EM SÃO MIGUEL O ANJO

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

PEDALADAS CULTURAIS A ALFENA

SAUDÁVEIS PEDALADAS
DESPORTIVAMENTE CULTURAIS

Desperto pelos reflexos luminosos do sol da aurora de primaveril sorriso, logo o entusiasmo de corresponder à mensagem de António Nobre, quando disse: “cansado das dores que o matavam, foi em viagem por esse Mundo”. E, por acaso andava com uma persistente dor nas costas, a dita “pontada” debaixo da omoplata direita, que nem deitado se calava.

Mosteiro de Águas Santas - Monumento Nacional

Ora, logo que montei a minha ORBEA e me entreguei à pedalada em viagem por esse mundo, a dor adormeceu completamente. Nunca mais me lembrei que andei com uma dor incómoda no lombo quase toda a semana. Num instante cheguei à primeira paragem fotográfica frente ao Mosteiro de Águas Santas, de Nossa Senhora do Ó.

É um templo de 1120, o único remanescente do primitivo convento erguido em 974, a sul da igreja, e que subsistiu até ao século XIX. É monumento nacional desde 1910. Cerca de um quilómetro adiante, depois de passar o Parque dos Moutidos, maia uma vista de olhos aos restos e ruínas dos moinhos do rio Leça em Ardegães.

Ruínas de moinhos do Leça

A manhã cicloturista colmatava o inicial aquecimento quando se encontrou na Travagem, com a velhinha e robusta ponte ferroviária sobre o rio Leça. Uma obra de arte harmoniosamente integrada na paisagem, que data do século XIX, cuja inauguração se verificou a 21 de maio de 1875.

Ponte ferroviária da Travagem sobre o rio Leça
Daí aos parques, do Vale do Leça e de Lazer de São Lázaro, da freguesia de Alfena, foi um tirinho.

Fiquei a saber que a Junta de Freguesia de Alfena pretende apresentar (ou apresentou) um projeto aos “Fundos Comunitários”, para poder levar a efeito a requalificação dos espaços centrais e adjacentes ao rio Leça, no sentido de impedir a degradação que o ecossistema ribeirinho tem sofrido e afetado a sua biodiversidade.

Depois de admiração e sessão fotográfica do local, “bora lá pedalar que se faz tarde”.

Em direção a São Pedro de Fins, cortei pelas traseiras da Siderurgia Nacional; Uma forte empresa fundada nos anos 60 por António Champalimaud, e nacionalizada logo após a revolução de Abril de 1974, veio depois a voltar às mãos privadas nos anos 90, por decisão do Governo do Social Democrata, Cavaco Silva..

Hoje, pertence ao grupo empresarial espanhol Megasa, dedicando-se essencialmente à produção e tratamento de aço e ferro fundido, que exporta para dezenas de países. Diariamente vejo passar os comboios em Pedrouços, da siderurgia para Leixões e vice-versa.

Depois veio a rotunda do Castelo da Maia, e logo o centro das terras do Lidador. Aí fotografei o “isqueiro” que obriga o elevador a um caríssimo vai e vem constante.  Designada de Torre do Lidador, Torre do Lidador, o edifício tem 92 m, e foi mandado construir pelo então presidente da Câmara, José Vieira de Carvalho, estando destinado exclusivamente a serviços municipais.

Daí à ponte da Pedra foi um instante. Esta ponte romana data do século I ou II (d.c.) Foi importante travessia do Leça aqui em Leça do Balio e São Mamede Infesta, no tempo da romanização das terras da Maia, da Trofa e concelhos limítrofes. Fazia parte da ligação entre Braga, Porto e Vila Nova de Gaia. Ou melhor dizendo, entre Cale - Bracara Augusta.

Depois de uma boa subidinha até ao centro de São Mamede Infesta, logo Pedrouços à vista se mostrou, para fechar estas saudáveis pedaladas desportivamente culturais.
26/02/2021
José Faria

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2021

UM BAIRRISMO GLOBALIZANTE

 CONDOMÍNIO GLOBAL

Nasci num concelho da área metropolitana do Porto, rodeado por sete concelhos; Vila do Conde, Trofa, Santo Tirso, Valongo, Gondomar, Porto e Matosinhos.
O Planeta Terra é a nossa única morada

Ora, para ir à praia, tenho que entrar em qualquer um deles, nomeadamente em Vila do Conde, no Porto ou em Matosinhos, já que o mar já não banha a Maia.
Mas já banhou, antes de começar a distribuição das suas terras, aquando as paróquias ou regiões da Maia iam desde a Azurara (Vila do Conde) até Valongo, Foz do Douro, Paranhos, Matosinhos… num total de 67 regiões, muitas das quais deram origem e aumento aos concelhos pelos quais é agora rodeada.
No entanto, hoje mais do que nunca, não é o bairrismo ou o nacionalismo, tantas vezes impingido, que promove a pessoa humana, a protege e a faz feliz; mas sim a detenção e o usufruto de condições indispensáveis ao seu bem-estar social a todos os níveis.
A constante globalização na gestão dos recursos naturais de sobrevivência da humanidade e a interligação política, social e económica entre todos os países, a par das migrações cada vez mais acentuadas no globo, leva-nos a compreender e a aceitar com agrado, que para além do local de residência, todos somos moradores do Planeta Terra e que de certa forma, estamos sujeitos a normas de gestão equivalente a um condomínio global.
Por isso, parece-me irrelevante o local, sitio, freguesia, concelho ou região de residência, já que o progresso e bem-estar de todos esses lugares e dos seus residentes, estão dependentes de uma boa gestão desse global condomínio. - José Faria

Golfinhos Surfistas em Matosinhos

Vídeo: José Faria

Como golfinhos felizes ansiando ondas que os elevem na crista e os desloquem sorridentes, andam as pranchas ocupadas e personalizadas sobre as águas, em constante movimento.

Foto: World's Best Fish

Incansáveis num imparável vai e vem, desdobram-se nas manobras de tubo e batida, na rasgada e floater, no cutback, aéreos e bottom tur

Foto: Sea Bookings

Toda a entrega desportiva exige por fundamento a arte do equilíbrio que só a prática persistente consegue alcançar.

As águas do Atlântico de Matosinhos junto à praia, e a própria marginal sob a atenção e guarda da anémona gigante, refletem uma saudável animação desportivamente humana.

José Faria

A ALMA RESISTENTE DA ÁRVORE FREIXO
VERMOÍM - MAIA


 Tal como o velho freixo venerado pelo povo, que se encontra em Freixo de Espada à Cinta junto da igreja matriz, também o secular freixo maiato frente à igreja de São Romão de Vermoim, faz parte destas duas dezenas de “velhas guardas” em Portugal.

Pela sua secular idade, o freixo de Vermoim que poderá ter assistido” ao nascimento de Joana D’Arc em 30 de maio de 1431, bem poderia ter influenciado no nome desta terra onde nasceu e vive, que poderia chamar-se “Vermoim de Freixo ou Freixo de Vermoim”, como acontece com Freixo de Espada à Cinta, Freixial, Freixofeira, Freixieiro, Freixo de Cima, Freixo de Numão…

Pode dizer-se que a árvore de freixo é maravilhosamente resistente e sagrada, que foi muito utilizada nos cultos das antigas religiões pagãs. Pelo menos eram sagradas para o povo Celta, escandinavo e grego.

Freixo de espada à cinta

Merece todo o nosso respeito até pela nossa saúde, tão indicada que é para nos tratar de muitas maleitas.

Além disso, reza a lenda, que D. Dinis terá adormecido à sombra de um secular freixo e que durante o sono o espírito da árvore lhe revelou o que deveria fazer para o bom futuro de Portugal.

Outra lenda relacionada com esta árvore, acrescenta que o Deus Odin (um Deus nórdico nomeado como o pai de todos), se enforcou num freixo, acreditando que assim atingiria a iluminação divina.

 Como árvore medicinal, o freixo serve para tratar problemas de saúde como gota, reumatismo, celulite, colesterol, obesidade, mau hálito, acúmulo de ureia, excesso de ácido úrico, prisão de ventre, cálculos renais e febre, e como propriedades compreende a sua ação diurética, laxante, depurativa, antipirética, anti-inflamatória, analgésica cicatrizante e rejuvenescedora.

Utilizando-se a sua casca e folhas para fazer chás, infusões e cataplasmas.

 Por ser muito anti-inflamatória e   adstringente,  diurética e desintoxicante do   organismo, é comum ser recomendada para   tratar a obesidade, é ainda vasoprotetora e
 venotónica.

Com a sua casca pode fazer-se uma decocção cicatrizante e para tratar a febre tendo mesmo sido usada pelos antigos herbalistas ingleses para tratar a malária em substituição do quinino.

Que mais acrescentar sobre o maravilhoso freixo para que continue, se não venerado, pelo menos respeitadoJosé Faria

Fonte: https://www.portaldojardim.com/pdj/2016/02/10/freixo-a-grande-arvore-mitica-dos-celtas/

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

PELAS TERRAS DA MAIA - PASSEIO CULTURAL CICLÍSTICO

Igreja São Romão de Vermím
 Hoje, 24/02/2021, o dia nasceu sorridente com um olhar soalheiro e primaveril. O céu limpo e de um azul profundo e aveludado, entregou-se cheio de graça a convidar à caminhada ou pedalada ao encontro da liberdade e da natureza.

Optei pela pedalada, para proceder à recolha de fotografias que se relacionam com os trabalhos literários sobre a criação e recriação de Lendas da Maia. E fui à procura de imagens de São Romão que se encontram na Igreja de Vermoim. 
São Romão

Segundo a lenda e registos da religião católica, foi um santo de vários ofícios. Conta-se que foi monge, diácono, bispo de Ruão, foi um mártir a quem cortaram a língua para o impedir de pregar, mas que mesmo assim continuou a falar normalmente. Outras lendas são atribuídas a São Romão, como a de ter sido torturado e decapitado diante da própria mãe, depois de lhe cortarem a língua; ou ainda de se ter refugiado num local de leprosos, que por milagre foram curados depois de São Romão os abraçar e beijar.

Essas perseguições, torturas e morte de cristãos, aconteceram muito no tempo dos romanos, pois já em 303, precisamente há 1718 anos, (24/02/303) o imperador Galério publicava um édito de início da perseguição aos cristãos, numa parte do império romano.

E consegui isso tudo: O prazer desportivo de cicloturísmo, a admiração da liberdade e da natureza e as fotos a que me propus realizar.

Com início às nove horas em direção a Águas Santas, e às margens do rio Leça, fui verificar que as águas ainda não arrastaram a lixeira com mais de ano e meio, tão denunciada foi a todas as entidades, até o Partido PAN se valeu das minhas denúncias, para gritar mais alto contra este atentado, mas que ninguém ligou, a lixeira vai-se cobrindo de vegetação até que o rio transborde com forte corrente, e tudo leve para as praias de Matosinhos e de Leça da Palmeira.
Lixeira no rio Leça - Ardegães

Depois, em direção à travagem, segui em direção a São Pedro de Fins, onde fotografei o musical e bem preservado coreto antigo no centro da freguesia. 

Mais à frente, visitei a imponente igreja de Folgosa, onde esperava encontrar a imagem de São Frutuoso, esse santo que guardou os pardais num poço, que tapou com uma grade, para não comerem o centeio e para que ele pudesse ir assistir à missa. 
Igreja de Folgosa - Maia

Capela de São Frutuoso
 Mas não o encontrei. Na verdade,  a capela de São Frutuoso fica mais adiante, próximo da siderurgia nacional, da Maia. Uma capela que nem sequer tem qualquer designação exterior sobre o que representa. E pelo chão negro e musgado, vê-se que não é frequentada há imenso tempo. 

Nicho do milagre
Não consegui a imagem de São frutuoso e segui em direção ao nicho sobre o milagre que Santo António fez ao lavrador, que transportava uma pipa de vinho num carro de bois, entre Silva Escura e Nogueira. 

Após fotografar este testemunho do milagre, e já de regresso, mandei-me mais a minha amiga bicicleta em direção a Vermoim. Aí tinha a certeza que iria fotografar a imagem de São Romão, esse Bispo mártir de que falei no início desta narrativa culturalmente ciclística. 
O lavrador e a pipa de vinho - Nicho na beira do caminho entre Silva Escura e Nogueira

E lá estavam as imagens no azulejo da frontaria da igreja de Vermoim, a de São Romão de um lado e a de Nossa Senhora da Caridade do outro. Parecem contemplar o antiquíssimo freixo com cerca de seiscentos anos, já apoiado em “muletas”.
Senhora da Caridade

E pronto, para além de São Frutuoso que não encontrei e que pelos vistos andariam a guardar a passarada, regressei ao local de partida, atravessando de novo as águas do rio Leça pela ponte do arco, até recolher à freguesia maiata mais jovem, onde a Maia faz fronteira com a cidade do Porto, com Gondomar e com Matosinhos.
Freicho secular

Procuremos na natureza,
Paz e conforto da alma;
Porque aí mora a certeza,
De toda a saúde e pureza,
Que purifica e acalma.
José Faria
 


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

PEDALADAS PELA MESA DO ACORDO

 PEDALADA HISTÓRICA PELA PEDRA DA AUDIÊNCIA

Depois da minha audiência sobre a Pedra do Acordo, às portas da igreja de São Pedro de Avioso, segui pela rua do Património, em direção ao parque de Avioso, do lado poente. A meio da rua,  deu para admirar e fotografar de novo a velhinha e esquecida capelinha do século XII, que para ali está tão-só há muito tempo a vestir-se de musgo. Vale-lhe a companhia frontal e atenta do cruzeiro amigo, possivelmente da sua idade.

Capela esquecida do século XII

Misteriosamente, a seu lado, mas do outro lado da rua, o imponente brasão da quinta de Paredes, mantem-se silencioso e misterioso. Muita história haveria para se contar e se divulgar, se dela se soubesse sobre as vidas vividas nesta quinta em tempos de feudalismo. Quem nos poderia ajudar a desvendar esses históricos mistérios, era a capela vizinha, mas como ninguém lhe liga, vai-se embrulhando no tempo e no musgo do esquecimento sem nada nos contar.

Quinta de Paredes

De regresso com passagem pela igreja de Santa Maria de Avioso, pude de novo constatar pedaços do passado expostos decorativamente sobre o relvado envolvente à igreja, onde inclusive se encontram dois sarcófagos antropomórficos.

2 Sarcófagos antropomórficos

Na verdade, tantas destas relíquias se escondem nos museus, quando a sua maior divulgação deveria estar na sua exposição no exterior das autarquias ou adros de igrejas, oferecendo-se com mais liberdade aos olhos do público. Os próprios marcos romanos, marcos miliários, que tem sido “açambarcados” para o interior de museus, deveriam ficar expostos aí, no adro da igreja ou junta de freguesia, mais próximos de onde foram encontrados. Escondidos, ninguém os vê nem os conhece.

Continuando a rota dos pedais, seguiu-se aquela que já foi a mais pequena freguesia da Maia: Gondim. Por acaso é também a única que ainda espera de min a criação de uma lenda, para que eu possa apresentar LENDAS DA MAIA, contemplando todas as suas anteriores 17 freguesias.

Com o sol sempre a sorrir, desde o romper da aurora, segui por Silva Escura, e logo a seguir Milheirós, que venera o tal “Mata-Mouros”, que é o Santiago dos peregrinos. Adiante,  logo me abeiro das margens do rio Leça e daí ao recolher da manhã desportiva, foi um instantinho. Por falta de mais dois quilómetros não fiz os 40 a pedalar toda a manhã. Mas valeu a pena, pela saúde física, mental, pulmonar, muscular e intelectual.     "Vale sempre a pena quando a alma não é pequena" (Fernando Pessoa), ou como disse um dia António Nobre, para que não nos agarremos às dores das paredes do lar: -"Cansado das dores que o matavam, foi em viagem por esse mundo"                                           

 

 José Faria

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021

À CONVERSA COM O PINTARROXO

Num passeio pelo parque de lazer das redondezas, um Pintarroxo que me esperava, atrasou-me a caminhada.

Empoleirado num ramo de uma jovem magnólia ( Magnolia liliflora) ainda a despontar a sua alegria florida, o pisco-de-peito-ruivo meteu-se à conversa, e pôs-se para ali com uma melodiosa linguagem que me prendeu a atenção. Admirei-o e escutei-o durante uns largos minutos. E quando me ia a ausentar, ainda me questionou: - Então estás com a máquina na mão e nem me fotografas, nem filmas?


Na verdade, estava tão compenetrado na sua musical conversa, que me ia esquecendo. – Hó pisco, desculpa-me a distração, vamos a isso. E mal comecei a filmá-lo, logo ele, vaidoso, se pôs de novo na cantoria. Até que depois me fui, deixando-o com a sua meludiosa música de bico afiado, pois ainda tinha muito para caminhar.

O nome científico desta graciosa ave é Erithacus rubecula, mais conhecido por pisco-de-peito-ruivo, pintarroxo, papo-ruivo ou papo-roxo. O nome é-lhe dado pela grande mancha alaranjada no peito. 

Com um canto melodioso e persistente. A sua postura é de 5 ou 6 ovos ligeiramente azulados, por vezes com pequenas manchas vermelhas, e dificilmente pesa mais que 22 gramas.

O ninho é volumoso, com uma base feita de folhas secas, e uma "tigela" central de musgo, ervas e pequenas folhas, revestida de material mais fino, incluindo cabelos, fibras vegetais e ocasionalmente penas.

A incubação dura 13 a 14 dias, e as crias precisam do mesmo tempo para abandonarem o ninho.

Tudo isto me contou o pintarroxo cantador do Parque dos Amores.

REPÚBLICA PORTUGUESA

 ASSEMBLEIA DA REPÚBLICA PORTUGUESA

Foi para o progresso da nação,
Por mais justiça e riqueza;
A primeira constituição,
Da república portuguesa.
 
Que a vinte e um de agosto,
De mil novecentos e onze,
Ganhou Portugal outro rosto,
Se premiou de prata e bronze.

Surja um pensamento novo,
De partilha em todos nós;
Nesta terra que é do povo
E esse povo somos nós.
 José Faria

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

BICIGRINOS NO CAMINHO DE SANTIAGO

BICIGRINOS NO CAMINHO

O caminho de Santiago de Compostela é extraordinário, de beleza, de constantes descobertas vistas e sentidas. É uma aventura rejuvenescedora para todos quantos se querem reconhecer, reencontrar na fé espiritual; no respeito por si e pela vida de todas as vidas, se purificar e valorizar mais a sua existência e a natureza que a criou e a sustenta. O caminho é uma coisa muito boa, mas é estreito.

E o caminho que nos leva à vida é estreito; já o caminho que

 nos leva à morte é largo e fácil, muito espaçoso.

O Caminho do Peregrino é para aqueles que são bons:

É a ausência de vícios, o impedimento do corpo, o aumento das virtudes, perdão para os pecados, o pesar para o penitente, o caminho dos justos, amor dos santos, fé na ressurreição e a recompensa dos abençoados;

É uma separação do inferno e a proteção dos céus.

Afasta-nos de comidas saborosas porque faz a gordura gulosa desaparecer, evita a volúpia, constrange os apetites da carne que atacam a fortaleza da alma, limpa o espírito, leva à contemplação, torna modesto o arrogante e eleva os humildes, ama a pobreza.

Odeia a repressão dos que se movem por ganância. Por outro lado, ama a pessoa que dá ao pobre. Recompensa aqueles que vivem na simplicidade e fazem boas ações; e, por outro lado, não arrasta aqueles que são avarentos e iníquos das garras do pecado.

José Faria

PESCA DESPORTIVA

domingo, 14 de fevereiro de 2021

PEDALADAS CULTURAIS À PROCURA DAS RUPESTRES

 TREINO DESPORTIVO E CULTURAL
 À PROCURA DA IDADE DO BRONZE

Neste Dia dos Namorados e de primavera de inverno, a 14/02/2021, lancei a minha amiga bicicleta toda sorridente para a estrada. Só não dava ao rabo de contente, porque não tem rabo. A seu lado e depois em cima dela a pedalar, mandámo-nos lá para os lados de Águas Santas e Milheirós, por onde passa o nosso rio Leça.
De máscara a proteger a boca e o nariz por causa do bicho Covid, que por aí anda traiçoeiro e covarde a adoecer e a matar a torto e a direito, fizemos a primeira paragem fotogénica, precisamente nas margens desse rio que começa a cantar quando nasce do peito do monte Córdova.Tiramos umas fotos à velhinha ponte romana que há séculos, sem se constipar, continua firme de pés na água corrente do Leça. 

Depois de respiramos profundamente o ar sorridente a anunciar a fragrância das flores no porvir da próxima estação; seguimos em direção ao monte de Ardegães, onde reza a história, se dá pelo nome de Bouça da Cova da Moura, que curiosamente a população nas imediações desconhece. Isso mesmo constatei, sempre que perguntava a um ou outro residente, mesmo falando-lhes das gravuras rupestres e mamoas que com cerca de 5.000 anos aí foram encontradas, responderam sempre desconhecer a Bouça da Cova da Moura. (!?)
Foi por esse motivo que desafiei a minha bicicleta a acompanhar-me à bouça da Cova da Moura, de cujo local levei identificação em mapa e fotos.
Essa curiosidade e interesse em constatar vestígios dessas gravuras, das quais algumas se encontram gravadas numa rocha que foi levada e se encontra em exposição no Museu de História e Etnografia da Maia; são também motivação para ir ao encontro da natureza, eu e a ORBEA, num cultural passeio saudável e desportivo.
E por lá andamos, eu e a minha amiga ORBEA que adquiri em Guimarães com o meu amigo Carlos Silva.

Sobe monte, desce monte, espreita aqui, atenta acolá, mais penedos e mais pedreira, mas gravuras nem as ver. Nem um pequeno sarrabisco com cerca de 3.000 antes de Cristo, para amostra e minha felicidade. NADA!
A verdade é que a muita vegetação e sobretudo muito musgo sobre os penedos e grandes lajes de pedreira, podem estar a esconder esses vestígios.

No regresso e ainda na bouça da Cova da Moura, entramos por um carreiro que nos levou ao interior dum planalto com muitas covas. Talvez daí o nome de Cova da Moura. Parecia uma mini floresta de chão há muito não pisado, evidenciando grandes tapetes de fofo musgo esbranquiçado. 

Como não é coisa fácil de se encontrar nos dias de hoje, deixei que a Orbea se encostasse a um muito velho tronco apodrecido para a fotografar. Depois fotografei a alcatifa de musgo esbranquiçado e voltamos para a estrada em direção a Milheirós. Seguimos o rio Leça até parada, e daí à Caverneira, Sangemil. Já na nossa terra, seguimos pelo espaço de lazer da Casa do Alto em direção ao término da nossa aventura pedalante, numa desportiva, histórica e cultural, numa manhã de domingo a anunciar a primavera. (José Faria)