sexta-feira, 29 de outubro de 2021
SAGRADA CHUVA
Já chegou a chuva mais verdadeira,
Com intensidade à terra se lança;
Vem encher de água a minha ribeira,
Dar-nos de beber com confiança.
Pela plantação, pela sementeira,
A terra concebe e não se cansa;
Vem encher os rios e a albufeira,
E a primavera de mais bonança.
Saibamos recebê-la com gratidão,
A água sagrada que vêm do céu,
Para lavar o mundo da secura.
Regar as culturas a procriação,
Milagre que a terra sempre nos deu;
E nos alimenta com tanta fartura.
José Faria
quinta-feira, 21 de outubro de 2021
LENDA DA CAPELA DE NOSSA SENHORA DA GUADALUPE
LENDA DA GUADALUPEÁguas SantasReza a lenda que por
volta de 1720 e 1740, um morador do lugar do Paço, em Águas Santas, foi acusado
de um crime de morte que não cometera. Receando pela perda de liberdade e pela
sua vida, fugiu para Espanha, tendo[1]se
refugiado junto do santuário da Guadalupe. Por lá ficou e quase vegetou durante
alguns anos. O crime ainda não havia sido esquecido em toda a Maia, mas já se
sabia que ele estaria inocento, e que teria sido outro o autor desse crime de
morte. Junto ao santuário da Guadalupe, onde se recolhera, o aguasantense,
ansioso por voltar à sua terra, prometeu a Nossa Senhora de Guadalupe que, se
um dia pudesse regressar ilibado do crime de que era inocente, mandaria erguer
uma ermida em honra de Santa Maria de Guadalupe. Como tal se verificou, vindo a
ser identificado o verdadeiro autor do crime, o maiato regressou ao lugar do
Paço, onde foi bem recebido e ajudado no cumprimento da promessa, construindo a
ermida com a capela prometida em honra da Senhora Santa Maria de Guadalupe,
cuja imagem criada por um santeiro, com o menino num braço e o bastão no outro,
ocupa o altar.
A LENDA
No século dezoito, no
lugar do Paço,
Em Águas Santas, terra
maiata;
Uma agitação de
estardalhaço,
Estremeceu o povo, gente
pacata.
Um homem humilde, um
trabalhador,
Fora acusado de um crime
de morte,
A sofrer de medo, mágoa e
dor,
Fugiu do país de medo à
má sorte.
Pois de nada sabia o
pobre coitado,
Do que era acusado, tão
inocente;
Fugiu para Espanha,
viu-se obrigado,
P’ra não ser linchado
pela sua gente.
Este homem humilde por lá
andou,
A deambular e a passar
fome;
Junto a Guadalupe se
refugiou,
Ao pé do rio com o mesmo
nome.
Por fim conseguiu o seu
sustento,
Vivendo angústia, saudade
e cansaço;
Com a sua terra no
pensamento,
Ansiava voltar ao lugar
do Paço.
Prometeu um dia à Santa
Senhora,
A Guadalupe com fé e
amor;
Se fosse ilibado, pudesse
ir embora,
Faria uma ermida em seu
louvor.
Foi descoberto do crime o
autor,
E o homem do Paço logo se
apressa;
Corre para Águas Santas
todo feitor,
Onde cumpriu a sua
promessa.
José Faria
IGREJA DE SÃO MAMEDE INFESTA
A IGREJA DE SÃO MAMEDE
INFESTA
E O CONDE RODRIGO PEREIRA
FELÍCIO
A igreja de São Mamede
Infesta foi iniciada a 27 de agosto de 1864, mas já em 1320, esta igreja
figurava como igreja de S. Mamede de Thresoires. Ficou concluída a 7 de
setembro de 1866.É uma igreja neoclássica
de planta longitudinal de nave única, com torre quadrada ao centro da fachada
principal.
De realçar que a atual
igreja existe graças ao benemérito “sanmamedense” Rodrigo Pereira Felício, que
era conde de São Mamede, que doou 12 (doze) contos de reis, (uma fortuna nesse
tempo de 1860), para a sua construção.
A igreja de São Mamede
infesta foi projetada pelo arquiteto portuense Pedro Oliveira, que se inspirou
na igreja da Trindade da cidade do Porto, possivelmente contra a vontade
daquele benemérito que a subsidiou, que desejava uma igreja com duas torres, à
semelhança da igreja de Matosinhos.“reza a história, que
quando o conde benfeitor, Rodrigo Pereira Felício foi recebido nas cerimónias
de inauguração da igreja, com a presença do Bispo, povo, autoridades e
representantes de muitas instituições, que esperavam do Brasil o conde
benemérito e benfeitor, quando a carruagem que o transportava chegou ao
cruzeiro (atual cruzamento da Rua Godinho de Faria com a Av. Do Conde, o conde
ao ver a igreja só com uma torre, deu meia volta e voltou para o Brasil sem
sequer se dirigir aos presentes. – E afinal, como ainda hoje se constata, o seu
interior tem muitas características com o interior da igreja da Trindade,
interior que, pelo que diz a estória, o conde nem viu!?- Era o tempo dos condes,
que o dinheiro, a escravatura e o poder, elevaram com a exploração em terras
brasileiras. Por toda a parte se encontram grandes mansões, vivendas e grandes
quintas, criadas pelos “condes portugueses exploradores em terras brasileiras).
É caso para dizer que
este conde, e tantos outros por esse pais fora, hoje com tanto património em
ruínas; não se deveria ter ofendido por a igreja ter uma só torre e não duas
como era seu capricho, para a qual deu uma dúzia de contos que não eram seus.
Afinal foram roubados na exploração e na escravatura que granjeou no Brasil.José Faria
quarta-feira, 13 de outubro de 2021
sábado, 25 de setembro de 2021
CAMINHO DE SANTIAGO 2021 - PELA COSTA
GRATIDÃO A TODOS VÓS!
Expresso desta forma abrangente a minha sincera e humilde gratidão, a todos, familiares e amigos, que me acompanharam espiritualmente nesta minha odisseia no mês de setembro de 2021, n`O CAMINHO DE SANTIAGO, que iniciei pela costa, no dia 13 e terminei no dia 24.
Não tenho muito a contar ou a explicar, porque o caminho não se conta nem se explica, vive-se! Por isso estou muito grato a todos que estiveram sempre conectados comigo em todo o caminho, através das redes sociais, nomeadamente pelo Facebook, mensagens, e por telecomunicação, que dessa forma foram diariamente expressando por voz e palavras, incentivos de apoio que, em determinados momentos do caminho, de quando nos sentimos que não somos nada e somos tudo, essa vossa espiritualidade é preciosa e nos dá força para prosseguirmos o caminho, ora em silêncio, ora meditando, ora cantando e dando graças à vida e à existência.
Que a mãe natureza me
chame de novo em 2022 para junto dela para com ela caminhar.
OBRIGADO!
José Faria
sábado, 4 de setembro de 2021
O MEU CAMINHO PELA COSTA
CAMINHO DE SANTIAGO PELA COSTA
A PARTIR DO PORTO.
Partirei com São
João Crisóstomoe com Santiago.
"São João
Crisóstomo, arcebispo de Constantinopla, comemora-se liturgicamente a 13
de setembro.
São João Crisóstomo nasceu por volta de 347
em Antioquia, Síria, e morreu em 407 em Comana Pôntica, Ponto.
Crisóstomo, que significa "da boca
de ouro" em grego, é considerado o maior orador cristão da história.
Conhecido pelas suas inspiradas homilias, pela sua ímpar oratória e pela
acutilante denúncia dos abusos de poder na sua época, o santo foi proclamado
Doutor da Igreja. Junto com Basílio, o Grande e Gregório Nazianzeno, João
Crisóstomo forma os Três Grandes Hierarcas.
“Basta um só homem, para reformar todo um
povo” é uma das frases famosas de São João Crisóstomo que manteve uma prolífica
atividade literária e que combateu todos os abusos que conhecia no seio da
Igreja e da sociedade.
As suas homilias eram amadas pelo povo
pela explicação simples e prática das Sagradas Escrituras. As suas explicações
e acusações eram tão vívidas que as multidões se convertiam e saíam revoltadas
pela cidade mutilando estátuas do imperador. A construção de hospitais e a
ajuda que prestou aos pobres e doentes tornaram-no ainda mais popular junto do
povo.
Ao condenar e denunciar o luxo e a
imoralidade do clero e da nobreza, São João teve problemas com a alta nobreza,
em especial com a imperatriz Élia Eudóxia que ordenou o seu exílio por duas
vezes. O primeiro exílio foi contestado pelo povo e interrompido por um
terramoto que foi encarado pela imperatriz como insatisfação divina. O segundo
revelou-se fatal para São João, que não sobreviveu aos sofrimentos da longa
viagem.
São João Crisóstomo morreu a 14 de
setembro de 407. As suas últimas palavras foram “Glória a Deus por todas as
coisas”, em jeito de resumo da sua vida. Na Oriente o santo é celebrado a 14 de
setembro e no Ocidente a 13 de setembro.
Crisóstomo é o padroeiro de
Constantinopla, dos oradores, pregadores e da educação."
-"Na Bíblia é comumente referido sob o nome de Jacob ou Jacó, termo que passou ao latim como Iacobus e derivou em nomes como Iago, Tiago e Santiago (sanctus Iacobus). Tiago filho de Zebedeu ou Santiago Maior foi um dos primeiros discípulos a derramar o seu sangue e morrer por Jesus. Membro de uma família de pescadores, irmão de João Evangelista -ambos apelidados Boanerges (‘Filhos do Trovão’), pelos seus temperamentos impulsivos- e um dos três discípulos mais próximos de Jesus Cristo, o apóstolo Santiago não apenas esteve presente em dois dos momentos mais importantes da vida do Messias cristão – a transfiguração no monte Tabor e a oração no Jardim das Oliveiras -, senão que também formou parte do restrito grupo que foi testemunha do seu último milagre, a sua aparição já ressuscitado nas margens do mar de Tiberíades.
Após a morte de Cristo, Santiago, apaixonado e impetuoso, formou parte do grupo inicial da Igreja primitiva de Jerusalém e, no seu labor evangelizador, adjudicou-se-lhe, segundo as tradições medievais, o território peninsular espanhol, concretamente a região do noroeste, conhecida então como Gallaecia. Algumas teorias apontam que o atual patrono de Espanha chegou às terras do Norte pela desabitada costa de Portugal. Outras, no entanto, traçam o seu caminho pelo Vale do Ebro e pela via romana cantábrica e há inclusivamente as que asseguram que Santiago chegou à Península pela atual Cartagena, desde onde prosseguiu a sua viagem até à esquina ocidental do mapa.
Foram estes sete discípulos, relata a lenda, os que, após escaparem aproveitando a obscuridade da noite, trasladaram o corpo do apóstolo Santiago numa barca até à Galiza, onde chegaram através do porto de Iria Flavia (atual Padrón).
Os varões depositaram o corpo do seu mestre numa rocha – que foi cedendo e cedendo, até converter-se no Sarcófago Santo- para visitarem a rainha Lupa, que então dominava desde o seu castelo as terras onde agora se assenta Compostela, e solicitar-lhe à poderosa monarca pagã terras para sepultar Santiago. A rainha acusou os recém-chegados do pecado da soberba enviou-os à corte do vizinho rei Duyos, inimigo do cristianismo, que acabou por prendê-los.
Segundo a tradição,
um anjo – noutros relatos, um brilho luminoso e estrelado – libertou os sete
homens do seu cativeiro e, durante a sua fuga, um novo milagre acabou com a
vida dos soldados que os perseguiam ao cruzarem uma ponte. Mas este não foi o
único contratempo que os varões enfrentaram. Os bois que a rainha lhe havia
facilitado para guiarem o carro que transportaria o corpo de Santiago a
Compostela resultaram ser touros selvagens que, no entanto, também
milagrosamente, foram-se amansando por si sós ao longo do caminho. Lupa,
atónita perante tais episódios, rendeu-se aos varões e converteu-se ao
cristianismo, mandou derrubar todos os lugares de culto celta e cedeu o seu
palácio particular para enterrar o Apóstolo. Hoje ergue-se no seu lugar a
catedral de Santiago." (.../...)
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