sábado, 8 de agosto de 2020

EM SÃO PEDRO DE AVIOSO

 POR TERRAS DE SÃO PEDRO DE AVIOSO

Das minhas pedaladas cicloturísticas por terras da Maia, fui à procura de histórias religiosas e da identidade da igreja de São Pedro de Avioso, sobretudo sobre as origens e razões da sua construção. 
Pois, é também com base nesses elementos, quando os há, que encontro “dicas” que me possam levar a criar uma lenda local, já que a maioria das lendas quase sempre, tem por base crenças e motivos religiosos.
Mas pouco ou nada consegui, para além do puxado e saboroso passeio, o do prazer de contemplar paisagens agrícolas e montados.
Num largo arborizado e bem arejado com uma agradável envolvência espaçosa, a igreja emerge entre um denso milhal verde mostrando já o seu fruto de castanhos bigodes caídos sobre o seu revestimento. Frente a toda esta religiosa imponência, três cruzeiros mantêm-se atentos e vigilantes de olhares sobre a torre sineira e o bater das horas certas.
De características que remontam aos séculos XIX e XX, esta igreja matriz de São Pedro de Avioso, conforme consta em lápide de granito na frontaria, foi “edificada a expensas de António Ferreira Praça, sua esposa e paroquianos em 1909”.
Também a homenagem ao Padre José Alves Pereira do Couto, sobre um pedestal, abrilhanta e enriquece este património religioso maiato.
Continuando envolvido em paisagens agrícolas, entre bouças e campos de milhos, levou-me a ORBEA até terras de Guilhabreu, e nova visita, idêntica e com o mesmo propósito.

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

A ESTRELA E O PASTOR DA SERRA DA ESTRELA

LENDA DA SERRA DA ESTRELA

Há muitos anos havia um pastor que todas as noites se encontrava com uma estrela no alto da serra. Um certo dia chegou aos ouvidos do Rei que o pastor falava com essa estrela e o Rei mandou chamar o pastor e propôs-lhe que trocasse a sua estrela por uma grande riqueza. O pastor disse-lhe que não trocaria a sua amiga, e que antes queria continuar a ser pobre do que perder a sua querida estrela.

O pastor voltou à sua cabana no alto da serra e ouviu a estrela dizer que já sentia receio do pastor se entusiasmar pelo dinheiro e deixar a estrela ir para as mãos do poderoso Rei. O pastor disse-lhe que vale mais uma amiga do que muito dinheiro e disse-lhe também com voz de profeta que daí em diante aquela serra se chamaria “Serra da Estrela”. E até agora diz-se que no alto da serra há uma estrela que brilha de maneira diferente, ainda à procura do velho pastor.

SENHORA DA LAPA

Lenda da Senhora da Lapa

Diz a lenda que a imagem de Nossa Senhora da Lapa apareceu num penedo de difícil acesso, na Beira Alta. Os devotos construíram-lhe um templo num local mais acessível, mas a imagem da Senhora “fugia” para o seu penedo sempre que a punham na nova capela. Este facto insólito ocorreu tantas vezes que os devotos fizeram a vontade à Virgem e construíram-lhe uma capela no penedo, num sítio em que para a ver o crente tem de entrar de lado, por mais magro que seja.

quarta-feira, 29 de julho de 2020

LENDA DA NAZARÉ

Lembram-se de D. Fuas Roupinho?
E da lenda da Nazaré?
Pois já lá vão 836 anos desde a sua morte.

De seu nome, Fernão Gonçalves Churrichão, foi um guerreiro nobre português do século XII, é ele o protagonista da lenda de Nazaré.
“Conta a Lenda da Nazaré que ao nascer do dia 14 de setembro de 1182, D. Fuas Roupinho, alcaide do castelo de Porto de Mós, caçava junto ao litoral, envolto por um denso nevoeiro, perto das suas terras, quando avistou um veado que de imediato começou a perseguir. O veado dirigiu-se para o cimo de uma falésia. D. Fuas, no
meio do nevoeiro, isolou-se dos seus companheiros. Quando se deu conta de estar no topo da falésia, à beira do precipício, em perigo de morte, reconheceu o local. Estava mesmo ao lado de uma gruta onde se
venerava uma imagem da Virgem Maria com o Menino Jesus. Rogou então, em voz alta: Senhora, Valei-me!. De imediato, miraculosamente o cavalo estacou, fincando as patas no penedo rochoso suspenso sobre o vazio, o Bico do Milagre, salvando-se assim o cavaleiro e a sua montada da morte certa que adviria de uma queda de mais de cem metros.”

Curiosamente esta lenda remete-me para a lenda da Senhora do Salto, só que aqui não era um veado, mas uma lebre, e o cavaleiro que a perseguia caiu mesmo no abismo, salvando-se.
Na Nazaré está a marca de uma pata do cavalo no cimo da falésia; na Senhora do Salto estão cinco buracos nas rochas nas margens do rio Sousa, burados que correspondem às patas do cavalo e ao focinho.
- E esta hein!?

quinta-feira, 23 de julho de 2020

VISCONDES DE GUEIFÃES E DE BARREIROS

ABRI ESCOLAS PARA INSTRUIR O POVO
E SEREIS VERDADEIROS OBREIROS DA CIVILIZAÇÃO
E DO PROGRESSO DA SOCIEDADE

DOIS RELEVANTES FILHOS DAS TERRAS DA MAIA.
Visconde de Gueifães e visconde da Barreiros.
Joaquim Carlos da Silva e José da Silva Figueira.

Joaquim Carlos da Silva, muito contribuiu para a evolução da cidade da Maia. Nasceu em 1853 na freguesia de Gueifães, cresceu numa família pobre e humilde. O pai pedreiro, a mãe lavandeira, em conjunto eram seis filhos e poucos recursos financeiros.
A crise política sentida em Portugal durante o século XIX obrigou à emigração de quatro milhões de portugueses, a maioria para o Brasil, fugindo à pobreza e à instabilidade em Portugal.
Joaquim Carlos da Silva foi um dos muitos portugueses que embarcou para o Brasil entre os seus 16 ou 18 anos. No Brasil casa-se como Maria da Conceição Silva que possuía várias terras e uma fazenda de café, ficando Joaquim encarregue de explorar toda a riqueza da sua esposa.
Com a vida estabilizada regressa a Portugal primeiramente para viver no Porto. Mas, depois da morte precoce da sua esposa volta para Gueifães, gastando o seu dinheiro em obras de caridade pela freguesia de Gueifães, como igrejas e escola, como sucede com a escola Príncipe da Beira.
Foi presidente da junta de freguesia de Gueifães e depois da inauguração da escola Príncipe da Beira foi-lhe atribuído o título de Visconde de Gueifães no ano de 1895.
Faleceu com 47 anos de idade no ano de 1900, mas a sua presença foi marcante para a freguesia que o viu crescer.

Esta escultura está adossada à arquitetura. Apresenta placa informativa de inauguração da escola com a seguinte registo:
Escola Príncipe da Beira mandada construir por Joaquim Carlos da Silva.
Inaugurada com a presença de S.S. Majestades e Altezas em 6 de Março de 1894 Abril,
Abri escolas para instruir o povo e sereis verdadeiros obreiros da civilização, e do progresso da sociedade

Já José da Silva Figueira nasceu em 1838. Filho de modestos lavradores, também emigrou para o Brasil com apenas 14 anos, pelas mesmas razões. Depois de uma passagem pela atividade comercial, enveredou pela construção ferroviária, tendo-se notabilizado, entre muitas outras obras, pela construção do túnel de Marmelos, pedra de toque do plano ferroviário do Imperador D. Pedro II. Foi também de sua responsabilidade a construção do caminho-de-ferro de Leopoldina.
Regressado a Portugal, e dentro do mesmo ofício, encarrega-se da construção do ramal da Alfândega, ligando Campanhã à Alfândega do Porto, o que implicou a abertura de um túnel com 1300 metros. Paralelamente, investiu na banca, nos seguros, na atividade mineira, etc.
Foi grande benfeitor, destacando-se, no Brasil, ao apoio a hospitais e albergues, e em Portugal, particularmente na Maia, sua terra natal, a oferta de terrenos e dinheiro para diversas obras públicas de grande alcance, a construção das escolas primárias Maria Pia, a oferta do andor e da imagem de Nª. Sª. do Bom Despacho, a atribuição de bolsas de estudo e outras ajudas a crianças desfavorecidas, entre muitas outras ações meritórias. Agraciado com a Comenda de Nª. Sª. de Vila Viçosa em 1878, foi-lhe concedido o título de Visconde em 1882.
A sua estátua localiza-se à ilharga sudoeste da Praça Dr. José Vieira de Carvalho.
Fonte: - https://www.cm-maia.pt/pages/1182 http://www.visitmaia.pt/pages/14/?geo_article_id=1030
Exemplos maiatos do passado, que deveriam servir de bússola aos detentores do poder no presente.
Por José Faria✍️🤔📖

sábado, 18 de julho de 2020

TAMANQUEIRO DA MAIA

MANUEL VOLTA

FOI UM TAMANQUEIRO MAIATO

Nos finais do século XIX, as profissões eram muito variadas e na Maia, para bom e seguro caminhar, andaram os criadores de calçado de madeira.

Os Pauzeiros e Tamanqueiros foram durante muitos anos os responsáveis pelos pés enxutos e protegidos dos maiatos e maiatas.
Com engenho e arte nata, fabricavam os tamancos, socos e chancas usados pelos pés da população.
Nos nossos dias, este tipo de calçado é de facto uma raridade de tal forma que muitos dos nossos jovens, não sabem que existem.

PADRE ANTÓNIO VIEIRA

FRAGMENTOS DA NOSSA HISTÓRIA… RELIGIOSA
Padre António Vieira morreu há 323 anos. (18/07/1697)

Padre António Vieira foi um antiescravagista e homem de confiança de D. João IV. Foi um religioso, filósofo, escritor e orador português da Companhia de Jesus. Uma das mais influentes personagens do século XVII em termos de política e oratória, destacando-se como missionário em terras brasileiras. Contra a escravatura, Padre Antônio Vieira se dedicou parte da sua vida às missões de catequese no Pará e no Maranhão (1653-1661), uma vez que dominava sete idiomas indígenas. Lutou contra os colonos portugueses que desejavam escravizar os índios no Maranhão. Em 1661 foi expulso do Maranhão, pelos senhores de escravos que não aceitavam suas ideias.
Dos seus sermões, destacam-se o Sermão da Sexagenária proferido na Capela Real de Lisboa em 1653, onde tematiza a arte de pregar; O Sermão Pelo Bom Sucesso das Armas de Portugal contra as de Holanda proferido na Bahia em 1640, onde se coloca contrário à invasão holandesa; O Sermão de Santo António (aos peixes), proferido no Maranhão em 1654, atacando a escravização de índios; O Sermão do Mandato, pronunciado na Capela real de Lisboa em 1654, desenvolvendo o tema do amor místico.

O AMOR FINO
O amor fino não busca causa nem fruto.
Se amo, porque me amam, tem o amor causa;
Se amo, para que me amem, tem fruto: e amor fino não há-de ter porquê nem para quê.
Se amo, porque me amam, é obrigação, faço o que devo:
Se amo, para que me amem, é negociação, busco o que desejo.
Pois como há-de amar o amor para ser fino?
Amo, quia amo; amo, ut amem:
Amo, porque amo, e amo para amar.
Quem ama porque o amam é agradecido.
Quem ama, para que o amem, é interesseiro:
Quem ama, não porque o amam, nem para que o amem, só esse é fino.
Padre António Vieira, in "Sermões"

SOMOS PÓ
Esta nossa chamada vida, não é mais do que um círculo que fazemos de pó a pó: do pó que fomos ao pó que havemos de ser. Uns fazem o círculo maior, outros menor, outros mais pequeno, outros mínimo: De utero translatus ad tumulum: Mas ou o caminho seja largo, ou breve, ou brevíssimo; como é círculo de pó a pó sempre e em qualquer parte da vida somos pó. Quem vai circularmente de um ponto para o mesmo ponto, quanto mais se aparta dele, tanto mais se chega para ele: e quem, quanto mais se aparta, mais se chega, não se aparta. O pó que foi nosso princípio, esse mesmo e não outro é o nosso fim, e porque caminhamos circularmente deste pó para este pó, quanto mais parece que nos apartamos dele, tanto mais nos chegamos para ele: o passo que nos aparta, esse mesmo nos chega; o dia que faz a vida, esse mesmo a desfaz; e como esta roda que anda e desanda juntamente, sempre nos vai
moendo, sempre somos pó.-
Padre António Vieira, in "Sermões"
Fonte: - https://www.ebiografia.com/antonio_vieira/
Fomos pó antes de nascermos e depois do nosso fim, pó seremos. José Faria✍️🤔📚🙏🚴‍♂️

FESTAS DA NATIVIDADE DE PEDROUÇOS - 2026

  FESTA E ROMARIA DE PAZ E ALEGRIA POR NOSSA SENHORA DA NATIVIDADE - Pedrouços – Maia – Setembro de 2026   Estoura no céu o fogo da alegria,...