para evitar estas ocorrências de falta de respeito ao Cabos de Ordem, e manter o prestígio desta polícia municipal, o major Melo, então Administrador da Maia, “oficiou aos vinte e um regedores maiatos, dando-lhes ordens no sentido de procederem, para que os Cabos de Polícia, começassem a usar em serviço, um distintivo de identificação."
Esta ordem, ao fim de muito ser pensada, decidiu-se para que fosse um chapéu de Saragoça, com lista de pano vermelho da largura de três dedos.
Essa decisão, cumprida na íntegra, foi levada à prática, e quer quisessem, quer não quisessem, a partir daquela altura os “nossos cabos tiveram que enfiar o barrete (boné). E ai daquele que se negasse a fazê-lo!
No entanto, para lhes dar um ar mais policial e de autoridade municipal, o major “Melito”, ordenou que os seus agentes começassem a usar jaqueta e calça azul, mas… calçados. É que parecia mal que a autoridade andasse fardada e de pés à mostra, como era uso em terras de África e da Maia também.
Na verdade, a farda até deu resultado e acabou-se a falta de respeito aos Cabos de Ordem do Município da Maia, evitaram-se muitos problemas de falta de respeito e, a partir daí, sucederam-se as ofertas de gente nova que queria prestar serviço nas regedorias.”
- Apanhados do Almanaque da Maia de 1982, de Álvaro Aurélio do Céu Oliveira.
“Álvaro Aurélio do Céu Oliveira, vulgarmente conhecido como «Oliveirinha», natural da freguesia de Chavães, concelho de Tabuaço, deambulou, na sua carreira de funcionário público, um pouco por todo o Norte e Centro do País. Braga, Viseu, Leiria, Covilhã, Porto e Maia, foram alguns dos locais por onde passou, e onde sempre deixou registos sociais, históricos, culturais e cívicos, como no Jornal da Maia, seguido por José Maria Meneses Lopes, que foi diretor desse semanário regional maiato, do qual fui redator principal.
(Nota: - Recorde-se, que mais próximo dos nossos dias de 2026, nos anos sessenta, ainda vigoravam e atuavam, esses “cabos”, designados de Cabos de Secção”, vigilantes (informadores) e atuantes sobre pequenos delitos da causa pública.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

XXV CAPÍTULO DA CONFRARIA GASTRONÓMICA DO MAR - 2026

 CONFRARIAS EM DESFILE EM MATOSINHOS
PARA A CERIMÓNIA DO XXV CAPÍTULO DA CONFRARIA GASTRONÓMICA DO MAR

É já no próximo dia 23 de maio, que as Confrarias estarão a animar as ruas das festas do Senhor de Matosinhos. Depois da cerimónia religiosa e missa celestial a partir das 9,00 horas na igreja Matriz de Matosinhos, segue-se o colorido desfile de Confrarias em direção à Câmara Municipal, onde se irá realizar a Cerimónia Institucional do XXV Capítulo da Confraria Gastronómica do Mar, no Salão Nobre deste município à beira mar plantado.
É o momento alto, animado, clássico e colorido, das confrarias presentes e em desfile, que anualmente por esta altura, complementam o programa das festas do Bom Jesus de Matosinhos.

Depois destes eventos culturais promotores e divulgadores da gastronomia portuguesa, o convívio à mesa com todas as confrarias presentes, terá lugar no restaurante “Casa de San-Thiago, no lugar do Souto, em Custóias.
Será o momento de partilha de valores socioculturais e gastronómicos, onde não faltarão estórias, usos e costumes das terras de cada Confraria, e naturalmente, de Matosinhos com destaque para a Lenda do Senhor de Bouças, que antecede o nome de Matosinhos.

Pois, como reza a história, a igreja do Bom Jesus de Matosinhos terá sido mandada erguer no século XVI, pela Universidade de Coimbra, para substituir um templo que existiria nas proximidades, no lugar de Bouças.
À frente da sua construção esteve João de Ruão, um famoso arquiteto da época, ao qual se juntou Tomé Velho, já na fase final da edificação. Edificação essa que em vez dos quatro anos previstos, acabou por demorar vinte.
Atualmente, dificilmente se observam vestígios desse templo inicial, dado que este foi profundamente alterado no século XVIII.
Assas remodelações, deram-se tanto na capela-mor, como no restante edifício, e tiveram a assinatura de um nome bastante conhecido no Norte de Portugal, Nicolau Nasoni. O arquiteto italiano também foi responsável pela fachada barroca, totalmente nova, que continua a impressionar quem a vê a partir do bonito adro ladeado por plátanos.
Entrar no edifício permite apreciar a imponente talha dourada que reveste o seu interior e a figura de Cristo crucificado – uma escultura em madeira, com dois metros de altura, com origem na idade média, entre finais do século XII e início do século XIII.

Segundo a lenda, a peça terá sido apenas uma das várias esculpidas por Nicodemus, que, mais tarde, seriam atiradas ao mar mediterrânico. E, a mais perfeita delas todas, meio século depois, daria à costa no mar de Matosinhos, no dia 3 de maio de 143, mas já sem um braço, o qual foi achado por uma jovem surda e muda que apanhava lenha no areal da praia.
Quando em casa a jovem o colocou na lareira, esse pedaço de madeira (braço) o mesmo teimava em saltar para fora da lareira, o que levou a jovem a chamar pela mãe, dizendo à mãe para não insistir, que aquele pedaço de madeira era o braço que faltava ao Nosso Senhor de Bouças.”
Milagre: A mãe ficou boquiaberta ao verificar que a filha falo!
(Texto da revista Evasões – especial, Matosinhos ao sabor do mar, da arte e da história)
O MILAGRE DO SENHOR DE BOUÇAS
Certo dia uma menina surda-muda,
Conhecida por Maya da Purificação;
Andava a prestar aos pais a sua ajuda,
A apanhar lenha na praia para o fogão.
Entre a madeira que na areia recolheu,
Um pedaço de pau pareceu-lhe estranho;
Um pouco tosco, um braço lhe pareceu,
Quer pela forma e quer pelo tamanho.
Regressou a casa, estranha e contente,
Ia alimentar o fogo, a sua canseira;
Mas quando lançou aquele pau diferente,
Assustou-se ao vê-lo saltar da lareira.
Várias vezes o lançou àquela chama,
Mas ele para fora sempre saltou;
Admirada, por gestos logo chama,
Pela mãe, a quem por milagre, falou.
Nesse instante a mãe então entendera,
Que aquele pau, o braço que ali estava;
Era do santo, que há muito se perdera,
E ao Nosso Senhor de Bouças faltava.
Tão gratos pelo milagre, e pelo achado,
Acorreram ao Senhor de Matosinhos;
Onde o braço de madeira foi ajustado,
No Senhor de todos os caminhos.
Narrativa e poema de José Faria
Ver menos

VERDE LEÇA CHEGA A ARDEGÃES

  MOINHOS DE ARDEGÃES ESTÃO A DESAPARECER. - Renovação dos caminhos nas margens do rio Leça. Os moinhos das margens do rio Leça, que há muit...