segunda-feira, 26 de outubro de 2020

AMAI A TERRA

 

 AMAI A TERRA

 

Eu sou a mãe terra, sou a natureza,

Sou o sol, a verdade e a razão;

Sou o fogo, sou água, sou a grandeza,

A floresta, a respiração.

 

Sou tudo o que nasce, sou pureza,

Sou tudo que no planeta é criação;

Eu sou a vida, a vossa fortaleza,

Eu sou a vossa alimentação.

 

Sou a existência, o Deus e a oração.

O mito e a verdade que enobrece,

Os que me respeitam e me adoram;

 

De todas as vidas que na terra moram,

Sou o milagre que permanece,

Eu sou a verdade e sou a razão.

02/04/202 - José Faria


O CASTIGO

 

Em dois mil e vinte grita o despertar,

O aviso severo sobre a humanidade

Obrigando-a a pausar, ter que parar,

Para que a mãe terra se possa curar,

De toda a agressão à divindade.

 

O aviso e castigo está a germinar,

Em propagação com celeridade;

O planeta quer-se harmonizar,

A espécie humana anda a castigar,

Exige existência com mais sanidade.

 

E vai respirando enquanto castiga,

Vai-se limpando e despoluindo,

Mantendo o homem enclausurado;

 

A ficar quieto e sem fadiga,

Invisível castigo a isso obriga

A manter na terra tudo parado.

José Faria   

sábado, 24 de outubro de 2020

A BICHA MOURA DA MAIA

 - PORQUE A BICHA UM DIA CHEGOU À MAIA!?

"A lenda da Bicha Moura (ou Pedra Moura), refere-se ao Coteiro do Crasto (Monte do Crasto), onde se diz que uma Moura infeliz teria sido transformada em bicha, devido a erros cometidos.
Neste local existia um grande rochedo tão voltado para o caminho que, diz-se, parecia poder rolar por ali abaixo a qualquer momento. Seria em cima deste penedo que a Bicha Moura – enorme, e metade mulher metade réptil – apareceria em noites de luar pela meia-noite ou até mesmo durante o dia. Aí penteava os seus longos cabelos com um pente de ouro e ao deslocar-se deixava um rasto dourado. Ninguém podia aproximar-se dela, pois corria o risco de se transformar em bicha ou mesmo em pedra. Esta convicção inspirava medo em muitos madalenenses e o respeito de todos. Diz-se também que a Bicha podia tomar a forma humana, de sereia com cabelos compridos ." (https://pt.wikipedia.org/wiki/Madalena_(Vila_Nova_de_Gaia))
- E PORQUE UM DIA ALGUÉM EM SÃO PEDRO DE AVIOSO, NA MAIA, SE LEMBROU DE ESPALHAR A MESMA LENDA, DIVULGADA POR UM JORNAL LOCAL... DEI-ME AO CUIDADO, COM BASE NA NOTÍCIA, DE LHE DAR MAIS ÊNFASE COM ESTES VERSOS DESCRITIVOS, CONFORME CONTOU O PIELA SOBRE A BICHA MOURA.
A BICHA MOURA
DE SANTA MARIA DE AVISO
Em Santa Maria de Avioso,
Ou na sua proximidade;
Caminhava pesaroso.
Um homem de meia-idade.
Era um operário caloso,
De paz e de humildade,
Que certo dia trabalhoso,
Bebeu mais em quantidade.
Era noite e ao regressar,
Já depois de bem bebido;
Ficou parado a escutar,
Entre o silvado um gemido.
Não sabendo se de gente,
Ou de alguma cantadoura,
Imaginou de repente,
Ser grito de Bicha-Moura.
Sem saber o que fazer,
Pôs-se dali a andar;
Foi dormir, se recolher,
Vestido se foi deitar.
De manhã, mal acordou,
Ainda meio entorpecido;
Foi ao tasco onde contou,
O que lhe tinha acontecido.
Começou logo a dizer,
A quem estava presente;
A Bicha-Moura anda a comer,
Galinhas de toda a gente.
A história e a descrição,
Do trolha meio piela;
Correu na população,
E ainda se fala dela.
Havia até quem dissesse,
Que aquela bicha encantava;
Como se beleza tivesse,
E que qualquer um domava.
Mas isso nunca existiu,
Nem gemidos, gritos dela;
Nunca ninguém viu ou ouviu,
Foram invenções do piela.
José Faria

sábado, 10 de outubro de 2020

VIVA O POLVO REI DOS MARES


DIA MUNDIAL DO POLVO.

08/10/2020


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E se oito tentáculos tem o polvo, oito rotas mais extensas e puxadinhas conhece a minha bike ORBEA. E entre elas esta a rota da Senhora do Salto, santa das margens do rio Sousa que há muito estranha a minha prolongada ausência.

Assim, respondendo a esse apelo e para colocar a visita em dia, nada melhor que o dia mundial do polvo, percorrendo e pedalando uma dessas minhas oito rotas boas de pedalar pela mente e pela saúde, à saúde do Polvo e ao respeito e veneração à Senhora do vale do Sousa.

O polvo tão inteligente e animal único que é, reservou-me o seu dia para contemplar toda a paisagem de vales e planaltos até à senhora, cuja linda lenda me fascina e muito gosto, a qual divulgarei de novo, junto à sua Capela.

Voltando aquele que é homenageado hoje, no seu dia mundial, este senhor dos mares, com mais de 300 milhões de anos, pertence a uma das espécies mais antigas, logo a seguir aos dinossauros.

O seu corpo constituído por noventa por cento de músculos, pode caber em espaços do tamanho de uma moeda, já que entre eles não há ossos a estorvar.

Tentando imitar o camaleão, ou melhor, disfarçando-se perante possíveis predadores, o polvo muda de cor e de textura de pele muito rapidamente.


Tem cerca de 500 milhões de neurónios no cérebro e nos tentáculos, e com três corações e sangue azul, não quer dizer que são muito apaixonados ou muitos burgueses, embora existam pelo menos 300 espécies de polvos reconhecidas.

O mais engraçado e do desconhecimento de muitos de nós, humanos, que os consumimos, todas as espécies são venenosas, mas somente uma pode matar o homem: É polvo de anéis azuis.

Ora, e se uma fêmea pode colocar 100 mil ovos, se não forem comidos pelos predadores e se todos os ovos eclodirem, seriam cem mil novos polvinhos em cada postura. Na sua locomoção e armas como predador para prender as presas de que se alimenta, serve-se das suas 280 ventosas de cada tentáculo.

Pena é que a sua espécie poderá (ou não) estar em perigo, já que cerca de 50 mil toneladas de polvos são pescadas todos os anos, não sabendo os cientistas quantos polvos existem ainda nos oceanos.

Quanto a rotas, caminhos, estradas, quelhas, vielas, carreiros e trilhos, haverão sempre para todo e qualquer destino e o da Senhora do Salto é um deles.

VIVA O POLVO

HAJAM CAMINHOS.


Sobre a lenda da Senhora Salto:
A lenda tem duas variantes, uma é a do cavaleiro que perseguido pelo demónio, se apercebe tarde do precipício à sua frente, invocando aflito a Nossa Senhora. Apesar desse apelo caí nas margens do rio sousa, sobre as rocha que se transformariam em cera onde as patas e o focinho do cavalo se cravaram. Desta queda se criaram cinco buracos na rocha ainda hoje bem visíveis. A outra versão, embora semelhante à primeira, ao contrário de fugir do diabo, o cavaleiro apenas corria atrás de uma lebre, levando-o ao apelo à Senhora e a cair na mesma no abismo.
Esta lenda remonta a 1874, e foi registada pelo botânico Augusto Luso da Silva, que sendo poeta a descreveu desta forma:
LENDA DA SENHORA DO SALTO
Pela serra d'Abelheira,
Montado em nédio corcel;
Leva seguida carreira
Um cavaleiro donzel.
A barba luzente brilha,
Do orvalho que em gotas cai;
Fareja veloz matilha,
Que em roda saltando vai.
Não vê dez braças à frente,
Com tamanha névoa assim;
Ouve saltar de repente
Os cães a latir! Enfim...
Rompe-lhe rápida lebre,
Que ali lhe escapa o pé!
Deita a correr com tal febre,
Que nada teme nem vê.
A lebre corria adiante,
E ele atrás, sempre a correr;
Ia o cavalo ofegante
Já em suor a escorrer.
Ela ia de rabo alçado,
E o via a seguir atrás;
Por ter os olhos de lado,
Que fino que é satanás.
Mas eis que chegando à beira,
Daquele abismo, saltou;
E no inferno matreira,
Pelo rio se escapou.
Ele ia, enfim, sem receio
E cego, a bom galopar;
Não pôde reter o freio,
Sente o cavalo no saltar.
E sente no ar a corrente
Que as faces cortar-lhe vem;
Vê-se suspenso e pendente,
Sobre o abismo também!...
Valei-me Virgem Senhora,
Valei-me, sou pecador;
Por mim não, mas por ela agora,
Que sois todo o seu amor.
E sem o menor abalo,
(Tal não viu Nazaré)
Firme se achou no cavalo
Na parte oposta do pé.
Mui contrito e arrependido
Feria o peito com a mão;
E se votou decidido
Da Virgem à devoção.

Augusto Luso da Silva.

domingo, 27 de setembro de 2020

PEDALADAS PELO CASTRO DE SÃO PAIO

 


DAS PEDALADAS POR ESSES MUNDO

Mais um passeio cicloturístico a Vila do Conde pela estrada de alcatrão e regresso sempre com o mar pela mão.

Passado a Labruge, freguesia que foi vigararia do concelho da Maia, passou a reitoria. Pertenceu ao concelho de Vila do Conde, mas foi depois anexado ao concelho de Bouças (atualmente Matosinhos) regressando novamente ao concelho de Vila do Conde, pelo decreto de 18 de Outubro de 1871.

Desci e passei o castro de São Paio, a S. Paio, contemplando a Capela com o mesmo nome do Castro, de 1885.

“O Castro de S. Paio, único povoado marítimo Proto-histórico conhecido no território português, foi descoberto nos anos 50 do século XX por Fernando Lanhas e D. Domingos de Pinho Brandão.

Nos anos que se seguiram assistiu-se a sua progressiva destruição, mercê da falta de uma metodologia arqueológica adaptada e da exploração inadequada do local, que só viria a ser estancada nos anos noventa com a realização de escavações arqueológicas e a proibição do acesso automóvel à parte superior do povoado.

Esta estratégia permitiu salvar o Castro da destruição e sensibilizar a população local para a importância do sítio.

Posteriormente, foi objeto de um projeto de valorização, de que resultou a inauguração do Centro de Interpretação do Castro de S. Paio."
Depois da contemplação e das fotos e filmes feitos, bicicleta às costas subi até junto do marco geodésico abraçando todo o mar com meu olhar. Mais umas fotos e segui em direção a Lavra, contemplando antes de lá chegar o rio Onda (https://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Onda) embocado na sua foz, de algas que o mar lhe lança. Um dia tenho que pedalar até à sua nascente, no Poço do Inferno, em Guilhabreu, pois aqui a sua foz, entre Labruge e Angeiras, já eu visito e contemplo há muito tempo.

Muito mais teria a descrever, mas julgo mais interessante e correto, que visitem a fonte origem destas revelações, clicando no Link:

http://www.visitviladoconde.pt/pages/825?geo_article_id=2556&page_nearby_list=2&page_opinion=1&page_related=1&page_suggestions=1

Façam como disse António Nobre: - “FARTO DE DORES COM QUE O MATAVAM, FOI EM VIAGENS POR ESSE MUNDO”. (E nunca mais teve dores nem queixas, só contemplação e gratidão)

José Faria

terça-feira, 15 de setembro de 2020

POETAS VIRGENS

POÉTAS VIRGENS

De 15 de Setembro 1765 / 1954


Poeta ousado foi também o cidadão,
A quem me ligo com certa diferença,
Pelo humor revolucionário e devoção,
Entre o Bocage e eu ainda há parecença.

 

Só a influência do tempo e o chavão,
De uma outra era e de outra crença;
Nos separa do modelo, da intuição,
E da cultura literária sem ofensa.

 

Há duzentos e cinquenta e cinco anos,
Entrava neste mundo esse poeta;
(15/09/1765)
Cento e quarenta e nove anos depois entrava eu.


(depois da morte de Bocage – 1805 - 1954)

 

Pelo quinze de Setembro somos manos,
De igual literacia e igual treta,
E do registo poético meu e seu.

José Faria

segunda-feira, 10 de agosto de 2020

O BRASÃO DA QUINTA DE PAREDES

A VELHA QUINTA DE PAREDES E O SEU BRASÃO

Sempre me fascinam as grandes quintas acasteladas e brasonadas que encontro nas minhas pedaladas.

Grande parte deste património histórico foi entregue ao decorrer do tempo sem ninguém, o que me desperta ainda mais a imaginação sobre as vidas ali vividas, a história de famílias monárquicas, esclavagistas ou feudais poderosas e senhoriais das terras trabalhadas, suadas e sangradas, pela plebe.
De entre as várias fazendas deste tipo acastelado e brasonado, porta de entrada de grandes terrenos de cultivo e pastagem, que vi no caminho entre a Maia e Vila do Conde, despertou-me o brasão da entrada da Quinta de Paredes, na rua do Património, em São Pedro de Avioso, em direção a Guilhabreu, com uma capela e cruzeiro defronte, do outro lado da rua.
Com datas de 1616 e 1736, de características “acasteladas”, sobressai sobre a entrada principal o brasão em granito que se encontra amparado por duas robustas volutas que rematam, em altura, aquela 
entrada.
O escudo redondo, de bico insinuado e de bordo superior em arco de cinco estrelas de cinco raios.
Sem entrar em pormenores sobre o que há de registo escrito na história desta e de outras quintas, apraz-me descobrir, conhecer, fotografar e divulgar este património histórico que me leva a recuar no tempo e a imaginar estórias da história e das vidas ali vividas.
José Faria✍️📖🤔🧙‍♂️
Fonte: - https://www.cm-maia.pt/cmmaia/uploads/document/file/1717/REVISTA_MAIA_2_-2__ISSN_2183-8437.pdf

domingo, 9 de agosto de 2020

POR TERRAS DE GUILHABREU

                                  DE SÃO PEDRO DE AVIOSO – MAIA

                         A GUILHABREU - VILA DO CONDE 

Depois daquela visita às terras de São Pedro de Avioso, na Maia, nomeadamente à sua monumental igreja no seio do povoado e dos milhais, segui adiante até atravessar o parque de lazer, merendas, desportos de manutenção física e demais atividades lúdicas oxigenadas e sombreadas ao ar livre, e à brisa suavizante do Parque de Avioso, da Maia.

À saída, ao contrário de virar à direita em direção ao Castêlo da Maia e Quinta da Gruta, pedalei à esquerda e fui ter a Guilhabreu, Azevedo e Vilar do Pinheiro. De visita demorada à igreja paroquial de S. Martinho de Guilhabreu, mandada edificar em 1885, verifiquei que é um dos mais belos e grandiosos templos do concelho de Vila do Conde. 

Das pesquisas efetuadas, constatei que “exteriormente sobressai a Torre Sineira em posição central, e a frontaria divida em três tramos por molduras lisas verticais de cantaria. O interior do templo é de uma só nave e está subdividido em capelamor e corpo da igreja com seis altares em talha dourada de excelente qualidade.

Do adro da igreja o visitante pode contemplar a extensa e multifacetada paisagem de casario, quintas, hortas, pomares e floresta cheia de cor e brilho que se espraia terra fora e pelo mar dentro. No Centro Paroquial inaugurado a 11 de maio de 1986, estão instaladas múltiplas valências e entre elas um pequeno Museu de Arte Sacra onde é possível apreciar objetos litúrgicos de antigos usos, tais como esculturas, mobiliário, custódias, cofres relicários, paramentaria e livros, o primeiro relógio da igreja paroquial etc., indo os principais destaques para a imagem do “Pai Eterno” que foi trazida da igreja antiga e já conta mais de 500 anos de idade, e para o resplandecente vestido de Nossa Senhora das Dores comprado em Paris no ano de 1907 pelo benemérito a residir no Brasil, Joaquim de Oliveira Maia”.

Depois da visita, fotos e filme sobre toda a riqueza histórica e

religiosa dos povos aqui patentes, que aqui vos deixo, desci 

tremidamente uma longa estrada de paralelo a grande velocidade, 

como podem constatar no meu registo da aplicação STRAVA, até

curvar à esquerda à procura de caminho em direção à Maia.

Ao atravessar uma longa rua silenciosa impregnada de solidão, entre bouças e campos de milho sem fim, eis que chego a um vasto cultivo a céu aberto entre milheirais, de produção de hortenses, como alfaces, cebolo, tomate, rabanetes….

Se me admirei com a forma e alinhamento geométrico como cada pé de espécie era introduzido na terra, em longas áreas de terreno nivelado, estupefacto fiquei ao ver mais de trinta homens de cor, curvados sobre a terra num movimento mecânico,… para não dizer robótico, introduzindo na terra os pequenos rebentos hortícolas, alfaces e outros.

Na verdade, levou-me essa imagem ao tempo das grandes explorações em Africa, no Brasil e noutras paragens. Quis fotografar ou filmar, mas temi… e ao passar pedalando, ao ver aqueles homens (negros escravos) em Guilhabreu de Portugal, apenas soltei um sonoro BOM DIA!.. Como sempre faço com todos os lavradores que encontro no caminho, e que me respondem sempre, alto e bom som.

Os trabalhadores de cor olharam-se e olharam-me admirados, mas nada disseram… e o capataz, o único homem de pé e de costas direitas a controlar a prol, olhou-me de soslaio, mas fez de conta que não me viu nem ouviu.

Ainda pedalei devagarinho e a olhar para trás, a pensar no filme ou foto, mas temi… não fosse encravar-me num mundo isolado que desconheço.

Um pouco à deriva, passei por Vilar de Pinheiro, e não pedalei muitos mais quilómetros para me sentir em casa, na Maia, ao alcançar a estrada nacional 13 já perto de Moreira.

Depois de atravessar o coração da cidade da Maia, depressa me pus em Parada, subi o Boi Morto, e logo concluí mais esta minha brilhante, saudável e cultural aventura.

Vale sempre a pena…

José Faria

FESTAS DA NATIVIDADE DE PEDROUÇOS - 2026

  FESTA E ROMARIA DE PAZ E ALEGRIA POR NOSSA SENHORA DA NATIVIDADE - Pedrouços – Maia – Setembro de 2026   Estoura no céu o fogo da alegria,...