domingo, 10 de maio de 2026

POLITIQUICES DA MAIA DO PASSADO

 FIGURAS DA MAIA DO PASSADO

SOBRE SÁ E MELO,
(De Álvaro Aurélio do Céu Oliveira
Almanaque da Maia – 1983)
- “Sá e Melo” o regedor maiato “Melinho”, foi indiscutivelmente uma figura de extraordinária projeção política no concelho da Maia.
Sem necessidade de relembrar a sua ação decisiva na mudança da sede do concelho, ele, com tenacidade e força de ânimo, sagacidade e penetrante espírito de observação, conseguiu sempre dominar os adversários e levar a nau para o porto que mais lhe convinha.
De altura menos que meã. Sá e Melo desnorteava qualquer um com impulsos imprevisíveis do seu temperamento, pela firmeza do seu caráter e pelo seu aspeto de homem sério.
Político de raiz dos cabelos até aos pés, o antigo Administrador do concelho da Maia, foi objeto de várias gazetilhas nos comentários das redondezas do Porto, o que só provaram a sua popularidade e valor em período em que não havia falta de “chefes” nem de gestores municipais.
Numa dessas composições, assinada por ALMO, “O Lidador”, órgão do Partido Progressista dos concelhos da Maia e de Matosinhos, deu-se conta de um “golpe” de Sá e Melo que deixou o adversário desarmado.
Dizia pois a gazetilha o seguinte:


Afinal o Sá e Melo
Apesar de não ser gordo
Co’a colher da intrigazinha
Comeu as papas na pinha
Dos influentes do acordo.
Sousa Dias, Farinhote
E Luís de Magalhães.
Pegou neles com tal feito
Que os passou todos ao estreito,
Como quem come dois pães.
- Só ficou irto e direito,
O Albino Guimarães.
O Sá e Melo andou murcho,
Com ar de quem concordoa.
Mas agora – que prazer!-
Faz lembrar o Chantecler
Fazendo a corte à faiscoa!
E tudo ´r: Meu Albininho!
Filho do meu coração!
És os meus novos amores
Como prova de afeição!”
E ao longe, nas Costa Nova,
Soa a voz do conselheiro:
“Nada fiz co’a minha treta!
Tenho mais jeito p’ra poeta
Que p’ra ser politiqueiro.
(…/…)
Neste tempo, de mil e novecentos e troca o passo, -“Na Maia foi mais movimentada a intriga para as eleições camarárias. Com Sousa Dias, e Padre Farinhote, progressistas juntamente com o Dr. Arnaldo Barbosa Soares, franquista, entenderam-se com o conselheiro Luís de Magalhães para tentarem um acordo com o governo.”
Todo esse desenvolvimento politico pelo poder municipal, entre Henriquistas e Texeiristas, contra franquistas e progressistas. Desse jogo político, a onda de apoio recaiu sobre o grande lavrador do lugar de Pedrouços.
Dizia-se então a alta voz, - “Será presidente da futura Câmara Municipal da Maia, Augusto Simões Ferreira da Silva, que milita no Partido Regenerador, levando a um resultado em que a Câmara Municipal ficaria constituída por Henriquistas e Regeneradores.
A verdade é que Augusto Simões só não foi eleito nessa altura, porque entretanto se deu o 5 de outubro, situação e transformação da política nacional, que fez Sá e Melo passar por alguns dissabores.
- Histórias de Álvaro do Céu Oliveira revistas e divulgadas por José Faria maiato natural da terra de Augusto Simões.

O CAMINHO É VIVÊNCIA E NÃO DESEJO!

O CAMINHO É VIVÊNCIA E NÃO DESEJO!

Se o caminho não for duro, de sacrifício,
Para aos valores da vida servir de esteio;
Não é mais do que desporto e exercício,
De vaidades e de religioso comício,
Por alcatrão, somente grande passeio.





OS CABOS DE ORDEM DA MAIA

 ATÉ OS CABOS DE ORDEM ENFIARAM O BARRETE!

Já se passaram mais de cento
e vinte anos, desde que o Administrador do Concelho da Maia, António Cecioso de Moreira de Sá e Melo, conhecido popularmente por “Melinho”, se deu ao cuidado de proceder a uma restruturação no município.
Nesse seu tempo em que o policiamento rural era feito pelos regedores de freguesia e pelos cabos de ordem, nesses tempos em que o respeito e a disciplina cívica era valorizada, os serviços dos Cabos de Ordem cumpriam e faziam cumprir a ordem e a disciplina social das populações.
No entanto, esta polícia municipal era muitas vezes desrespeitada, porque se apresentavam à civil e nem sempre eram reconhecidos como autoridade da nossa Maia desses tempos de há mais de cem anos.
Para evitar estas ocorrências de falta de respeito ao Cabos de Ordem, e manter o prestígio desta polícia municipal, o major Melo, então Administrador da Maia, “oficiou aos vinte e um regedores maiatos, dando-lhes ordens no sentido de procederem, para que os Cabos de Polícia, começassem a usar em serviço, um distintivo de identificação."
Esta ordem, ao fim de muito ser pensada, decidiu-se para que fosse um chapéu de Saragoça, com lista de pano vermelho da largura de três dedos.
Essa decisão, cumprida na íntegra, foi levada à prática, e quer quisessem, quer não quisessem, a partir daquela altura os “nossos cabos tiveram que enfiar o barrete (boné). E ai daquele que se negasse a fazê-lo!
No entanto, para lhes dar um ar mais policial e de autoridade municipal, o major “Melito”, ordenou que os seus agentes começassem a usar jaqueta e calça azul, mas… calçados. É que parecia mal que a autoridade andasse fardada e de pés à mostra, como era uso em terras de África e da Maia também.
Na verdade, a farda até deu resultado e acabou-se a falta de respeito aos Cabos de Ordem do Município da Maia, evitaram-se muitos problemas de falta de respeito e, a partir daí, sucederam-se as ofertas de gente nova que queria prestar serviço nas regedorias.”
- Apanhados do Almanaque da Maia de 1982, de Álvaro Aurélio do Céu Oliveira.
“Álvaro Aurélio do Céu Oliveira, vulgarmente conhecido como «Oliveirinha», natural da freguesia de Chavães, concelho de Tabuaço, deambulou, na sua carreira de funcionário público, um pouco por todo o Norte e Centro do País. Braga, Viseu, Leiria, Covilhã, Porto e Maia, foram alguns dos locais por onde passou, e onde sempre deixou registos sociais, históricos, culturais e cívicos, como no Jornal da Maia, seguido por José Maria Meneses Lopes, que foi diretor desse semanário regional maiato, do qual fui redator principal.
(Nota: - Recorde-se, que mais próximo dos nossos dias de 2026, nos anos sessenta, ainda vigoravam e atuavam, esses “cabos”, designados de Cabos de Secção”, vigilantes (informadores) e atuantes sobre pequenos delitos da causa pública.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

XXV CAPÍTULO DA CONFRARIA GASTRONÓMICA DO MAR - 2026

 CONFRARIAS EM DESFILE EM MATOSINHOS
PARA A CERIMÓNIA DO XXV CAPÍTULO DA CONFRARIA GASTRONÓMICA DO MAR

É já no próximo dia 23 de maio, que as Confrarias estarão a animar as ruas das festas do Senhor de Matosinhos. Depois da cerimónia religiosa e missa celestial a partir das 9,00 horas na igreja Matriz de Matosinhos, segue-se o colorido desfile de Confrarias em direção à Câmara Municipal, onde se irá realizar a Cerimónia Institucional do XXV Capítulo da Confraria Gastronómica do Mar, no Salão Nobre deste município à beira mar plantado.
É o momento alto, animado, clássico e colorido, das confrarias presentes e em desfile, que anualmente por esta altura, complementam o programa das festas do Bom Jesus de Matosinhos.

Depois destes eventos culturais promotores e divulgadores da gastronomia portuguesa, o convívio à mesa com todas as confrarias presentes, terá lugar no restaurante “Casa de San-Thiago, no lugar do Souto, em Custóias.
Será o momento de partilha de valores socioculturais e gastronómicos, onde não faltarão estórias, usos e costumes das terras de cada Confraria, e naturalmente, de Matosinhos com destaque para a Lenda do Senhor de Bouças, que antecede o nome de Matosinhos.

Pois, como reza a história, a igreja do Bom Jesus de Matosinhos terá sido mandada erguer no século XVI, pela Universidade de Coimbra, para substituir um templo que existiria nas proximidades, no lugar de Bouças.
À frente da sua construção esteve João de Ruão, um famoso arquiteto da época, ao qual se juntou Tomé Velho, já na fase final da edificação. Edificação essa que em vez dos quatro anos previstos, acabou por demorar vinte.
Atualmente, dificilmente se observam vestígios desse templo inicial, dado que este foi profundamente alterado no século XVIII.
Assas remodelações, deram-se tanto na capela-mor, como no restante edifício, e tiveram a assinatura de um nome bastante conhecido no Norte de Portugal, Nicolau Nasoni. O arquiteto italiano também foi responsável pela fachada barroca, totalmente nova, que continua a impressionar quem a vê a partir do bonito adro ladeado por plátanos.
Entrar no edifício permite apreciar a imponente talha dourada que reveste o seu interior e a figura de Cristo crucificado – uma escultura em madeira, com dois metros de altura, com origem na idade média, entre finais do século XII e início do século XIII.

Segundo a lenda, a peça terá sido apenas uma das várias esculpidas por Nicodemus, que, mais tarde, seriam atiradas ao mar mediterrânico. E, a mais perfeita delas todas, meio século depois, daria à costa no mar de Matosinhos, no dia 3 de maio de 143, mas já sem um braço, o qual foi achado por uma jovem surda e muda que apanhava lenha no areal da praia.
Quando em casa a jovem o colocou na lareira, esse pedaço de madeira (braço) o mesmo teimava em saltar para fora da lareira, o que levou a jovem a chamar pela mãe, dizendo à mãe para não insistir, que aquele pedaço de madeira era o braço que faltava ao Nosso Senhor de Bouças.”
Milagre: A mãe ficou boquiaberta ao verificar que a filha falo!
(Texto da revista Evasões – especial, Matosinhos ao sabor do mar, da arte e da história)
O MILAGRE DO SENHOR DE BOUÇAS
Certo dia uma menina surda-muda,
Conhecida por Maya da Purificação;
Andava a prestar aos pais a sua ajuda,
A apanhar lenha na praia para o fogão.
Entre a madeira que na areia recolheu,
Um pedaço de pau pareceu-lhe estranho;
Um pouco tosco, um braço lhe pareceu,
Quer pela forma e quer pelo tamanho.
Regressou a casa, estranha e contente,
Ia alimentar o fogo, a sua canseira;
Mas quando lançou aquele pau diferente,
Assustou-se ao vê-lo saltar da lareira.
Várias vezes o lançou àquela chama,
Mas ele para fora sempre saltou;
Admirada, por gestos logo chama,
Pela mãe, a quem por milagre, falou.
Nesse instante a mãe então entendera,
Que aquele pau, o braço que ali estava;
Era do santo, que há muito se perdera,
E ao Nosso Senhor de Bouças faltava.
Tão gratos pelo milagre, e pelo achado,
Acorreram ao Senhor de Matosinhos;
Onde o braço de madeira foi ajustado,
No Senhor de todos os caminhos.
Narrativa e poema de José Faria
Ver menos

segunda-feira, 4 de maio de 2026

BEIJA MÃO DO PASSADO E DO PRESENTE

 AINDA EXISTE O BEIJA-MÃO
EXISTIRÁ TODA A VIDA!

- Beija-mão foi representação pública que hoje, politicamente se faz às escondidas.

São tantos os beija-mão,
Até em democracia;
Qualquer terra ou nação,
Tem tanto lacaio e charlatão
Que só quer viver de mordomia.
 
Nem o abril em Portugal,
Acabou com essa mania;
Para obterem mais regalia,
Dão mais vida à hipocrisia,
Com postura antissocial.
 
Não se vê a vénia ou gesto,
Tudo é disfarçadamente;
Para agradar ao manifesto,
Esse apoio parece honesto,
E bajula todo o presidente.
José Faria

Hoje, 2026, o beija-mão faz-se por email, por mensagem privada, por telefone pessoal e também por WhatsApp e outros desvios não detetáveis publicamente.
Modernices do Beija-mão!

BEIJA-MÃO DO LACAÍSMO DO PASSADO:

“O beija-mão é uma tradição de reverência a personalidades eminentes, praticada em várias culturas desde tempos remotos.

Na cultura lusófona suas origens são medievais, sendo um costume da monarquia portuguesa em Portugal depois herdado pela corte imperial brasileira. O beija-mão era uma cerimônia pública em que o monarca se colocava em contato direto com o vassalo, o qual, depois da devida reverência, podia aproveitar a ocasião para solicitar alguma mercê. A cerimônia tinha grande significado simbólico, lembrando o papel paternal e protetor do rei, invocava o respeito pela monarquia e a submissão dos súditos. Era grande o fascínio que exercia sobre o povo. No tempo de Dom João VI havia um protocolo preciso a ser seguido: a pessoa se aproximava, ajoelhava diante do rei, e beijava-lhe a mão estendida. Então levantava-se, fazia outra genuflexão e se retirava pelo lado direito.

Registro da cerimônia do beija-mão na corte carioca de D. João VI, um costume típico da monarquia portuguesa.

Dom João VI recebia seus súditos todas as noites, salvo domingos e feriados. Era sempre acompanhada com música e às vezes a cerimônia se estendia por longas horas, dada a grande afluência de pessoas. Chegava a receber 150 pessoas por dia. (É caso para dizer que ficaria sempre com as costas da mão cheia de cedo bucal e bactérias de centenas de bocas porcas.)

José António de Sá elogiou as audiências afirmando que Dom João "exercita o amor, e a confiança para o Soberano, e contém os ministros". Outra lembrança foi deixada por Henry L’Evêque: "o Príncipe, acompanhado por um Secretário de Estado, um Camareiro e alguns oficiais de sua Casa, recebe todos os requerimentos que lhe são apresentados; escuta com atenção todas as queixas, todos os pedidos dos requerentes; consola uns, anima outros....

A vulgaridade das maneiras, a familiaridade da linguagem, a insistência de alguns, a prolixidade de outros, nada o enfada. Parece esquecer-se de que é senhor deles para se lembrar apenas de que é o seu pai".

 Oliveira Lima registrou que Dom João VI tinha um deleite especial na cerimônia, onde se misturavam livremente nobres e plebeus, e, "dotado da prodigiosa memória dos Braganças, nunca confundia as fisionomias nem as súplicas, e maravilhava os requerentes com o conhecimento que denotava das suas vidas, das suas famílias, até de pequenos incidentes ocorridos em tempos passados e que eles mal podiam acreditar terem subido à ciência d'el-rei".

Fonte: - https://pt.wikipedia.org/wiki/Beija-m%C3%A3oN

domingo, 26 de abril de 2026

PASSADIÇOS DA RIBEIRA DE SÃO MAMEDE DE RIBATUA

 

ENTRE O TUA, O TÃMEGA E O DOURO
TODAS AS PAISAGENS SÃO TESOURO!

O caminho de São Mamede de Ribatua, em Alijó, que inclui a grande extensão de passadiços, que permitem a grande subida e descida montanhosa, têm aproximadamente quatro quilómetros. O número exato pode variar, dependendo do contágio (para cima ou para baixo).

O percurso representa um grande desafio físico considerável, com uma longa escadaria que liga o vale ao mirante. 

A inauguração desta grande e maravilhosa obra turística, desportiva e paisagística, dos Passadiços de São Mamede de Ribatua, verificou-se a 29 de março de 2026, com a presença do Senhor Secretário de Estado do Ambiente, Dr. João Manuel Esteves e do Senhor Presidente da Câmara de Alijó, Eng. José Rodrigues Paredes.

Todos os caminhantes que a este saudável esforço físico se predisponham, contemplam paisagens deslumbrantes, só possíveis a partir das várias elevações serra acima, na constante companhia de sonora beleza musical e fresca, da ribeira de São Mamede de Ribatua, que como grande escultor natural no granito, vai criando pequenos lagos, fundões covas e “calões”, esculpidos ao longo de séculos pela água, fazendo juz ao ditado dos povos desde tempos ancestrais. “Água mole em pedra dura, tanto bate ate que fura!”

AVENTURA PELOS PASSADIÇOS
DA RIBEIRA DE SÃO MAMEDE DE RIBATUA
 
Pelos passadiços e na paz do monte,
No seio da natureza a namorar o rio;
Entre escarpas encontra a sua sorte,
Que obriga o Tua a grande desafio.
 
Tuela e Rabazal são a sua maior fonte,
Como um só entre penedias sem fastio;
Nascem em Espanha, lá no horizonte,
No inverno turbulento e verão doentio.
 
Em Carrazeda de Ansiães, na sua foz,
Entrega-se ao rio Douro tão cansado,
Na verde freguesia de Castanheiro;
 
Na barragem de Foz Tua e já a sós,
Pelo grande rio do norte aguardado,
Aí se entrega ao grande companheiro.
José Faria - 25/04/2026

POLITIQUICES DA MAIA DO PASSADO

  FIGURAS DA MAIA DO PASSADO SOBRE SÁ E MELO, (De Álvaro Aurélio do Céu Oliveira Almanaque da Maia – 1983) - “Sá e Melo” o regedor maiato “M...