quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

A FOME

 
 
À fome,
Quando ela te for apresentada,
Vais-lhe dizer o teu nome;
Muito prazer,
Não deseja tomar nada!?

Mas não virá de repente,
A descarnada,
Vai comer-te lentamente
Passo a passo,
Subindo cada degrau
Até ao cimo da escada.

São 5 euros nas batatas,
Mais cinco no detergente,
Mais trinta no bacalhau
Até ficares sem mais nada.

Quando fores apresentado à fome,
Vai-te doer a barriga
E dar-te volta à cabeça,
E vais estar pronto a roer
Qualquer coisa que apareça.

Vão subir-te ratos pequenos
Por dentro das tuas veias,
Fica-te a garganta seca
Só habitada por teias.

Fica-te a boca calada,
E quando quiseres falar.
Levas por cima porrada,
Que és pago para trabalhar
E nunca para ter ideias.

À fome
Quando ela te for apresentada,
Vais-lhe dizer o teu nome.
Muito prazer,
Não deseja tomar nada!?

Ou talvez não seja assim,
Talvez seja ao contrário;
Talvez não estejas disposto
A pagar à tua conta
Os juros ao usurário.

Quando fores apresentado à fome
Olha-a de frente e pergunta:

Quem é que me prende a mão?
Quem é que me corta o passo?
Quem é que me bebe o sangue,
Pela garrafa que faço?
Quem é que me come esta fome
Que me tortura, que eu passo?

E não esperes pela resposta,
Constrói tu os teus caminhos
E faz dessa fome. Força,
E faz dessa força, gente,
E à fome faz-lhe frente,
Agarra-a pelos colarinhos,
Enfia-a pela boca abaixo
De quem fabricou a fome
Dos que raparam o taxo!

Do autor que muito admiro: José Fanha

sábado, 28 de janeiro de 2012

AINDA SOBRAVA PÃO!

 



“Daquilo que sobra à nobreza,
- Diz o povo e com razão!
Matava a fome à pobreza
E ainda sobrava pão!”

E tem sido esta a razão,
Também a nossa certeza;
Dos males desta Nação,
Entre fortes e fraqueza.

E os Leais, Associação,
Nunca esqueceu a frieza:
De tanta governação,
Para a miséria e riqueza.

Mas há dádivas e proezas,
Mais humanas e ousadas,
Doutros valores e nobrezas,
Que nos mantém de mão dadas.

E esta quadra é a razão,
Neste cabaz dos Leais,
A lembrar quem não tem pão,
E tão diferentes Natais:

“Daquilo que sobra à nobreza,
- Diz o povo e com razão!
Matava a fome à pobreza
E ainda sobrava pão!”

José Faria

AS PENAS DO TEMPORAL

 

Chorava o céu ali tão loucamente,
Por cima de plátanos sem cessar.
As lágrimas no chão eram torrente:
No jardim àquela hora a se inundar.

Do teto da cidade, bruscamente,
Teimosas vêm as bátegas a roncar
Com o vento que teimosamente
As trás no ar em força a baloiçar.

Morrendo ou dormitando, indiferente,
Sofrendo a invernia e a penar.
Num banco do jardim jaze presente,
Um corpo de mulher a delirar.

Solidária mão de passo urgente,
Não mais correu, quedou para prestar,
Ajuda àquela pomba tão sofrente;
Que o socorro médico fez chegar,

E dali a levou tão de repente.
De colete, já não está a estrebuchar,
Terá cuidados em lugar mais quente,
Longe do jardim a se inundar.
 José Faria

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

SER OU NÃO SER...




Lembrar-te a ti, amigo?
Já o fiz outrora,
Te lembro hoje
Como o faço agora,
Se a cara viras,
Não me queres contigo,
Nem escutas
O que de bem te digo:
Ou não existes
Ou estás por fora.

Só não desiste,
Quem ainda está vivo,
E que se evita
De andar à nora:
Quem faz da vida
E carência o livro,
Da dura lida
A melhor escola.

Se todos seguem
Para onde eu sigo,
Que fica além
D’onde a gente mora:
Sejamos antes
Do caminho findo,
Algo futuro,
Saudade de agora.

É a família
Núcleo mais pequeno,
E mais antigo;
Desde a pré-história!
Razão de um país
E do mundo inteiro,
Onde cada um
Deve ser obreiro,
E cada um
Comum memória.
José Faria

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

DESOBEDIÊNCIA

 
Nem sempre entendidas são
As palavras que ditamos,
Quando a compreensão
É nula e sem razão
Só destrói o que criamos.

O orgulho e a emoção,
A vaidade que aceitamos,
Impede comunicação,
O convívio, evolução
E a amizade que ansiamos.

Eventos surgindo vão,
Sem consulta onde esperamos,
Dar a nossa opinião
Conforme a legislação,
E as normas que ditamos.

Força tem a educação
Se nela nos debruçarmos:
Dá-nos força e união,
Amizade e mão na mão,
O fruto que desejamos.
José Faria

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

LEI OU TRADIÇÃO!?

 
 
Ando nos braços do vento,
Dos hábitos,
Mofo da história;
E este caminhar tão lento,
Cega o olhar e a memória.

Não vejo chegar o momento.
Da liberdade em glória;
Parto sem conhecimento,
De ver a Paz em Vitória.

És tu também tradição,
Que me impedes de voar;
Condicionas a razão,
Do homem, ser ou nação,
Que o progresso quer tomar.

Porque tens que ser traição,
De quem quer continuar!?
És sempre repetição,
Não nos deixas libertar.

Quão difícil a emancipação,
Contigo a perpetuar;
És filha da tradição,
Que controla o meu voar.

Ainda é pecado ou traição,
Para quem não respeitar;
Só porque a verdade e razão,
Querem ser livres e voar.

José Faria

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

CORAÇÃO ENTRE PALAVRAS















Coração entre palavras
Palavras de paz,
De amor,
De compreensão!...

Palavras mudas,
Falantes,
Sussurrantes…

Palavras calmas,
De agitação!
Que atiçam ventos,
Tempestades,
Em qualquer ocasião.

Coração entre palavras,
Determinam a pulsação;
E o sentir da humanidade,
No Lar, Terra e Nação!

Palavras que o vento não vê!
E que transportam a razão;
De quem as profere e lê,
Por ordem do coração.

Coração entre palavras
Não lhes dês muita atenção!

José Faria

JANEIRAS NA IGREJA 2026

ENCONTRO DE JANEIRAS IGREJA MATRIZ DE PEDROUÇOS O último dia do mês de janeiro de 2026, animou a igreja de Nossa Senhora da Natividade de ...