EM SÃO MIGUEL O ANJO

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

A ALMA DO AMANHÃ DA CRIANÇA

NO AMANHÃ DA CRIANÇA
VIVE A ALMA DA SOLIDARIEDADE
Pode-se dizer que a Instituição de Solidariedade Social “O Amanhã da Criança “, situada na Rua D. Afonso Henriques, nº 1916, no limite da freguesia de Pedrouços com a de Rio Tinto e de Águas Santas, nasceu da revolução de Abril de 1974, em Portugal.


Num período conturbado, de forte e natural procura do melhor caminho político democrático a seguir, depois de quase meio século de ditadura e ostracismo político, social e cultural; muitas foram as habitações e quintas devolutas ocupadas, quer para habitação de refugiados, quer para a criação de comissões e associações de moradores.
A partir desta data história, um ano depois da revolução, a 12/04/1975, a quinta onde se encontra "O Amanhã da Criança", depois de tantos anos de “abandono”, começou a dar os primeiros passos ao serviço das populações, de Pedrouços, Águas Santas e de Rio Tinto.

Esta Associação do povo criada para o povo, inicialmente a pensar nas crianças, ainda nos condimentos da Revolução do 25 de Abril, sempre viveu, vive; se desenvolveu e se desenvolve intensamente, sempre ao serviço do bem-estar das populações das regiões administrativas que lhe são envolventes, onde o desporto e as atividades cênicas e musicais se fizeram sentir nos primeiros passos da revolução, no tempo das musicas populares, tradicionais e de intervenção, até se instituir numa Associação de Moradores já com a designação de “O Amanhã da Criança”.

Sempre de forma empenhada e organizada na prestação de serviços sociais e de solidariedade social, em prol dos mais necessitados, chegou ao patamar de instituição de Utilidade Pública e de Instituição de Solidariedade Social.
Conforme consta do site da instituição https://www.acrianca.pt/historia
– “Inicialmente, a propriedade era pertença de uma família abastada de lavradores.


O proprietário não tinha descendentes diretos e por isso deixou a Quinta, em testamento, a um sobrinho seu, na condição de se rezar mensalmente uma missa pela sua alma, na capela aí existente.
Além disso, teria de ser distribuída, semanalmente, uma sopa aos pobres do lugar.
A vontade do doador foi respeitada pelo sobrinho. No entanto, assim que o seu tio faleceu, o herdeiro deixou de cumprir o prometido.
(Depois vieram suposições e as menções ao sobrenatural, às visitas do além…por isso,)
Reza a lenda que, por este motivo, a propriedade começou a ser assombrada por fantasmas.
O nome “O Amanhã da Criança” surgiu numa Assembleia Geral quando debatiam o futuro das crianças. Todos perceberam que tinham de ser criadas condições para que todas as crianças tivessem um amanhã."
Alguns dos fundadores da instituição foram:
- Arlindo Pereira Coelho - Arnaldo Sousa e Silvan - Firmino Ferreira Bessa - Jaime Silva - João Mário Patrício de Azevedo Sousa e Silva - José Manuel dos Santos Correia - Maria Eduarda Silva - Serafim António Sousa e Silva
DIRECÇÃO:
Presidente: José Manuel dos Santos Correia, Vice-Presidente: Leonel da Silva Oliveira Fonseca Tesoureiro: Eurico Gonçalves Martins, 1º Secretário: Vítor Alves Pereira Magalhães 2º Secretário: Pedro Miguel Soares Pereira, 1º Suplente: Manuel Correia 2º Suplente: Manuel Norberto de Sousa Gonçalves”.
Atualmente comporta uma elevada prestação de serviços humanos e de solidariedade, de assistência ao domicílio à comunidade; O Centro de Dia, Lar e Residência Sénior; Jardim de Infância e Creche, e demais valências sociais, de lazer, educativas e desportivas em prol da população.
De todas as instituições de que Pedrouços se pode e deve orgulhar, “O Amanhã da Criança” é sem dúvida a Instituição que sempre seguiu os seus princípios, crescendo, desenvolvendo, promovendo, fazendo, ajudando… solidarizando sempre com a sua ativa e constante intervenção, a resolução dos problemas sociais e humanos em prol da população.

Com convívios sociais, didáticos, de arte e ocupacionais sempre inovadores, complementados com visitas de lazer, turismo e de “fisioterapia dançante”, a comunidade sénior encontra ali uma nova vida, onde a solidão não entra.

Sempre que quiser visitar e tornar-se amigo/a desta exemplar instituição de Solidariedade, pode sempre, se o entender, visitar também a sua página no Facebook, para estar a par de todas estas grandezas humanitárias e de solidariedade entre gerações. em prol do início e https://www.facebook.com/associacaooamanhadacrianca/?ref=br_rs
Bem-haja a todos, direção, cooperantes, colaboradores, utentes, sócios e amigos, que fazem de O Amanhã da Criança, uma Instituição solidária de referência na Maia e no País.
O AMANHÃ DA CRIANÇA
É O Amanhã da Criança,
Filha da revolução;
Partilha de esperança,
Mui nobre instituição.

Onde a Primavera é criança,
Infantário, floração;
E o Outono de pujança,
É família e coração.

É de encontro e vivência,
Entre várias gerações,
Em solidário carinho,

Bem-estar é a valência,
De todos os corações,
Até do mais pequeninho.
José Faria

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

PAPINIANO CARLOS VIVEU EM PEDROUÇOS - MAIA

PAPINIANO CARLOS
De Pedrouços – Maia
Toda e qualquer comunidade humana, região administrativa… uma aldeia, concelho ou freguesia, tem todo o interesse (ou deveria ter) em divulgar e mesmo enaltecer, os feitos exemplares, sociais, humanistas, de solidariedade, artísticos dos seus concidadãos, presentes ou ausentes.
E Pedrouços tem muitas figuras para divulgar, a que a comunidade por várias razões e feitos, lhes deve prestar homenagem, ou, no mínimo, recordá-los de vez em quando para que a memória coletiva os tenha bem presentes.

Não vou informar nem enumerar ao Grupo todos esses bons cidadãos de que me lembro e reconheço, pois isso deveria ser serviço de um pelouro cultural local, mas trazer aqui, sempre que me desperte para tal, um ou outro de que tenha mais conhecimento.
Desta vez, trago-vos Papiniano Carlos.
Papiniano Carlos escolheu a nossa terra para viver. Juntamente com outros democratas, como Francisco Dantas, Manuel Borges e tantos outros, colaborou nas ações culturais promotoras da criação da freguesia de Pedrouços. Mas foi a literacia que mais o destacou, como escritor.
Entre muitas obras que escreveu, “A Menina Gotinha de Água” é a que mais popularidade ganhou.
Papiniano Carlos, residiu na habitação do gaveto da rua António Feliciano de Castilho, com a rua General Humberto Delgado durante cerca de quatro décadas.

terça-feira, 28 de janeiro de 2020

CASA DO ALTO - MAIA


"ERA A CASA DO MANEL DO ALTO".

Voltando aos propósitos destes registos e comunicação à nossa comunidade pedroucense, e sem sair deste diapasão sociocultural que é, ou deve ser o néctar da alma do Grupo; vou de novo recordar desmazelos maiatos e pedroucenses que, como diz o povo: “É DE BRADAR AOS CÉUS”
Isto porque “quem não se sente, não é filho de boa gente”.


Na verdade, não o posso negar.
A “Casa do Manel do Alto e os terrenos envolventes, estão-me na alma, na vida e na sola dos pés descalços desde criança.
Por ali andei em miúdo com os lavradores, pois morava ali a dois passos, na rua do Calvário, hoje “Plácido D’Abreu; convivi e troquei conversas com o Manel e com a Florinda; por ali acompanhei todas as obras de recuperação e de transformação do casarão agrícola, que há mais de cem anos era conhecido de Mansão da Colina; por ali fotografei tantas vezes o casarão quando me dirigia para o jornal, aproveitando as novas alterações das empreitadas e o andamento das obras; por aí fui escultor artesão entalhador; por aí colaborei e trabalhei voluntariamente na instalação de estruturas para o evento da água, de Leonardo da Vinci; por aí fotografei e escrevi o que me diziam os velhos e centenários sobreiros e carvalhos. Até conversas trocava, e ainda troco, com os dois “maganoeiros” velhinhos que me atiravam os magnórios ao chão, pequenos, negros e docinhos, para eu os comer, quando por aí andava de pé descalço. Por aí me encontrei com o grande Vieira de Carvalho, a quem entreguei as fotos e negativos (muitas como estas que aqui divulgo) para a exposição por altura da inauguração da Casa do Alto.


Depois, e ainda hoje, por aí me encontro e reencontro, recordo, vejo, respiro e suspiro, lamento o desleixo, a casa fechada, a escultura caída, o chão de musgo por falta de uso, a ausência de bebedouros ou casas de banho… O caminhar ponderado e pensativo, é mais pesado refletivo, e fala mais alto, em silêncio.
Mas continuo a frequentar, a escrever e a fotografar sobre este espaço, como quando, entusiasmado, por aí passava a caminho do Jornal da Maia.
A casa de receção, construída com obediência a uma estrutura condizente com a envolvência antiga, tem o respetivo alpendre, e outras caraterísticas, para não destoar com a sua localização e integração secular. Nisso o Prof. Dr. José Vieira de Carvalho, era exigente.



Esta casa (de receção, que nunca o foi) teve algumas serventias e valências. Chegou mesmo a servir aos futebolistas do FCP que por ali estiveram a estagiar ou numa outra ação clubística.
A Associação Desportiva e Cultural de Teibas, ali levou muitas vezes os seus eventos festivos e de aniversário, no tempo de Paulo Silva, sendo-lhe cedida a Casa para tal, como apoio de cozinha e BAR aos eventos.
Foi arrecadação dos eventos da Casa do Alto (e talvez ainda seja).
Como deixou de ter uma serventia ativa e presente, parecendo estar abandonada, os vidros das janelas começaram a ser partidos sucessivamente. O abandono promove o vandalismo. O abandono é o primeiro gesto de vandalismo.
As traseiras e debaixo do alpendre, servem de WC e para outros desvios sociais noturnos.
Para que não se partam mais vidros, todas as janelas foram entaipadas a madeira. E pronto. Já não partem vidros, porque não podem, só se servem do local (traseiras) para marginalidades, aventuras e WC.
Apesar de tantas carências nesta freguesia, desperdiça-se umas instalações como estas!?
Como tive lá oficina de artesanato no tempo do diretor José Carlos e de Vieira de Carvalho, por vezes alguns moradores questionam-me:
- Então agora aquilo não tem nada, está tudo fechado!?


- Não sei. Possivelmente será arrecadação da Casa do Alto. – Respondo.
Mas se mais me perguntassem sobre tudo aquilo que ali poderia ser, e que tanta falta faz a esta terra culturalmente pobre, possivelmente, responderia sempre… NÃO!






É o Centro Sénior de Pedrouços? – Não!
É a Esquadra da PSP de Pedrouços? – Não!
É a Sede dos Escuteiros de Pedrouços? – Não!
É o Centro Cultural e de Lazer? – Não!
É o Centro de Convívio de Reformados? – Não!
É o Centro de Artes e Ofícios? – Não!
É a Casa da Guarda? – Não!
É o Centro Cultural de Informática? – Não!
- Então aquilo não é nada? – SIM!

sexta-feira, 24 de janeiro de 2020

PRIMEIRO PRESIDENTE DA JUNTA DE PEDROUÇOS

O Primeiro presidente da Junta de Freguesia de Pedrouços
FRANCISCO DE ARAÚJO DANTAS.
Não foi fácil àquele nosso concidadão exemplar, farmacêutico democrata, comunista e homem do povo, criar e instalar a nova junta de freguesia de Pedrouços, sem sede, sem móveis, sem o mínimo de condições para a nova autarquia maiata funcionar.
A comissão instaladora alugára um segundo andar (de habitação) na rua Sacadura Cabral, esquina com a rua estreita dos Beirões. Aí deu a nova autarquia os primeiros passos. Depois mudou-se para a velha casa agrícola do benemérito Augusto Simões; e depois ainda, para o edifício da antiga escola feminina que dera lugar à Comissão de Moradores de Pedrouços criada em 1976, enquanto a casa de lavoura entrou em obras de recuperação e de transformação para sede da nova Junta de Freguesia do concelho da Maia.
Adiante....
Francisco de Araújo Dantas foi eleito o primeiro presidente desta nova freguesia maiata em 1987, logo que a Comissão Instaladora terminou os seus trabalhos.
Como referi, carregou sobre ombros todas as tarefas possíveis e imaginárias necessárias à criação desta nova Junta de freguesia, sem condições nenhumas, para além da habitação alugada para o efeito e os cadernos eleitorais já criados com a devida separação de Águas Santas.
Defensor de outras alternativas políticas de desenvolvimento e justiça social, contrárias às instaladas na maioria do concelho, Francisco Araújo Dantas nunca baixou as mangas, como homem do povo, presidente de todos e farmacêutico dos pobres.
Soube sempre resistir e contornar as barreiras de políticas sociais e partidárias antagônicas às que defendia.
Dos poucos meios de que dispunha foi conseguindo a pouco e pouco por a nova freguesia a andar, com algumas dificuldades, tantas vezes criadas pelos adversários políticos ligados ao maior poder de então e ainda hoje em vigor.
Para além da falta de infra estruturas, de habitação social, de arruamentos e de um ordenamento adequado ao desenvolvimento desta nova região administrativa, a construção de um cemitério local era uma necessidade urgentíssima, pois começara a haver "recusa" de funerais para o da freguesia "mãe" de Águas Santas.
E apesar das dificuldades encontradas e que lhe eram oferecidas, o primeiro presidente conseguiu dar a volta por cima e ficar-se a rir, conseguindo a colaboração de meios humanos (militares) e maquinaria da Engenharia Militar que lhe aprontou o novo cemitério para a população da nova freguesia de Pedrouços.
E como quem não se sente não é filho de boa gente, não podia deixar de testemunhar isso mesmo no meu primeiro livro ” Contos e Versos do Meu Caminho”, sobre esse homem enorme em humanismo, simplicidade, honestidade e em solidariedade, amigo de Pedrouços, da minha terra e da minha gente, onde foi primeiro Presidente.
FRANCISCO ARAÚJO DANTAS
Foi em Pedrouços primeiro presidente,
Renovador da nova freguesia,
Amigo e dedicado à minha gente,
Nobres gestos semeou com alegria,
Cuidando o progresso, exigente.
Integro: teimava e conseguia!
Solícito: foi sempre presente!
Com a força social que oferecia,
Obra criou com a sua teimosia.

Até para o cemitério que não havia,
Resistiu e contornou qualquer boicote;
A obra que Pedrouços merecia,
Usufruto depressa conseguia,
Já que a ajuda militar serviu de mote
Oferecendo tropas e mais-valia.

Doada por trabalho militar,
A entrega da sua engenharia,
No terreno todo a preparar,
Trouxe o campo santo à freguesia.
Atento o presidente a acompanhar
Soube dar essa obra à freguesia.
José Faria

LEVANTA-TE PEDROUÇOS DA MAIA

Pedrouços está dormente, ainda deitado,
Só em Setembro desperta religioso;
E vai na procissão mas mais ensonado,
Depois volta a adormecer muito deleitoso.
Fica para todo o ano medicado, Com a alegria de festa e algum gozo;
Nas missas e rezas já mais educado,
Aguenta mais um ano, mesmo penoso.
E volta-se à rotina na freguesia,
Nesta terra às portas do progresso,
Gerida por lavradores sem semente;
Tudo fazem por vaidade e mais-valia
Para seu enriquecimento e sucesso,
Só os votos querem desta gente.

A FEIRA DE PEDROUÇOS



A feira ainda é a GRANDE  mais-valia desta freguesia. Todas as terças feiras em que se realiza, desperta a comunidade para ir à feira, e seja muito ou pouco a comprar, a vontade de ir à feira à terça-feira é, em muitos, maior do que a necessidade de compras. É a única forma agradável, social e comercial, que os meus compatriotas pedroucenses tem de se verem e cumprimentar. E se essa terça-feira for de sol, de lindo dia, então o mercado de Pedrouços enche-se de povo maiato, mas também da cidade do Porto, do concelho de Gondomar e até de Matosinhos, concelhos envolventes desta terra.

A feira de Pedrouços já teve uma importância comercial muito maior, em tempos que a agricultura e a criação de gado eram uma realidade por toda a parte.

A FEIRA DE GADO, que ocupou durante muitos anos aquele espaço de terreno superior ao do mercado atual, onde se encontram atualmente os depósitos de abastecimento de água à freguesia, era frequentada por lavradores e criadores de gado vindos de muitas paragens, de quase toda a zono do Douro Litoral.


Quando, já fraca e menos concorrida, acabou, dando lugar aos depósitos. Depois ainda tentou sobreviver no terreno onde é hoje o cemitério, mandado construir ainda durante o mandato do primeiro presidente da nova junta de Freguesia, Francisco de Araújo Dantas, um farmacêutico solidário e amigo do povo.
Vários eventos comemorativos aí se realizaram no seu tempo, inclusive, num deles, teve a presença do fadista Carlos do Carmo a animar o povo à procura de progresso na sua nova freguesia.
A data da elevação do lugar de Pedrouços a freguesia, foi dada a uma rua lateral à feira, e no seu interior destacam-se também registos referentes a esta comunidade maiata às portas da cidade do Porto.

Um espaço que requer mais atenção, preservação e vigilância, para se evitar, à falta desses cuidados, a degradação e o vandalismo que já se vai manifestando.
José Faria

quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

DIPLOMA DE SANGUE NA PALMA DA MÃO



O GRANDE GOLPE DE ESTADO
Foi numa madrugada, disfarçada
E em noite bem escura, mas segura,
Que a tropa sem dormir, pôs-se a ouvir
Duas canções bem diferentes, convincentes,
Como sinal combinado, preparado,
Para um golpe eficaz e bem capaz
De derrubar um governo, quase eterno
De quarenta e tal anos, de tiranos
Que uns bons lucros obtinham, pois convinham
À vivência da abundância, e ganancia
Do monopólio de estado, descarado
Obtendo ainda mais bons capitais.
Que o povo não aceitou, pois se juntou
Ao grande golpe de estado, preparado,
Para se poder impor, com vigor
Para que uma estrutura bem segura
Ao povo seja dada, e conservada
Instruindo-o no saber, para conhecer
As razões de governar, e poder dar
Um voto de confiança, e de esperança
Ao nosso portuguesismo, sem fascismo.
Pois o povo português com altivez,
Lutando pela liberdade, com vontade,
Jamais será vencido, se unido
Num abraço imortal…
E souber morrer abraçado a Portugal.
Orestes Vladimiro

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

A COMPLEXA DOENÇA BIPOLAR


SE DENUNCIARES ERROS DE PESSOA COM DOENÇA BIPOLAR,
ELA VIRARÁ AS PESSOAS CONTRA TI PARA TE CALAR.

O transtorno bipolar é uma doença mental marcada por mudanças de humor extremas. O período em que o estado de humor é elevado e expansivo é conhecido como mania. Já o de tristeza ou desespero é classificado como depressão. No entanto, as mudanças de humor podem mesmo misturar-se, com os doentes a sentirem-se eufóricos e deprimidos em simultâneo.
Em Portugal estima-se que existam cerca de 200 mil casos diagnosticados.
No transtorno bipolar (chamado anteriormente de doença maníaco-depressiva), os episódios de depressão se alternam com episódios de mania, ou uma forma menos grave de mania chamada hipomania. A mania caracteriza-se por atividade física excessiva e sentimentos de euforia que são desproporcionais a qualquer situação.
Doença Bipolar, tradicionalmente designada Doença Maníaco-Depressiva, é uma doença psiquiátrica caracterizada por variações acentuadas do humor, com crises repetidas de depressão e «mania». Qualquer dos dois tipos de crise pode predominar numa mesma pessoa sendo a sua frequência bastante variável.
SINTOMAS E CARACTERÍSTICA
  • Irritabilidade extrema; a pessoa torna-se exigente e zanga-se quando os outros não acatam os seus desejos e vontades;
  • Alterações emocionais súbitas e imprevisíveis, os pensamentos aceleram-se, a fala é muito rápida, com mudanças frequentes de assunto;
  • Reação excessiva a estímulos, interpretação errada de acontecimentos, irritação com pequenas coisas, levando a mal comentários banais;
  • Aumento de interesse em diversas atividades, despesas excessivas, dívidas e ofertas exageradas;
  • Grandiosidade, aumento do amor-próprio. A pessoa, pode sentir-se melhor e mais poderosa do que toda gente;
  • Energia excessiva, possibilitando uma hiperatividade ininterrupta; “ (…/…

(Enxertos de vários sites com propósito coadjuvante de divulgação.)

https://www.adeb.pt/pages/o-que-e-a-doenca-bipolar

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

O SOM DO VENTO

  VOZES DE NINGUÉM
Anda um som por aí no ar,
No ar anda uma voz também;
Não é voz de se falar,
É uma voz de ninguém.

Chega mesmo a assobiar,
E como assobia tão bem;
É como um lamento a passar,
Num constante vai e vem.

Por entre as brechas das casas
Das janelas e telhado,
Sacode árvores do jardim,

Estas falas que tem asas,
Andam de lado para lado,
O vento sempre foi assim.
José Faria

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

CONTOS DE MIGUEL TORGA


 A RESSURREIÇÃO
De Miguel Torga
Gostei tanto de ler os “CONTOS DA MONTANHA” DE Miguel Torga, que me dei ao cuidado de aqui transcrever um “pedaço” inicial de uma dessas narrativas.

- “Não há em toda a montanha terra tão desgraçada e tão negra como Saudel. Aquilo nem são casas, nem lá mora gente. São tocas com bichos dentro.
Apesar disso, Cristo Nosso Senhor, aos domingos, digna-se visitar a aldeia na pessoa do padre Unhão, que vem rezar missa ao nascer do sol. O padre apeia-se da égua, assoa-se a um lenço tabaqueiro encardido, tosse, dá duas badaladas no sino e entra numa igreja tão escura e tão gelada, que se lembra sempre duma pneumonia dupla. Diz o intróito com muita solenidade, sobe as escadas de granito, lê, treslê, vira-se, volta-se, benze-se, e, por fim, prega.
É sempre uma descompostura de cima abaixo: que ninguém presta. Que os pais são assim, que as mães são assado, que as filhas são porcas, que os filhos são brutos, que é tudo uma miséria.
Saudel, abismado, ouve. Depois, à saída, pôs-se a ruminar. Quem irá dizer lá em cima tão mal do povo? Os homens cavam de manhã à noite, as mulheres parem quantas vezes a Virgem Maria quer, os rapazes e as raparigas vão com o gado… Quem irá meter coisas daquelas nos ouvidos de Deus?
Seja quem for, o certo é que no domingo seguinte, Nosso Senhor, sempre pela boca sem dentes do abade, recomeça a ralhar: “Que o fim do mundo está perto e que não haja ilusões. Todos para as profundezas do inferno! Os velhos, as velhas e os novos. Ficam só as ovelhas.
Saudel, aí, desespera. Chora umas lágrimas negras, barrentas, e geme como quem uiva.
Os rebanhos na serra sem pastor! O que teriam dito de Saudel no céu!
E o pior é que nem o próprio padre Unhão descortina saída para semelhante calamidade, depois da falência do remédio que tentou. Seguro de que a misericórdia divina tudo pode, resolveu salvar o desterrado lugarejo e a sua endemoninhada gente, através de um ato coletivo de expiação. Endoenças. Estava a Semana Santa à porta. Realizasse o povo Endoenças e remisse os pecados na dor e na oração.
Saudel, lanzudo como os carneiros, nem sequer percebeu o que eram Endoenças.
E foi preciso o padre explicar. Eram a Paixão e a Morte do Nosso Senhor Jesus Cristo, representadas ao natural. (…/…)”
- E pronto. Nem me atrevo a descrever mais deste conto de Miguel Torga. É muito interessante, mas ao fazê-lo, lembro e relembro e tenho sempre presente e perturbantemente, aquele sermão, aqueles sermões continuados e cansativos e repetidos diariamente, em cinco dias de festa religiosa e profana da Senhora da Natividade. Pois da mesma forma que em Saudel o padre Unhão falava como um pastor para as ovelhas, da mesma forma bufam, tossem e cospem os altifalantes espalhados pelas ruas da minha aldeia maiata às portas da cidade do Porto.
José Faria

terça-feira, 14 de janeiro de 2020

OS ROMANOS EM TERRAS DA MAIA


BRÁCAROS OU CASTREJOS
E a província da Terraconense que incluiu as Terras da Maia

Imperador Augusto
Recuando ao ano 137 a. C. encontramos passadas dos romanos por terras da Maia. E é consultando os estudos sobre esta terra, levados a efeito por Carlos Alberto Ferreira de Almeida, que encontramos, entre outros povos que por aqui habitavam, os romanos que a eles se se sobrepuseram e os subjugaram às suas ordens, leis e organização.
Neste contexto, refere Carlos Almeida em a “Conquista Romana e Organização Política”:
-“Foi no rescaldo das guerras com os Lusitanos que Décimo Júnio Bruto veio subjugar os povos que habitavam a zona portuguesa a Norte do rio Douro. Saiu de Olisipo, atual Lisboa, por itinerário cuja demarcação está cheia de problemas. E foi nessa altura, no ano 137 a. C., que passa o rio Douro e o rio Lima e, quando ia a transpor o rio Minho, os povos Brácaros atacaram a retaguarda do seu exército. Virando-se de novo contra eles, subjugou-os. 
Mas a bravura que mostraram com as mulheres a combater ao lado dos homens, as quais para fugirem à escravidão matavam os próprios filhos e se suicidavam, espantou os romanos, como refere Apiano.
É evidente que nestes brácaros estão incluídos os povos que, no tempo, habitavam a zona das Terras da Maia. Brácaros ou castrejos lhes podemos chamar. Mas nunca lusitanos.

Esta expedição em época tão antiga sem que antes apareçam, em cena de guerra, os povos que habitavam o Noroeste, segundo o parecer acertado do Prof. J. Maria Blazquez, não teria outra finalidade senão a busca de ouro e prata em que estes povos eram ricos. Seria ainda, acima de tudo, por interesse nos metais preciosos, para poder efetivar uma exploração maciça das minas de ouro da zona, que Augusto se decide pelas campanhas pacificadoras do Norte e Noroeste da Hispânia. Estas guerras duram do ano 25 a 10 a. C..
Uma legião atuaria, segundo Schulten, a partir de Braga. Após a pacificação, e ainda devido aos particulares interesses imperiais nas minas de ouro na Gallaecia, o Noroeste e com ele a zona da Maia, é incorporado na província da Terraconense.
Pausa do historiador ciclista solitario
A cidade de Braga é equiparada a colónia, recebe o epíteto de augusta e torna-se cabeça de um conventus, o bracaraugustanus, em que se abrangem as Terras da Maia.
Esta divisão, o conventus, tem sobretudo importância jurídica e militar.”
De regresso a Pedrouços - Maia
O facto de trazer aqui, e aqui registar no meu blog, este apontamento, entre outros já postados também sobre a história dos povos do passado, prende-se com este gosto, entusiasmo e curiosidade que que o assunto em mim desperta. Por essa razão, tenho inclusive elaborado poesia descritiva sobre determinados locais romanizados, como pontes, castros, citânias, calçadas e marcos miliares, e as fotos condizentes. 

         CITANIA DE SANFINS

José Faria na Citânia de Sanfins de Ferreira

A Citânia de Sanfins fui visitar,
E levei mais que um objetivo,
O primeiro de contribuir, a divulgar,
O segundo, por um treino desportivo.

Lidador da Maia
De bicicleta, desde a Maia a pedalar,
Foi meu gesto primeiro, imperativo;
Para aí a história versejar,
Do que foi esse tempo primitivo.

É dever do saber atualmente,
Conhecermos as origens do passado.
Sobre as vidas do povo ascendente;

No futuro estará o meu legado,
Que desejo seja respeitado;
Como o faço hoje no presente,

Esse partir à descoberta e pesquisa de vestígios dos nossos antepassados, são, na maioria das vezes, razão, motivo e pretexto para o passeio desportivo e ciclístico, pela saúde e bem-estar físico e intelectual.
José Faria