sexta-feira, 15 de novembro de 2024

MEMÓRIA A ALFREDO MOREIRA - FONTINEIROS DA MAIA

 

ALFREDO MOREIRA É UMA REFERÊNCIA
HISTÓRICA DOS FONTINEIROS DA MAIA

Alfredo Soares Moreira, aguasantense de quatro costados e de muitas profissões exercidas, foi um dos fundadores e dirigente, durante muitos anos, da Associação Cultural e Recreativa “Os Fontineiros da Maia”, com quem muito convivi e partilhei a sua paixão ao folclore maiato de Águas Santas.


Com ele dialoguei (entrevistei) muitas vezes para reportagens sobre festivais de Folclore, usos, costumes, trajes e danças, que divulgava no então Jornal da Maia, do qual eu era redator, no tempo do seu diretor José Maria Meneses Lopes.

Sócio número dois da coletividade, dedicado e apaixonado, dirigente e organizador dos festivais de folclore e da participação dos “Fontineiros” noutros festivais a nível nacional e no estrangeiro, Alfredo Moreira foi também um poeta maiato.

Com ele e por ele, com a preciosa colaboração de Daniel Carvalho, criou-se uma tertúlia de poesia na sede desta coletividade, a que se deu o nome de “Fonte de Leitura e Poesia”, a que Alfredo Moreira participou na leitura e declamação da sua poesia, pois foram os seus concursos de “QUADRAS DE NATAL”, que motivaram o aparecimento da tertúlia de poesia.

São memórias que estão nas raízes e alicerces culturais da Associação Cultural e Recreativa “Os Fontineiros da Maia”, em Águas Santas.

Por essa memória e pelo dinamismo da atual Direção, e pela diversidade das atividades socio culturais que aí se praticam diariamente em prol da polupação de todas as idades, dei-me ao cuidado da divulgação deste registo, pela gratidão e respeito àquele meu amigo e grande pioneiro que foi ALFREDO MOREIRA…dos Fontineiros.


“A Associação Cultural e Recreativa " Os Fontineiros Da Maia" foi fundada em 1951. Foram quatro os seus fundadores: Serafim Moreira Maques ( Serafim bonitinho), Alfredo Soares Moreira (Fredo do castelo), José Teixeira Da Cunha (Zé da cunha), e Manuel Marques Correia (Copete).”

José Faria

 

quinta-feira, 31 de outubro de 2024

Pontes de "Arkadiko" nas margens do rio Leça(!?)


CURIOSIDADES MICÉNICAS
NO PARQUE FLUVIAL DE ALVURA

Inaugurado recentemente, o aprazível e tranquilo Parque Fluvial de Alvura, na margem esquerda do rio Leça em Milheirós, evidencia estruturas que nos parecem com as pontes de Arkadiko, as mais antigas da Europa, que se reportam aos séculos XIV e XI a.C.


Podem até nem ser pontes de travessia Arkadiko, mas a sua estrutura é exatamente igual a essas tão antigas pontes, com espaços identicos de largura para possibilitar as travessias, como nas de Arkadiko.
O facto de se encontrarem nas margens do rio Leça, ao lado de um montado por onde desceriam as águas há séculos, para por debaixo delas passar, lembram-me os planaltos de monte, próximos do rio Leça, lá mais para a sua nascente, onde se encontram ruínas castrejas, como o castro de monte Padrão, ou de Sanfins de Ferreira.
Se há ou não vestígios, ou ruínas castrejas nesse montado junto a este novo parque em Alvura, penso que ninguém sabe, pois nunca se viu por aí escavações à descoberta.
Mas não deixam de ser curiosas e intrigantes estas estruturas, tão idênticas à ponte micénica dos séculos XIV e XI a.C.

Até por motivos de curiosidade e descoberta, de procura de tranquilidade, de caminhadas e de manutenção física, não deixe de visitar e de respeitar este parque integrado no projeto global de três concelhos, designado de “Corredor do Rio Leça”, bem preenchido de muitas e novas árvores, junto ao rio cujas águas de tão conspurcadas e poluídas, são o único e desagradável inconveniente.

“História sobre a “Ponte Arkadiko”: É a ponte mais antiga da Europa que ainda está em uso hoje! Está localizado na aldeia Arkadiko do Peloponeso, Grécia! Datada da Idade do Bronze grega, construída pelos micênicos por volta de 1300 a.C., é uma das mais antigas pontes em arco ainda existentes e em uso hoje. Originalmente, foi construído para ligar a antiga cidade de Epidauros a Micenas e, portanto, fazia parte de uma rede rodoviária militar.

José Faria

quinta-feira, 3 de outubro de 2024

COMBOIO POÉTICO A GUIMARÃES

 

MEMÓRIA E SAUDADE
Das tertúlias poéticas culturais
Da Galeria Vieira Portuense
Das Coletâneas e dos convívios
de poetisas e poetas em digressão,

PASSEIO SOCIAL POÉTICO
DE COMBOIO A GUIMARÃES


Teve o seu início em São Bento,
A tertúlia do poema e da amizade;
De convívio e entretenimento,
E de almoço na nobre cidade.
                                                                 
Segue por Campanhã e Contumil,
Vai a voz se afinando nas gargantas;
Juntam-se palavras sorrindo de baril.

Cintilam de frescura em Águas Santas.
Está em movimento a poesia,
Tem muito para contar na algibeira,
Já se ouve a voz da Galeria,
Junto à estação da Palmilheira.
 
“Ó musas, prestem homenagem,
A este comboio d’alma vinde;
Ainda estamos no começo da viagem,
Que teve início antes de Ermesinde.”
 
Vai cheiinha de poesia a carruagem,
E continua alegre, em movimento;
Mesmo tendo travado na Travagem,
Esta arte contínua em crescimento.
 
Já espera Guimarães, nossa chegada,
E a palavra deste grupo luminoso;
De estação a estação declamada,
Onde se inclui a de São Frutuoso.

Amam paisagens, pura natureza,
São palavras de alma e do coração;
Cheias de vida de toda a pureza,
Neste caminho por São Romão.
 
A arte de rimar ou não rimar,
Forma de escrever que arte revela;
Tenha chave ou não para entrar,
Passa também o apeadeiro da Portela.
 
No poema há também doce mensagem,
Que a si se sustenta e filosofa,
E vai em passeio nesta carruagem,
Semeia a sua escrita ao passar à Trofa.
 
A arte de dizer, ler e declamar,
Deixou outra estação, outro povoado,
Vão em excursão, andam a viajar,
Tiveram paragem também em Lousado.
 
Tem o nosso comboio, nova paragem;
E como abelhas em redor do cortiço,
Recebe mais passageiros na viagem,
Na agitada estação de Santo Tirso.
 
Todos sentados, o mesmo destino,
Alguém de pé vai declamando;
Vão sobre trilhos, é esse o caminho,
Passam a Caniços lendo e pensando.
 
Há entusiasmo na literacia,
No som de vozes agudas e graves;
Poetas e poetisas da Galeria,
Já se aproximam da Vila das Aves.
 
Esvoaçam palavras nas carruagens,
Viajam em convívio e brincadeira;
Os pensamentos de várias cunhagens,
Fazem uma pausa em Giesteira
 
Andam no ar letras animadas,
De paz, de pombas e andorinhas;
Rimam em frases declamadas,
Tão divertidas em Pereirinhas.
 
E seguem caminho, vão deslumbrantes,
O seu sorriso dá gosto vê-lo;
E já se ouve nos altifalantes,
“A próxima paragem é a de Lordelo!”
 
Soltam a poesia com asas ao ar,
Mais a criação que lhe sai da nuca;
Vem no comboio, andam a viajar,
Passam também no lugar de Cuca.
                                      
Perto do final, quase avistado,
Entre a paisagem de aguarela;
Mais quatro estações e é terminado,
Mas ainda falta passar a Vizela.
 
Só a doçura da palavra em flor,
É fruto e fragrância que bem cheira;
Criada pelas mãos do criador,
No passeio que passa a Nespereira.
 
Esta é a excursão d’arte e amizade,
Vestida de paisagens sempre novas;
Vai a Guimarães, à nobre cidade,
E deixa poesia na estação de Covas.
 
A primeira viagem é terminada,
Que a poesia tanto nos oferecera;
A mesa do repasto está preparada,
D. Afonso Henriques já nos espera.

quarta-feira, 25 de setembro de 2024

ÁRVORES DO ALENTEJO DE FLORBELA ESPANCA, no caminho de Santiago.

Árvores do Alentejo
Ao Prof. Guido Battell

Horas mortas... Curvada aos pés do Monte
A planície é um brasido... e, torturadas,
As árvores sangrentas, revoltadas,
Gritam a Deus a bênção duma fonte!

E quando, manhã alta, o sol posponte
A oiro a giesta, a arder, pelas estradas,
Esfíngicas, recortam desgrenhadas
Os trágicos perfis no horizonte!

Árvores! Corações, almas que choram,
Almas iguais à minha, almas que imploram
Em vão remédio para tanta mágoa!

Árvores! Não choreis! Olhai e vede:
– Também ando a gritar, morta de sede,
Pedindo a Deus a minha gota de água!


Naquela janela virada para o mar. Canta peregrino no caminho de Santiago

Aquela Janela Virada Pro Mar

Cem anos que eu viva não posso esquecer-me
Daquele navio que eu vi naufragar
Na boca da Barra tentando perder-me
E aquela janela virada pró mar
 

Sei lá quantas vezes desci esse Tejo
E fui p'lo mar fora com alma a sangrar
Levando na ideia os lábios que invejo
E aquela janela virada pró mar
 

Marinheiro do Mar Alto
Quando as vagas uma a uma
Prepararem-te um assalto
P'ra fazer teu barco em espuma

Reparo na quilha bailando na crista
Das vagas gigantes que o querem tragar
Se não tens cautela não pões mais a vista
Naquela janela virada pró mar

Se mais cais houvesse, mais portos correra

Lembrando-me em noites de mar e de luar

E os olhos gaiatos que estavam à espera
Naquela janela virada pró mar

Mas quis o destino que o meu mastodonte
E já velho e cansado viesse encalhar
Na boca da barra e mesmo defronte
Naquela janela virada pro mar

Marinheiro do mar alto
Olha as vagas uma a uma
Preparando-te um assalto entre montes de alva espuma
Por mais que elas bailem numa louca orgia
Não trazem desejos de me torturar
Como aquela doida que eu deixei um dia
Naquela janela virada pró mar

Tristão da Silva


"Solo le pido a Dios" dirigido ao apóstolo Santiago.

Sólo le pido a Dios

León Gieco

Sólo le pido a Dios
que el dolor no me sea indiferente,
que la reseca muerte no me encuentre
vacío y solo sin haber hecho lo suficiente.

Sólo le pido a Dios
que lo injusto no me sea indiferente,
que no me abofeteen la otra mejilla
después que una garra me arañó esta suerte.

Sólo le pido a Dios
que la guerra no me sea indiferente,
es un monstruo grande y pisa fuerte
toda la pobre inocencia de la gente.
Es un monstruo grande y pisa fuerte
toda la pobre inocencia de la gente.

Sólo le pido a Dios
que el engaño no me sea indiferente.
Si un traidor puede más que unos cuantos,
que esos cuantos no lo olviden fácilmente.

Sólo le pido a Dios
que el futuro no me sea indiferente,
desahuciado está el que tiene que marchar
a vivir una cultura diferente.

Sólo le pido a Dios
que la guerra no me sea indiferente,
es un monstruo grande y pisa fuerte
toda la pobre inocencia de la gente.
Es un monstruo grande y pisa fuerte
toda la pobre inocencia de la gente.


Peregrino de Santiago cantando "Guantanamera" no bosque com os corvos.

Guantanamera

Yo soy un hombre sincero
De donde crecen las palmas
Yo soy un hombre sincero
De donde crecen las palmas
Y antes de morirme quiero
Echar mis versos del alma

Guantanamera Guajira Guantanamera
Guantanamera Guajira Guantanamera

Mi verso es de un verde claro
Y de un carmin encendido
Mi verso es de un verde claro
Y de un carmin encendido
Mi verso es un ciervo herido
Que busca en el monte amparo

Guantanamera Guajira Guantanamera
Guantanamera Guajira Guantanamera

Cultivo la rosa blanca
En junio como en enero
Cultivo la rosa blanca
En junio como en enero
Para el amigo sincero
Que me da su mano franca

Guantanamera Guajira Guantanamera
Guantanamera Guajira Guantanamera

Por los pobres de la tierra
Quiero mis versos dechar
Por los pobres de la tierra
Quiero mis versos dechar
El arroyo de la sierra
Me complace mas que el mar

Guantanamera Guajira Guantanamera
Guantanamera Guajira Guantanamera


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