MENSAGENS VERSADAS
quarta-feira, 20 de julho de 2022
terça-feira, 19 de julho de 2022
"LENDAS DA MAIA" NO ANIVERSÁRIO DE PEDROUÇOS - MAIA
LENDAS
DA MAIA NO 37º ANIVERSÁRIODA
FREGUESIA DE PEDROUÇOS
Lendas da Maia, livro que
comporta 23 lendas de todas as freguesias da Maia, nele constam quatro
referentes à freguesia de Pedrouços, que foi um lugar da freguesia de Águas
Santas, até adquirir o estatuto de 17ª região administrativa do concelho maiato,
em 1985.

No mercado na homenagem aos obreiros da criação da freguesia de Pedrouços
No seu 37º aniversário de
elevação a freguesia, a 9 de julho de 2022, integrado nas comemorações de
aniversário, esteve o livro “Lendas da Maia”, que teve o seu lançamento no
auditório da autarquia com a presença do autor, José Faria, da presidente da
junta de freguesia D. Isabel Carvalho e do crítico da arte literária e da
história do Fórum da Cidade da Maia, Dr. José Maia Marques.


No auditório da junta de freguesia de Pedrouços
A apresentação do livro
teve ainda a abrilhantar a cerimónia cultural, o músico, cantor e compositor,
Álvaro Vilaverde.
Álvaro Vilaverde

O evento de aniversário
teve início numa homenagem aos obreiros concidadãos de Pedrouços que lutaram
pela sua elevação a freguesia, junto de um marco histórico no mercado local, seguiu-se
o içar das bandeiras na sede da autarquia ao toque da fanfarra dos Bombeiros de
Pedrouços, sessão de apresentação e leitura de lendas da terra, do livro “LENDAS
DA
MAIA” e da parte de tarde, deu-se início à semana cultural da freguesia, nos
terrenos e parque aprazível envolvente à Casa do Alto, complexo municipal
outrora de grande atividade agrícola.
Na feira do Livro da Maia
Como decorriam em simultâneo
as festas do concelho e da cidade da Maia, em honra da Senhora do Bom Despacho,
“Lendas da Maia” integrou ainda o expositor da Feira do Livro, dedicado aos
autores maiatos.
José Faria
quinta-feira, 30 de junho de 2022
QUEM SABIA JÁ MORREU!
JÁ NINGUÉM SE LEMBRAQUEM SABIA JÁ MORREU!
Na escola deve estar todo
o ser e saber da história da terra e da gente onde se insere.
Para que nos lembremos e saibamos
sempre o que à nossa terra diz respeito; para que não se percam nem morram os
valores históricos relevantes de uma determinada região, aldeia, freguesia ou
concelho, será necessário inseri-los nos programas de português do ensino básico
e secundário, de forma didática e educativa.
As crónicas da terra onde
se inserem os estabelecimentos de ensino escolar, os contos ou lendas, enquanto
narrativas fabulosas carregadas de mistérios, ficção, verdades e mentiras, de
reis, rainhas e milagres, fascinarão naturalmente os alunos. Daí a importância de
inclusão desta arte literária nas disciplinas de português.
Seria uma forma de travar
a perda e o esquecimento desses contos, dessas fábulas e referências das
histórias das estórias da terra, para que as novas gerações as possam “saborear”,
dando continuação a esses valores culturais e até os enriquecendo com novas
criações.
Pois, na escola deve
estar todo o ser e saber da história da terra e da gente onde se insere.
José Faria
FOOOOOOGO! JÁ AAARDEEEE!
FOOOOOOGO! JÁ AAAAARRRRRRDE!
Há muito que se perdeu do ouvido e do tempo,
aquele tilintar persistente e compassado dos pedreiros. Aqueles berros de
alerta para o perigo dos tiros nas pedreiras.“fooogoo, já arde! Fooogo, foooogo, já arde! Minutos depois, o estrondo, o rebentamento da penedia, seguido por vezes, de
uma chuva de pequenas pedras a cair do céu por entre giestas, pinheiros e
eucaliptos.Era a vida dos montantes pedreiros que extraíam
a pulso e a dinamite a pedra dos montes.Até aos anos sessenta, as terras da Maia eram
“férteis” em pedreiras. Muitos eram os montados, as bouças rasgadas a pulso
pelas mãos dos montantes pedreiros.Pude acompanhar o meu progenitor em algumas
delas, em Águas Santas, no Boi Morto, em Milheirós e no Monte Penedo.
Uma vida rude que exigia resistência, força e
até brutalidade, dos homens que a pulso, ferro e fogo, desbravavam montes de
granito sem a existência de máquinas, que ainda as não havia.Também na “razão destes versos” não poderia
deixar de contemplar a bravura e o engenho daqueles que faziam da pedra o que
queriam com meios tão artesanais. Conheciam todas as características e os veios
e pontos fracos da pedra no seu estado natural como as suas calejadas e
gretadas mãos, de pulsos papudos por forças provocadas por excessos de força,
de luta de trabalho e de resistência humana.
MONTANTE
A derrubar montanhas,
Montante de profissão,
De xisto ou de granito,
Rasgadas por sua mão.
Já o dia se levanta,
Se levanta a força, o grito:
Canta o pisco, chasco canta,
Canta o picão no granito.
Montante que lá no
monte,
Tua força não
conheces;
Sai de tuas mãos a
pedra,
P’ra palácios.
Desconheces?
É feito um furo no bolo,
Com a broca à
pulsação,
Num compasso
cantador,
Que dá força ao
marretão.
É metida a dinamite,
Nas entranhas da montanha;
Mãos robustas, cuidadosas,
Não se percam na façanha.
Já o tiro rebentou!
Cuidado, não saltem
guilhos.
Não vá a pedra que voou,
Deixar sem pai os
teus filhos.
José Faria
domingo, 26 de junho de 2022
PRESENTE CALADO
São tantos os meios de
comunicação,
Pelas redes móveis e telefonia;
E chega a ser quase
provocação,
Tanta indiferença, deseducação,
De tanta ausência em
demasia.
Esse silêncio e separação,
Eleva a tristeza e mata a
alegria;
E se é familiar a
aproximação,
Mais sofre calado o
coração,
Que vai vivendo na
nostalgia.
E quando o elo de
ligação,
Corre no sangue, é
descendente;
Não se encontra
compreensão,
Para tanto silêncio, separação,
Sobre o velho sangue ascendente.
Mas a providência sabe a razão,
Sempre precisa, é
discernente;
Põe no lugar qualquer o coração,
Tem do universo a
formação,
Que desperta a alma inteligente.
Esteja o anjo na
condução,
Durante a vida bem
presente;
Nos livre da mentira e da
ilusão,
Até ao perecer, à libertação,
De regresso à terra omnipotente.
José Faria
A ERMIDA DESAPARECIDA
PEDROUÇOS
E A ERMIDA A SÃO PEDRO
Por
mais que raleie tanta coisa lida,
Por
mais que desfolhe e canse o dedo;
Não
descubro onde era a tal ermida,
Que existiu em Pedrouços a São Pedro.
O ponto de partida das constantes pesquisas, está na página 40 do livro “Maia, História Regional e Local. Actas ao Congresso”, onde o historiador Dr. José Maia Marques, expões muitas questões da nossa história maiata, e onde em rodapé e letras pequenas (explicação de pontos do texto) se referem discrições do Padre Azevedo que – “Em Pedrouços existe a ermida de S. Pedro.”
Na
verdade, apesar da procura, não passei além da suposição de que o local da
ermida a que se refere o Padre Azevedo, seria no planalto, e terá
existido ainda no tempo em que foi construída a pequena capela na base do monte,
por volta 1440, na atual rua do poeta que cegou aos seis anos, António
Feliciano de Castilho.
Porque
me parece que quando, cerca de 300 anos depois, foi construído o santuário a
Nossa Senhora da Natividade, a ermida a S. Pedro deixou de fazer sentido e foi
caindo no esquecimento.
Nesta extensa narrativa histórica do Dr. Maia Marques, em “Maia, História Regional Local”, não se encontra mais nenhuma referência à ermida a S. Pedro, em Pedrouços, para além desta:
- EM PEDROUÇOS EXISTE A ERMIDA DE SÃO PEDRO”. Apesar
de outras pesquisas efetuadas a escritos de registos históricos do Padre Azevedo,
não passei desta descoberta, mantendo-se a incógnita: Como era e onde ficava
a ermida a S. Pedro?
José
Faria
sexta-feira, 17 de junho de 2022
REMÉDIOS DOS POBRES
TALHAR ERA O REMÉDIO DOS POBRES
- O “milagre” da rezinha dava para todas as maleitas.
Deslocavam, escanavam ou torciam o pé, o braço, a perna!? – Lá iam
“coser” o mal à curandeira ou ao endireita habilidoso, que os esfregava com água-ardente
e puxa aqui, esfrega acolá mais a rezinha, e curavam todas as maleitas.
Estavam com o tesorelho ou papeira, iam aos lavradores, aguentavam com o
jugo no cachaço ainda quente do cachaço dos bois, e a rezinha curava-os.Eram estes os tratamentos, os remédios e os doutores e as farmácias do
povo de antigamente. De quando “éramos felizes e não sabíamos” (!?)“Estrelinha brilhante,O meu filho tem uma íngua,Ela diz que pode mais do que tu,Mas tu podes mais do que ela;Brilhes tu e seque ela.
Esta lenga, lenga de cura da íngua, aftas, entorses e de outras
maleitas, era dita à noite com céu limpo, de forma a ver-se pelo menos uma
estrela. Escolhia-se a estrela e fixava-se nela o olhar. Depois de se benzer e
com a mão sobre a cabeça do filho ou filha que tinha a íngua, que também se
benzia, a mãe mandava o filho ou filha repetir, sempre a olharem para a estrela
que escolheram:
- “Estrelinha brilhante….
Mas também se talhava o medo da criança, andando com ela à volta de um
esteio debaixo da ramada, tagarelando a rezinha. E pronto, tínhamos remédios
para todos os males!? – Se não curasse à primeira, no dia seguinte voltavam ao
tratamento das maleitas com o mesmo “medicamento” benzido e falado, com os
olhos postos na estrela “curativa”.
E eram muitos os remédios para todos os males, pois quando se tratava de uma alergia, um vermelhão, um inchaço... com um carvão na mão, meio quente, ia-se nele cuspindo e depois andando com ele à volta da alergia, do inchaço, do vermelhão com idêntica "receita" curativa palrando outra reza:"Bicho, bichão, aranha, aranhão,sapo, sapão, cobra, cobrão e bicho de toda a nação;assim tu seques como este carvão."E voltava-se a cuspir no carvão, e voltava-se a repetir o "remédio".
Conclusão: - Pobres, do tempo em que nem haviam infantários, nem pré-primárias,
de quando a maioria das mulheres do povo pariam em casa, com a ajuda da vizinha
habilidosa a que chamavam de parteira; sem dinheiro para calçado e de roupa
quase sempre remendada, que ia dando de uns irmãos mais velhos para os mais
novos. Pés quase sempre feridos por andarem descalços. Escondia-se a broa para
dar para o almoço ou jantar… para a “canalha” não a comer fora de horas.
Tempo em que as crianças começavam a trabalhar nos campos, nas fábricas
e nas obras aos 10 e 11 anos; tempo em que as crianças na escola levavam com a
caninha nas orelhas ou reguadas, porque não fizeram os trabalhos de casa
(deveres)… porque andaram a trabalhar antes e depois da escola…
Mas eram felizes, muito felizes, só que não sabiam. !?...
Assim pensa, afirma e divulga, tanta ignorância e saudosismo da pobreza.
José Faria
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