terça-feira, 20 de novembro de 2018

PEDALADA A VILA DO CONDE


Fui visitar Vila do Conde,
E a rendilheira a rendilhar;
E voltei sabem por onde?
Pela costa a ver o mar.
Junto ao Ave a senhora,
Que é mulher do pescador;
Espera ali a toda a hora,
Que regresse o seu amor.

Que anda no mar a pescar,
Com sua luta e tormento;
Para a família alimentar,
Pois o mar é seu sustento.

ESTA MORRINHA




Esta morrinha temente,
Que anda tudo a humedecer,
Com o S. Martinho ausente,
Era para acontecer.

É uma morrinha temente,
Nem parece querer molhar;
E nem se quer tem presente,
Que há castanhas ainda a assar.

Desta umidade me lembro,
Que suaviza este domingo;
Como este dezoito de novembro,
Que se espalha pingo a pingo.

E da minha habitação,
Da janela do escritório;
Parecem em hibernação,
As rolas em dormitório.

José Faria

O SONO DAS AVES


As garças e corvos marinhos,
Toda a árvore decoraram;
Entre ramos e raminhos,
E sempre aí pernoitaram.
        Os poleiros são galhinhos,
        São pousos que encontraram;
        Mais alto estão os estorninhos,
        Que segurança cuidaram.
Esta arte, esta alegria,
De paz e tanta beleza,
Transmite tranquilidade.
      Neste Parque da Cidade,
      Sorri tanto a natureza,
      Com o mar por companhia.
19/11/2018

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

NOVA CHUVA



NOVA CHUVA         

Já chegou a chuva de mansinho,
Para regar os prados e os montes;
E a assentar a poeira do caminho,
Encher de água limpa as suas fontes.

Até o lavrador já encharcadinho,
Com a água lhe descendo a fronte;
Cantarola pelos charcos do caminho.
Vai sorrindo de olhar no horizonte.

Leva o carro dos bois alegremente,
Por socalcos junto à terra enlameada,
De onde arranca o pão do dia-a-dia.

Esta dádiva chega para toda a gente,
Da natureza é fonte sagrada;
Se ela a vida não existiria.

José Faria

domingo, 4 de novembro de 2018

THAUMETOPHOEA PITYOCAMPAS

Cuidado com as minhas vizinhas 


 THAUMETOPHOEA PITYOCAMPAS
(Lagartas do pinheiro)

Moram do outro lado da minha janela e com elas converso diariamente.
Já lhes pedi que fossem fazer os seus casulos para o monte, onde há muitos pinheiros e mais tranquilidade. Mas dizem que gostam mais da cidade!?
Lembrei-lhes que aqui a sua presença corre perigo e que põe em perigo a vida de outras espécies, inclusive humanas e outros animais.

Não adiantei nada. Teimam em permanecer no pinheiro manso frente á minha janela, e não param de criar casulos e mais casulos.
Vou deixar de abrir a janela e não mais lhes falar. E ainda bem que não têm asas!
Na verdade o seu efeito de toxidade provocado pelo contacto produz inchaço, irritação e por vezes dificuldade respiratória. Por isso já não abro mais as janelas e evito passar perto do pinheiro.


É que quem mexer nestas lagartas, deve ligar para a linha SNS 24 ou dirigir-se a uma unidade de saúde, pois este inseto que ataca os pinheiros, enfraquecendo-os e provocando-lhes a morte, em contacto com humanos, tem também muitos efeitos nocivos. No caso de cães e de outros animais, o contacto com estas minhas vizinhas Thaumetophoea pityocampa, pode ser fatal, pelo menos é o que diz a Direção-Geral da Saúde (DGS).


Que elas trabalham muito, lá isso é verdade! São muitos os casulos em formação num só pinheiro, para nos primeiros meses do ano começarem a descer e passearem-se na rua da Arroteia, em Pedrouços, Maia; e em carreirinha, como um comboio, procurarem no solo dos jardins sitio onde se enterrarem, por causa do seu ciclo de desenvolvimento.

Tenham cuidado.
José Faria


quarta-feira, 17 de outubro de 2018

MORRER DE ÓCIO

Pela presente data, e porque me despertou profundamente esta frase de Damião de Góis: - "porque estou apodrecendo de ociosidade e com o ler se me passam muitos pensamentos", dei-me ao trabalho cultural de vos recordar esta data ligada à vida do grande Damião de Góis.
Já se passaram 446 anos (17/10/1572) desde que o Tribunal do Santo Ofício mandou encarcerar o cronista Damião de Góis, só porque a sua literacia incomodava a nobreza de então. Para a inquisição, todos os escritores, cronistas poetas da época que escrevessem direito por linhas tortas, eram considerados hereges e aniquilados.
“O seu trabalho historiográfico e de cronista de elevado valor cultural e social para o seu tempo, trouxe-lhe muitos problemas com a Inquisição e com algumas famílias nobres, e em abril de 1571 Damião de Góis, como já antes acontecera, voltou a cair nas garras do Santo Ofício (Inquisição). Já sem a proteção real, abandonado pelo cardeal-regente, foi preso, sujeito a processo a 17 de outubro de 1572 condenado a cárcere perpétuo como hereje, luterano, pertinaz e negativo. (Eram assim tratados e calados todos quantos culturalmente pela sua literacia incomodasse os poderes de então).
Transferido para o Mosteiro da Batalha, esteve preso de Abril de 1571 a Dezembro de 1572, em condições particularmente duras, sendo-lhe confiscados todos os bens. 

Com 69 anos de idade, prisioneiro, sente-se muito velho e doente, tão cheio de feridas e sarna por todo o corpo que me falta pouco para me julgarem leproso e quase não tenho já forças para me suster sobre as pernas. No silêncio e incomunicabilidade escreve: peço-lhes que me mandem emprestar um livro em latim para ler, qual lhes parecer, porque estou apodrecendo de ociosidade e com o ler se me passam muitos pensamentos. 

Finalmente, muito doente, coberto de sarna, em meados de 1573 foi libertado e autorizado a recolher-se à sua casa de Alenquer. Aí, abandonado pela sua família, apareceu morto, com suspeitas de assassinato, em 30 de Janeiro de 1574, tinha 71 anos.
Foi enterrado na igreja de Santa Maria da Várzea, da mesma vila, que mandara restaurar em 1560 e onde adquirira o direito de ser enterrado na capela-mor.”
Muito interessante a sua vida e a sua história.
Extrato de wikipedia.

domingo, 14 de outubro de 2018

ESPALHAM-SE AS PALAVRAS





























ESPALHAM-SE AS PALAVRAS             

Rompeu da terra um fio de cultura,
Regato de palavras que correndo;
É arte de comunicar bem mais madura, 
É saber do porvir se promovendo.

Ansiando crescer em sã candura,
Frases e versos se vão lendo; 
Deslizam da fonte que perdura,
E voltam à terra, não morrendo.

Espalham-se palavras, letras, poesia! 
Aromáticas pétalas no ar que nos rodeia,
De origem d’alma e do pensamento.

Suaves, dóceis e de euforia,
São do poeta, são da veia;
Que as declama sem fingimento.

FESTAS DA NATIVIDADE DE PEDROUÇOS - 2026

  FESTA E ROMARIA DE PAZ E ALEGRIA POR NOSSA SENHORA DA NATIVIDADE - Pedrouços – Maia – Setembro de 2026   Estoura no céu o fogo da alegria,...