O MUNDO SOMOS NÓS TODOS E TUDO QUE NOS RODEIA!

Quanto mais verdadeiros, social e humanamente, forem os cidadãos, melhores serão as famílias, os lugares, as freguesias, os concelhos, as regiões, o país e o Mundo. (José Faria)

Domingo, 1 de Abril de 2012


MORREU A TRABALHAR














Viveu muito tempo em barracão,
Depois prefabricado, bem melhor.
Meio podre, de madeira e com bolor,
Era o lar do operário em construção.

Em meio século de vida entregou
A arte de construir habitação,
Quarenta anos nessa vida labutou,
Sempre a viver carente em barracão.

O seu "forróbódo" sempre a trabalhar,
Desde criança sempre a construir,
Um dia parou-lhe o coração,
Sem mais nem menos, sem se ver razão:
Caiu por terra, deixou de existir.

Alguns amigos e um familiar,
Assistiram ao velório, fim de vida:
Do bolso ajudaram a custear,
As despesas da sua partida.

E não houve noticia em jornais,
Nem noticia de televisão:
O futebol era um dos ideais,
Do operário que morreu do coração.

José Faria

Sábado, 25 de Fevereiro de 2012

AS FANFARRAS DOS BOMBEIROS

Ruidosos bombos avançam a compasso,
A toque de caixa e marcha acertada.
Ofereçam aos bombeiros o vosso abraço,
Nossa segurança sempre vigiada.

É a fanfarra alegria e festa,
Das romarias da população:
E a tantos jovens ocupação presta,
Em conhecimento e formação.

Música festiva e divulgação,
Do seu quartel e paz de bombeiros;
Na dianteira da procissão,
Em todas as terras são os primeiros.


Apoiam a igreja e a tradição,
Acodem ao sinistro, nobres obreiros:
Arriscam a vida de coração,
Dêem um abraço aos vossos bombeiros.
José Faria

Sábado, 4 de Fevereiro de 2012

NOVA CONVENÇÃO LINGUÍSTICA



“Dececionados” não fiquem,
A língua não perde “ação”!
Com a nova alteração,
Da letra muda abdiquem.

Se escreverem decepção,
Deixem de fora o “P”,
De o escrever não há razão,
É letra que não se lê.

Cá está, outra, “atualizar”,
Perdeu a “C” letra muda.
Pois nela não deve estar,
Não dá à palavra ajuda (?).

“Elétrica” outra corrente,
Ficou sem a consoante,
Por ser muda não é gente,
Nem a lê o bom falante.

“Respetivamente” vão,
Aparecer muitas erradas,
Ou por falta de atenção,
Ou por não bem estudadas.

Mas mais algo aconteceu,
Nesta nova convenção:
A língua escrita sofreu,
Também na acentuação!

Ainda é cedo p’ra assentar,
Nesta nova convenção.
Deixei-nos primeiro educar,
Pôr em ordem a educação.
 José Faria

Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2012

A FOME



À fome,
Quando ela te for apresentada,
Vais-lhe dizer o teu nome;
Muito prazer,
Não deseja tomar nada!?

Mas não virá de repente,
A descarnada,
Vai comer-te lentamente
Passo a passo,
Subindo cada degrau
Até ao cimo da escada.

São 5 euros nas batatas,
Mais cinco no detergente,
Mais trinta no bacalhau
Até ficares sem mais nada.

Quando fores apresentado à fome,
Vai-te doer a barriga
E dar-te volta à cabeça,
E vais estar pronto a roer
Qualquer coisa que apareça.

Vão subir-te ratos pequenos
Por dentro das tuas veias,
Fica-te a garganta seca
Só habitada por teias.

Fica-te a boca calada,
E quando quiseres falar.
Levas por cima porrada,
Que és pago para trabalhar
E nunca para ter ideias.

À fome
Quando ela te for apresentada,
Vais-lhe dizer o teu nome.
Muito prazer,
Não deseja tomar nada!?

Ou talvez não seja assim,
Talvez seja ao contrário;
Talvez não estejas disposto
A pagar à tua conta
Os juros ao usurário.

Quando fores apresentado à fome
Olha-a de frente e pergunta:

Quem é que me prende a mão?
Quem é que me corta o passo?
Quem é que me bebe o sangue,
Pela garrafa que faço?
Quem é que me come esta fome
Que me tortura, que eu passo?

E não esperes pela resposta,
Constrói tu os teus caminhos
E faz dessa fome. Força,
E faz dessa força, gente,
E à fome faz-lhe frente,
Agarra-a pelos colarinhos,
Enfia-a pela boca abaixo
De quem fabricou a fome
Dos que raparam o taxo!

Do autor que muito admiro: José Fanha

Sábado, 28 de Janeiro de 2012

PAI NATAL ABRAÇOU A CIDADE


Vestiu-se a cidade de Natal,
O Porto de barbas e capuz.
Aportaram à cidade sem igual
E do vermelho alegre fez-se luz.

E veio até do Sul, a capital,
À vontade dos tripeiros fazer juz;
O alfacinha vestido à pai Natal
E do vermelho e branco se fez luz.

E de novo este gesto tocou fundo,
O coração de estar e ser pai bom
Um gesto oferecido a todo o mundo:

Os avós são o símbolo mais profundo
Que nos legam valores e tradição,
Nas acções de amor, do coração.
 José Faria

AINDA SOBRAVA PÃO!


“Daquilo que sobra à nobreza,
- Diz o povo e com razão!
Matava a fome à pobreza
E ainda sobrava pão!”

E tem sido esta a razão,
Também a nossa certeza;
Dos males desta Nação,
Entre fortes e fraqueza.

E os Leais, Associação,
Nunca esqueceu a frieza:
De tanta governação,
Para a miséria e riqueza.

Mas há dádivas e proezas,
Mais humanas e ousadas,
Doutros valores e nobrezas,
Que nos mantém de mão dadas.

E esta quadra é a razão,
Neste cabaz dos Leais,
A lembrar quem não tem pão,
E tão diferentes Natais:

“Daquilo que sobra à nobreza,
- Diz o povo e com razão!
Matava a fome à pobreza
E ainda sobrava pão!”

José Faria

AS PENAS DO TEMPORAL










Chorava o céu ali tão loucamente,
Por cima de plátanos sem cessar.
As lágrimas no chão eram torrente:
No jardim àquela hora a se inundar.

Do teto da cidade, bruscamente,
Teimosas vêm as bátegas a roncar
Com o vento que teimosamente
As trás no ar em força a baloiçar.

Morrendo ou dormitando, indiferente,
Sofrendo a invernia e a penar.
Num banco do jardim jaze presente,
Um corpo de mulher a delirar.

Solidária mão de passo urgente,
Não mais correu, quedou para prestar,
Ajuda àquela pomba tão sofrente;
Que o socorro médico fez chegar,

E dali a levou tão de repente.
De colete, já não está a estrebuchar,
Terá cuidados em lugar mais quente,
Longe do jardim a se inundar.
 José Faria