EM SÃO MIGUEL O ANJO

quinta-feira, 6 de maio de 2021

DESPERTAR 6

(In - O culto da incompetência)
 
o sentimento do respeito é o único que em si não engana”.
“Os velhos são a consciência da nação!”
Neste “despertar” o 6º, ainda debruçado a desfolhar as pequenas e velhas páginas amarelecidas de 1919, de “O Culto da Incompetência” de Émile Faguet, dei de caras com o despesismo das democracias sobre os mais velhos.
Continua-se em democracia, a desvalorizar e a abandonar os conhecimentos vividos e adquiridos pelos mais velhos e a sua importante complementaridade que deveria ser, na formação e educação dos mais novos.
Quando muito, a democracia vai concedendo aos velhos a subsistência, com reforma ou pensão, com base nas suas contribuições monetárias ao longo da vida de trabalho, ou com subsídio específico de sobrevivência e, assim, ficam “arrumados”.
Tudo quanto viveram, experimentaram, aprenderam e sabem, em democracia, deixa de ter qualquer interesse.
Isto também é falta de respeito por aquelas e aqueles que trabalharam uma vida inteira para a comunidade que agora os “encosta”.
Seja como for, a democracia não gosta nem quer ser questionada pelos mais velhos e, por isso, - “o velho não encontra na democracia uma amiga dedicada. Não se deve esquecer também, que a palavra gerontocracia (governação gerida por anciãos), que os antigos tomavam muito a sério e tinham a mais honrosa das significações, agora é tomada numa aceção ridícula e serve para designar o governo mais ridículo que possa existir no mundo, visto que é reservado aos velhos.”
A verdade é que o mal já não está só nessa falta de respeito de “arrumar” os velhos, como também a sua ausência nos locais de decisão de governação, permite generalizar-se ainda mais a falta de respeito, quando a democracia a exige, mas a aceita, a promove e a faz proliferar.

Já Kant (Immanuel Kant foi um filósofo prussiano), - “perguntando ao que é que deve obedecer-se, qual o critério para se reconhecer ao que em nós mesmos devemos obedecer, respondeu: - devemos obediência ao que em nós exija apenas respeito, ao que não nos exija amor sem medo, mas nos pareça respeitável. É por isso que o sentimento do respeito é o único que em si não engana.
Também na vida social só devemos obedecer aos sentimentos que exijam respeito, cumprindo-nos honrar e escutar os homens que no-lo inspirarem. Tal é o critério que devemos adotar, para sabermos a que e a quem devemos aplicar, se não a nossa obediência, pelo menos as nossas atenções e deferências.
OS VELHOS SÃO A CONSCIÊNCIA DA NAÇÃO.
É uma consciência severa, triste, impertinente, teimosa, escrupulosa, de mau génio, repetindo sempre a mesma coisa, não há dúvida; mas é uma consciência, ou melhor, É A CONSCIÊNCIA!”
Esta foi a abordagem de Kant, já muito discutida por outros filósofos relativamente  à democracia.
E o que se constata atualmente, já abordado e confirmado há mais de cem anos, a verdade é que – “não se respeitando a consciência, esta altera-se e corrompe-se; acaba por se fazer pequena, humilde, tímida, acanhada, falando só em voz baixa por ser impossível que ela se cale absolutamente.” (…/…)
E assim continua a acontecer à consciência cheia de  conhecimentos e de experiências vividas, mas “arrumadas”;  conhecimentos que não se transmitem aos mais novos, às novas gerações, porque a democracia assim o entende, para não ser “perturbada” e desmascarada pela sua falta de respeito.
José Faria

quarta-feira, 5 de maio de 2021

DESPERTAR 5

DESPERTAR - Parte 5

- Mantém-se em voga todo o legado,
- Nas comunidades, nada de novo;
- Em todos os governos e formas de estado,
- De soberano é somente o povo.
José Faria
✍🤔
(In - O culto da incompetência)
 
Continuando mergulhado na leitura do pequenino livro de Émile Faguet, de 2019, com o título “O Culto da Incompetência”, deixo-me borbulhar em pensamento de análise e de comparação dessa abordagem de há cem anos, com o que se passa comparar presentemente em 2021.
E por aqui se descobrem elevadíssimos pós e contras da democracia, e, na verdade, o que se constata, são mais os contras do que os prós, até porque, a democracia tem as suas próprias doenças e feridas, sempre infetadas pelos que dela se aproveitam. E são essas maleitas que permitem eleger e promover a incompetência, o oportunismo, o compadrio, a clientela partidária e a corrupção, em detrimento da competência e da promoção social global.
E todos sabemos que a incompetência, o oportunismo e outras qualidades mais nefastas socialmente, tudo fazem para branquear essas suas qualidades, explorando convenientemente e em demasia, as emoções mais sentidas do povo, colando-se por isso muitas vezes às questões religiosas.

E o povo, “a multidão, dá-nos bem a nota do que ela entende pelo valor moral de um homem. O valor moral do homem consiste para a multidão no facto desse homem sentir ou simular sentir, os mesmos sentimentos que ela sente; e é por essa razão que os seus efeitos são excelentes como elementos indicativos, preciosos como fontes de informação, mas detestáveis, ou, pelo menos, inúteis, portanto, também detestáveis como legisladores.”
Esta leitura e afirmação de 2019, também encaixa em 2021, com o que se passa na atualidade.

Atente-se, por exemplo, na fome, no desemprego, na desgraça e morte que a pandemia do covid 19 veio semear em Portugal e no mundo.
Ora, muitos eleitos do povo, que se dizem representantes e defensores do povo que os elegeu a nível local e regional, com o encerramento dos cemitérios devido à pandemia, não se preocuparam com a fome e o desemprego no concelho ou freguesia, mas sim e somente com a exploração do sentimento, da questão emotiva.
Acudiram onde menos é necessário acudir, dar luz e flores aos mortos, em detrimento de dar assistência e alimentação aos vivos.


“NÃO VENHA AO CEMITÉRIO, NOS ENFEITAMOS POR SÍ!”

Este foi o slogan de promoção política dos que praticam o Culto da Incompetência, e da incapacidade nos cargos para os quais foram eleitos, em muitas autarquias de norte a sul do país, porque deixaram ao abandono, à sua sorte e a fome, os vivos, e gastaram dinheiro do povo em ceras luminosas e arranjos de flores cheirosas para quem já não existe, não come nem cheira.
O grande problema é que em democracia “o povo adora a incompetência, não só porque não pode apreciar a competência intelectual, mas, porque vai acreditando na competência moral por um critério falso, como é natural, e o que mais estima nos seus eleitos, como o facto de se lhe assemelharem.”
– Por isso ainda se manifestam pobres esfomeados e desempregados e sem dinheiro, a agradecer as flores e as ceras luminosas no cemitério encerrado devido à pandemia:
- “Obrigado senhor presidente, muito obrigado… não tenho palavras!”
Claro que estas despesas de exploração do sentimento do povo, não para matar a fome ao povo, são custeadas com o dinheiro do povo, saem do orçamento do poder local. Mas o povo nem pensa nisso. E se pensa, ainda agradece.
Por isso, - “o povo é levado instintivamente a eleger homens e mulheres que tenham os mesmos hábitos, as mesmas maneiras e a mesma instrução que ele, ou, quando muito, uma instrução um pouco superior. O importante é que o eleito saiba sempre corresponder áquilo que quer o povo, sobretudo no que diz respeito às suas emoções, crendices e religião.
E é nesta conjuntura que o eleito se movimenta e que dá ao povo a ideia de competência, quando é exatamente o contrário.
Mesmo numa região onde tudo falta, o povo esquece o que lhe falta para elogiar a atitude do eleito, ou dos seus eleitos, só por colocarem flores e ceras a arder, substituindo-se aos fregueses no cemitério.
Na verdade, e por incrível que pareça, é profundamente real e subtil os procedimentos despesistas originados em democracia; Ora, -“se nos lembrarmos de que Aristóteles assemelhou a democracia no seu estado agudo à tirania, acharemos deveras interessante o quadro resumido e por ele traçado dos meios da tirania; - reprimir os que tenham qualquer superioridade, e que possam pôr em causa os eleitos incompetentes, escolhidos por amizade e por favoritismos político partidários, e não pelas suas qualidades e competências.
Segundo Rousseau, “A democracia triunfante colocou definitivamente o velho no mais baixo grau da consideração e esqueceu o que disse Montesquieu, que afirmou que” numa democracia não há nada que mantenha tanto os costumes sociais salutares, como a subordinação extrema dos mais novos aos mais velhos”.Pior do que isso, é que numa democracia, o Culto da Incompetência e a prática ou inércia que se pratica e se manifesta, tudo se faz para se manter longe e em silêncio, tudo e todos que possam pôr em causa essa inércia e esse CULTO DA INCOMPETÊNCIA.
José Faria

DESPERTAR 3

 

DESPERTAR - Parte 3

- Mantém-se em voga todo o legado,
- Nas comunidades, nada de novo;
- Em todos os governos e formas de estado,
- De soberano é somente o povo.
 
(In - O culto da incompetência)
Continuamos a verificar que é mais fácil eleger e promover a incompetência, do que a competência daqueles que, escolhidos ou eleitos, tem obrigação de dar disso provas e contribuir para o progresso da comunidade, local e nacional.
Com as eleições autárquicas à vista, já se vislumbra a incompetência ansiosa em ser eleita para usufruir monetariamente desse parti-me ou full-time autárquico, e de se dotar de poder sem competência.
Continuamos a assistir que os cidadãos mais sérios, honestos e capazes, não se metem nisso, porque não se querem misturar com tanto oportunismo, com a vaidade, a ostentação, com a mentira e hipocrisia.

Por isso, nada de novo. Estes compadrios e politiquices sem fundamento sério e servil, já em 1919 eram debatidos em “O Culto da Incompetência”, com intervenções e análises de Montesquieu, Aristóteles e outros filósofos entendidos nas organizações do poder das comunidades locais ou nacionais.
Por aí se faz a boa comparação entre esses poderes organizados (de estado) e por exemplo, com uma casa comercial ou industrial bem organizada e próspera.
Aí, cada um faz só o que aprendeu e o que é mais capaz de fazer; o operário tem a sua ação determinada, tal como o tem o guarda-livros, o administrador, o expedidor de encomendas, etc.; ninguém, certamente, se lembraria de mandar o guarda-livros desempenhar as funções de caixeiro viajante, substituindo-o na sua ausência pelo contramestre, por um artífice ou pelo próprio caixeiro viajante cujo lugar fora exercer.
Da mesma forma que uma sociedade bem constituída será, sem dúvida, uma sociedade em que cada órgão tenha a sua função bem precisa, isto é, em que aqueles que aprenderam a administrar administrem, os que estudaram jurisprudência façam leis ou corrijam as existentes, para que os que aprenderam legislação as apliquem, e em que não se não confiem as funções de carteiro a um paralítico.”
Ora, o que se verifica na atualidade (mais de cem anos depois), é que continuam a candidatar-se a estas organizações sociais do poder, local e nacional, com o apoio de Partidos Políticos, de compadrios e “seitas”, o oportunismo, a vaidade, a ostentação, a mentira, hipocrisia da incapacidade, pela ausência de conhecimento ou formação para os cargos políticos públicos a que se candidatam.
Melhor dizendo: continua a permitir-se e a promover-se o “Culto e o Desempenho da Incompetência” na gestão da causa pública.
José Faria
 

DESPERTAR 4

 


DESPERTAR - Parte 4
- Mantém-se em voga todo o legado,
- Nas comunidades, nada de novo;
- Em todos os governos e formas de estado,
- De soberano é somente o povo.
 
(In - O culto da incompetência)
“A MAIORIA DOS CANDIDATOS DO POVO SÃO INCOMPETENTES".

 
Refere o “Culto da Incompetência” na página 30, que a maioria dos candidatos para gerirem a causa pública, são incompetentes. E tem toda a razão:
Por exemplo – “o candidato a funcionário que se reconheça sem merecimento, facilmente compreende que só pelas suas opiniões políticas, conseguirá o que deseja, portanto, segue as opiniões que mais lhe convêm.” Depois, “o candidato a quem se reconhece valor, sabendo quase sempre muito bem o que faz o candidato sem valor, não querendo ser vencido, adota também as opiniões que lhe possam ser úteis.  Há aqui o que se chama de solidariedade do mal (…/…).
Desta forma, a maior parte dos candidatos escolhidos pelos mandatários do povo são incompetentes, e alguns dos escolhidos são medíocres de caráter, muito embora possuam aptidões técnicas.” (ou não).
Ora, se transportarmos estes pensamentos e análises do “Culto da Incompetência” de 1919, para 2021, verificamos que os frutos dessa análise, dessas afirmações, servem perfeitamente como uma luva nas escolhas que são apresentadas para o povo eleger, candidatos escolhidos mais pelo servilismo político partidário, do que pelas suas qualidades ou competência.
Pode até afirmar-se que na estirpe daqueles que se propõem a ser eleitos pelo povo atualmente, se infiltram noutros cargos, o que era impensável há cem anos. Pois os eleitos para determinado cargo, ficavam nesse cargo, com ou sem competência, bem ou mal desempenhavam-no, valendo-se de opiniões e apoios ao poder que os sustentavam. E assim, podiam colaborar e apoiar outras organizações do povo, como também de outras apoio e colaboração receberiam.
O que hoje acontece e que apesar da incompetência e das opiniões formuladas e servis, mais ao Partido Político do que ao povo que os elegem, ainda se envolvem noutros cargos de outros organismos, tentando assim, não só mostrarem-se entendidos em tudo, mas também como forma de controlar politicamente outros organismos.
E assim, elevado ao quadrado o Culto da Incompetência, fica-se com a ideia que o eleito é extremamente competente, pois tem vários cargos de serviço publico, (é presidente aqui, secretário acolá, administrador na outra, tesoureiro noutra diferente… mesmo sem habilitações literárias à altura), desdobrando-se em vários organismos do povo, mesmo que apenas a suas funções em todos eles sejam só de presença.
Pior do que disfarçar a incompetência, está o elevado prejuízo para o inexistente progresso e desenvolvimento social que se esperava para a comunidade, onde a incompetência explorando somente a emotividade do povo, o procura segurar, escondendo a sua incompetência para o cargo que foi eleito, assumindo ainda outros cargos e metendo o nariz em tudo sem qualquer contributo para a comunidade, nem no cargo para o qual o povo o escolheu. Mais grave ainda do que o “Culto da Incompetência”, é o parasitismo da política rafeiro.

José Faria

domingo, 2 de maio de 2021

SOMOS TU MÃE

O ontem está presente, não desiste,

Acompanha-nos na vida até à morte;

Esse momento mãe em que partiste,

Estará presente sempre em nossa sorte.

 

És história de nossa vida que resiste,

És a sina de teus filhos sempre forte;

Os cuidados que nos deste em nós insiste,

De não perdermos nunca o rumo Norte.

 

De tantas precauções que investiste,

Nos rebentos, a tua descendência;

Foram tantas que nessa luta te feriste.

 

Somos de ontem, somos sobrevivência,

Somos a força materna que resiste,

Somos tudo o que nos transmitiste.

 José Faria


RESSURREIÇÃO CONSTANTE

   

Ares de Primavera, de bonança,

Da terra a brotar o nosso sustento;

Do astro rei vem a esperança,

Do fruto da terra o nosso alimento.

 

Já a natureza se mostra de pujança,

Milagre da vida, do contentamento;

Que o homem não perca esta aliança,

Pelo seu valor e crescimento.

 

Desfrute-se a vida da terra a sorrir,

De humanidade em comunhão,

Desde a chegada até ao partir.

 

Numa existência em renovação;

Constante é a vida a florir,

Seja o humanismo o bem do porvir.

 José Faria

 

 

 

quinta-feira, 29 de abril de 2021

DIA MUNDIAL DA DANÇA

 

DANÇA DA VIDA

Não esqueças nunca a dança,
De movimento e alegria;
E não esperes festança,
Ou baile por liderança,
Envolve-te nessa magia.
Não precisas de mestria,

Só de sorriso e confiança;
E alguma coreografia,
E a graça da criança.
 
O caminho é uma dança,
Que se pratica na vida,
De toda a nossa existência;
 
A sobrevivência convida,
Essa é a nossa liderança,
Pois está na nossa essência.

José Faria

quarta-feira, 28 de abril de 2021

ADORMECIMENTO SOCIOCULTURAL ATUAL

 

DESPERTAR SOCIAL E CULTURALMENTE
É O MAIOR PROBLEMA DO PRESENTE

Quem ama o futebol ou o seu clube, mais que a sua própria família;
Quem ama mais o seu Partido político, mais que a sua própria família;
Quem ama mais os deuses, que nunca os viu e os desconhece, do que a sua própria família;
Quem vai na onda e é ludibriado pelo consumido fácil, supérfluo e exacerbado, e não se defende;
Quem acredita que os seus passos, a sua vida, o seu destino, não é da sua responsabilidade;
Quem acredita na lenda do pai natal e do menino Jesus uma vez por ano;
Quem elege e acredita em pacóvios, podres, ladrões e estragados, sem analisar as suas capacidades;
Quem anda a reboque dos outros e dos sistemas e não de si mesmo;
Quem ignorantemente acredita na utopia do político oportunista ou religioso charlatão;
Quem foge à responsabilidade de defender a sua própria dignidade;
Todas e todos quantos se encontram nestas condições, (e noutras semelhantes) contribuem para o adormecimento social e cultural,  de toda e qualquer comunidade humana.
 
- Minha opinião pessoal. - José Faria

 

terça-feira, 27 de abril de 2021

O CULTO DA INCOMPETÊNCIA

DESPERTAR

- Mantém-se em voga todo o legado,
- Nas comunidades, nada de novo;
- Em todos os governos e formas de estado,
- De soberano somente o povo.

 

- Princípios dos regimes de governação

“Como cada forma de governo deve ter um princípio, uma ideia geral que o inspire, tem sido constante objeto de curiosidade o determinar-se qual o regime que corresponde a cada um dos diversos governos que vão tomando ou ocupando o poder da governação.
Já Montesquieu dizia, por exemplo, que o princípio da monarquia é a honra, o do despotismo (governo absoluto e de prepotência), o terror e o da república a virtude, ou seja, o patriotismo, mas lembrando que os governos declinam e caem pelo excesso ou abandono do princípio em que se baseiam.

Semelhante asserção, embora paradoxal, é verdadeira. De facto, à primeira vista, não se compreende como o despotismo pode cair por inspirar terror excessivo, a monarquia moderada por desenvolver excessivamente o sentimento da honra, e a república por um aumento de virtude, e, contudo, repetimos, nada há mais conformidade que esta verdade.
O abuso do terror traz o esgotamento deste, pois quando se quiser lançar mão do terror, é necessário ter-se a certeza de que poderá ser sempre empregado.
Por outro lado, a honra nunca é demais; mas sempre que apenas se apela para esse sentimento e se multiplicam as dignidades, as distinções, os penachos, os galões, as honrarias… como estas não podem aumentar indefinidamente, suscitam a hostilidade dos que as não possuem e dos que, fruindo-as, nunca se consideram, todavia, suficientemente galardoados.  

Por isso, é fora de dúvida que a virtude e, especialmente, o patriotismo, por maiores que sejam, nunca são prolixos, sendo a queda dos governos, neste caso, devida mais ao abandono do que ao excesso do seu princípio basilar.
Apesar disso, quando se exige de um país excessiva dedicação, acaba-se por ultrapassar as forças humanas e estancar as mais pródigas virtudes.
Foi o que aconteceu exatamente com Napoleão, que porventura involuntariamente, teve exigências excessivas para a construção da França maior e mais grandiosa.
Apesar do governo de Napoleão ser uma república, pecou pelo excesso de sacrifícios exigidos aos cidadãos em prol da pátria, pois era mais uma república análoga à romana e à francesa de 1792. O seu lema era: “Tudo pela glória do país” e “heroísmo sempre e através de tudo”.
Por isso, a virtude cívica exigida excessivamente, acaba por se esgotar.
E é assim que os governos se arruínam pelo excesso como pelo abandono dos seus princípios fundamentais.” (…/…)

DESPERTAR - Parte 2

- Mantém-se em voga todo o legado,
- Nas comunidades, nada de novo;
- Em todos os governos e formas de estado,
- De soberano é somente o povo.
 
“Disse um dia Aristóteles a Montesquieu que “Os que creem ter encontrado a base de um governo, levam ao extremo as consequências do princípio que estabeleceram, ignorando que, embora o nariz, afastando-se um pouco da sua linha reta, de todas a mais bela, se transforme em aquilino ou arrebitado, conserva ainda parte da sua beleza; mas que, se o afastamento for excessivo, esta parte componente da pessoa perderá as suas justas proporções, podendo até dar-se o caso, de o nariz deixar de o ser.”
Esta comparação aristotélica aplica-se com muita propriedade a todos os governos.
Partindo destas ideias gerais, muitas vezes perguntamos a nós mesmos qual seria o princípio dos democratas no relativo ao seu governo interno, e não tivemos necessidade de empregar grandes esforços para percebermos que esse princípio era o culto da incompetência. (…/…)”

(Fragmentos de “O culto da Incompetência” de Émile Faguet, 1919.)
Por José Faria

sábado, 24 de abril de 2021

sexta-feira, 23 de abril de 2021

LENDAS DA MAIA


Prefácio

LENDAS DA MAIA POR FREGUESIAS

Nesta organização editorial constam todas as “antigas” 17 freguesias da Maia.

Para além das lendas existentes correspondentes a algumas delas, novas lendas criei que acrescentei às freguesias que as não tinham, complementando poeticamente todas elas, antigas e novas, com quadras descritivas de cariz popular.

A presente obra tem o propósito de contribuir para a divulgação da história cultural local, de forma a que haja sempre uma lenda para se contar, quando se fala de qualquer freguesia da Maia. As lendas são sempre agradáveis de se ler e de se ouvir, e podem-se manter vivas durante muito tempo, de geração em geração, sem perderem a pureza da verdade e da mentira envoltas em fantasia.

As lendas nascem da mesma forma que as estórias de ficção: “Diz-se que antigamente”, “era uma vez”, “reza a lenda”, “reza a estória…” e, quer na lenda, quer na estória, há cumplicidade na narrativa ou redação, logo a partir das primeiras letras e fábulas dos bancos da escola, tantas vezes a brilharem de mistérios, de emoção e fantasia, sobre situações irreais e sobrenaturais, com príncipes, princesas, anjos, santas e santos, e com milagres quase sempre presentes. 

Assim, das novas lendas, umas criadas outras recriadas, constam na freguesia de Pedrouços, (mais três novas), a “lenda do Boi Morto”, - a “lenda da Morte do Rapaz das Laranjas” (a partir do “consta-se” popular), e a “lenda do Ribeiro dos Amores”. Da freguesia de Milheirós, “Santiago e os Mouros”, - da freguesia de São Pedro de Avioso, “A Morte da Pastora Maya”, - da freguesia da Maia, a “lenda de D. Afonso Henriques e o Eremita”, e a “lenda da Morte do Lidador”. Da freguesia de Águas Santas, Ardegães, “Vozes da Cova da Moura”, - da freguesia de Nogueira, “lenda de Santo António e o Menino”, - da freguesia de Vermoim, “lenda de São Romão e os Leprosos”,- da freguesia de Vila Nova da Telha, “lenda das Pinhas de Ouro”, - da freguesia de Gondim, “Lenda do Divino Salvador”, - e da freguesia de São Pedro de Fins, “Lendas de São Pedro de Fins”.

O autor: José Faria


HOJE É DIA MUNDIAL DO LIVRO

POETA ESCRITOR PAPINIANO CARLOS

O escritor Papiniano Carlos viveu muitos anos em Pedrouços.

Entre muitas obras que escreveu, destaca-se “A Menina Gotinha de Água”.

Foi residente na habitação do gaveto da rua António Feliciano de Castilho, com a rua General Humberto Delgado, durante cerca de quatro décadas; foi um escritor democrata que acompanhou de muito perto a criação da freguesia de Pedrouços, antes e depois da sua desanexação da freguesia de Águas Santas, e o seu pulsar nas primeiras caminhadas desta nova região administrativa da Maia, a 17ª freguesia maiata criada em 1985.

Participou em vários eventos sociais, políticos e culturais que foram refrescando os primeiros anos de vida desta nossa freguesia.

Papiniano Manuel Carlos de Vasconcelos Rodrigues, nasceu em Lourenço Marques (atualmente Maputo), capital de Moçambique, no ano de 1918.

Foi um incansável promotor e divulgador da poesia africana de expressão portuguesa, tendo colaborado com muitas publicações literárias de relevante importância, como a Seara Nova, a Vértice, a Bandarra e as Notícias do Bloqueio, que eventualmente dirigiu.

Em 1942 publicou o seu primeiro livro, uma coletânea de poemas intitulada Esboço que, com os volumes que seguiram, como …

Ó Lutador (1944), Poema da Fraternidade (1945), e Estrada Nova (1946). Assim se foi destacando entre os poetas neorrealistas portuenses.

Estreou-se como contista em 1946, ao publicar Terra com Sede, prosseguindo as suas contribuições para o género com o híbrido As Florestas e os Ventos (1952).

Com uma obra poética bastante dispersa, caracterizada pela riqueza anafórica e pela redundância simbólica, compilou ainda alguns volumes de sucesso, como Caminhemos Serenos (1957), Uma Estrela Viaja na Cidade (1958) e o célebre A Menina Gotinha de Água (1962), vocacionado para o público infantil, pelo qual Papiniano Carlos nutria grande estima. Também para crianças compôs Luisinho e as Andorinhas (1977), O Cavalo das Sete Cores e o Navio (1980), O Grande Lagarto da Pedra Azul (1986) e A Viagem de Alexandra (1989). De referir também o seu único romance, O Rio na Treva (1975), e uma crónica, A Rosa Noturna (1961).

Aos dez anos veio viver com a mãe para o Porto e depois integrou-se na nossa comunidade de Pedrouços, onde faleceu a 05/12/2012.

De entre os eventos políticos, sociais e culturais com maior visibilidade na nossa comunidade, estão as comemorações de abril, algumas realizadas na Associação “Leais e Videirinhos de Pedrouços”, num tempo onde ainda não havia sede de junta nem auditório para eventos socioculturais e comemorativos.

Pois que, se um dia se vier a construir um Centro Cultural em Pedrouços, que lhe seja dado o nome de CENTRO CULTURAL PAPINIANO CARLOS.

CAMINHEMOS SERENOS

Sob as estrelas, sob as bombas,
sob os turvos ódios e injustiças,
no frio corredor de lâminas eriçadas,
no meio do sangue, das lágrimas
caminhemos serenos.

De mãos dadas,
através da última das ignomínias,
sob o negro mar da iniquidade
caminhemos serenos.

Sob a fúria dos ventos desumanos,
sob a treva e os furacões de fogo
aos que nem com a morte podem vencer-nos

caminhemos serenos.

O que nos leva é indestrutível,
a luz que nos guia connosco vai.
E já que o cárcere é pequeno
para o sonho prisioneiro,

já que o cárcere não basta
para a ave inviolável,
que temer, ó minha querida?:
caminhemos serenos.

No pavor da floresta gelada,
através das torturas, através da morte,
em busca do país da aurora,
de mãos dadas, querida, de mãos dadas
caminhemos serenos.

Papiniano Carlos

 

segunda-feira, 19 de abril de 2021

O REGRESSO DAS JUMENTINHAS

AS INVASÕES FRANCESAS

E A FUGA DAS JUMENTINHAS

terceira invasão francesa que teve início em julho de 1810 e terminou precisamente no mês de abril, mas em 1811, deixaram rastos de destruição e de “gamanço” por passaram.
Em Gueifães, do concelho da Maia, o exército francês, bem se abasteceu numa grande quinta de um senhor feudal, um ricaço maiato de renome. Aí pernoitaram, encheram a mula, roubaram tudo quanto quiseram e puderam transportar, até duas burritas levaram.


Mas as jumentinhas foram mais espertas do que eles, e piraram-se sem que eles dessem por isso, e segundo a lenda, compuseram o desfalque de que sofrera o grande senhor de Gueifães. Isto, fazendo fé na lenda de LENDAS DA MAIA.


domingo, 18 de abril de 2021

LENDA DE SÃO ROMÃO E OS LEPROSOS

Lendas da Maia - autor - José Faria

A ALMA RESISTENTE DA ÁRVORE FREIXO
E A LENDA PARA VERMOIM

Tal como o velho freixo venerado pelo povo, que se encontra em Freixo de Espada à Cinta junto da igreja matriz, também o secular freixo maiato frente à igreja de São Romão de Vermoim, faz parte destas cerca de 21 “velhas guardas” ainda existentes em Portugal.

Pela sua secular idade, o freixo de Vermoim, que mora frente à igreja,  poderá ter “assistido” ao nascimento de Joana D’Arc em 30 de maio de 1431, bem que poderia ter influenciado o nome desta terra onde nasceu e vive, que poderia chamar-se “Vermoim de Freixo ou Freixo de Vermoim”, como acontece com Freixo de Espada à Cinta, Freixial, Freixofeira, Freixieiro, Freixo de Cima, Freixo de Numão…

Freixo de Vermoím - Maia

Pode dizer-se que a árvore de freixo é maravilhosamente resistente e sagrada, que foi muito utilizada nos cultos das antigas religiões pagãs. Pelo menos eram sagradas para o povo Celta, escandinavo e grego.
Merece todo o nosso respeito até pela nossa saúde, tão indicada que é para nos tratar de muitas maleitas.
Além disso, reza a lenda, que D. Dinis terá adormecido à sombra de um secular freixo e que durante o sono o espírito da árvore lhe revelou o que deveria fazer para o bom futuro de Portugal.

Outra lenda relacionada com esta árvore, acrescenta que o Deus Odin (um Deus nórdico nomeado como o pai de todos), se enforcou num freixo, acreditando que assim atingiria a iluminação divina.

ÀS VOLTAS COM AS LENDAS DA MAIA

Ora, na procura e criação de lendas para as 17 freguesias da Maia, como em Vermoim também não encontrei nenhuma interessante e de interesse popular, baseei-me na história, na vida de São Romão e na memória do velhinho Freixo de Vermoim.

E assim, esta freguesia agora integrada na FREGUESIA DA MAIA, pela união das freguesias Gueifães, Vermoim e Maia, passa também a ter a sua lenda em LENDAS DA MAIA, a que dei título de “Lenda de São Romão e os Leprosos”.

José Faria