sexta-feira, 14 de agosto de 2026

BRÁCAROS OU CASTREJOS

 BRÁCAROS OU CASTREJOS

E a província da Terraconense que incluiu as Terras da Maia.
"Em 137 a.C., a região de Maia Terras integrou o território da Cultura Castreja, na Península Noroeste, habitado por povos galegos como os Brácaros. A região dependia administrativamente da Hispânia Citerior (mesmo antes da criação formal da província de Tarragona por Augusto) e testemunhou os primeiros avanços das campanhas militares romanas de Décimo Junho Bruto na Galécia."


Por isso, recuando ao ano 137 a. C. encontramos passadas dos romanos por terras da Maia. E é consultando os estudos sobre esta terra, levados a efeito por Carlos Alberto Ferreira de Almeida, que encontramos, entre outros povos que por aqui habitavam, os romanos que a eles se se sobrepuseram e os subjugaram às suas ordens, leis e organização.
Neste contexto, refere Carlos Almeida em a “Conquista Romana e Organização Política”:

-“Foi no rescaldo das guerras com os Lusitanos que Décimo Júnio Bruto veio subjugar os povos que habitavam a zona portuguesa a Norte do rio Douro. Saiu de Olisipo, atual Lisboa, por itinerário cuja demarcação está cheia de problemas. E foi nessa altura, no ano 137 a. C., que passa o rio Douro e o rio Lima e, quando ia a transpor o rio Minho, os povos Brácaros atacaram a retaguarda do seu exército. Virando-se de novo contra eles, subjugou-os. Mas a bravura que mostraram com as mulheres a combater ao lado dos homens, as quais para fugirem à escravidão matavam os próprios filhos e se suicidavam, espantou os romanos, como refere Apiano.

É evidente que nestes brácaros estão incluídos os povos que, no tempo, habitavam a zona das Terras da Maia. Brácaros ou castrejos lhes podemos chamar. Mas nunca lusitanos.
Esta expedição em época tão antiga sem que antes apareçam, em cena de guerra, os povos que habitavam o Noroeste, segundo o parecer acertado do Prof. J. Maria Blazquez, não teria outra finalidade senão a busca de ouro e prata em que estes povos eram ricos. Seria ainda, acima de tudo, por interesse nos metais preciosos, para poder efetivar uma exploração maciça das minas de ouro da zona, que Augusto se decide pelas campanhas pacificadoras do Norte e Noroeste da Hispânia. Estas guerras duram do ano 25 a 10 a. C..
Uma legião atuaria, segundo Schulten, a partir de Braga. Após a pacificação, e ainda devido aos particulares interesses imperiais nas minas de ouro na Gallaecia, o Noroeste e com ele a zona da Maia, é incorporado na província da Terraconense.
A cidade de Braga é equiparada a colónia, recebe o epíteto de augusta e torna-se cabeça de um conventus, o bracaraugustanus, em que se abrangem as Terras da Maia.

Esta divisão, o conventus, tem sobretudo importância jurídica e militar.”
O facto de trazer aqui fragmentos da história romanizada, e de os registar no meu blog,
“faria-palavrasvivas”, prende-se com este gosto, entusiasmo e curiosidade que o assunto em mim desperta. Por essa razão, tenho inclusive elaborado poesia descritiva sobre determinados locais romanizados, como pontes, castros, citânias, calçadas e marcos miliares, e as fotos condizentes. Esse partir à descoberta e pesquisa de vestígios dos nossos antepassados, são, na maioria das vezes, razão, motivo e pretexto para o passeio desportivo e ciclístico pela saúde e bem-estar físico e intelectual.

sábado, 1 de agosto de 2026

FADO NÃO, POR FDAVOR!

 
“O FADUNCHO CHORADINHO
DAS TABERNAS E SALÕES
SEMEIA SÓ DESALENTO
MISTICISMO E ILUSÕES.”
(José Mário Branco)
 
 
Fado não, por favor!
Fiquem lá com a saudade
E com toda a sua nostalgia;
 
Sou natureza de paz e de amor,
Onde mora o néctar da verdade,
Sem invenção, sem hipocrisia.
 
Só a ficção que inventa a tristeza,
Que faz rir e chorar na emoção,
Maltrata no canto toda a pureza,
Com tanta inverdade, e incerteza,
A explorar a alma e o coração.
 
E o coração tão dono das vidas,
Verdadeiro motor da existência;
Não deve sofrer tantas feridas,
Por festas de fado tão divertidas,
Pois toda a cultura pede decência.
José Faria
 

quinta-feira, 23 de julho de 2026

CHORAM OS LIVROS ESQUECIDOS

 CHORAM OS LIVROS ESQUECIDOS

Andam esquecidos os livros em prateiras cansadas do seu peso e da sua presença. De almas intactas, vidas caladas e páginas por desfolhar, aguardam e desesperam por mãos que os acarinhem e olhos que as suas vidas e almas absorvam. Porque todos os livros tem alma, tem vida, alma e vida do escritor que o concebeu, sempre enriquecida por todas as almas e vidas dos leitores que os desfolharam e compreenderam.
Mas são cada vez mais os livros com uma só alma e uma só vida vivida e sentida, do seu próprio autor.
As novas tecnologias sempre em constante desenvolvimento, criaram outros leitores, mais bombardeados e absorvidos pelo entretenimento dos telemóveis sempre em mãos, do que pelo aprendizado, pelo saber e pelo conhecimento que a alma e vida dos livros transmitem às almas e vidas dos leitores.
São várias as almas e vidas vividas e transmitidas por livros que recordo e complementaram (enriqueceram) a minha alma e vida. Outros vão chegando com o mesmo propósito educativo e enriquecedor através da sua leitura.
Pois muitas dessas almas e vidas lidas nesses livros continuam vivas no meu pensamento, como é o caso dos livros; “Amar à Sombra das Palmeiras” e “Morrer à Sombra das Palmeiras” de Heinz Konsalik, e do “Papillon”, de Henri Charriére, que nos mergulha no mundo dos condenados ao degredo.
Ou ainda “O Poder do Subconsciente”, de Joseph Murphy, que nos leva a melhor compreender o pensamento humano.
Mas, atualmente, o “desenvolvimento” é tão elevado tecnologicamente, que mais promove o retrocesso do conhecimento e do desenvolvimento cultural e intelectual através da leitura, porquanto os livros que outrora foram fonte do saber, com almas e vidas para darem a conhecer, permanecem nas estantes sem ninguém os ler. Os telemóveis estão nas mãos que os deveriam ter.
José Faria

segunda-feira, 6 de julho de 2026

POESIA EM IMAGENS

 
DANÇA DA VIDA
 
Não esqueças nunca a dança,
De movimento e alegria;
E não esperes só festança,
Envolve-te nessa magia.
 
Não precisas de mestria,
Só de sorriso e confiança;
E de alguma coreografia,
E ter a graça da criança.
 
O caminho é de esperança,
Que se pratica toda a vida,
Durante a nossa existência;
 
É a sobrevivência nos convida,
A mais cuidado, mais liderança,
E proteção à nossa essência.
  José Faria
 



terça-feira, 30 de junho de 2026

JANEIRAS NA IGREJA 2026

ENCONTRO DE JANEIRAS
IGREJA MATRIZ DE PEDROUÇOS

O último dia do mês de janeiro de 2026, animou a igreja de Nossa Senhora da Natividade de Pedrouços, com o cantar das janeiras.

O grupo das janeiras do Rancho Folclórico e Etnográfico “Flor de Linho” de Pedrouços, Maia, juntou a si os Grupos das janeiras, da Associação Cultural e Recreativa “Os Fontineiros da Maia”, - do Rancho Folclórico Passal, de São Pedro da Cova, Gondomar, e o Grupo Folclórico de Danças e Cantares da Pérola do Campo. Todos cantaram as suas janeiras no Altar, aos pés da Santa Natividade, padroeira desta freguesia maiata.

A apresentação dos grupos participantes, foi coordenada pelo jovem Ricardo Sousa da paróquia de Pedrouços, que a todos agradeceu a participação neste anual Encontro de Janeiras na igreja matriz.

Uma tradição secular que anualmente se repete no decorrer do mês de janeiro, que leva os grupos de janeireiros a percorrem de porta em porta as ruas dos lugares onde se insere, e nas igrejas Cristãs.

Todos os cânticos se referem à caminhada e chegada dos Reis Magos junto ao Menino Jesus, sua Mãe Natividade, a José e aos pastores, que cantam – “De belém vimos, somos pastores, dar Boas Festas aos meus senhores” e, “Meu menino Deus, que assim nos amais, no céu e na terra, bendito sejais”.

Se recuarmos ainda mais a tempos ancestrais desta tradição, e entrando na cultura pagã, verificamos que o cantar das janeiras de porta em porta tinha o propósito de saudar o Natal, o Menino, os reis Magos, a luz da Estrela do Oriente, dar a Boa Nova do nascimento do Salvador, mas também o de pedir, por isso recebiam em troca dos seus cânticos, doces, frutos secos e dinheiro. Assim, as letras das canções das janeiras contemplam esse propósito cantando: “Não vamos deixar cair, esta tradição tão nobre; não é desonra pedir, para alguém se for mais pobre”.

Este pedir chega também para o Menino. “Vimos cantar as janeiras, e pedir-vos com carinho, abram vossas algibeiras, p’ra Jesus que é pobrezinho”.

Esta cultura popular, rica na divulgação de fragmentos da nossa história, leva-nos a ver os bons janeireiros, os Grupos de janeiras e os Ranchos folclóricos, como embaixadores da cultura popular e tradicional portuguesa.

Este encontro promoveu também o convívio entre todos os elementos dos quatro grupos de ranchos folclóricos que após as atuações se reuniram no salão de eventos da paróquia num agradável banquete coletivo, onde a alegria foi brindada com mais música, canto e dança.

José Faria

 

segunda-feira, 15 de junho de 2026

FEIRA MEDIEVAL DE SÃO MAMEDE INFESTA - 2026

 A Feira Medieval de São Mamede Infesta, acampou e animou, mais uma vez, no seu parque urbano, oxigenante e verdejante, junto ao CATI (Centro de Apoio à Terceira Idade) e às piscinas desta cidade matosinhense, às portas da Maia.

A animação feudal e medieval, o porco no espeto, os comes e bebes, as bijuterias e às aves de rapina e demais atrativos atuais e medievais, dos homens e da natureza, contribuíram para a participação de um público sempre admirador e entusiasta destes eventos dos nossos antepassados.
As músicas celtas e as danças do ventre complementaram agradavelmente esse evento dos povos do passado e do presente.
Só o empenho do voluntariado associativo de São Mamede Infesta, das suas associações e dos seus colaboradores, com o devido apoio autárquico local, permite que este e outros eventos socio culturais se mantenham vivos, ativos e animados.
Bem-haja!






quinta-feira, 11 de junho de 2026

CASCATA DO QUIM DO PEDRO - VERMOIM

 
A CASCATA DO QUIM DO PEDRO
É UMA ENCICLOPÉDIA ANIMADA

A monumental cascata em exposição na Casa do Povo de Vermoim, na Maia, é uma grande enciclopédia animada e pormenorizada, sobre a vida dos povos da Maia e de além Maia. O rigor e a perfeição das figuras em movimento, leva-nos a quase todas as atividades humanas desde tempos muito antigos. As profissões, as festas e romarias, os convívios sociais, desportivos e de lazer; os equipamentos urbanos, sociais, educativos, religiosos…o rio Douro, a Ribeira, os Clérigos, a Câmara Municipal, a torre do Lidador, as pirâmides, o Zoo da Maia, a Banda de Música, a Amália a cantar o fado, as manifestações religiosas, os jogos e as diversões festivas, a noitada de São João, o monumento Portas da Maia, de portas abertas até ao santuário de Fátima.

Uma enciclopédia sempre viva, ativa e animada, com tanta arte e talento, criada por Quim do Pedro, continua a crescer e a enriquecer nas mãos de Augusto Pedro.

Cada atividade humana aqui representada, conta-nos a sua história com muitos anos, e recorda-nos as transformações operadas na criação de outros meios de trabalho e produção para as mesmas atividades que se praticam atualmente.

A cascata do Quim do Pedro, representa uma vasta comunidade humana, com todas as suas atividades, usos, costumes e tradições, como uma enciclopédia viva, em movimento, a despertar a elevação cultural para todas as idades, a que as escolas não devem perder esta oportunidade formativa.

Obrigado mestre Augusto Pedro pela oportunidade.

À MAIA


É a Maia  terra da amizade,
De convívio social a todo o tempo;
E o presente de contentamento,
Onde o passado e futuro é mocidade.


É onde vive a história e a saudade,
Do maiato e seu temperamento;
De horizontes sempre em crescimento,
Que no caminho construiu a felicidade.
 
Guardião da terra e do seu povo,
O novo Lidador senhor da cidade,
Representa um progresso sem igual;
  
Presente na Maia em tudo que é novo,
É luz de progresso e de fraternidade,
É semente do seu pequeno Portugal.
José Faria

 

 

 

BRÁCAROS OU CASTREJOS

  BRÁCAROS OU CASTREJOS E a província da Terraconense que incluiu as Terras da Maia. "Em 137 a.C., a região de Maia Terras integrou o t...