domingo, 10 de maio de 2026

OS CABOS DE ORDEM DA MAIA

 ATÉ OS CABOS DE ORDEM ENFIARAM O BARRETE!

Já se passaram mais de cento
e vinte anos, desde que o Administrador do Concelho da Maia, António Cecioso de Moreira de Sá e Melo, conhecido popularmente por “Melinho”, se deu ao cuidado de proceder a uma restruturação no município.
Nesse seu tempo em que o policiamento rural era feito pelos regedores de freguesia e pelos cabos de ordem, nesses tempos em que o respeito e a disciplina cívica era valorizada, os serviços dos Cabos de Ordem cumpriam e faziam cumprir a ordem e a disciplina social das populações.
No entanto, esta polícia municipal era muitas vezes desrespeitada, porque se apresentavam à civil e nem sempre eram reconhecidos como autoridade da nossa Maia desses tempos de há mais de cem anos.
Para evitar estas ocorrências de falta de respeito ao Cabos de Ordem, e manter o prestígio desta polícia municipal, o major Melo, então Administrador da Maia, “oficiou aos vinte e um regedores maiatos, dando-lhes ordens no sentido de procederem, para que os Cabos de Polícia, começassem a usar em serviço, um distintivo de identificação."
Esta ordem, ao fim de muito ser pensada, decidiu-se para que fosse um chapéu de Saragoça, com lista de pano vermelho da largura de três dedos.
Essa decisão, cumprida na íntegra, foi levada à prática, e quer quisessem, quer não quisessem, a partir daquela altura os “nossos cabos tiveram que enfiar o barrete (boné). E ai daquele que se negasse a fazê-lo!
No entanto, para lhes dar um ar mais policial e de autoridade municipal, o major “Melito”, ordenou que os seus agentes começassem a usar jaqueta e calça azul, mas… calçados. É que parecia mal que a autoridade andasse fardada e de pés à mostra, como era uso em terras de África e da Maia também.
Na verdade, a farda até deu resultado e acabou-se a falta de respeito aos Cabos de Ordem do Município da Maia, evitaram-se muitos problemas de falta de respeito e, a partir daí, sucederam-se as ofertas de gente nova que queria prestar serviço nas regedorias.”
- Apanhados do Almanaque da Maia de 1982, de Álvaro Aurélio do Céu Oliveira.
“Álvaro Aurélio do Céu Oliveira, vulgarmente conhecido como «Oliveirinha», natural da freguesia de Chavães, concelho de Tabuaço, deambulou, na sua carreira de funcionário público, um pouco por todo o Norte e Centro do País. Braga, Viseu, Leiria, Covilhã, Porto e Maia, foram alguns dos locais por onde passou, e onde sempre deixou registos sociais, históricos, culturais e cívicos, como no Jornal da Maia, seguido por José Maria Meneses Lopes, que foi diretor desse semanário regional maiato, do qual fui redator principal.
(Nota: - Recorde-se, que mais próximo dos nossos dias de 2026, nos anos sessenta, ainda vigoravam e atuavam, esses “cabos”, designados de Cabos de Secção”, vigilantes (informadores) e atuantes sobre pequenos delitos da causa pública.

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