segunda-feira, 2 de novembro de 2026

HISTÓRIAS SANGRENTAS DE VASCO DA GAMA

 VASCO DA GAMA E A HISTÓRIA QUE NÃO NOS CONTARAM
O MASSACRE DOS PEREGRINOS E OUTRAS ATROCIDADES

“A vinte e nove de setembro de 1502, naus portuguesas avistaram na costa indiana um barco com centenas de pessoas que regressavam de Meca para Calecut. Vasco da Gama procurava há dias atacar peregrinos muçulmanos que ali passavam e tinha um plano sanguinário para os que se encontravam a bordo desta embarcação: «andando algumas das nossas naus em procura das que vinham de Meca, a S. Gabriel se encontrou com uma de Calecut que dali voltava com duzentos e quarenta homens, sem falar nas mulheres e crianças, que eram bastantes, e que todos voltavam daquela peregrinação: deu-lhes logo caça, e tendo disparado alguns tiros de bombarda, para logo se renderem».

Os passageiros estavam indefesos e logo pediram misericórdia, oferecendo todas as riquezas que tinham a bordo e ainda mais, para sobreviverem: «O Almirante  via o que se passava por uma escotilha, e algumas mulheres tomavam nos braços seus filhinhos e os levantavam ao ar persuadindo-o assim a que tivesse piedade daqueles inocentes; os homens faziam igualmente sinal com a cabeça que se queriam resgatar a todo o custo; e é certo que com a riqueza que havia naquela nau, se podiam tirar do cativeiro quantos cristãos estão presos no Reino de Fez, e ainda sobraria muito para El Rei N.S.».

Vasco da Gama não queria apenas os bens dos peregrinos, tentou pegar fogo ao barco e mandou disparar mais tiros de canhão. As mulheres e homens resistiram bravamente com as poucas armas e pedras que tinham. Mas, depois de dias de perseguição e ataques, a embarcação foi finalmente capturada e saqueada. A três de outubro de 1502 - e, aqui, variam os relatos - mulheres, crianças e homens ou foram trancados no porão; ou amarrados ao navio; ou foram impedidos de sair a mando de Vasco da Gama, que ordenou que queimassem vivas todas aquelas pessoas e, de seguida, mandou afundar o barco: «fez o Almirante pôr fogo àquela nau, que ardeu com quantas pessoas se achavam dentro, com muita crueldade e sem comiseração alguma».

O escrivão Thomé Lopes que registou as palavras que tenho citado e foi testemunha ocular do sucedido, deixou-nos o mais longo e pormenorizado relato destes acontecimentos. Marcado profundamente pelo massacre, escreveu o seguinte: «lembrarei toda a minha vida».

Já o cronista Gaspar Correa, que não fez parte desta viagem, narra um final diferente, mas também violento. Depois de Vasco da Gama recusar a proposta desesperada dos peregrinos de encherem os barcos portugueses com especiarias em Calecut, disse «vivos haveis de ser queimados», “mandou dar fogo à nau” e ficando «os Mouros a nado, os batéis andaram às lançadas». Refere ainda que os outros capitães portugueses tentaram persuadir Vasco da Gama a não massacrar as pessoas, aconselhando-o a aceitar as ofertas que os peregrinos lhes faziam.

Fernão Lopes de Castanheda, outro cronista do século XVI que viveu na Índia, diz que os peregrinos seriam trezentos «fora mulheres e meninos» e «o fogo pegou de maneira que ardeu metade da nau e parte dos mouros se afogaram nela, e parte foram mortos no mar onde se deitarão, e assim foram todos mortos». Nesta narrativa, provavelmente para aligeirar a brutalidade dos portugueses, Castanheda refere que as crianças foram retiradas do barco para serem convertidas ao cristianismo.

TERROR EM CALECUT


Possivelmente, o massacre dos peregrinos de 1502 foi o evento mais sinistro do rasto de carnificina deixado por Vasco da Gama nas suas viagens à Índia. No entanto, este foi apenas um dos vários episódios de brutalidade perpetrada por este navegador português. Pouco dias depois deste massacre, Vasco da Gama bombardeou severamente Calecute, um dos portos mais importantes da região: «e todo o dia até à noite bombardeou a cidade, com que lhe fez grande destruição». O objetivo desta sua segunda viagem à Índia era dominar o comércio desses mares, expulsar a comunidade muçulmana da cidade e vingar os portugueses mortos em 1500 durante um conflito com os comerciantes locais.

Nesses dias de fim de outubro, de frente para Calecute, Vasco da Gama enforcou nos mastros das suas naus marinheiros “mouros” e “cafres” [negros] raptados em embarcações mercantis locais: «ordenou também que os guindássemos bem acima, para serem mais bem vistos […] Estava na praia um sem-número de gente, e saía muita da cidade para ver os enforcados, estando como insensatos a olhar para eles». E, depois, cortou-lhes as mãos, os pés e as cabeças, lançando-as à água para aterrorizar a população local: «À boca da noite mandou o Almirante dizer às naus que tirassem os enforcados, e lhes cortassem as cabeças, as mãos, e os pés, e que deitassem ao mar os toros dos corpos, remetendo todos os outros membros para a sua nau, os quais fez embarcar em uma almadia [canoa], das que tinham sido aprisionadas; e mandou escrever em língua indiana, a um chamado Frangola, um escrito por esta maneira:

 «Eu vim a este porto com boa mercadoria, para vender, comprar, e pagar os vossos géneros; estes são os géneros desta terra: eu vo-los envio de presente […]

Este episódio, assim como o massacre dos peregrinos, é retratado de diferentes formas, mas todas as crónicas retratam a sua brutalidade. Por exemplo, Gaspar Correa escreve que Vasco da Gama mandou desmembrar um grupo de tripulantes de uma embarcação de transporte de arroz que foi saqueada e, depois: «a todos os negros assim justiçados mandou atar os pés, porque não tinham mãos para se desatarem, e para que não se desatassem com os dentes, com paus mandou dar neles, que nas bocas lhos meteram para dentro, e foram assim carregados uns sobre outros embrulhados no sangue que deles corria»». De seguida, deu-lhes fogo numa barca que enviou para terra. Diz o mesmo cronista, que Vasco da Gama ordenou que cortassem as orelhas, nariz e mãos a um religioso local, colocando-lhe uma mensagem ao pescoço dizendo: «que mandassem fazer caril para comer».

Meses antes, depois de deixar um rasto de violência na costa africana, recorda também Gaspar Correa que quando o navegador chegou a Quíloa, hoje na Tanzânia, para extorquir uma fortuna ao monarca local: «Houve na gente grande espanto, vendo entrar no porto tão grande armada, e conhecendo que era nossa, de que já tinham tanto sabido das cousas de Moçambique e Melinde, que toda a gente tomou grande medo».[ É preciso lembrar que uma das mais célebres obras da ourivesaria portuguesa, a Custódia de Belém, atribuída ao ourives e dramaturgo Gil Vicente, foi feita com o ouro extorquido em Quíloa nesta viagem[.

Também um flamengo que era tripulante da armada portuguesa, relata que em Calecute: «tomámos ali dois navios grandes e matámos toda a gente e queimámos os navios diante da cidade». E, no regresso a Portugal: «encontrámos uma ilha onde matámos cerca de 300 homens e aprisionámos muitos».

HERÓI OU CARNICEIRO?

O historiador indiano, Mahmood Kooria, refere como massacre dos peregrinos de 1502 é um tema recorrente nas memórias sul asiáticas, sendo narrado em cantigas, baladas, livros e no cinema. As imagens que coloquei neste texto pertencem ao filme indiano em malaiala, Urumi (2011), que retrata a história de um herói que pretende vingar a morte de seu pai às mãos dos portugueses. No início do filme, surge ficcionado o massacre dos peregrinos mostrando um Vasco da Gama implacável, louco e sanguinário. Numa das cenas, perante uma criança, o navegador corta a língua e as orelhas de um negociador de paz local, cozendo-lhe depois as orelhas de um cão à cabeça. No fim, o narrador lembra ironicamente que: «Agora, o mundo celebra-o como um grande homem!».

Numa outra perspetiva, em Portugal, Vasco da Gama é lembrado como um dos maiores “heróis” da história nacional. O navegador dá nome a pontes, ruas, avenidas, praças, largos, escolas, clubes, centros comerciais e restaurantes, e tem estátuas erigidas por todo país. É vangloriado na imprensa e televisão, em museus, nas salas de aula, em encontros de empresários e nos discursos oficiais de Estado. Fala-se de um suposto descobridor, ignorando a devastação que deixou nas suas viagens à Índia e suas ações terroristas. Principalmente, esquece-se as centenas de pessoas que tiveram a infelicidade de atravessar o seu caminho, sendo assassinadas de forma atroz, por fanatismo religioso, sede de poder, etnocentrismo, crueldade e, principalmente, por ganância. Na verdade, já é tempo de enfrentar a verdadeira história de Vasco da Gama, “O Carniceiro”.”

 

Fonte: - https://www.buala.org/pt/a-ler/vasco-da-gama-o-massacre-dos-peregrinos-e-outras-atrocidades

A IA diz-nos: - “Vasco da Gama é oficialmente lembrado na história portuguesa como o heroico navegador que abriu a rota marítima para a Índia em 1498 , mas a historiografia moderna também o descreve como uma figura cruel, violenta e implacável .frequentemente apelidado de "o açougueiro", devido aos métodos brutais que ele usou para impor o domínio português no Oceano Índico”.

(Por José Faria)

segunda-feira, 19 de outubro de 2026

XXVI ANIVERSÁRIO DA CONFRARIA DO MAR DE MATOSINHOS

 

XXVI ANIVERSÁRIO DA CONFRARIA
GASTRONÓMICA DO MAR DE MATOSINHOS
 
A confraria gastronómica do mar,
A brindar os seus vinte e seis anos;
Em Matosinhos sempre a divulgar,
Toda a riqueza que vem dos oceanos.
 
Os Capítulos sucedem-se anualmente,
Com a confraria unida em irmandade;
Festeja os aniversários solenemente,
Na sua tradição, em fraternidade.
 
A quatro de novembro, a Confraria,
Que promove o mar de Matosinhos,
Reúne à mesa, em festa e alegria,
E é o destino de muitos caminhos.
 
Porque Sophia tanto amou o mar,
E em poesia tanto o ofereceu;
A confraria para a homenagear,
Tem neste convite um poema seu:
José Faria
----------------------“------------------------
Mar, metade da minha alma é feita de maresia
Pois é pela mesma inquietação e nostalgia,
Que há no vasto clamor da maré cheia,
Que nunca nenhum bem me satisfez.
E é porque as tuas ondas desfeitas pela areia
Mais fortes se levantam outra vez,
Que após cada queda caminho para a vida,
Por uma nova ilusão acontecida.
 
E se vou dizendo aos astros o meu mal
É porque também tu revoltado e teatral
Fazes soar a tua dor pelas alturas.
E se antes de tudo odeio e fujo
O que é impuro, profano e sujo,
É só porque as tuas ondas são puras.
 
Sophia de Mello Breyner Andresen



 

 

 

quinta-feira, 10 de setembro de 2026

FESTAS DA NATIVIDADE DE PEDROUÇOS - 2026

 

FESTA E ROMARIA DE PAZ E ALEGRIA
POR NOSSA SENHORA DA NATIVIDADE
- Pedrouços – Maia – Setembro de 2026
 
Estoura no céu o fogo da alegria,
É um novo despertar da tradição,
É mais um convite para a romaria,
A todas as almas da população.
 
São os morteiros da alvorada,
O despertador de toda a freguesia;
O povo dirige-se em caminhada,
Até à igreja para a homilia.
 
Já toda a gente se vai juntando,
Na sua paróquia em comunhão;
Por paz e saúde vão apelando,
Com as suas preces em oração.
 
A igreja está cheia, crentes orando,
Todos em coro em comunhão:
Na mesma fé estão comungando,
Como manda a missa e a tradição.
 
Anda a alegria, a festa, a diversão,
Em toda a avenida da Natividade;
O povo de Pedrouços tem a noção,
Do quanto merece ter felicidade.
 
O despertar da fé da população,
Devota da Senhora da Natividade;
Eleva-se na majestosa procissão,
Com respeito, amor e serenidade.
José Faria
 

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

O MELHOR CONDOMÍNIO SOCIAL MAIATO É DE PEDROUÇOS

 O MELHOR CONDOMÍNIO SOCIAL MAIATO
DE PEDROUÇOS, CONTINUA SEMPRE ATIVO.
- EDIFÍCIO ARROTEIA – PEDROUÇOS – MAIA


Contemplado com prémios de melhor condomínio de habitação social da Maia, o empreendimento habitacional da rua da Arroteia, em Pedrouços, continua a demostrar ativamente e responsavelmente, uma convivência e administração de condomínio exemplar.

Detentora de vários prémios de melhor condomínio da Maia, a administração gerida e orientada há vários anos por dois condóminos, sempre reeleitos pela totalidade dos locatários, contínua progressivamente e responsavelmente nas mãos de Mário Vinhas e Mário Laurentino.

Sempre ativos e atentos e intervenientes, para tudo que mereça resposta imediata, de inovação e renovação para o bem comum do coletivo habitacional, a estes exemplares condóminos, amigos administradores, continua a não lhes escapar a mais simples ou complicada necessidade de intervir e de resolver todo e qualquer problema que se lhes apresente, para o bem-estar do coletivo em condomínio.

Mais de 25 anos passaram desde a entrega das habitações a custos controlados, com promessa de compra, já regularizadas na sua grande maioria.

O sistema de rega da vasta zona relvada e ajardinada, junto às guias do passeio, mostram-se gastas e deterioradas, necessitando de renovação e de substituição. Assim sendo, os administradores com a concordância e agradecimento de todos os condóminos, estão a proceder à substituição do sistema de rega. A cisterna de alimentação a todas as frações, que periodicamente obriga a limpeza e manutenção para a sua eficiente e segura utilização, é e sempre foi, uma das grandes prioridades e responsabilidades de atenção por estes exemplares condóminos administradores.

Daí as assembleias de condomínio deste empreendimento municipal maiato, cujas frações já procederam à realização das respetivas escrituras em nome dos locatários, continuarem a contribuir para o Fundo de Poupança de Condomínio, o fundo de maneio para as grandes e necessárias obras de remodelação e de conservação, que vão surgindo.

Solidários e agradecidos, todos os condóminos deste empreendimento habitacional do EDIFÍCIO ARROTEIA, continuam unanimemente empenhadas em apostar, aprovar e eleger sempre estes excelentes amigos condóminos administradores de longa data, enquanto se mantiverem disponíveis para servir este condomínio pedroucense e maiato, o primeiro a ser habitado em Pedrouços.

Bem-haja a Mário Vinhas, Mário Laurentino, e a todos os bons vizinhos cumpridores do regulamento social e humanitário deste condomínio.

José Faria

 

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

BRÁCAROS OU CASTREJOS

 BRÁCAROS OU CASTREJOS

E a província da Terraconense que incluiu as Terras da Maia.
"Em 137 a.C., a região de Maia Terras integrou o território da Cultura Castreja, na Península Noroeste, habitado por povos galegos como os Brácaros. A região dependia administrativamente da Hispânia Citerior (mesmo antes da criação formal da província de Tarragona por Augusto) e testemunhou os primeiros avanços das campanhas militares romanas de Décimo Junho Bruto na Galécia."


Por isso, recuando ao ano 137 a. C. encontramos passadas dos romanos por terras da Maia. E é consultando os estudos sobre esta terra, levados a efeito por Carlos Alberto Ferreira de Almeida, que encontramos, entre outros povos que por aqui habitavam, os romanos que a eles se se sobrepuseram e os subjugaram às suas ordens, leis e organização.
Neste contexto, refere Carlos Almeida em a “Conquista Romana e Organização Política”:

-“Foi no rescaldo das guerras com os Lusitanos que Décimo Júnio Bruto veio subjugar os povos que habitavam a zona portuguesa a Norte do rio Douro. Saiu de Olisipo, atual Lisboa, por itinerário cuja demarcação está cheia de problemas. E foi nessa altura, no ano 137 a. C., que passa o rio Douro e o rio Lima e, quando ia a transpor o rio Minho, os povos Brácaros atacaram a retaguarda do seu exército. Virando-se de novo contra eles, subjugou-os. Mas a bravura que mostraram com as mulheres a combater ao lado dos homens, as quais para fugirem à escravidão matavam os próprios filhos e se suicidavam, espantou os romanos, como refere Apiano.

É evidente que nestes brácaros estão incluídos os povos que, no tempo, habitavam a zona das Terras da Maia. Brácaros ou castrejos lhes podemos chamar. Mas nunca lusitanos.
Esta expedição em época tão antiga sem que antes apareçam, em cena de guerra, os povos que habitavam o Noroeste, segundo o parecer acertado do Prof. J. Maria Blazquez, não teria outra finalidade senão a busca de ouro e prata em que estes povos eram ricos. Seria ainda, acima de tudo, por interesse nos metais preciosos, para poder efetivar uma exploração maciça das minas de ouro da zona, que Augusto se decide pelas campanhas pacificadoras do Norte e Noroeste da Hispânia. Estas guerras duram do ano 25 a 10 a. C..
Uma legião atuaria, segundo Schulten, a partir de Braga. Após a pacificação, e ainda devido aos particulares interesses imperiais nas minas de ouro na Gallaecia, o Noroeste e com ele a zona da Maia, é incorporado na província da Terraconense.
A cidade de Braga é equiparada a colónia, recebe o epíteto de augusta e torna-se cabeça de um conventus, o bracaraugustanus, em que se abrangem as Terras da Maia.

Esta divisão, o conventus, tem sobretudo importância jurídica e militar.”
O facto de trazer aqui fragmentos da história romanizada, e de os registar no meu blog,
“faria-palavrasvivas”, prende-se com este gosto, entusiasmo e curiosidade que o assunto em mim desperta. Por essa razão, tenho inclusive elaborado poesia descritiva sobre determinados locais romanizados, como pontes, castros, citânias, calçadas e marcos miliares, e as fotos condizentes. Esse partir à descoberta e pesquisa de vestígios dos nossos antepassados, são, na maioria das vezes, razão, motivo e pretexto para o passeio desportivo e ciclístico pela saúde e bem-estar físico e intelectual.

sábado, 1 de agosto de 2026

FADO NÃO, POR FDAVOR!

 
“O FADUNCHO CHORADINHO
DAS TABERNAS E SALÕES
SEMEIA SÓ DESALENTO
MISTICISMO E ILUSÕES.”
(José Mário Branco)
 
 
Fado não, por favor!
Fiquem lá com a saudade
E com toda a sua nostalgia;
 
Sou natureza de paz e de amor,
Onde mora o néctar da verdade,
Sem invenção, sem hipocrisia.
 
Só a ficção que inventa a tristeza,
Que faz rir e chorar na emoção,
Maltrata no canto toda a pureza,
Com tanta inverdade, e incerteza,
A explorar a alma e o coração.
 
E o coração tão dono das vidas,
Verdadeiro motor da existência;
Não deve sofrer tantas feridas,
Por festas de fado tão divertidas,
Pois toda a cultura pede decência.
José Faria
 

quinta-feira, 23 de julho de 2026

CHORAM OS LIVROS ESQUECIDOS

 CHORAM OS LIVROS ESQUECIDOS

Andam esquecidos os livros em prateiras cansadas do seu peso e da sua presença. De almas intactas, vidas caladas e páginas por desfolhar, aguardam e desesperam por mãos que os acarinhem e olhos que as suas vidas e almas absorvam. Porque todos os livros tem alma, tem vida, alma e vida do escritor que o concebeu, sempre enriquecida por todas as almas e vidas dos leitores que os desfolharam e compreenderam.
Mas são cada vez mais os livros com uma só alma e uma só vida vivida e sentida, do seu próprio autor.
As novas tecnologias sempre em constante desenvolvimento, criaram outros leitores, mais bombardeados e absorvidos pelo entretenimento dos telemóveis sempre em mãos, do que pelo aprendizado, pelo saber e pelo conhecimento que a alma e vida dos livros transmitem às almas e vidas dos leitores.
São várias as almas e vidas vividas e transmitidas por livros que recordo e complementaram (enriqueceram) a minha alma e vida. Outros vão chegando com o mesmo propósito educativo e enriquecedor através da sua leitura.
Pois muitas dessas almas e vidas lidas nesses livros continuam vivas no meu pensamento, como é o caso dos livros; “Amar à Sombra das Palmeiras” e “Morrer à Sombra das Palmeiras” de Heinz Konsalik, e do “Papillon”, de Henri Charriére, que nos mergulha no mundo dos condenados ao degredo.
Ou ainda “O Poder do Subconsciente”, de Joseph Murphy, que nos leva a melhor compreender o pensamento humano.
Mas, atualmente, o “desenvolvimento” é tão elevado tecnologicamente, que mais promove o retrocesso do conhecimento e do desenvolvimento cultural e intelectual através da leitura, porquanto os livros que outrora foram fonte do saber, com almas e vidas para darem a conhecer, permanecem nas estantes sem ninguém os ler. Os telemóveis estão nas mãos que os deveriam ter.
José Faria

HISTÓRIAS SANGRENTAS DE VASCO DA GAMA

  VASCO DA GAMA E A HISTÓRIA QUE NÃO NOS CONTARAM O MASSACRE DOS PEREGRINOS E OUTRAS ATROCIDADE S “A vinte e nove de setembro de 1502, n...