segunda-feira, 23 de outubro de 2017

PASSEIO À MINI FLORESTA


Passeio à "mini Floresta" ou fracção que a tal se assemelha, pelos velhos e centenários carvalhos e sobreiros aí existentes, em terras húmidas carregadas de folhagens e fungos.
Fui à procura do despertar da Primavera no coração do Outono.
Debrucei-me sobre as primeiras e delicadas flores "Colchicum Autumnale - Colchicum multiflorum, de Outono atemporal.
Pois já sorridentes, desabrocham na encosta da mansão da colina, designada de Casa do Alto, na freguesia de Pedrouços, no concelho da Maia.
Flor de floresta, originária da Ásia Ocidental e do Mediterrâneo, muito dada à companhia de outras plantas e fungos, cogumelos, ... que se desenvolvem e vivem em chão húmidos.

sábado, 21 de outubro de 2017

FOLHAS SOLTAS


Parque de lazer e merendas - Casa do Alto - Pedrouços - Maia


Soltam-se as folhas, vão no vento,
Amarelecidas e cansadas;
É o fim de vida em voo lento,
Na festa de Outono em desfolhadas.
 
Formam tapetes em chão barrento,
Nos campos, jardins, lagos, estradas;
E ganha a nudez, encantamento,
Nas árvores ao leu tão desnudadas.
 
Até fim de inverno em hibernação,
Em sono, silêncio e descanso parado
Na terra molhada, fresca e quimera,
 
Que anseia o porvir da criação,
E o fruto da vida mais renovado,
Num novo sorrir de Primavera.

José Faria



sexta-feira, 22 de setembro de 2017

O JOSÉ ADORMECEU NO MONTE



Hoje o salto é emigrar.

Tempos houve muito lá atrás da revolução de Abril de 1974, em que era muito difícil aos portugueses emigrarem, sem passaporte e sem razões que o estado o justificasse.

Assim, no tempo do regime político de ditadura fascista, para fugirem à fome, ao desemprego e ao cumprimento obrigatório do serviço militar com guerra no ultramar, muitos jovens emigravam, a salto. Muitos eram presos e considerados refractáriosNalguns casos ainda ajustavam contas com a Polícia de Intervenção em Defesa do Estado /DGS, e saiam bem magoados e marcados, quando saiam. (!?)

Davam o salto para Espanha e daí para França, Canadá, Alemanha, Brasil e outros países.
Haviam portugueses que se dedicavam a “passadores”, do género dos que hoje fazem com os refugiados abandonados à sua sorte em embarcações.
Muitos foram os grupos, que a troco de uma determinada quantia de pagamento aos “passadores”, atravessaram montes e vales até Valença, onde, atentos e a coberto da noite, esperavam o render da guarda da fronteira, para darem o salto para o outro lado de Espanha.
Normalmente aguentavam horas encurralados no monte e a coberto da noite, a aguardar o momento mais preciso, de distracção da guarda, para avançarem sem serem vistos. Por vezes atravessando o rio Minho nos sítios de menor profundidade.
Por lá andou também o Manel “pisco” na construção civil em terras de França, que viria a adoecer gravemente e que, sem meios, ainda conseguiu dar o “salto” de regresso, para vir morrer a casa.

Menos sorte teve o Zé “greta”, que no barraco da obra em construção, adormeceu uma noite para nunca mais acordar, devido ao fogareiro que lhe aquecia a noite fria e lhe roubou a vida. Por lá ficou.

Numa dessas passagens a “salto”, o passador Luís levou mais um grupo, entre eles o seu irmão e o sobrinho. Já passavam das quatro da madrugada quando chegaram ao ponto de vigia para controlar a movimentação na fronteira. 

O luar estava claro, obrigando o grupo cansado e com sono, a ficar quase duas horas agachado no monte entre arbustos, de olhos postos no movimento dos carabineiros na fronteira e ponte sobre o rio Minho.

Por volta das seis da manhã, no render da guarda o Luís, diz ao grupo para avançar e o seguir, sem barulho.
Como coelhos temerosos, evitando a luz da lua, lá foram sorrateiros e conseguiram chegar ao lado de lá.  

“ Pronto, estamos em Espanha! Estão todos!? – e deitou os olhos ao grupo.
- O meu sobrinho, o José!?
Todos se entre-olharam. Ninguém se apercebera se ele os tinha acompanhado ou não.
- Não me digas que ele adormeceu no monte!? – Exclamou o Luís.
Não podemos fazer nada, não podemos ir para trás, é muito arriscado.
Ainda esperaram algum tempo a ver se ele aparecia, mas tiveram que seguir caminho.
Na verdade, o José, moço dos seus 20 anos, cansado e ensonado adormeceu e ficou só no monte.
Só dois dias depois, quando o seu tio regressou a casa a Santo Tirso, se encontrou com o José, que lhe confirmou que tinha adormecido e que acordara só a meio da manhã.

Valeu-lhe a sorte de descendo à estrada, conseguir uma boleia de um camionista que o deixou a poucos quilómetros de casa.
Contos de José Faria



quarta-feira, 20 de setembro de 2017

ACORDA AMIGO


Meu companheiro e amigo
De mente manipulada,
Nunca me zango contigo,
Mas teu caminho não sigo,
Tua voz por outros fala.

Dão-te veneno a beber,
E tu fazes-lhes a vontade;
Esqueces que o saber,
A razão tem que exercer,
Para construir a verdade.

Dão-te festas e alegria,
Uns copos e mais sangria,
Pé de dança e diversão;

Engana-te a fantasia,
Vestida de hipocrisia,
Senhora da exploração.
José Faria

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

SERÁ PRESIDENTE AUGUSTO SIMÕES

SERÁ PRESIDENTE DA CÂMARA DA MAIA
Augusto Simões Ferreira da Silva

De Pedrouços.
Ontem como hoje, as intrigas e manobras que se desenvolvem e se criam entre os candidatos no decorrer d as eleições, não perdem as características engenhosas de candidaturas fantasmas ou reais, prontas para serem eleitas ou para desistirem em favor dos que pareciam adversários.
Mas será seguramente Augusto Simões, comendador e lavrador de Pedrouços o futuro presidente da Câmara Municipal da Maia.
Os tempos de grande intervenção política e social, anunciavam grandes mudanças que poderiam eclodir a qualquer momento. Nessa correria ao poder da Câmara Municipal envolvia-se freneticamente Sá e Melo, chefe henriquista da Maia, que não se deixava levar facilmente e possuía aquela costela de político vertical. Por isso tomou a peito evitar o acordo que lhe ia desarranjar para sempre a igrejinha camarária da Maia e anular por completo a sua influência politica no concelho.
E tão bem mexeu os pauzinhos que, dias depois, no salão do Governo Civil, onde ia assinar-se o acordo progressista – franquista – regenerador, a tempestade desabou com fragor tão intenso que o Sr. José Arroio, seguindo o conselho do irmão, baralhou, … e tornou a dar.
Ficaram parceiros henriquistas e teixeiristas, contra franquistas e progressistas.
Quer dizer, a vitória pertencerá aos primeiros, dado que os outros vão à urna, o que não cremos. Será presidente da Câmara Municipal, ao que nos dizem, Augusto Simões, de Pedrouços, que milita no Partido Regenerador.
A Câmara da Maia ficará, portanto, constituída por henriquistas e regeneradores.
A verdade é que Augusto Simões e os aliados de última hora, só não ganharam as eleições locais porque, entretanto, registara-se a revolução do 5 de Outubro, que faria passar por alguns dissabores e umas tantas injustiças o pequeno-grande Sá e Melo.
(in Almanaque da Maia – 1983 - de Álvaro Aurélio do Céu Oliveira)
Cento e sete anos depois, a história repete-se, também às portas de Outubro mas sem revolução republicana que impeça o programa de bastidores.
Será presidente da Câmara Municipal da Maia, certamente, o apoiado pelos parceiros de coligação semelhante, carvalhistas e carvalhistas.
Contos de José Faria com recurso à história.